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28.4.17

2017 - Interiores - Café Ceuta

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Ainda quase no seu estado original. A visitar antes que mude de visual. Café inaugurado quando da abertura da rua com o mesmo nome no início dos anos 50. 

16.5.16

Antigo Café Bissau

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Na rua de Cedofeita.

Nos anos sessenta um artista portuense realizou um relevo para a decoração deste café.

Procuro mais elementos sobre o autor assim como sobre o painel. Agradeço que me contactem directamente para a minha conta no gmail ou que deixem uma mensagem nos comentários.

9.2.15

Relevo

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Na entrada do ex-café Astronauta deparamos com este relevo atribuível ao artista plástico Lino António (1). Este café situava-se na rua Passos Manuel e entretanto mudou de nome.

(1) - Lino António da Conceição (Leiria, 26 de Novembro de 1898 — Lisboa, 23 de Outubro de 1974)



11.12.14

Café Sical (actualizado)

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Detalhe do painel de azulejos da autoria de Júlio Resende (1963?)


A actual cafetaria "Café Sical" situada no edifício do Hotel Infante de Sagres começou por ser o local onde se comercializava o café daquela marca (cuja unidade fabril se situava na Senhora da Hora). 

Anos mais tarde ali se começou a vender também café à chávena. Os dois paineis de azulejo existentes devem datar dessa altura.




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A partir dos inícios do século XIX instalaram-se algumas torrefações de café nesta zona do Porto, umas com mais prestígio do que outras. Algumas marcas ainda existem dos nossos dias como "A Brasileira", a "Casa Christina" e a "Sanzala". Outras de menor importância desapareceram. Hoje as torrefações já se afastaram para a periferia mas as lojas ainda fornecem clientes fieis às marcas. 




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(actualizado em Dezembro 2014)

25.11.14

Café Aviz

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O Aviz era nos anos sessenta do século vinte mais selecto e "bem frequentado" do que os outros dois grandes cafés seus contemporâneos e vizinhos - O Estrela d'Ouro na rua da Fábrica e o Ceuta. 
Ainda hoje ostenta a designação de Salão de Chá!




21.6.14

Arte pública no Café Magno

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Sentado à mesa de um café com um amigo de "outros" tempos fiquei a saber que o Café Magno possuía um mural da autoria do artista plástico Tito Reboredo. Obra inacabada realizada em Outubro de 1980.

Quase de certeza que foi a primeira vez que lá tinha entrado. É verdade que é uma parte da cidade onde passo muito raramente - as Torres do Luso, também conhecidas como Urbanização do Luso. Terrenos e propriedade da Santa Casa da Misericórdia do Porto. Edifícios cujo risco se deve ao arquitecto José Carlos Loureiro. Etc... já foi abordado nestas páginas do blogue.

Talvez em breve haja mais coisas sobre este conjunto habitacional.

Para já ficam algumas linhas sobre o pintor:

«Duarte Gustavo de Albuquerque Roboredo e Castro  (Tito Roboredo) nasceu a 4 de Junho de 1934 no concelho da Mêda.


Em 1973 regeu as cadeiras de "Desenho de Modelo Vivo" e de "Pintura do Natural", esteve representado na I Exposição do Ciclo de Exposições "Artistas de Matosinhos", no Orfeão de Matosinhos, juntamente com Bruno Reis, Irene Vilar, Augusto Gomes e Nelson Dias.

Em 1974 foi suspenso da actividade de professor – a sua expulsão foi decidida em Agosto desse ano. A readmissão deu-se passados três anos, a 4 de Novembro de 1977, numa época em que Júlio Resende era presidente da ESBAP. Mas era tarde demais para colher alguma satisfação desse acto. Tito encontrava-se gravemente doente e faleceu em 23 de Outubro de 1980.

Segundo Laura Castro, uma das suas biógrafas, Tito era um homem de aspecto simples, sensível e discreto, tolerante mas exigente, de fino trato e de firmes convicções. Artista minucioso, desinteressado em expor a sua arte e pouco habilidoso na sua venda, durante 25 anos realizou uma obra onde persistem lugares familiares (a quinta onde fazia vinho com os irmãos, a casa de Leça da Palmeira, a Academia Alvarez onde trabalhou e o Café Magno que frequentou e onde se conserva um trabalho seu inacabado). A sua arte denota o gosto pela experimentação e é dominada por relações simbólicas e por poses de quietude e estranheza. »

Pode saber mais nesta página da Universidade do Porto.


30.12.13

Ainda o Cimbalino

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O Porfírio do Cimbalino e a Balança Falante


