18.5.08

Rua PINHO LEAL

24|05|08

Localizada e publicada no Flickr


Quem foi este Pinho Leal?

Augusto Soares de Azevedo Barbosa de Pinho Leal foi um historiador português, mais conhecido pela sua monumental obra corográfica: Portugal Antigo e Moderno: Diccionário Geográphico, Estatístico, Chorográphico, Heráldico, Archeológico, Histórico, Biográphico & Etymológico de Todas as Cidades, Villas e Freguesias de Portugal e Grande Número de Aldeias, em 12 volumes, publicados em Lisboa pela Livraria Editora de Mattos Moreira entre 1873 e 1890.

Era filho de José Matias Barregosa (natural de Vimieiro, Arraiolos), quartel-mestre do batalhão de Caçadores 3, ferido na Batalha do Buçaco em 1810, e de Rita de Cássia Soares de Azevedo, da família dos Soares de Azevedo, senhores da Casa de Paradela, no lugar do mesmo nome, meeiro das freguesias de São Miguel do Mato, Arouca, e Vale, Santa Maria da Feira.

Segundo os seus biógrafos nasceu em Belém, Lisboa, a 21 de Novembro de 1816. O próprio, em carta a Camilo Castelo Branco (publicada no jornal O Correio da Feira, de 9 de Agosto de 1969), diz ter nascido em Lisboa, a 16 de Outubro de 1816. Contudo, nos livros dos registos paroquiais de São Tiago de Penamacor, aparece o seu registo de baptismo, celebrado a 30 de Novembro de 1816, onde se diz que nasceu a 21 de Novembro, sem no entanto se referir o local onde nasceu. Por sua vez, o assento de óbito refere-o como natural da freguesia da Ajuda, concelho de Belém, Diocese de Lisboa. A propósito deste problema, Pedro Augusto Ferreira, abade de Miragaia, grande amigo de Pinho Leal e continuador da sua obra Portugal Antigo e Moderno, diz no artigo desta obra, relativo a Vimieiro, página 1463, nota 1, que o padre que baptizara Pinho Leal não terá posto de propósito no assento de baptismo o local de nascimento para evitar problemas legais, ou para fugir ás dificuldades legais. Pinho Leal nasceu na freguesia da Ajuda, concelho de Belém, sendo levado para Penamacor, onde residiam seus pais e onde foi baptizado. Ora, segundo o Direito Canónico, era necessária uma licença do Bispo para se baptizar numa paróquia que não a da residência dos pais. Daí a omissão do local de nascimento. Quanto à data de nascimento, é natural que seja 16 de Outubro, como o próprio Pinho Leal afirma. Convém ter presente que o Direito Canónico exigia ser o baptizado realizado até 8 dias após o nascimento, sob pena de sanção. Como o baptizado foi a 30 de Novembro, o pároco deve ter retardado a data para mais ou menos 8 dias antes do baptizado, ou seja, para 21 de Novembro, com o intuito de evitar sanções.

Pinho Leal passou aos primeiros anos da sua infância na Quinta do Laranjal, em Penamacor. Aos 6 anos, seguiu com os pais numa expedição para a Bahia, Brasil, onde presenciou os combates que as tropas portuguesas travaram com as forças brasileiras em 3 de Março e 3 de Maio de 1823, e aos 10 assentou praça nos Caçadores 4, em Castro Marim. Nesse mesmo ano, 1826, embarcou para Ayamonte, em Espanha, regressou a Portugal, voltou a Espanha e tornou a Portugal, andando por Penamacor, Sabugal, Idanha, Almeida, Pinhel, Coriscada e Celorico de Nespereira. Aos 12 anos emigrou para Arnedo, Espanha, voltando pouco depois a Lisboa, onde se matriculou no Colégio dos Nobres, que frequentou durante um ano. Transferiu-se para o Porto, onde cursou matemáticas na Real Academia da Marinha e Comércio, e aos 18 tomou parte, como alferes, na Batalha da Asseiceira, ao lado dos realistas, contra os constitucionais, sendo ferido por uma bala que lhe perfurou uma perna e feito prisioneiro de Vila-Flor. Foi preso para o Castelo de São Jorge, sendo solto em Junho desse ano, em consequência da Convenção de Évora-Monte. Várias destas andanças foram relatadas por carta a Camilo Castelo Branco, seu amigo, que as publicou nos seus romances A Brasileira de Prazins e A Viúva do Enforcado.

