19.2.09

Rua do Professor RODOLFO DE ABREU

150209

Fotografia publicada no Flickr

Rodolfo de Abreu (Porto n. 1/01/1903 - f. 8/10/1966) - Pedagogo democrata. Além de professor do ensino primário de grande mérito, foi pedagogo e ensaísta de nível invulgar.

Arquivo da Toponímia da C. M. do Porto

Rua de ESPOSENDE

18.2.09

Sai um cimbalino e um Porto para a mesa do canto


MAJESTIC. Em plena Rua de Santa Catarina, mantém a traça original e os interiores que sempre atraíram assim as atenções dos turistas. É um dos cafés mais emblemáticos do Porto


«Amáveis instituições de utilidade social, os cafés do Porto subsistem e sorveram a renovação apropriada aos novos hábitos. Outros, haveriam de degenerar ou desaparecer com as personagens que adoçaram histórias.

Funcionários públicos e privados, homens da banca e de má nota; estudantes e calaceiros, damas de pusilânime trato e de duvidoso porte, esta a nata de intermináveis horas palradeiras dos cafés da cidade. Outrora, as orquestras pautavam a convivência até o cheirinho a pão quente anunciar novo dia. Era o leque e os salamaleques de uma Belle Époque, cavalheirismo de paletó esbugalhando o olhar em setins e sombrinhas bordadas. Havia esta coisa simples e preciosa, o tempo.

Camilo, nascido há 180 anos, assestava a luneta no Guichard, quando não, refúgio no Chalet Suíço. Já Antero de Quental polemizava no Águia d´Ouro, onde um vinho velho seco viajava sob as queixadas de Arnaldo Gama e Júlio Dinis, que inseriu o nome do café no romance Uma Família Inglesa. Ramalho Ortigão e Sampaio Bruno entretinham-se a jogar dominó no Café Brasil, fundado em 1859, e ainda vivo, junto à estação de São Bento.

No corpo do burgo havia o republicano Sport, o Suísso, tentação de Guerra Junqueiro, o luxuoso Portuense, o Excelsior, o galante Nacional Palace, o sumptuoso Monumental, com orquestras e tômbolas. A evocar, ainda, o Lusitano, aberto em 1853, famoso pelos sorvetes e chá à inglesa, Tivoli, Astória, Saban, Royal, Rialto, com frescos de Abel Salazar e Palladium (actual Fnac), projecto de Marques da Silva, e dotado de grandes áreas de bilhar e dancing.

Pontificava em tais ambiências um vocabulário típico, sucedendo em 1955 Rebelo Bonito se referir, na revista Douro Litoral, à linguagem dos empregados de café. O fino (imperial), o café com cheirinho (borrifado de bagaço, oferta da casa), o galão (copo com aro e pega levando café com leite) e, claro, o cimbalino, alusão à marca da máquina de café. Assim, ao pedir-se um cimbalino marcava-se a diferença do café de saco.

Em cada café uma cratera de biliosas discussões, pousio de promessas amorosas, barricada de gente do mesmo partido ou clube. Tiques intelectuais e vendas de propriedades também remoinhavam entre vozeadas e unha comprida para quebrar a cinza do tabaco. E num frenesim mecanizado, os graxas corcovados, enquanto o gravateiro tentava impingir modas e o menino vendia O Gaiato, da obra do Padre Américo.

Na Baixa deram brado certas senhorecas que tinham a costumeira de beber "chá frio", verde branco servido em bules, e porque melhor convinha ao disfarce, bufavam na frescura oriunda das latadas de Amarante, em vez dos campos de chá chineses.

Com a evolução dos viveres, dos interesses imobiliários, os cafés esfumaram-se ou tiveram de render--se à adulteração. A "snackbarbarização". Casos do Embaixador, do Imperial, vindo ao mundo corria 1935, e onde se interpretaram obras de Wagner e Rossini, e de A Brasileira, inauguração em 1903, com o magnífico pára-sol de ferro e vidro, agora restaurante e Il Caffè di Roma, de uma cadeia de franchising. Que pena! Triunfou a pressa, o balcão, até os avisos "É expressamente proibido estudar neste local", parecendo que a malta nova transporta sarna ou qualquer maleita transmissível.