No ano 2000 editei um pequeno li­vro que recolhia textos de humor e sá­tira (ilustrado com desenhos publica­dos no Jornal de Notícias) a que dei o nome Cimbalino Curto, e o jornalista Via­le Moutinho atribuiu-lhe três estrelas (nu­ma escala de cinco) na recensão crítica que fez no jornal Diário de Notícias. Um dia o telefone tocou no meu ateliê. Do outro lado, alguém me dizia que fa­lava de Lisboa... e eu a registar a força do seu sotaque tripeiro! - Olhe, eu mo­ro em Lisboa e estou farto de procurar o seu livro Cimbalino Curto, mas não o encontro nas livrarias. Fui ao Diário de Notícias para me darem o seu contac­to, mas também não sabiam quem vo­cê era. Tiveram que telefonar para a de­legação do Porto, e só assim pude che­gar à fala consigo. Sabe? É que eu sou o inventor do cimbalino!... E disse-o com tanta convicção e entusiasmo que, de imediato, lhe propus um encontro pa­ra que me contasse essa sua invenção. Combinamos dia e local, meti-me no comboio, encontramo-nos junto ao ele­vador da Bica e fomos almoçar bacalhau com grão. Bom conversador, o meu leitor even­tual chamava-se Porfírio. Rumou a Lis­boa em 1959 para chefiar a FAEMA, re­sidia em Oeiras, e nasceu no Porto (Fre­guesia de Santo Ildefonso) em 1928, ten­do vivido a meninice e juventude numa "ilha" da rua de S. Victor. Em miúdo este­ve, por um triz, para participar, como fi­gurante, no filme de Manoel Oliveira, Ani­ki Bobó. Só não o fez porque adoeceu e quando se iniciaram as filmagens esta­va internado nas Goelas de Pau (Hospi­tal Joaquim Urbano). A sua mãe, viúva, não queria vê-lo para­do. Por isso, aos sete anos, ajudava-a a carregar canastras de pão para a Calça­da de Monchique e, no Verão, ía para a praia da Foz vender copos de água com limão, de um regador forrado com he­ras. Carregou carvão e farinha, foi marçano, vendeu fruta aos trabalhadores que construíam o Coliseu do Porto, e aos do­mingos recebia gorjetas de viúvas por limpar jarras e floreiras no cemitério do Prado do Repouso. 

Aos 14 anos era aprendiz de serralhei­ro na Metalúrgica Henrique F. dos San­tos, no Largo do Corpo da Guarda. Entre os vários artigos fabricados nessa ofici­na contavam-se máquinas de café de sa­co, açucareiros, cafeteiras e leiteiras. Mas também se procedia a consertos e, nes­se sentido, às segundas-feiras, o Porfírio dava uma volta pelos cafés da baixa por­tuense recolhendo as peças com neces­sidade de arranjo. 

Dessas rondas profissionais recordava os cafés Java, Majestic, Águia D'Ouro, Palladium, Brasileira, Tivoli, Atneia, Arcá­dia, Sport, Central, Victoria, Astória e Bra­sil, e ainda a Confeitaria Palace, estabele­cimento de gabarito, que existia ao fun­do da rua 31 de Janeiro, na curva para Sá da Bandeira. No primeiro andar fun­cionava a redacção do jornal O Século. O Porfírio também arranjava fechadu­ras, e muitas vezes foi chamado a casas de prostituição onde, inexplicavelmente, as fechaduras avariavam muito!... Nes­sas andanças acabou por fazer amizade com muitas "mulheres da vida". Na dé­cada de 1950 Salazar proibiu a prostitui­ção complicando a vida a muitas profis­sionais do sexo, e o Porfírio recorreu às amizades que fez com os proprietários dos cafés da baixa, conseguindo empre­go para muitas delas. Uma das obras metalúrgicas que as suas mãos ajudaram a construir, e que recor­da pela sua imponência, é um candeei­ro de tecto que pode ser visto no hall do Teatro Rivoli. Um dia o Porfírio mudou de casa e de patrão. Instalou-se na rua de Santa Catarina, no número 630, e arran­jou emprego no número 610, na oficina metalúrgica de Manuel Ferraz, pegada à Casa NunÁlvares. Em 1948 veio a "co­queluche" das lâmpadas fluorescentes e o Porfírio especializou-se na nova técni­ca de iluminação. Também fez holofotes para a Tobis, máquinas de cortar fiambre e de medir azeite, cadeiras de barbeiro e balanças. Entretanto o serviço militar interrompeu-lhe a profissão numa altu­ra em que a guerra da Coreia obrigou o Estado Português a defender os territó­rios de Timor e Macau. O Porfírio só não foi mobilizado porque era considerado o amparo de família, por ser órfão de pai. Em 1950 a oficina mudou-se de Santa Catarina para a rua de Noeda (Campa­nhã), e uma nova especialização estava reservada ao Porfírio.

La Cimbali e o cimbalino 

Em 1956 a boa fama profissional da ofi­cina de Manuel Ferraz levou a que fos­se escolhida para agente da marca La Cimbali, moderna máquina italiana de ti­rar cafés. Porfírio foi a Itália fazer uma es­pecialização para poder reparar as no­vas máquinas, cuja primeira foi montada no Café Central, em Anadia. Seguiu-se a montagem de máquinas nos cafés Águia d'Ouro, Palladium, Âncora dOuro, Tropi­cal, Brasileira e Confeitaria Lobito (Largo do Padrão) no Porto, e nos cafés Sport e Pátria, em Matosinhos. O Porfírio era co­nhecido em todos os cafés, e o seu passa­do profissional merecia confiança. Hones­to, simpático, alegre e bom conversador, facilmente convenceu todos os indus­triais do ramo a deixarem montar uma das modernas máquinas nos seus esta­belecimentos, à experiência. Um engenheiro italiano, de nome Cam­po Nuovo, acompanhava o Porfírio e in­formava os donos dos cafés que só se procederia à venda da máquina se se comprovasse a eficácia do novo mo­do de servir café à italiana, se o interes­se dos clientes justificasse e se houves­se vontade de aquisição por parte do proprietário do estabelecimento. E foi a que começou o problema. Ninguém pe­dia café de máquina!... Passavam-se os dias e o café à italiana não tinha clien­tes. Aquilo parecia um fiasco e o italia­no Campo Nuovo começou a desani­mar e pensou regressar a Itália com as máquinas. Entendendo es­se desânimo, e cheio de boa vontade em ajudar, o Porfírio percebeu a fal­ta de informação que fa­zia o desconhecimento do produto pelos poten­ciais consumidores, e sugeriu ao italiano: 
- Ó senhor engenheiro, porque é que o senhor não faz um cartaz a dizer assim: "Não peça café. Pe­ça um cimbalino e veja a diferen­ça". Campo Nuovo arregalou os olhosl De imediato viu que acaba­ra de nascer um nome para o no­vo produto que era o café da má­quina La Cimbali! 

