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5.9.16

2016 - Rua das Galerias (de Arte)

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Também conhecida por Rua Miguel Bombarda.

Bem sei que em dez anos esta artéria bem evoluiu...


22.12.14

Rua Trindade Coelho (2014)

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Pode comparar com o que já foi publicado aqui.



Nota biográfica do mais conhecido escritor mogadourense:

"José Francisco Coelho (que só mais tarde, já em Coimbra, começaria a assinar trabalhos jornalísticos com o apelido do pai, Trindade) nasceu em 18 de Junho de 1861, em Mogadouro, numa casa em cujos baixos seu pai tinha uma loja comercial e ficava próxima do Convento de São Francisco − mais exactamente, do outro lado da rua.

A sua escolaridade iniciou-se na escola régia de Mogadouro, em 1868, e prosseguiu no ano seguinte em Travanca, aldeia do mesmo concelho, a cerca de 15 km da sede, com o professor régio, em cuja casa se hospedou, juntamente com o irmão Abílio, também estudante. A morte da mãe, entretanto ocorrida, obrigou ao regresso dos dois irmãos a Mogadouro, onde frequentam então as aulas de latim de dois padres que “não saberiam 
talvez muito latim, mas davam-nos muitas palmatoadas”.

Em 1873 Trindade Coelho vai para o Porto prosseguir os estudos, no Colégio São Carlos, que ficava na Rua Fernandes Tomás. Foi um estudante algo rebelde. No Porto viu pela primeira vez um artigo seu (“Cepticismo”) impresso num jornal, o que constituiu a sua iniciação na actividade jornalística, que exercerá intensamente pela vida fora. É também no 
Porto que escreve os primeiros trabalhos de índole propriamente literária (os contos “O Enjeitado”, que só sairia a lume em 2001, pela mão de José Viale Moutinho, e “Trovoada”).

Em 1880 encontramo-lo em Coimbra a estudar Direito. Mas logo nesse primeiro ano se entrega à sua paixão pelo jornalismo, colaborando em diversos jornais e inclusivamente fundando outros, e à boémia estudantil, de tal modo que não conseguiu passar de ano. Este facto levou o pai a cortar-lhe a mesada no ano seguinte, pelo que teve de assegurar a sua subsistência com a pena. No 4º ano, já casado e com um filho, morre-lhe o pai, que era o único amparo de que dispunha. A sua vida decorre com grandes dificuldades, que pouco se alteram quando, por influência directa de Camilo Castelo Branco, é feito delegado do procurador régio no Sabugal. De facto, a penúria de recursos acompanhá-lo-á até ao termo 
dos seus dias, constituindo uma causa de amargura que poderá ter tido também o seu peso no desfecho final.

De Sabugal passa a Portalegre, e daí a Ovar, acumulando experiência e conhecimento dos homens e, ao mesmo tempo, um sentimento de repulsa pelas injustiças e pelos golpes de baixa política que ia testemunhando e dos quais procurava manter-se afastado, por imperativo ético, já que procurou sempre ser um magistrado íntegro e apostado em repor a justiça onde ela não tivesse sido feita.

O próximo passo da sua carreira foi o lugar – que ele próprio classifica de antipático – de velar pelo cumprimento da chamada “Lei da Rolha”, imposta à imprensa na sequência do Ultimato Inglês. Ainda em Lisboa, passa para um tribunal fiscal; depois é transferido para Sintra; e finalmente, em Novembro de 1895, é colocado como delegado do procurador régio da 3ª Vara do 2º Distrito de Lisboa, cargo de que pede a demissão em 1907, durante a ditadura de João Franco, voltando a sentir por esse facto grandes dificuldades económicas, que precipitaram a sua morte.

Apesar de ser “alegre como uma romaria” e “pequenino mas tesinho”, no dizer de Eugénio de Castro, Trindade Coelho era sujeito a ataques de neurastenia que o fragilizavam. A sua desilusão com a política e com a justiça, bem como o espectro da pobreza sua e dos seus (mulher e filho), amarguram-no. Foi na sequência de um desses momentos de desespero que se suicidou em Lisboa, em 9 de Agosto de 1908.