Viva o Estrela de Ouro e o emblemático marco de correio no interior do estabelecimento, o Orfeu, o Orfeuzinho. Viva o Ceuta, o Progresso, o aromático café de saco, o café dos professores. Viva o Universidade, o "Piolho" e as placas de mármore de final de curso nas paredes. E viva o Diu, o Avis, o Bela Cruz, junto ao Castelo do Queijo, também restaurado. Portos de encontro da cidade consigo própria, os cafés são ainda derradeiros monumentos de afectividade.»

alfredo mendes
Fotografia de Ursula Zangger

in Diário de Notícias

Rua do SENHOR DA BOA MORTE

130209


16.2.09

Rotunda da BOAVISTA


24|06|08

Fotografia original de Óscar Coelho da Silva (1969) - apresentada no Flickr

Rua do ESTORIL

Rua do ORFEÃO DO PORTO

120209

Rua FRANÇOIS GUICHARD

110209

Fotografia publicada no Flickr


«Historial
François Guichard - ( 1946 - 2002 ). Foi director de Estudos da Centre National de Recherche Scientifique, Professor da Universidade de Bordéus III e Director-adjunto do pólo bordalês do Centro de Estudos Norte de Portugal Auitânia ( 1979 -2002 ). Foi um relevante investigador e universitário francês que ao Porto, á sua região e a Portugal consagrou importantes estudos. » (sic)

Arquivo da Toponímia

Si vous souhaitez savoir plus sur François Guichard vous pouvez consulter ce document de Lusotopie.

Actualização e localização em Novembro de 2013.


14.2.09

História de uma rua que é dos nossos dias




A fotografia que ilustra esta crónica foi-me enviada por um leitor acompanhada da seguinte pergunta " sabe dizer-me onde é isto ?"

A resposta não é difícil porque na foto há elementos à vista que ajudam, facilmente, a identificar o local.

Trata-se do troço da Rua de Sá da Bandeira junto ao cruzamento com a Rua de Fernandes Tomás.

Basta olhar com atenção para ver, em plano recuado, a cúpula da torre da capela da Senhora da Boa Hora, também conhecida por capela de Fradelos; e, antes da torre, a vemos a casa esqueleto para exercício dos bombeiros de quando os Sapadores tinham o seu quartel na Rua de Gonçalo Cristóvão.

Vale a pena falar um pouco da história da Rua de Sá Bandeira que começou a ser construída três anos depois de terminado o Cerco do Porto, ou seja em 1836.

O primeiro troço que se construiu da nova artéria foi aberto ao longo da cerca do convento dos padres da Congregação de S. Filipe de Nery. Esse troço é a actual Rua de Sampaio Bruno. Inicialmente deu-se-lhe o nome de Sá da Bandeira. Isso aconteceu em 1837. Aquele bravo militar que combatera no Cerco ainda era vivo e a Câmara do Porto teve que lhe pedir autorização colocar o seu nome numa artéria da cidade. Sá da Bandeira anuiu ao pedido.

O convento dos Congregados, de que apenas resta a igreja, ocupava todo o quarteirão que envolve a zona nascente da Praça da Liberdade e a Rua de Sá da Bandeira, e estendia-se muito para além da actual Rua de Sampaio Bruno ao longo de uma estreita viela que corria paralela ao muro da cerca e que por isso se chamava dos Congregados. Ainda existe, agora com a designação de travessa. Ligava a igreja do referido mosteiro à desaparecida Quinta do Laranjal em cujos terrenos se viria a abrir, anis mais tarde, uma artéria que começou por se chamar Rua do Bispo, por serem propriedade da Mitra os terrenos da aludida quinta, depois deram-lhe o nome de D. Pedro, o quarto, claro, com a implantação da república passou a ser designada por Rua de Elias Garcia. Desapareceu com a abertura da Avenida dos Aliados.

Mas foi da Rua de Sá da Bandeira que me propus tratar. Voltemos, portanto, ao ponto de partida.

Antes porém, mais uma informação que ajudará o leitor a perceber melhor de como se processou a urbanização desta parte da cidade. Até 1836, ano em que se deu inicio às obras para a abertura da rua que viria a ter o nome de Sampaio Bruno, na parte da cidade compreendida entra as ruas de Santa Catarina, Bonjardim e Formosa, havia apenas a Rua do Bonjardim, que descia até muito perto da igreja dos Congregados; e as vielas da Neta, das Pombas e dos Tintureiros. Esta última é a actual Travessa do Bonjardim; a Viela das Pombas á a actual Rua de António Pedro e que antes se chamou Travessa do Grande Hotel. A Viela da Neta era uma estreita e comprida artéria que descia desde a Rua Formosa até um local da actual Rua de Sá da bandeira que podemos situar em frente ao café A Brasileira. Essa viela desapareceu quando, em 1875 se começou a construir a parte da Rua de Sá da Bandeira desde a Rua do Bonjardim, junto à Viela dos Congregados, até à Rua Formosa. Da Viela da Neta ficou um pequeno apontamento a que se deu o nome de Travessa da Rua Formosa, e que fica mesmo em frente ao palacete que foi do conde do Bolhão e fazia ligação com a Rua de Sá da Bandeira. Escrevi "fazia" e escrevi bem porque a travessa encontra-se fechada ao trânsito e a peões e temo que venha a desaparecer com as obras que estão projectadas para aquele sítio.