Aceitou a ideia, mandou tipografar car­tazes com a frase sugerida pelo Porfírio, distribuiu-os pelos cafés... e algum tem­po depois já pôde facturar as máquinas instaladas! 

Os bons apreciadores de café aderiram ao "cimbalino" que se tornou num êxito e numa marca do Porto, e o Porfírio re­cebeu um prémio de 5.000 escudos pe­la ideia! 

A balança falante 

A Farmácia Estácio, pegada ao Teatro Sá da Bandeira, no Porto, era famosa por ter uma balança que falava! Recor­do o momento mágico em que a minha mãe me levou a pesar-me nela. Subi pa­ra o prato, o ponteiro movimentou-se no mostrador apontando para o meu peso e, ao mesmo tempo, uma voz metálica saiu da balança, informando: "Vossa Ex­celência pesa vinte e quatro quilos e du­zentos gramas"!... Estávamos na década de 1950 e a técnica de gravação sono­ra não tinha a sofisticação necessária pa­ra explicar o fenómeno! O Porfírio fazia a manutenção da balança falante, e explicou-me o seu funcionamento. A balança, colocada na entrada da farmácia, nunca mudava de lu­gar. Nem podia!... Estava presa ao chão por parafusos. E na ca­ve, precisamente sob a balança, havia uma mesa sobre a qual se encontrava outro mostrador ligado por um veio ao tecto... ao prato da balança que esta­va na lojal Essa mesa era o pos­to de trabalho de uma funcio­nária que endereçava sobrescri­tos, empacotava comprimidos e rotulava xaropes, enquanto espe­rava que um cliente se fosse pesar. Quando tal sucedia, o mostra­dor da cave apontava o mesmo peso que o clien­te comprovava visual­mente, enquanto que acendia uma lâmpada vermelha, chamando a atenção da funcioná­ria. Esta, tinha um mi­crofone e um botão para o ligar, e dizia o peso que via no mos­trador que tinha à sua frente, e que o cliente ou­via na saída do som por de­trás do painel do ponteiro! Às vezes, momentanea­mente, a balança "avaria­va"... mostrava o peso, mas não falava. Isso acontecia quando a funcionária da cave... ia fazer um xi-xi... 

Onofre Varela
GRANDE PORTO MAGAZINE Dezembro 2004  | histórias da cidade


Explicação sobre o como e o porquê deste texto e desta foto

Há algumas semanas atrás, após ter visto uma das minhas fotos sobre o antigo Quartel da rua D. Manuel II, o Onofre Varela cedeu para publicação aqui no blogue um dos seus textos ainda inédito sobre «A casa da rata do CICA».

Desta vez foi um texto publicado na Cidade Surpreendente, que eu desconhecia, do autor de «Um Cimbalino Curto» que me levou a solicitar-lhe a publicação aqui.

Por vezes há cada coincidência, penso eu. 
Conheço há alguns anos o Onofre. Conheço o artista plástico e o escritor, mas também o cidadão. 
Por outro lado, também há muitos anos conheci o senhor Manuel Ferraz, quando eu era ainda menino e amigo de infância do Zé Manel. Além disso, tinha estado – minutos antes – numa conversa internética sobre os cafés do Porto, dos cafés já desaparecidos mas que estavam bem vivos na minha juventude. 
O Estrela deve ter sido o café onde eu passei mais tempo durante alguns anos. Penso ter pertencido aquele grupo que, em ares de brincadeira, para quebrar a morosidade da época afirmava que “já nos tínhamos sentado em todas as cadeiras”.  

Neste final de ano de 2013 dedico o texto aos antigos frequentadores do Estrela, ao Zé Manel Ferraz e agradeço ao Onofre que me autorizou a publicação.


3.9.13

24.5.13

ESTRELA D'OURO

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O Estrela

Actualmente é um restaurante mas durante muitos anos foi um café.

Muito especial, tanto pelo espaço como pela sua localização. Dos cafés do centro da cidade era um dos poucos onde se podia estudar à noite. O senhor Fortes tinha decidido que não haveria televisor na sala.

Largas montras deixavam entrar a luz rara da rua da Fábrica.
No interior, as mesas pareciam alinhadas na parada de um quartel.

Subindo o degrau da entrada, escolhia-se ou a esquerda ou a direita.
Do lado direito, dava-se logo com o quiosque. Jornais, revistas, tabaco, etc. Como era hábito nos anos sessenta. A D. Palmira conseguia gerir aquelas dezenas ou centenas de quilos de mercadoria.

Do lado esquerdo encontrava-se um balcão envidraçado onde vendiam café e bolos para fora. Ao lado do balcão, o telefone – cabine a moedas de cinco tostões. Logo a seguir o marco do correio. Sim, o Estrela era o único café do Porto com um marco do correio no seu interior.

Ao fundo, um grande balcão onde os empregados iam buscar as encomendas.
Do lado esquerdo, antes de chegar ao balcão, uma escada de acesso à sala de bilhares.

Etc.. etc...






22.5.13

CAFÉ GOA

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Na rua Fernandes Tomás.

Passei lá numa manhã. Pouco dava para saber se estava mesmo fechado ou se só abriria mais tarde.



27.2.13

CAFÉ S. LÁZARO

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Durante algumas décadas foi o café dos artistas da cidade, anexo da Escola de Belas Artes. Contrariamente ao Piolho com as suas placas de mármore nas paredes ou da "Closerie des Lilas" com os nomes nas mesas, este café nunca mais será o que foi!