Ao longo de toda a sua vida Trindade Coelho vai escrevendo e publicando com notável regularidade.

A sua obra-prima, Os Meus Amores, sai em 1891. O segundo livro mais conhecido, In Illo Tempore, uma espécie de livro de memórias da vida estudantil de Coimbra, sai em 1902. 

Mas uma parte importante da sua obra é constituída por opúsculos de carácter jurídico, doutrinário, cívico e pedagógico, quando não de sátira às chicanas políticas da época, como A Minha ‘Candidatura’ por Mogadouro, em que faz “num estilo alegre de estudante, a autópsia dos ‘costumes políticos em Portugal’”. A educação do povo merece-lhe uma série de folhetos. Em 1902 escreve uma Autobiografia, dedicada a uma amiga de Hamburgo, Louise Ey. É um texto ameno e geralmente tido por fiável, que nos dá pistas para a compreensão tanto da sua vida como do seu carácter e também da sua obra. Só seria publicada em livro em 1910, num volume que incluía também alguma epistolografia, mas passaria a integrar Os Meus Amores a partir da 9ª edição.

Literariamente, Trindade Coelho pertence ao grupo de cultores do chamado conto rústico, de muita tradição na Literatura Portuguesa do séc. XIX e ainda no séc. XX. O seu protótipo em Portugal é O Pároco da Aldeia, de Alexandre Herculano. Júlio Dinis, Fialho de Almeida, Teixeira de Queirós, Rodrigo Paganino, Pedro Ivo são alguns dos mais conhecidos e apreciados cultores no séc. XIX desta ficção de matriz rural, que se impõe no nosso país um pouco em reacção contra os excessos do positivismo filosófico, idealizando e poetizando a vida tranquila do campo como alternativa à vida desumana e desumanizadora das grandes cidades.

O seu livro mais conhecido e também o mais conseguido, Os Meus Amores, é uma daquelas obras que conquistam e conservam os favores do público. Passados 105 anos sobre a primeira edição, continua a editar-se e a ler-se. Claro que a principal razão é a sua qualidade intrínseca. Trata-se na verdade de uma colectânea de contos de uma frescura e ausência de artificialismos sem paralelo na Literatura Portuguesa. Constituem um conjunto de evocações e quadros descritos com espontaneidade e simplicidade, compreensível a todos. Um toque de suave lirismo reforça-lhes o encanto e uma utilização da linguagem popular, em diálogos vivos, confere-lhe algum realismo. Alguns desses textos nem chegam a ser verdadeiros contos, faltando-lhes a acção (um pouco à maneira do que acontece nos contos do russo Anton Tchekov). Mas a todos sobra a emoção e o envolvimento afectivo do autor, que induz facilmente a empatia do leitor. É assim uma obra sui generis, com um cunho de originalidade que a diferencia de obras congéneres. O próprio Trindade Coelho se interroga e responde: “Mas então o que são os meus contos?! Não sei. Talvez saudades; e tenho a certeza de que se vivesse na minha terra (…) não os teria feito…”



* * *



As obras de Trindade Coelho não são muito férteis no que toca a referências a Vila Real. Mas algumas surgem, seja à terra propriamente dita, seja a jornais nela editados (A Folha de Villa Real e O Echo), seja a personalidades com ela relacionadas.

Por exemplo, a Camilo Castelo Branco, que sabemos pelo próprio Trindade Coelho (in Autobiografia) ter sido quem interferiu junto do ministro, muito provavelmente o da Justiça, Lopo Vaz de Sampaio e Melo, para que Trindade Coelho fosse despachado delegado do procurador régio no Sabugal, seu primeiro emprego. (Com Camilo, há aliás um outro ponto de contacto com Trindade Coelho: o remate que ambos puseram à existência.) A Lopo Vaz, vulto notável da política regeneradora, académico em Vila Real e notável colaborador da imprensa vila-realense, se refere Trindade Coelho na Autobiografia e em A Minha ‘Candidatura’ por Mogadouro (Costumes Políticos em Portugal), onde lembra a tentativa do ministro da Justiça para o convencer a aceitar ser deputado por Portalegre. Há também referências aos dois sobrinhos de Camilo, António e José de Azevedo Castelo Branco, destacados políticos regeneradores, nascidos em Vila Real, evocados em A Minha ‘Candidatura’ por Mogadouro e no livro de memórias de Coimbra, In Illo Tempore, onde são igualmente lembrados António Claro, uma das figuras do 31 de Janeiro, e José Pinto de Mesquita Gouveia, natural de Ervedosa do Douro, São João da Pesqueira, que Trindade Coelho define como «um dos académicos mais pândegos que têm andado em Coimbra», que veio a ser governador civil de Vila Real durante mais de dois anos e meio, após a morte em funções do Dr. António Tibúrcio Pinto Carneiro.