As obras para a abertura da nova rua até à Rua Formosa foram muito demoradas por causa das expropriações que tiveram de ser feitas, apesar de haver ainda, entre a Rua de santa Catarina e a tal Viela da Neta, muitos terrenos de cultivo, hortas e pomares pertencentes, na sua maior parte, a D. Antónia Adelaide Ferreira, a célebre Ferreirinha da Régua.

Foi já no dealbar do século XX (1904) que se começou a falar na construção da parte da nova artéria, entre a Rua Formosa e a Rua de Fernandes Tomás. No entanto as obras só começaram, efectivamente, no ano de 1911.

Quatro anos depois projectava-se um novo alongamento da rua, mas para o Sul. Havia um projecto camarário que previa o alargamento e modernização da medieval Rua do Bonjardim, na parte que ia dos Congregados à entrada da actual Rua de Trinta e um de Janeiro. O projecto vingou. Alargou-se a parte inferior da Rua do Bonjardim que ficou a ser uma continuidade da Rua de Sá da Bandeira. Estávamos em 1916.

O prolongamento da Rua de Fernandes Tomás até à Rua de Gonçalo Cristóvão teve inicio em 1924. Para tanto muito contribuiu uma tragédia que ficou memorável na cidade daquele tempo.

No dia 26 de Julho de 1924 um violento incêndio destruiu totalmente três prédios da Rua de Fernandes Tomás. Foi o pretexto para se dar continuidade ao prolongamento da Rua de Sá da Bandeira para Norte. A demolição do que restou dos imóveis calcinados abriu, por assim dizer, caminho para a nova empreitada.

Germano Silva
in Jornal de Notícias

9.2.09

Nós por cá - no Porto

Nós os peões do porto já estavamos habituados aos passeios ondulados como aqueles que existem na rua do Carregal, já estávamos habituados aos passeios minimalistas onde não cabe um carrinho de bebé! Também os utentes do Hospital Maria Pia se deparam com passeios estritamente reservados ao mobiliário urbano.
Depois houve aquela moda dos passeios dissuasivos como na praça Guilherme Gomes Fernandes. Na rua Elísio de Melo existem os passeio com "escadinhas". Também há os passeios sobredimensionados que são uma porta aberta para a prática de futebol de rua ou de estacionamento permanente.

Aqui vão dois casos do quotidiano:

030109

Na nova Praça (ainda não vi a placa com nome) ali na antiga rua dos quartéis, mesmo em frente do MNSR. Ainda não descobri se é um estacionamente privativo para os visitantes do Museu. Só sei que normalmente não há espaço para os peões circularem, são atirados para o meio da rua. Ficam sujeitos aos rodados dos veículos que aparecem pela boca do Túnel (dito de Ceuta). Pelos vistos ninguém se queixa, nem os funcionários do Ministério da Cultura.


Segundo exemplo:

070109

Outro inimigo da Cultura! Este (ou esta) escolheu propositadamente a Rua das Galerias para incomodar os pacíficos peões. O outro sacava do Parabellum quando ouvia falar de cultura, estes, estacionam os carros. É um método mais subtil.

A mim, só me espanta a passividade dos peões.

A mim, só me espanta a falta de cívismo.

Peço desculpa aos proprietários dos veículos mas encontro-me com um problema no photoshop e não pude disfarçar as matrículas.
Peço desculpa ao terceiro canal da televisão portuguesa por ter utilizado um título de programa.
Peço desculpa aos peões que continuam calados.

Eles querem cobrir a rua de Cedofeita I

É verdade que eu tinha prometido mostrar o Porto pelas imagens das suas ruas, mesmo que por vezes, não fossem as mais bonitas.

Mas desta vez tocaram numa das ruas que eu vi evoluir ao longo de muitos anos, já estou como aquele anónimo que deixou vários comentários sobre o Jardim da Cordoaria.

Encontrei uma notícia em "
Jornalismo Porto Net" que vem mesmo a propósito!