Assim de memória, sem procurar nos livros: por lá passaram os "quatro vintes" e muitos mais dos anos sessenta do século vinte: o Eugénio de Andrade (que habitava não muito longe) aquela malta toda de Belas-Artes que fazia escala ao ir ou ao vir da escola, o Zeferino que lá ia tomar café depois de jantar na "Morte Lenta", os "ratos de biblioteca" pois a Municipal estava mesmo ao lado, o J. P. Pereira porque S. Lázaro era "in" e outros tantos daqueles tempos que esqueço. Durante mais algumas décadas continuou a ser o café de arquitectos, artistas plásticos e outros professores de educação visual.

Segundo fontes fidedignas a decadência começou com uma mudança de gerência que aconteceu nos anos 90. 

Hoje é um café tipo "pastelaria" sem bilhares, bastante amorfo durante a tarde, à noite não me convidem a lá passar.


7.5.12

Ainda os cafés do Porto


Há muito que não publico textos sobre curiosidades da cidade.

Na limpeza dos meus arquivos acabo de encontrar algo que já tinha guardado e quase esquecido. Como o link para a página onde estava publicado já não funciona, resolvo publicá-lo aqui para que não se perca.

Como a sua publicação é para a divulgação da cidade e das pessoas que nela vivem ou viveram, espero que o autor não veja inconveniente de o colocar aqui.




Em Louvor dos Cafés do Porto

Por Germano Silva *

Há uma história que está por fazer - a dos cafés do Porto. Não a história cronológica desde quando apareceram até ao seu desaparecimento, mas a história do importante papel que esses espaços públicos, se assim se pode dizer, desempenharam como lugares do intercâmbio de ideias e centros de difusão de culturas, tanto modernas como antigas. Nos idos de sessenta, essa verdadeira instituição portuense que foi o "café" desempenhou um papel de tal modo importante na história das artes, da literatura, do teatro e também da política, que não pode passar despercebida à análise mais ou menos crítica do cronista atento ao fenómeno cultural de uma cidade com a dimensão da do Porto. Houve cafés nesta nossa cidade que rivalizaram com as academias e, pode mesmo dizer-se, até com a própria Universidade. Ao redor das suas mesas, com tampos de mármore ou de vidro, travaram-se autênticas batalhas de estética, deram-se a conhecer, em primeira mão, tratados, romances, poemas. Congeminaram-se formas de resistência à ditadura e deram-se a conhecer alguns planos de luta contra o poder instituído. A determinados movimentos ou correntes correspondiam determinados "cafés". No desaparecido Rialto (ficava na Praça de D. João I) , por exemplo, reunia-se o grupos dos poetas que editavam as "Notícias do Bloqueio". Eram eles o Egito Gonçalves, o Daniel Filipe, o Papiniano Carlos, o Luís Veiga Leitão, o António Rebordão Navarro, às vezes o José Augusto Seabra e, sempre que os trabalhos jornalísticos o permitiam, o autor destas linhas, então um jovem candidato a jornalista. As "Notícias do Bloqueio", redigidas "à sombra" dos murais de Abel Salazar pintados nas paredes do café, eram, sobretudo, cadernos de poesia mas eram também e, fundamentalmente, trincheiras de combate político e tribuna de difusão de novas ideias. "Noticias do Bloqueio" é o título de um poema do Egito. Recordo-me que foi o Daniel Filipe quem sugeriu que fosse o título desse poema a servir de cabeçalho aos cadernos. A colecção completa destes cadernos é hoje raríssima e, por isso, difícil de encontrar. A sua reedição seria como que o "pontapé de saída" para a tal história dos nossos "cafés". Outro "café" cultural era a Primus - um misto de café e confeitaria à volta de cujas mesas eram certos, a determinadas horas do dia, o arquitecto Américo Losa e a mulher, a escritora Ilse Losa; o prestigiado advogado e respeitado combatente pelas Liberdades, Artur Santos Silva; António Ramos de Almeida que orientava o Suplemento Cultural do "Jornal de Notícias", onde acolhia fraternalmente os jovens que então ensaiavam os primeiros voos artísticos, literários ou teatrais. Recordo que o Círculo de Cultura Teatral - Teatro Experimental do Porto (TEP) tinha acabado de ser fundado e funcionava, com pleno êxito, no seu teatrinho da antiga Travessa de Passos Manuel, hoje denominada Rua do Ateneu Comercial do Porto. O grande mestre do Teatro que foi o António Pedro, sempre que os seus afazeres de director do TEP lhe davam alguma folga, bem como os actores que constituíam a Companhia do Teatro, eram também certos na Primus. "Primus inter pares", assim se lhe referiu Daniel Filipe numa das belissímas crónicas que diariamente publicava no "Diário Ilustrado". Escreveu: "Há no Porto um café onde se pensa. Há no Porto um café onde se escreve. Há no Porto um café onde se discute..." E o "Majestic", hoje uma instituição da cidade? O que esse "café" representou e representa no panorama cultural do Porto! Houve um famoso grupo de artistas que o elegeu como praça forte para as suas guerras contra o "statu quo", que o mesmo é dizer contra o imobilismo e a inércia reinantes. Foram eles o José Rodrigues, o Armando Alves, o Ângelo de Sousa e o Jorge Pinheiro que passaram à história artística do Porto com a designação de "Os Quatro Vintes". Ainda muito recentemente, num agradável convívio com três dos "Quatro Vintes" (o Zé Rodrigues, o Armando e o Ângelo) se evocou, com alguma emoção, o tratamento afectuoso de que estes artistas eram alvo por parte dos donos do "Majestic". Não há dúvida que para muitos deles, o "café", além de ser a sua Academia, era também uma espécie de lar onde podiam aquecer-se e alimentar-se, graças, muitas vezes, à generosidade de nobres gerentes hoje infelizmente esquecidos... Outro café, inexplicável e incompreensivelmente desaparecido, mas não esquecido, e que merece ser referido aqui, pois exerceu também uma grande influência no pensamento cultural e político do século XX, foi "A Brasileira". Era frequentado, indiferentemente, por homens da esquerda e da direita. Com esta singularidade: os de esquerda sentavam-se à direita e os de direita ocupavam as mesas do lado esquerdo.