O nº 4 dos seus Folhetos para o Povo intitula-se Loas à cidade de Bragança, para que não dê o seu mando senão aos seus filhos, exortando esta cidade a que não se submeta a Vila Real.

O próprio Trindade Coelho reproduz o texto que integrará esse folheto, precedido de uma breve explicação, na nota G, que se reproduz em apêndice, de A Minha ‘Candidatura’ por Mogadouro. Nessa obra alude a um episódio eleitoral em que se vê envolvido contra vontade no distrito de Bragança, onde o Partido Regenerador pretendia colocar à frente da sua chefia política António Teixeira de Sousa – natural do distrito de Vila Real, à época ministro da Marinha e Ultramar, que havia sido governador civil de Bragança e viria a ser por duas vezes ministro da Fazenda e também presidente do último ministério da Monarquia. 

Trindade Coelho coloca-se do lado dos que defendiam no Jornal de Mirandella, de 10 de Novembro de 1900, que em Bragança se deve fazer política «com os seus vizinhos (vizinhos da porta: o contrário de vila-realenses) e nunca com os adventícios [inimigos da sua terra] (os tais marinheiros do couraçado ‘Aléu’ …)», numa referência transparente (embora alegadamente impessoal) à função ministerial de Teixeira de Sousa, à sua naturalidade e ao brasão de Vila Real."

Publicado no Grémio Literário Vila-Realense



3.12.14

Rua Sampaio Bruno

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Breve biografia de Sampaio Bruno

"Jornalista, escritor e político, José Pereira de Sampaio Bruno nasceu em 1857, no Porto, e aí morreu em 1915. Foi um autor extremamente versátil, produzindo uma vastíssima obra de cariz político, religioso e filosófico, e versando temas como o problema da evolução das sociedades humanas, a teoria da ciência e do conhecimento e a ideia de Deus.

Oriundo de uma família da pequena burguesia, filho de pai mação, iniciou a sua atividade jornalística aos 14 anos, adotando nessa altura o pseudónimo Bruno (em homenagem ao renascentista Giordano Bruno), ao qual permaneceria fiel durante toda a vida. Aos 17 anos publicou o seu primeiro livro, intitulado Análise da Crença Cristã, que suscitou uma onda de revolta e polémica no seio da conservadora sociedade portuguesa de então, devido às ideias polémicas nele expressas, colhidas em Voltaire, Amorim Viana, Feuerbach e Büchner. 

Fez os estudos preparatórios para Medicina no Instituto Politécnico do Porto, mas não prosseguiu os estudos oficiais, sendo, todavia, um notabilíssimo autodidata e erudito.

Foi um acérrimo propagandista da República e toda a sua obra teve na cultura portuguesa uma forte influência. Com José de Alpoim, Júlio de Matos, Basílio Teles, Manuel Teixeira Gomes, compartilha os problemas da conjuntura política do seu tempo. Em conjunto constituem e frequentam tertúlias onde os seus espíritos de republicanos ficam cada vez mais enaltecidos.

Em 1886, coligiu uma série de ensaios sobre os modernos novelistas portugueses no volume A Geração Nova. Após o malogro do movimento revolucionário do 31 de janeiro de 1891, em que esteve implicado, foi obrigado a exilar-se no estrangeiro, viajando pela Espanha, França e Holanda. Esta experiência do exílio (escrita em Notas do Exílio, 1893) viria a acentuar as suas inquietações, conduzindo-o a uma crise pessoal e religiosa, no decurso da qual se lhe revelaria Deus (A Ideia de Deus, 1902). 