Desanimados com a evolução dos acontecimentos políticos, pois os absolutistas perderam a guerra civil, Pinho Leal e seu pai, agora tenente quartel-mestre, renunciam à carreira militar, fixando-se em Paradela e mais tarde e Louredinho, Vale, Santa Maria da Feira. A 12 de Julho de 1834, seu pai é apunhalado por um liberal como represália política. Em consequência dessas punhaladas, ficou paralítico, vindo a falecer a 24 de Dezembro de 1838, sendo sepultado no adro de Igreja Paroquial do Vale, em frente à porta da sacristia.

A 26 de Setembro de 1839 casa na Igreja Paroquial de Romariz, Santa Maria da Feira, com Maria Rosa de Almeida (e Castro), do Carvalhal – Romariz, de quem veio a ter 7 filhos. Com o dote da mulher constrói aí a sua pequena casa e faz-se mestre-escola. Contudo, essa profissão não se coaduna com o seu feitio mexido, com os seus hábitos errantes, tão errantes que aos 10 anos já tinha percorrido mais de 2400 léguas. Dedicou-se então à pintura e ao restauro de imagens antigas.

No Verão de 1840, ao pintar e restaurar a Igreja de Santa Eulália, em Arouca (pinturas que ainda hoje podem ser admiradas), encontrou na livraria do pároco o Diálogo de Varia História, de Pedro de Mariz (Coimbra, 1599). Foi então que teve a ideia de escrever um Dicionário Histórico e Geográfico de Portugal.

Em 1846 rebenta a revolta da Maria da Fonte, logo seguida da Patoleia. Embora a luta se travasse entre liberais (cartistas e setembristas), e ele se conservasse ferrenhamente miguelista, arma à sua custa 100 homens, apresenta-se com eles à guerrilha do escocês miguelista James MacDonell, em Castelo de Paiva, e marcha para o Norte com o posto de capitão, a que fora promovido a 1 de Dezembro desse ano. É então vencido e feito prisioneiro dos Cartistas, em Trás-os-Montes, seguindo para o Porto, debaixo de prisão. Na Régua, durante a travessia do Douro, fala aos barqueiros e estes, mesmo no meio do rio, desarmam e subjugam a escolta, dando fuga aos presos.

Pinho Leal volta então para a sua casa do Carvalhal e consegue ser nomeado subdelegado do procurador régio no Julgado de Fermedo, onde era juiz o Dr. José Joaquim de Oliveira Valente, de Goim, Romariz, também miguelista, com quem pouco depois se incompatibilizou.

Ainda não tinha desistido de escrever um dicionário. O que não tinha era dinheiro. Em 1860, graças ao valimento dum amigo, consegue então a administração da Casa do Covo, em Oliveira de Azeméis. O Conde do Covo tinha prazos em quase todas as províncias de Portugal. Isto permitir-lhe-á percorrer todo o país, a receber foros e renovar contratos. Nas horas vagas visita arquivos e recolhe elementos para a obra que projectara. Numa dessas viagens, Pinho Leal, que como poucos conhecia geologicamente o país e muito se dedicava ao estudo de minas, descobriu os jazigos de Carvão de Castelo de Paiva. Por essa descoberta, sustentou, durante anos, duro pleito judicial em Lisboa. Ganhou a questão e vendeu por quatro contos de réis os seus direitos de descobridor, instalando-se em Lisboa (1865).

Ao fim de 6 anos regressa ao Carvalhal com um volumoso dossier, e durante os 7 anos seguintes mais não faz do que pôr em ordem os seus apontamentos e escrever cartas a toda a gente, conhecida e desconhecida, pedindo informações. Segundo um seu parente, Alfredo Gonçalves de Azevedo, Pinho Leal escreveu quase toda a sua obra na sua residência, no Carvalhal, Romariz.

Em 1873 retirou-se para Lisboa, a fim de acompanhar de perto a publicação da sua obra a que deu o nome de Portugal Antigo e Moderno, o que só foi possível graças à influência de Camilo Castelo Branco e à boa vontade do seu editor e amigo Mattos Moreira. Aquando da publicação do X Volume, caiu gravemente doente e retirou-se para o Porto. Veio a falecer já viúvo, no nº 393 da Rua de Serralves, Lordelo do Ouro, a 2 de Janeiro de 1884.