As tertúlias do Café Ceuta



O "Ceuta", um dos raros grandes "cafés" do Porto ainda em actividade, acolheu durante anos uma animada tertúlia literária criada pelo Fernando Fernandes, o grande animador da Livraria Leitura que sucedeu à Divulgação. Recorde-se, a propósito, que a Divulgação nasceu a partir do Movimento Cultural Convívio, que surgiu com a página cultural do jornal "A Planície" que se publicava em Moura, no Alentejo. A primeira loja da Divulgação funcionou num sétimo andar do prédio número 22 da Praça de D. Filipa de Lencastre. Só mais tarde se transferiria para o cimo da Rua de Ceuta, já com o Fernando Fernandes (vindo da Livraria Aviz) como seu grande dinamizador. Os homens da tertúlia do "Ceuta" sentavam-se invariavelmente ao fundo da sala, perto do balcão da copa. Começavam a chegar à hora do lanche e iam ficando pela noite fora, às vezes até à hora do encerramento do café e, não raras vezes, vigiados de perto pelos esbirros da polícia política, a celebrada PIDE. Além do Fernando Fernandes e dos seus companheiros de aventura na Divulgação, o Carlos Porto e o Vítor Alegria, eram assíduos àquelas reuniões, Luís Veiga Leitão, António Emílio Teixeira Lopes, Orlando Neves que com a Maria Virgínia de Aguiar, então sua mulher, fundou e dirigiu a revista "A Cidade - do Porto e pelo Norte"; o jornalista Pedro Alvim; os actores Dalila Rocha e João Guedes, além do mestre António Pedro; e ainda Manuel Baganha, Luís Ferreira Alves, Jorge Baía da Rocha, Carlos Ispaim e muitos, muitos outros. Dos habituais frequentadores desta tertúlia do "Ceuta" alguns eram exímios jogadores de bilhar e muitas vezes deliciavam os numerosos assistentes com renhidas partidas de "snooker" na cave do "Ceuta". A esta época dourada dos "cafés" do Porto deve-se juntar a intensa actividade cultural e artística que se operava na cidade através do Cine Clube do Porto, da Associação dos Jornalistas e homens de Letras do Porto, da Galeria Alvarez que o Jaime Isidoro criara na Rua da Alegria e que era a primeira do seu género no Porto; da Cooperativa Artística Árvore que continua a produzir frutos em abundância e de excelente qualidade; e da própria Escola Superior de Belas Artes dirigida, então, por esse homem superior que foi o mestre Carlos Ramos. Trago este assunto às páginas deste número especial da "Porto de Encontro" para prestar homenagem a uma grande instituição que ainda hoje no Porto procura manter-se viva - o "café". É o caso do legendário "Âncora D'Ouro", mais conhecido por "O Piolho", e o "Orfeuzinho", lá para as bandas da Rotunda da Boavista. São dois locais onde certas pessoas, a determinadas horas, ainda se reúnem para trocar ideias, falar do próximo livro. Que dizer de "O Piolho": lembrar as manhãs ociosas e as longas noites em que a vida não ia além, ainda, de uma ilusão da Primavera da vida... Façamos votos para que no futuro os vindouros possam também dizer que muitos dos cafés de hoje exerceram a sua influência no pensamento do século XXI.


* Escritor, jornalista e editor da revista "Visão"


Texto originalmente publicado na revista "Porto de Encontro", Julho de 2001.»



21.7.09

Sobre o Piolho e outros cafés do Porto nos anos sessenta

Nas minhas andanças pelos blogs que mais me aprazem, encontrei este texto que publico com a devida autorização do seu autor. Talvez um dia me resolva a contar o que me resta na memória dos diversos cafés nos finais dos anos sessenta.
Até lá fiquem com a prosa de Francisco Seixas da Costa, a quem agradeço a disponibilidade.


«O "Piolho" fez 100 anos e, pelo que sei, está de boa saúde, com muita gente nova a animar-lhe a sala e a esplanada. O "Piolho", ou melhor, o "Café Âncora d'Ouro", é uma bela instituição do Porto, estrategicamente situada junto aos Leões, ali à beira dos Clérigos, de Carlos Alberto e do início de Cedofeita.

É um local de profundas tradições culturais e académicas, que muito frequentei na segunda metade dos anos 60, do século passado. Por ali aportava então muita gente de esquerda, os sócios da cooperativa livreira Unicepe, os pró-associativos (não tínhamos ainda direito a associação académica), os estudantes das Faculdades de Ciências e de Economia, logo em frente, bem como os de Letras e Medicina, um pouco abaixo. E todo o Teatro Universitário do Porto, por onde andei, bebia por ali o seu café de saco. É que o "Piolho", durante muito tempo, não teve "cimbalino" (essa portuense expressão para o "expresso", derivada das máquinas italianas "La Cimbali", que já equipavam a modernidade dos cafés da cidade, a começar pelo "Montarroio" e a acabar na "Brasileira").