A obra bruniana apresenta-se como uma ilustração do lema "liberdade, igualdade e fraternidade", desde sempre professado pelo autor, que este fazia corresponder, no plano político, à ideia da República, mas que extrapola esse nível, revestindo-se, sobretudo a partir da crise do exílio, como bem salientou Joel Serrão, de "um significado recôndito, místico, esotérico" ("Introdução" in Os Cavaleiros do Amor), que encontra no messianismo e no sebastianismo uma possibilidade de revelação (O Encoberto, 1904). Bruno aspirou a fundar uma teoria do conhecimento total, que operasse a síntese entre a filosofia racional e o conhecimento místico e fosse subjacente a todas as correntes místicas, filosóficas e científicas, num processo dialético e contínuo: "Não mutilar, mercê do erro simétrico, a nossa alma, não a truncar - a título de a depurar. Avançar lentamente nessa estrada humana e clara, provisoriamente, em conflito de afirmação contra negação, até que acordos, provisórios igualmente, se sucedem. Quer dizer, desta arte firmar a filosofia ao mesmo tempo na natureza e na razão." (in O Brasil Mental, 1898)."










6.10.14

Rua José da Silva Passos

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José da Silva Passos era irmão de Passos Manuel, até parece evidente pois também era conhecido por Passos José.

Nasceu em Guifões no dia 18 de Novembro de 1800 e faleceu no Porto na Viela da Neta, no Porto, a 12 de Novembro de 1863.


Breve biografia que pode ser encontrada aqui:

« Bacharel formado em Leis e em Cânones pela Universidade de Coimbra, sub-secretário de estado dos negócios da fazenda, deputado em diversas legislaturas, sub-inspector do tesouro publico, vice-presidente da Junta do Porto, sócio honorário da Academia de Belas Artes, etc. N. na freguesia de S. Martinho de Guifões, concelho de Bouças, distrito do Porto, a 18 de Novembro de 1800, fal. no Porto a 12 de Novembro de 1863. Era filho de Manuel da Silva Passos, lavrador, e de sua mulher, D. Antónia Maria da Silva Passos.

Com seu irmão Manuel da Silva Passos foi para Coimbra, matriculando-se na Universidade em 1817, recebendo o grau de bacharel nas faculdades acima citadas. Estavam os dois irmãos em Coimbra quando rebentou a revolução de 1820, que ambos acolheram com entusiasmo. Nesta cidade fundaram então em 1823 um jornal intitulado O Amigo do Povo, que poucos números publicou, por causa da reacção desse mesmo ano de 1823. 
Partiram ambos os irmãos para o Porto, e sendo ali perseguidos pelo partido absolutista, viram-se obrigados a emigrar a Espanha, com mais outros perseguidos, formando eles a que então se denominou oposição constitucional, ou a esquerda dos emigrados. 
De Espanha passaram a Inglaterra; e dali para França. No exílio a vida dos dois irmãos, sempre tão unidos, completamente se confunde. Seguiram a mesma politica, em França colaboraram ambos em diversas publicações, combatendo não só os actos do governo de D. Miguel, como alguns excessos e doutrinas doutra facção, ou a direita dos emigrados. 

Voltando a Portugal, e conseguindo entrar no Porto, que estava sofrendo um rigoroso cerco, cingiu logo, e à pressa, a espada de oficial do batalhão nacional provisório de Santo Ovídio. 
Foi então que se acentuou a sua vida revolucionária, mostrando toda a bravura e intrepidez. Levantou-se o cerco, e estabelecendo-se o regime constitucional, elegeu-se a primeira câmara municipal do Porto, e para seu presidente foi eleito José da Silva Passos. 
Nessa qualidade resistiu energicamente à lei de indemnizações de 15 de Agosto de 1833, que seu irmão depois combateu na câmara. Um e outro defendiam assim generosamente a causa dos vencidos, e levantavam bem alto a bandeira da verdadeira liberdade. 
Corria o ano de 1834; a efervescência dos partidos proclamava os seus eleitos para as cortes que iam inaugurar, à luz dos novos princípios, a representação nacional. José de Passos não podia deixar de ser dos primeiros entre os escolhidos, e a província do Douro o elegeu. Tomando assento na câmara ao lado de seu irmão, falaram ambos pela mesma voz contra a regência de D. Pedro, e protestaram com a mesma palavra generosa contra as indemnizações que humilhavam a causa vencida. Reeleito na legislatura seguinte, aderiu à revolução de Setembro; profundamente conhecedor dos negócios de administração, deu um contingente valioso para a redacção do código administrativo de 31 de Dezembro de 1834, de que foi o principal autor. 