Comerciantes, habitantes, arquitectos, vereadores, passeantes, marinheiros, alunos, pais de alunos, bloguistas e muitas mais pessoas querem "cobrir" a rua de Cedofeita", mais ou menos estão todos de acordo, ou totalmente, ou, medrosamente, parcialmente.

Não tenho medo de afirmar que estão todos enganados!

Acabo de abrir o meu "gmail" e encontrei uma mensagem de uma pessoa amiga que me enviou o link para uma emissão da TV5 Monde. Curiosamente essa emissão trata das galerias (passages) de Paris.

Vou saltar para as minhas botas, abrir o guarda-chuva e ver a emissão. Onde haverá um café com a tvtel?

Também a aconselho a todos aqueles que querem tratar do Porto como foi tratado o problema do comércio em Paris no século XIX.

Até já, não se preocupem, vou voltar sobre o assunto! Nem que seja com uma pequena ajuda do Auzelle e do Oudinot.



2.2.09

Rua FRANCISCO SANCHES

JUNTA DE FREGUESIA DE RAMALDE

010209

Fotografia publicada no Flickr

História da freguesia de Ramalde


NASCIMENTO E ADMINISTRAÇÃO DA FREGUESIA
A freguesia de S. Salvador de Ramalde é mencionada pela primeira vez com o nome arcaico de Rianhaldy, nas Inquirições de D. Afonso III, em 1258. Porém, já aparece citada anteriormente, como lugar, num documento de 1222 em que a rainha D. Mafalda faz uma doação ao Mosteiro de Arouca.
A origem e crescimento do povoado de Rianhaldy perde-se nos tempos, antes da fundação da monarquia portuguesa, provavelmente entre 920 e 944, data em que chegaram ao território os monges de S. Bento. Assim começaria a história do julgado de Bouças e do seu antiquíssimo mosteiro beneditino. Este território pertenceu ao Padroado Real de D. Sancho I que depois o doou, em 1196, a sua filha D. Mafalda.
Na época de D. Sancho II o território denominava-se Ramunhaldy e era constituído por cinco lugares: Francos, Requezendi, Ramuhaldi Jusão e Ramuhaldi Susão (actualmente Ramalde do Meio).
Entre 1230 e 1835 pertenceu ao concelho de Bouças, o qual integrava também S. Mamede de Infesta, Matosinhos, Foz do Douro e um conjunto de vinte povoações.
Em 1895 foi integrado no concelho do Porto, como freguesia. Os seus limites eram assim definidos: a Norte o concelho de Matosinhos (Bouças); a Sul Lordelo do Ouro; a levante Paranhos e Cedofeita e a poente Aldoar.


EVOLUÇÃO DEMOGRÁFICA
É muito difícil caracterizar demograficamente com precisão esta freguesia no período anterior aos finais do século XIX. No entanto, pode dizer-se que em épocas anteriores Ramalde comportava uma população considerável, pois em 1757 possuía 407 fogos e em 1855 cerca de 600 fogos. Por outro lado, o forte crescimento da natalidade e a baixa taxa de mortalidade indiciam um incremento populacional.
No período que medeia entre os finais do século XIX até 1991, e devido à recolha de dados do "Census", já é possível fazer uma análise mais rigorosa da evolução demográfica.
Temos, assim, dois períodos: até aos finais do século XIX, fase que se caracteriza pela inexistência de "Census", e a partir dos finais do século XIX até à actualidade em que já existem "Census" para o estudo dessa evolução. Entre 1864 e 1981, S. Salvador de Ramalde manteve sempre um crescimento populacional positivo, sendo até muito elevado em certos períodos. No entanto, os "Census" preliminares de 1991 apontam, pela primeira vez, para uma taxa de crescimento populacional negativa. Analisando o segundo período, temos o seguinte quadro evolutivo:

Entre 1864 a 1900 um crescimento para mais do dobro. Este facto pode explicar-se pelo arranque do sector industrial e pela mobilização de uma crescente mão-de-obra que veio fixar-se em Ramalde.
Entre 1940 e 1950 e de 1960 a 1970, a população apresenta ritmos de crescimento que variam entre os 38,7% e os 44,5%, respectivamente. No período correspondente a 1940 - 50, este acréscimo pode talvez ser explicado pelo afluxo migratório das zonas rurais para as zonas urbanas.
Para o período de 1960 - 70, pode estabelecer-se uma relação de crescimento populacional e o desenvolvimento industrial que terá conduzido à fixação de mão-de-obra junto das unidades industriais. Porém, não deve ser alheia a este crescimento a implantação de grande número de bairros de habitação social a fim de fornecer alojamento a franjas de população deslocadas do centro do Porto, que apresentava, nesta fase, indícios de saturação.