Para muitas gerações desaguadas da província para estudar no Porto, os cafés representavam um espaço de acolhimento, socialização e convívio. O "Piolho" era um expoente desse universo, que também tinha o "Aviz" (algo intelectual) e o "Ceuta" (em frente ao Rádio Clube Português, onde eu também "actuei"), como fóruns clássicos de conversa, o "Progresso" com o melhor café de saco do mundo (dizia-se que punham bacalhau salgado) mas com professores a mais, o "Estrela" com os seus belos bilhares no 1.º andar e o "Bissau" de Cedofeita, um oásis de serenidade onde se concentrava a gente de Engenharia e dos lares da Torrinha e Rosário. Para estudo, tínhamos o "Saban" e o "Diu" (sempre cheio de "pequenas" de Farmácia). Mais para namoro, havia o "Guarany" ao fim da tarde, o "Orfeu" na Rotunda, o "Pereira" no Marquês, ou os recatados e distantes "Bela Cruz" do Castelo do Queijo e o "Chalet" do Passeio Alegre. Na baixa, onde se parava em outras diferentes ocasiões (ao domingos, ao final da tarde, à espera do "Norte Desportivo"), ficavam os institucionais "Rialto", "Embaixador" ou "Imperial", com a estudantada menos presente. E também o "Astória", ali no passeio das Cardosas, que abria às 6 da manhã, meia hora depois de fechar a "Stadium". Curiosamente, o "Majestic" não tinha então o "glamour" turístico de hoje e, bem perto, na Batalha, já preponderava o "Chave d'Ouro", onde a gente nova não ia muito.

Grande Porto!»

Francisco Seixas da Costa


Publicado em Duas ou Três Coisas

18.2.09

Sai um cimbalino e um Porto para a mesa do canto


MAJESTIC. Em plena Rua de Santa Catarina, mantém a traça original e os interiores que sempre atraíram assim as atenções dos turistas. É um dos cafés mais emblemáticos do Porto


«Amáveis instituições de utilidade social, os cafés do Porto subsistem e sorveram a renovação apropriada aos novos hábitos. Outros, haveriam de degenerar ou desaparecer com as personagens que adoçaram histórias.

Funcionários públicos e privados, homens da banca e de má nota; estudantes e calaceiros, damas de pusilânime trato e de duvidoso porte, esta a nata de intermináveis horas palradeiras dos cafés da cidade. Outrora, as orquestras pautavam a convivência até o cheirinho a pão quente anunciar novo dia. Era o leque e os salamaleques de uma Belle Époque, cavalheirismo de paletó esbugalhando o olhar em setins e sombrinhas bordadas. Havia esta coisa simples e preciosa, o tempo.

Camilo, nascido há 180 anos, assestava a luneta no Guichard, quando não, refúgio no Chalet Suíço. Já Antero de Quental polemizava no Águia d´Ouro, onde um vinho velho seco viajava sob as queixadas de Arnaldo Gama e Júlio Dinis, que inseriu o nome do café no romance Uma Família Inglesa. Ramalho Ortigão e Sampaio Bruno entretinham-se a jogar dominó no Café Brasil, fundado em 1859, e ainda vivo, junto à estação de São Bento.

No corpo do burgo havia o republicano Sport, o Suísso, tentação de Guerra Junqueiro, o luxuoso Portuense, o Excelsior, o galante Nacional Palace, o sumptuoso Monumental, com orquestras e tômbolas. A evocar, ainda, o Lusitano, aberto em 1853, famoso pelos sorvetes e chá à inglesa, Tivoli, Astória, Saban, Royal, Rialto, com frescos de Abel Salazar e Palladium (actual Fnac), projecto de Marques da Silva, e dotado de grandes áreas de bilhar e dancing.

Pontificava em tais ambiências um vocabulário típico, sucedendo em 1955 Rebelo Bonito se referir, na revista Douro Litoral, à linguagem dos empregados de café. O fino (imperial), o café com cheirinho (borrifado de bagaço, oferta da casa), o galão (copo com aro e pega levando café com leite) e, claro, o cimbalino, alusão à marca da máquina de café. Assim, ao pedir-se um cimbalino marcava-se a diferença do café de saco.

Em cada café uma cratera de biliosas discussões, pousio de promessas amorosas, barricada de gente do mesmo partido ou clube. Tiques intelectuais e vendas de propriedades também remoinhavam entre vozeadas e unha comprida para quebrar a cinza do tabaco. E num frenesim mecanizado, os graxas corcovados, enquanto o gravateiro tentava impingir modas e o menino vendia O Gaiato, da obra do Padre Américo.

Na Baixa deram brado certas senhorecas que tinham a costumeira de beber "chá frio", verde branco servido em bules, e porque melhor convinha ao disfarce, bufavam na frescura oriunda das latadas de Amarante, em vez dos campos de chá chineses.

Com a evolução dos viveres, dos interesses imobiliários, os cafés esfumaram-se ou tiveram de render--se à adulteração. A "snackbarbarização". Casos do Embaixador, do Imperial, vindo ao mundo corria 1935, e onde se interpretaram obras de Wagner e Rossini, e de A Brasileira, inauguração em 1903, com o magnífico pára-sol de ferro e vidro, agora restaurante e Il Caffè di Roma, de uma cadeia de franchising. Que pena! Triunfou a pressa, o balcão, até os avisos "É expressamente proibido estudar neste local", parecendo que a malta nova transporta sarna ou qualquer maleita transmissível.