Teve um funeral pomposo, apesar de ter morrido quase pobre, como a maioria dos grandes escritores portugueses. Ia engalanado com banda e a medalha da antiga Sociedade dos Arquitectos e Arqueólogos Portugueses, e vestido com a farda de alferes do extinto Batalhão de Caçadores 3, da Beira Baixa, em que havia militado. Depois de conduzido em carro fúnebre, tirado por duas parelhas, até à igreja matriz de Lordelo do Ouro, que estava literalmente coberta de crepes, teve aí pomposas exéquias e, em seguida, foi levado para o respectivo cemitério paroquial, onde foi provisoriamente depositado, na sepultura da família do seu senhorio e amigo Manuel Ferreira de Carvalho. O seu cadáver foi acompanhado desde casa até à igreja e desta ao cemitério pela banda marcial de Caçadores 9.

Nos dias 2, 6 e 7 de Janeiro de 1984, foi celebrado e 1º centenário da sua morte, em Lordelo do Ouro, Porto, onde participaram, além da igreja e Junta de Freguesia, a Faculdade de Letras da Universidade do Porto, o Arquivo Histórico da mesma cidade, bem como a associação “Os Amigos do Porto”.

Portugal Antigo e Moderno, a sua obra mais conhecida, é um dicionário em 12 volumes, organizado alfabeticamente por nome das cidades, vilas e freguesias de Portugal. Sobre cada uma das entradas tem um artigo cobrindo localização, etc. Em alguns deles descreve igrejas e monumentos, factos importantes, efemérides, pessoas notáveis aí residentes e ainda algumas famílias e sua genealogia e heráldica. O conteúdo é bastante variável, muitas vezes baseado em informações recolhidas junto dos abades. Pinho Leal iniciou a publicação em 1873, mas faleceu antes de a acabar. O último volume foi já coligido pelo Padre Pedro Augusto Ferreira, abade de Miragaia, em 1890.

Além do Portugal Antigo e Moderno e de laboriosa colaboração na imprensa periódica do seu tempo, Pinho Leal publicou o Manual Jurídico do Mineiro e, sob o pseudónimo de Patrício Lusitano e de parceria com Pedro Augusto Ferreira, abade de Miragaia, O Mistério da Granja do Tedo.

São ainda de sua autoria várias peças teatrais, em prosa e em verso, levadas à cena por alguns agrupamentos populares e então muito aplaudidas.

Deixou também um pequeno caderno manuscrito, datado de 1863 e intitulado Brasões das Principais Famílias de Portugal, composto de quarenta e nove folhas de papel vergé, em que figuram quarenta desenhos de brasões primorosamente executados, uns a lápis e outros tracejados a nanquim, e mais nove com as suas cores e indicação dos respectivos metais.

Bibliografia

  • Santos, Padre M. Fernandes dos, A Minha Terra – Breves Apontamentos Sobre Romariz, Edição do Padre Rodrigo Fontes;
  • Duarte, Rufino J. G., Monografia do Vale, Concelho de Santa Maria da Feira, Edição Póstuma da Junta de Freguesia – 2000;
  • Souza-Brandão, António de, Soares de Vale de Cambra, in Ul-vária – Arquivo de Estudos Regionais, Tomo IV, direcção Casa-Museu Regional de Oliveira de Azeméis.
Publicado na Wikipédia



17.5.08

Rua da ANCIRA


23|05|08

Publicada no Flickr


22|05|08

Fotografia publicada no Flickr

Origem do nome desta rua:

É verdade que sempre me intrigou, mas como uma rua "fora de portas" e não longe da rua do Monte dos Judeus, mesmo pertinho da praia de Miragaia, devia ter uma origem ligada a povos que tinham navegado até à Foz do rio Douro.

Num segundo tempo fui procurar à Wikipédia e enconteri este artigo:

"Ancara (em turco Ankara, pronunciado "âncara") é a capital da Turquia. Localiza-se no centro da Anatólia na parte asiática do país, a 910 metros de altitude. Tem cerca de 3,7 milhões de habitantes. É o centro administrativo do país e um centro industrial, comercial e cultural importantes.

Era conhecida anteriormente por Ancyra ou Ancira e, posteriormente, Angora. Já era um centro comercial importante no tempo dos hititas (século XVIII a.C.).