Voltando à câmara fazendo parte das cortes constituintes, e nomeado membro da comissão da lei eleitoral, cooperou eficazmente para a constituição de 20 de Março e para a lei das eleições directas de 9 de Abril do ano de 1838. Decididamente empenhado em contribuir com toda a sua esclarecida actividade para o engrandecimento da causa publica, exerceu os cargos de sub secretario de estado dos negócios da fazenda, quando seu irmão era ministro, e de sub-inspector do tesouro, sem que por esse ou outro cargo aceitasse retribuição, como jamais a aceitou em troca dos relevantes serviços que prestou ao país. 

Depois de seu irmão ter saído do poder, foi José Passos muitas vezes convidado para fazer parte de novos ministérios que se organizaram, o que ele recusou sempre, apesar das instâncias da própria rainha D. Maria II. Sublevadas em 1837 as províncias do norte pelos dois marechais, Saldanha e Terceira, o governo nomeou José Passos e o visconde de Sá da Bandeira, para a difícil missão de irem restabelecera ordem. José Passos encarregou-se da parte financeira da missão, com que o serviço público muito lucrou. Depois da queda da constituição de 1838, e da restauração da Carta em 27 de Janeiro de 1842, José Passos, que era verdadeiramente odiado pelos cartistas por causa da sua infatigável actividade e dos serviços que prestara à revolução de Setembro, foi espancado e arrastado pelas ruas. Suspensas as garantias em 1844, José Passos foi preso duas vezes sem haver motivos para isso, porque não só não entrara em conspirações, mas até reprovava publicamente as revoltas, enquanto fosse possível recorrer aos meios constitucionais. 