ACELERAÇÃO DO URBANISMO NA ACTUALIDADE
O modo de vida de S. Salvador de Ramalde reflecte um processo de descaracterização sócio-cultural, em grande parte devido à aceleração da urbanização, nomeadamente a partir da década de 60.
Hoje o número de indivíduos que trabalham no sector primário é praticamente nulo (nos "Census" de 91 eram apenas 55) e os traços culturais dessa ruralidade quase se perderam, sendo desconhecidos entre a população mais jovem. Actualmente, 61,7% da população trabalha no sector terciário, seguindo-se 38,4% no sector secundário.
Nota-se, também, uma quebra de sociabilidade e relação de vizinhança, o que poderá ser explicado, em grande parte, por uma percentagem significativa da população activa trabalhar fora da freguesia, mantendo, assim, contactos privilegiados em diferentes espaços. A abertura de importantes ligações rodoviárias - que interessam mais ao Grande Porto do que propriamente às populações da freguesia - também não favorece, pelo contrário, as tradicionais relações de vizinhança e solidariedade.


HABITAT E URBANISMO
No início da industrialização da freguesia, a habitação operária designava-se por "ilha", alojamento muito precário, mas que permitia fixar mão-de-obra a baixo custo. Por outro lado ao patronato industrial vinha associado o crescente desenvolvimento de uma burguesia portuense industrial.
Estas "ilhas" eram também a única alternativa para uma incipiente classe operária cujo poder de compra era muito baixo, dada a prática corrente de baixos salários no início da industrialização -- princípio do século XX. Por fim, no plano de melhoramento da cidade "1956" e depois no plano director municipal "1962", a freguesia de Ramalde perde definitivamente a sua face camponesa e torna-se num espaço de preferência destinado à função residencial e ao sector secundário.
Os Planos indicados fizeram evoluir o centro da cidade para uma progressiva terciarização enquanto as zonas periféricas, como a freguesia de Ramalde, passaram a funcionar como espaços residenciais e de crescimento do sector secundário.
No que diz respeito aos espaços residenciais surgem novas realidades habitacionais que, de certo modo, pretendem substituir as "ilhas" da primeira fase: as habitações sociais. Este tipo de habitação pretende dar resposta ao aumento populacional da cidade numa época em que se põe em prática uma política de transferência administrativa de sectores de população do centro da cidade para a periferia, especialmente os que provêm de zonas degradadas.
A habitação social marca profundamente a ocupação na freguesia de Ramalde que se organiza fundamentalmente a partir da década de 60. Em contrapartida, e sem explicação, embora tenha sido Ramalde um território rural, parece não ter havido então a preocupação de criar espaços verdes. Na realidade, em toda a freguesia apenas existe uma zona de lazer e que não é pública. Trata-se do parque de campismo da cidade, ou parque da Prelada, que ocupa a quinta que pertenceu ao antigo solar dos Senhores da Prelada. A entrada principal abre-se para a rua do Monte dos Burgos, na saída para a Maia e Viana do Castelo já do lado Norte da Via de Cintura Interna.
Existe cerca de uma dúzia de bairros de habitação social, como os de Pereiró, Campinas, Ramalde, Viso, Francos, Ramalde do Meio, Bairro de Santo Eugénio...
Encontramos também a habitação privada mas degradada, as "ilhas" nas zonas de Pedro Hispano e João de Deus, Francos, Ramalde do Meio, Requesende, Pedro de Sousa e Pereiró.
A par deste tipo de habitação, aparecem as áreas residenciais de luxo: Avenida da Boavista, Zona Residencial da Boavista (Foco) e Avenida de Antunes Guimarães. Repare-se que as três zonas se situam nos limites da freguesia, a Sul e Leste.
Pode considerar-se que outro tipo de urbanismo está representado pela cidade cooperativa da Prelada inaugurada em 22 de Julho de 1993. Trata-se de uma união de cooperativas: "As Sete Bicas", "Ceta", "Hazal", "Portocoop", "Santo António das Antas", "Santo Ildefonso", "Solidariedade e Amizade", tendo como vizinha uma outra urbanização cooperativa, a "Nova Ramalde". O grande surto da habitação cooperativa surgiu após a revolução de 25 de Abril de 1974.

Aqui pode encontrar todas as ruas e outros arruamentos da Freguesia de Ramalde na cidade do Porto.