Foi capital da província romana da Galácia no século I. A cidade teve grande importância para a história da Igreja, pois religiosos sediados nela estiveram envolvidos com as controvérsias teológicas dos primeiros séculos do cristianismo.

Foi conquistada pelos turcos em meados do século XIV. Era uma pequena cidade de província quando foi escolhida para capital da Turquia em Outubro de 1923, por Kemal Atatürk."



16.5.08

Um Sítio Que Nasceu De Uma Curiosa Lenda

A História Lendária De Um Local


Faz pena ver o estado de abandono a que chegou o espaço onde, ainda nos idos de cinquenta, nos nossos dias, portanto, funcionou o antigo Mercado do Anjo. Embora situado em pleno centro da cidade, mesmo à sombra desse ex--líbris portuense que é a Torre dos Clérigos, aquele sítio atingiu um tal estado de degradação que, nos tempos que atravessamos, as pessoas evitam passar por lá… mesmo de dia.

E, no entanto, foi um dos mais buliçosos sítios da cidade, verdadeiro caudal de bizarrias, formigueiro de vidas a par com a estridente algazarra cantante dos pregões.

Em Janeiro de 1838, a Câmara do Porto, presidida por Luciano Simões de Carvalho, no relatório que elaborou para a edilidade que, a seguir, iria administrar a cidade, escreveu o seguinte "… o Mercado do Anjo, no estado em que vo- -lo deixamos, não deve ter dificuldade de concluir-se até ao fim do corrente mês…"

E acrescentou mais isto "… a sua abertura, que não pudemos conseguir em nossa administração, fica reservada para glória vossa …" Simpático, sem dúvida.

Mas havia também algumas recomendações "… seja um dos vossos primeiros cuidados, a compra e demolição das duas moradas de casas isoladas defronte da Torre dos Clérigos e a colocação de toda a gradaria pelos lados da Rua das Carmelitas e da Fonte…"

A fonte a que se alude atrás, estava na parte do mercado voltada para a igreja dos Clérigos.

A rua ainda não tinha a designação actual Rua de S. Filipe de Nery, em alusão ao patrono da congregação que se instalou naquele templo: Irmandade de Nossa Senhora da Misericórdia, S. Pedro ad vincula e S. Filipe de Nery, do Socorro dos Clérigos Pobres da Cidade do Porto.

Em tempos muito recuados, a actual Rua de S. Filipe de Nery, que em 1864 se denominava, somente, Rua de S. Filipe, era um simples caminho que corria ao longo de um terreno conhecido pelo Adro Antigo dos Pobres ou Adro dos Enforcados por ser ali que se enterravam os facínoras que morriam na forca e os presos que faleciam nas celas da cadeia da Relação. Foi neste terreno que se construíram, nos meados do século XVIII, a igreja e a Torre dos Clérigos.

Quanto à Rua das Carmelitas, sabe-se, pela leitura do relatório camarário atrás citado, que a Câmara do Porto solicitara, naquele mesmo ano (1838) autorização à rainha - era a D. Maria I - para proceder ao seu alinhamento. Isto significa, naturalmente, que a artéria sofreu algumas alterações. O que é verdade.

À época em foi solicitado referido alinhamento, a rua, bastante mais estreita do que é actualmente, subia em curva por entre duas altas paredes, uma das quais delimitava a cerca do Convento de S. José e Santa Teresa de Carmelitas Descalças.

Na petição que a edilidade enviou à rainha refere-se, concretamente, que o alinhamento era para se feito nomeadamente "…defronte do correio". Há para isto uma explicação depois da extinção, em 1834, das Ordens Religiosas, os edifícios dos antigos mosteiros, ou foram vendidos a particulares, em hasta pública, ou foram ocupados por serviços do Estado.

No Convento das Carmelitas que ficava ao cima da rua com esta designação e ocupava, praticamente, todo o quarteirão compreendido entra as actuais ruas das Carmelitas, Galeria de Paris, Santa Teresa e a Praça de Guilherme Gomes Fernandes, instalaram-se, após a saída das religiosas, várias repartições públicas, nomeadamente a estação central da Mala Posta que fazia a ligação entre Lisboa e o Porto; e a estação dos Correios e porque estes serviços eram os mais concorridos, foi pela sua designação que o edifício se tornou, também, mais conhecido.