Quando rebentou a revolução de 6 de Maio de 1846, José Passos tornou a ser eleito presidente da câmara municipal do Porto, e exercia esse cargo, quando se deu em Lisboa o golpe de Estado, conhecido pela Emboscada de 6 de Outubro, para a restauração da Carta Constitucional. O administrador de Vila Franca comunicou a notícia para o Porto; a cidade ficou inquieta, mas ainda duvidosa, e só no dia 9 do citado mes de Outubro, foi que teve a absoluta certeza do que se passara. Então José Passos, com uma energia assombrosa, dirigiu-se ao segundo comandante da guarda municipal Montenegro, chamou-o aos interesses da causa liberal, fez com que a guarda se pronunciasse, mandou tocar os sinos a rebate, disse a todos quantos encontrava no caminho que se resistia ao golpe de Estado, e que se não consentia que o duque da Terceira exercesse as funções de lugar-tenente da rainha nas províncias do norte, e depois de ter obtido a adesão do regimento de artilharia n.º 3 e do de infantaria n.º 6, dirigiu-se ao palácio do governo civil onde estava o duque da Terceira, e pediu-lhe urbanamente que se considerasse preso. O duque, sabendo que toda a guarnição do Porto estava pronunciada no sentido revolucionário, e que não tinha por conseguinte meio algum de resistência, aceitou tranquilamente a sua situação, que não deixava de ser perigosa, porque o povo exaltado ameaçara tirar vingança no duque do procedimento do governo de Lisboa. José Passos colocou-se então ao lado do duque, declarando que respondia com a sua vida pela vida dele. O povo exigia que o duque fosse preso para o castelo da Foz, José Passos desejava que ele reembarcasse para Lisboa, mas não aparecia barco nem escaler, e o duque foi o primeiro a reconhecer que se não podia seguir outro caminho senão o que o povo exigia, e nesse mesmo dia 9 de Outubro se recolheu ao castelo da Foz. No dia seguinte o governador civil interino, António Xavier de Barros Corte Real, propôs à câmara a nomeação duma junta provisória do governo, junta que ficou assim organizada: presidente, conde das Antas; vice-presidente, José da Silva Passos; vogais: António Dias de Oliveira, Sebastião de Almeida e Brito, Justino Ferreira Pinto Basto, conde de Resende, barão de Lordelo, António Luís de Seabra, Francisco de Paula Lobo de Ávila. Organizaram-se logo outras juntas filiais em Guimarães, Barcelos, Viana do Castelo, Vila Real, Viseu, Castelo Branco, Guarda, Évora, Portalegre, Beja, Faro, Leiria, Santarém, Cascais, Palmela, Aveiro, Coimbra, Oliveira de Azeméis, Funchal, S. Miguel e Terceira. 
Organizado o governo da junta, José Passos encarregou-se das pastas da fazenda e da dos negócios estrangeiros, mas era ele verdadeiramente a alma da junta, e a ele se devem quase todos os prodígios que a junta operou. 
Os portuenses faziam todos os sacrifícios que se lhes pediam, quando José Passos lhes chamava patriotas, e lhes falava no bem da nação. Verdadeiro presidente da junta, porque o conde das Antas dirigia as operações militares, José da Silva Passos não hesitou diante das mais graves responsabilidades. Foi preciso levantar alguns empréstimos forçados, era sempre José Passos quem ia aos bancos, ás companhias ou só ou acompanhado por Justino Pinto Basto exigir o que era indispensável. 
Foram pequeníssimos os recursos levantados por esse meio, e contudo a junta levantou e teve em armas um exército numeroso, equipou uma pequena esquadra quase sem ter recursos tributários. Demais, muito infeliz militarmente, a junta precisava a cada instante estar reparando os seus desastres. O visconde de Sá da Bandeira, vencido em Valpaços, via passar ao inimigo dois dos seus melhores regimentos, e perdia um grande número de prisioneiros. Depois caiu em Torres Vedras prisioneira uma divisão toda de 4.000 homens, comandada pelo conde de Bonfim. As províncias do Minho e Trás-os-Montes, donde a junta do Porto podia tirar mais recursos, estavam também no poder do inimigo. Pois apesar disso, José Passos soube sempre apresentar a Francisco de Paula Lobo de Ávila, ministro da guerra, os recursos necessários para ele pôr em campo forças consideráveis. Como ministro dos negócios estrangeiros prestou também muitos serviços, protestando energicamente contra o procedimento do comandante do cruzeiro inglês, que aprisionou em 31 de Maio a esquadra, que saíra do Porto deixando o conde das Antas com uma nova expedição; votou pela rejeição dos quatro artigos do Protocolo, na sessão de 5 de Junho do mesmo ano. 
Este golpe foi mortal e decisivo. Desde o momento que a Espanha e a Inglaterra se tinham resolvido a intervir, em cumprimento do tratado da quádrupla aliança a causa estava imediatamente perdida. Apesar disso, José Passos infundia confiança em toda a gente, e ainda levava os patriotas do Porto a empreender qualquer acção heróica. Quase à vista do exército espanhol, comandado por Concha, repeliram as tropas da junta as avançadas de Saldanha, mas tudo isso era inútil, a junta estava condenada a entrar em negociações, e o convénio de Gramido assinado da parte da junta pelo marquês de Loulé e César de Vasconcelos a 29 de Junho de 1847, e pela parte dos ingleses e espanhóis pelo general D. Manuel de la Concha, W. Wylde e Buenage, pôs termo a essa revolução, que durante 9 meses dominou em todo o norte do país e assoberbou, apesar de sucessivos desastres militares, o poder e a guarnição do governo do reino. 
Pois fora José Passos quem fizera a revolução, tudo se devia à sua energia e à sua actividade. Terminada a luta, José Passos voluntariamente, como seu irmão, retirou-se entregando-se tranquilamente aos seus trabalhos e aos seus negócios, rodeado sempre da estima dos seus concidadãos e da maior popularidade. 