Viva o Estrela de Ouro e o emblemático marco de correio no interior do estabelecimento, o Orfeu, o Orfeuzinho. Viva o Ceuta, o Progresso, o aromático café de saco, o café dos professores. Viva o Universidade, o "Piolho" e as placas de mármore de final de curso nas paredes. E viva o Diu, o Avis, o Bela Cruz, junto ao Castelo do Queijo, também restaurado. Portos de encontro da cidade consigo própria, os cafés são ainda derradeiros monumentos de afectividade.»

alfredo mendes
Fotografia de Ursula Zangger

in Diário de Notícias

28.1.09

Cafés do Porto - A Brasileira

Nos meus arquivos de artigos de jornais encontrei este publicado há meses no Jornal de Notícias.

Sou de uma geração que ainda conheceu os últimos suspiros dos grandes cafés da cidade, em que os cafés eram uma razão de serem de certos percursos da cidade. Cafés sem televisão, cafés onde regularmente as pessoas se encontravam, onde se tratavam de negócios e comércios, onde se estudava ou onde se namorava.

«A notícia de que "A Brasileira" corre o risco de desaparecer, a concretizar-se, será mais uma machadada no já tão depauperado património histórico do Porto. Não é possível dissociar a história do antigo café da baixa portuense, da vida cultural, cívica e política da própria cidade, dos últimos cem anos. Adriano Teles, antigo farmacêutico da Rua do Bonjardim que, em Minas Gerais, no Brasil, para onde emigrou nos finais do XIX, se dedicou ao negócio do café, fundou "A Brasileira" em 1903, no regresso ao Porto, com o objectivo de criar e difundir uma marca própria de café. O acto inaugural do novo estabelecimento constituiu um acontecimento social sem precedentes na cidade. Foi de tal modo elevado o número de pessoas presentes que, contam as notícias da época, houve necessidade de requisitar dois polícias para regularem o trânsito que se tornara caótico. Logo após a inauguração, e durante 13 anos consecutivos, com o intuito de difundir a nova marca, foi servido gratuitamente café à chávena aos balcões de "A Brasileira". A pouco e pouco o novo estabelecimento foi-se impondo no mercado ao mesmo tempo que as sua s salas se ia transformando em ponto de encontro de tertúlias culturais - das mais animadas da baixa portuense. O edifício actual é dos anos 30. Foi desenhado pelo arquitecto Januário Godinho e decorado com esculturas de Henrique Moreira, espelhos franceses de Max Igram e decorações de alabastros de Vimioso. Inaugurou-se em Março de 1938. Com o titulo de "A Brasileira", a firma proprietária do café publicou, desde praticamente o início e até aos anos 40, um quinzenário. Nas décadas de 50 e 60 era um lugar onde se reunia a nata dos literatos, jornalistas, políticos e gente do Teatro. Com uma curiosidade os homens da Esquerda sentavam-se ao lado direito; e os da Direita ocupavam as mesas dispostas no lado esquerdo. Que pena que um local com tanta história possa vir a desaparecer»

1.7.08

Amar o Porto

«Embora a pós-modernidade avassaladora que nos conduz de défice em défice até à vitória final, daqui por outro milénio, considere estas coisas pirosas, retrógradas e, quando não, reaccionárias, penso que, em muita gente, continua a existir um vivo sentimento de pertença ao Porto.

Sentimento expresso em laços que se atam, firmes, em íntimas ligações afectivas com os lugares, em entranhadas formas de identificação com a cidade, nas suas grandezas e misérias, nas suas aspirações e desconcertos. Expresso naquilo que os provincianos em geral e em particular os mais de todos, que são os da capital do Novo Império, consideram a pior baixeza o bairrismo portuense. A isso, alguns - não sei quantos - tripeiros gargalham e não será o "patriotismo global" e a modernidade do couce (querendo dizer para trás, atrás, na retaguarda onde continuamos, não obstante Mestre Camilo ter escrito que o país entrava no futuro aos couces), que os fará esquecer de tal atributo.

Bairrismos. Por exemplo, um jovem ex-autarca e ex-político (daqueles de que o país precisa activos, competentes e, sobretudo, íntegros e que, talvez, por isso se afastam desta lamentável comédia de costumes a que assistimos diariamente), escreveu-me dizendo: penso que gostaria de saber que dei um pequeno contributo, ou melhor, dois pequenos contributos para inverter a taxa de natalidade do nosso Porto. No dia 26 de Janeiro nasceram, em Paranhos, o Francisco e o João. O próximo passo pretendo que seja o regresso ao Porto, em 2008. Não é isto uma prova de amor e fidelidade à cidade? Pois que regresse rapidamente ao Burgo e, se possível, à política, onde faz muita falta. E vivam os dois neo-tripeiros!

Também de um amigo - como eu nascido na Vitória - professor catedrático na Universidade do Minho, onde se exilou, recebi carta emotiva e repleta de nostalgias da sua infância portuense, de que, pelos vistos, não quer libertar-se, nem quer esquecer. É uma maravilha e, entre outras coisas, diz (a propósito de uma foto sua, com outra companheira de infância) "Apesar da idade que tínhamos a Lili e eu, ficamos bem na fotografia, de pose, que tirámos no estúdio fotográfico que ficava, também, na nossa rua. Era um rés-do-chão, creio que pegado à casa em que vivia o Carlos Alberto Enes e sua irmã Fátima, que foi o meu primeiro "namorico"".

Na realidade pisei pela primeira vez o palco, com cinco anos pela mão da família Resende e até aos meus 15 anos fui representando, fazendo rir e cantando, normalmente em solo, inserido nesse grande clube que era o Rádio Clube Infantil. Várias árias de óperas eram adaptadas para português e de forma jocosa. Aquela que cantei com a Lili era da ópera genoveva, de Schumann. Todos os textos tinham o dedo de D. Emília Resende e de seu filho Resende Dias.