O Mercado do Anjo, enquanto funcionou ao serviço da cidade, durante mais de um século, foi um dos sítios de maior movimento do Porto. Tudo o que é generoso de expressão popular assentou ali arraial. Ao redor do ressonante chafariz que ornamentava o centro do mercado, fazia-se a cerimónia da eleição da Rainha das Vendedeiras e respectiva damas de honor.

Tudo desapareceu. Um conjunto de circunstâncias de acaso urbanístico fez do recinto do antigo mercado um couto da marginalidade, uma lixeira, uma vergonha.

E até quando os edis portuenses irão permitir que esta chaga purulenta continue exposta à comiseração pública de quem por ali passa ?


Uma piedosa e ingénua lenda anda ligada à origem do nome que celebrizou este sítio. Consta que, em certa ocasião, passando D. Mafalda e D. Afonso Henriques, por aqui, a caminho de Guimarães, a esposa do monarca sofreu grave acidente. Em hora de aflição, o nosso primeiro rei terá prometido mandar construir uma capela em honra de S. Miguel-o-Anjo se a rainha saísse ilesa do trágico acontecimento. A prece foi escutada e a promessa cumprida. Na ermida havia uma imagem de Sebastião e na seta que trespassava o coração do santo protector contra a peste estava pendurada uma chave - a da porta da cidade que se abria ali perto na muralha fernandina. Fora ali colocada para que o padroeiro protegesse a cidade dos surtos da peste tão frequentes e mortíferos durante toda a Idade Média. Ao redor da capela de S. Miguel-o-Anjo instituiu-se, em 1672, o Recolhimento do Anjo destinado a acolher viúvas e meninas órfãs filas de pais nobres. A sua actividade durou até à extinção das ordens religiosas. O edifício foi demolido em 1837 para dar lugar ao Mercado, que acabou também por tomar o nome do padroeiro da capela original.

Germano Silva

Texto publicado no Jornal de Notícias

14.5.08

Rua Particular de MONSANTO

18|05|08

Localizada e publicada no Flickr

...Pensa-se que o topónimo advém da vitória republicana sobre as forças monárquicas, na serra deste nome, junto daquela cidade...

"Toponímia Portuense" de Eugénio Andrea da Cunha e Freitas

retirado do "site" da Câmara Municipal do Porto


Rua NICOLAU MARQUES GUEDES



17|06|08

Fotografia publicada no Flickr


Praça CARLOS ALBERTO - Maio 1958 - Maio 2008

Cinquentenário

O General sem medo

15|05|08

Hoje

Fotografia publicada no Flickr

foto da Fundação Humberto Delgado


Faz hoje, quarta-feira, dia 14 de Maio, 50 anos, o grande momento do arranque popular da campanha do General Humberto Delgado que varreu o país de Norte a Sul, com a chegada do General ao Porto, às 19,10 da tarde, concatenando cerca de 200 000 pessoas, numa manifestação que encheu literalmente a Baixa portuense e que só teve comparação na história com a manifestação do 1º de Maio de 1974.

A ditadura foi apanhada de surpresa, uma vez que por exemplo pelas 18,30 nenhuma movimentação popular se notava. Mas como o combóio atrasou propositadamente em Gaia, por acção inteligente dos ferroviários, quando o general chegou a S.Bento já o comércio tinha fechado e toda a população se concentrava para o receber.

Chegado a S.Bento o General subiu em apoteose popular para a sua sede de candidatura em Carlos Alberto onde fez uma breve alocução à multidão.

Há noite houve o comício no Coliseu. Mas nessa altura já a ditadura fascista reagia e à sua moda, reprimindo por todas as formas as movimentações e concentrações populares, provocando dezenas de feridos e procurando impedir o General de receber os "banhos de multidão" que o povo insistentemente lhe oferecia.

De qualquer maneira, a recepção no Porto tornou a campanha de Humberto Delgado imparável e embora as Forças Armadas não tenham sabido, na altura, corresponder à coragem do General, em eleições totalmente viciadas que eram impossíveis de ganhar, o país nunca mais voltou a ser o mesmo!

Texto do blog do Pedro Baptista

Cinquenta anos depois, um abraço de camaradagem e de amizade para o Pedro e para o Júlio.
E eles saberão os porquês...