Em Abril de 1851, quando o duque de Saldanha fez o seu pronunciamento, e desanimado por não encontrar no exercito a adesão que esperava, já se refugiara na Galiza, José Passos pôs-se em movimento, escreveu-lhe para que viesse ao Porto, dispôs os espíritos para se lhe preparar uma recepção condigna, e para o acompanharem no movimento que empreendia. 
Foi José Passos um dos que mais contribuíram para o êxito da Regeneração. Eleito deputado pela primeira vez, conservou-se, como seu irmão, muito afastado das lutas parlamentares. 
A sua saúde estava profundamente abalada, e por efeito de paralisia agravou-se-lhe de ano para ano, apagando-lhe a razão. Faleceu obscuramente. Foi casado com D. Ana Margarida Soares da Silva Passos.  »



23.4.14

Personagens da República no Porto


Alguns deram nome a ruas, jardins ou outros locais da cidade.

Nascidos ou não no Porto aqui viveram ou lutaram pelo ideal da República, durante a Monarquia e durante o Estado Novo.

(Listagem, sem dúvida, incompleta)


António Amaral Leitão (capitão Leitão) - 7/3/1845 - 14/1/1903

António Luiz Gomes - 23/9/1863 - 28/8/1961

Augusto de Castro Sampaio de Corte-Real (Augusto de Castro) - 11/1/1883 - 24/7/1971

Augusto Manuel Alves da Veiga - 28/9/1849 - 2/12/1924

Augusto Rodolfo da Costa Malheiro (alferes Malheiro) - 19/1/1869 - 9/12/1924

Aurélio da Paz dos Reis - 28/7/1862 - 18/9/1931

Aníbal Augusto Cardoso Fernandes Leite da Cunha - 1868 - 16/3/1931

Abel Salazar - 19/7/1889 - 29/12/1946

Basílio Teles - 14/2/1856 - 10/3/1923

Duarte Leite Pereira da Silva - 11/8/1864 - 29/9/1950

Eduardo Ferreira dos Santos Silva - 18/3/1879 - 14/9/1960

Ezequiel Pereira de Campos - 12/12/1874 - 26/8/1965

Francisco Xavier Esteves - 8/10/1864 - 2/9/1944

Hélder Ribeiro - 19/7/1883 - 10/11/1973

Jaime Zuzarte Cortesão - 29/4/1884 - 14/8/1960

José Domingues dos Santos - 8/5/1887 - 16/8/1958

José Joaquim Rodrigues de Freitas - 24/1/1840 - 27/7/1896

José Pereira de Sampaio (Bruno) - 30/11/1857 - 6/11/1915

Joaquim de Azevedo Sousa Vieira da Silva Albuquerque - 16/8/1839 - 21/1/1912

Leonardo José Coimbra - 30/11/1883 - 2/1/1936

Manuel Maria Coelho - 6/3/1857 - 9/1/1943

Manuel Pinto de Azevedo - 27/4/1874 - 17/2/1959

Raul Germano Brandão - 12/3/1867 - 5/12/1930



30.1.14

Porque amanhã é 31 de Janeiro






Lugar do 31 de Janeiro na História



Texto de Pedro Baptista




O período de 1873 a 1896 é marcado, na Europa, por uma grande depressão económica e financeira a que corresponde um crescendo da agitação do movimento operário. 


Em Portugal, a crise é sobretudo industrial e comercial, provocando um agravamento tributário e um excesso hipotecário e cambial, a que corresponde uma profunda crise social, com grande encerramento de postos de trabalho, que se expressa não só no levante das lutas operárias como num fortíssimo fluxo emigratório para o Brasil, autêntico “gado humano”, no dizer de Oliveira Martins. 


No Porto, a crise sente-se com grande intensidade a partir de 1889. Como se a falência do projecto de ligação Porto-Salamanca e a filoxera a destruir o Douro não bastassem, o governo decreta a lei da selagem que leva ao encerramento de armazéns contra os privilégios da Companhia Vinícola e ao agravamento da crise e agitação sociais.