Outras se seguiram, terminando com "La Donna E Mobile", num espectáculo no Coliseu cheio, em que fui compère, na roupagem de um sinaleiro e por isso cantava um automovilé, dois automovilés e seguia-se toda a ária, com adaptação da letra nesta base."

E, adiante, conta "Frequentei o Chave d'Ouro e o Tropical, na Batalha, onde convivi com a Dalila Rocha e o Jaime Valverde. Também na minha lista constam o Palladium, o Avis e o Estrela. Joguei muito bilhar no Palladium: livre, 104, sargento, 3 tabelas, etc. Quando veio o snooker, ao disputar o torneio da cidade, fui ao Rivoli, ao Café Novo e à Confeitaria Peninsular."

E mais evoca "Veio-me à memória a recordação dos "trampolineiros", que vendiam banha da cobra na Cordoaria, sempre acompanhados do seu macaquinho. Recordei as vezes que, miúdo como era, acompanhava a minha criada à Adega Macedo para encher o garrafão de vinho para a semana e ir a uma casa, nos fundos, que depois passou a ser o Avis, comprar petróleo, carvão e carqueja. Acompanhei muitas vezes a minha avó ao Mercado do Anjo e ao do Peixe, junto às Virtudes, agora Palácio da Justiça."

E ainda à frente "Frequentemente admirei a miniatura do eléctrico que se encontrava dependurado num armazém de fazendas, lembrando o desastre provo-cado por um grande "amarelo" que, ao descer a Rua das Carmelitas (e não a da Assunção), não conseguiu fazer a curva para descer os Clérigos e espetou-se nesse armazém, que à porta sempre tinha um caixeiro a chamar a clientela."

E, depois de mais considerações, remata "A carta já vai longa, a saudade e as recordações são muitas e ao escrever sempre me vieram ao rosto algumas lágrimas." (Entendem o que é o sentimento de amar o Porto, esta cidade única, dramática e - apesar de tudo quanto lhe têm feito - nobilitante e inesquecível?) »

Hélder Pacheco




29.11.06

Praça D. João I

Praça onde se situa o Teatro Rivoli (inaugurado em 1932) e tendo face a face dois "enormes" prédios um dos quais foi chamado o Arranha-Céus quando da sua construção, o outro foi a sede do Banco Português do Atlântico de Cupertino de Miranda.


Esta praça foi completamente redesenhada em 2001, integrada no Porto - Capital da Cultura. A fonte desapareceu. Em 2006 esta fonte foi implantada na Praça do Marquês.

detalhe painel - setembro 2006

Abel Salazar

No Banco Millenium - antigo café Rialto existe um painel da autoria de Abel Salazar.



2005



janeiro 2005

RIVOLI Teatro Municipal.Os frisos de escultura são da autoria de Henrique Moreira. O projecto original de Júlio de Brito data de 1929. A remodelação do Teatro, da autoria de Pedro Ramalho foi concluída em 1997. 



2005




ARRANHA-CÉUS - MAURÍCIO CARVALHO DE MACEDO, natural da freguesia de Telões, Amarante, nascido a 3 de Abril de 1896, mandou construi-lo. O prédio mais alto de Portugal em Maio de 1945. Traça de Rogério de Azevedo e de Baltasar de Castro.



painel de azulejos do "Palácio Atlântico" da autoria de Jorge Barradas


2006

O "Palácio Atlântico" (1951) deve-se à traça de ARS (arquitectos Fortunato Cabral, Cunha Leão e Morais Soares)



Acabo de encontrar este postal que mostra como era anteriormente a praça e o prédio do Banco Português do Atlântico. Nele existiam vários consultórios médicos assim como escritórios de empresas, como podemos observar: Gazcidla, Sacor e Companhia de Seguros Ourique. O consulado de França no Porto estava localizado no último andar, onde se nota um mastro de bandeira. Neste mesmo edifício também chegou a existir a escola de dactilografia Maratona.(actualização de Junho de 2011)

Se desejar ler e rever fotos do Rivoli pode consultar o blogue Restos de Colecção que em Novembro de 2013 divulga um interessante artigo.

3.11.06

Praça PARADA LEITÃO

Foto de Francisco Oliveira
Café "Âncora de Ouro" mais conhecido pelo "Piolho" (remodelado em 2006).


Quem era "Parada Leitão"?

O Major José de Parada e Silva Leitão, lente de Física da antiga Academia Politécnica do Porto e do Instituto Industrial da mesma cidade, (1809-1880 ), nasceu em Sernache do Bonjardim; despachado alferes do Regimento de Infantaria nº 19 (1827), seguiu as ideias liberiais. Emigrado na Galiza, em Plymouth, em Ostende, na Bélgica e nos Açores, desembarcou no Mindelo e combateu no cerco. Concluindo o seu curso em 1837, foi convidado a requerer o lugar de lente da 8ª cadeira ( Fisica e Mecânica ) da Academia Politécnica desta cidade, que então se estava organizando. Exerceu este magistério por muitos anos, enquanto a saúde lho permitiu. Em 1853 era nomeado director da Escola Industrial do Porto. No exercício destes cargos fundou o «Industrial Portuense», o primeiro periódico deste género que houve em Portugal.
O sábio professor FERREIRA DA SILVA escreveu uma «Homenagem à memória de José de Parada e Silva Leitão», publicada em 1917, dizendo dele que "era um nobilíssimo carácter, qualidade primacial de todo o homem culto. Mas foi também um dos mais ilustres representantes do professorado superior português do seu tempo".