Eis a terra revolvida e úbere onde cairia o ultraje do Ultimatum vitoriano, um autêntico diktat contra a soberania portuguesa, com o lanço trazido da Conferência de Berlim de 1885 onde as grandes potências procuraram redesenhar os impérios coloniais, com evidente prejuízo do português. O rei e o governo de cócoras, um clamor nacional de protesto encimado pelo partido republicano. Queda do Governo, tratado de 20 de Agosto de 1890 apresentado ao país por António Enes, num modus-vivendi como uma vitória a iludir alguns . A pena demolidora de Sampaio Bruno, depois de duas décadas de desmontagem dos fundamentos da monarquia, colocando o debate político já não entre monarquia e república mas entre república federal ou unitária, agora a demonstrar com a sua característica profundidade racional, argúcia argumentativa e cultura excepcional, que nem tudo o que luz é ouro e a despatinar a palha dourada encenada pelos monárquicos liberais de Enes, aquele que Eça acusou, nas “Farpas”, de ter desertado das fileiras republicanas para ir fazer de sentinela à porta do partido histórico . O modus-vivendi de Enes melhor seria um modus-moriendi ! !


A propósito do ambiente de Setembro, a seguir ao Tratado, Basílio Teles escreveu: “Se houve instante, nesse ano de 1890 tão fecundo em peripécias, em que o sentimento nacional estivesse incondicionalmente à disposição dessa minoria de rebeldes, foi sem dúvida alguma, este. Nesses dias de torturante ansiedade Pinheiro Chagas pode escrever sem sombra de exagero literário, que não foram os monárquicos, mas os republicanos, que mantiveram a desprezada coroa na cabeça de D.Carlos” .


E acrescentou: “Não se queria atender que a humilhação não estava nas palavras mas nas intenções e nos actos; que as amabilidades trocadas não impediam nem a realidade, nem a grandeza da extorsão; que a frase açucarada não era por isso menos cominatória e imperativa; que a iniciativa aparente de modo algum excluía a coacção. Isto viram imediatamente alguns homens, dos poucos que não corriam facilmente atrás das habilidades do escriba, entre eles, o publicista José Sampaio (Bruno) que numa série de excelentes artigos publicados no jornal republicano do Porto, desfez a teia de aranha laboriosamente estendida por Enes à crédula pacovice indígena .


Para Ruy Luis Gomes, o Porto era onde havia mais condições revolucionárias pois, dispunha de uma pequena burguesia com grande tradição e experiência na luta pelas liberdades cimentada desde 1820, dispunha de uma clara supremacia operária em relação ao resto dos sectores populares e, finalmente, por ser a cidade que dispunha de um pensamento político e especulativo mais autónomo e mais atento aos problemas da ciência e da filosofia, ou não fosse onde Sampaio Bruno pontificava . 


O Porto do Século XIX, no dizer do insigne matemático, com base nos estudos efectuados por uma comissão dirigida por Oliveira Martins, era a única cidade industrial do país, contando, em 1881, de 108 mil habitantes, 37 377 a viverem da actividade industrial, chegando a percentagem operária, em 1890 e 1900, a atingir os 50% da população . 
Ponto de vista já enunciado por Basílio Teles para quem “não resta senão o Porto capaz de conduzir uma revolução a sério” ou pelo jornalista Heliodoro Salgado para quem o Porto é a cidade “onde mais viva palpita agora a velha fibra revolucionária adormecida em 1847” .


Pontos contestados por A. H de Oliveira Marques em “a Propósito do Ultimatum e do 31 de Janeiro” que considerava que no Porto “o fermento revolucionário era sem dúvida menor do que em Lisboa” . No entanto, quando se vai procurar o fundamento da propalada indubitabilidade historiográfica, encontra-se apenas uma opinião sem suporte, vislumbrando-se, com espanto, nas considerações do grande historiador, o fermento do sectarismo bairrista que ancestralmente opõe Lisboa à Cidade do Porto.


Pelo contrário, sendo certo que a agitação revolucionária estava em levante em todos os poucos grandes centros urbanos do país, acelerado pela vergonhosa submissão da monarquia portuguesa aos ditames da Rainha Vitória durante todo o correr de 1890, e que Lisboa era um dos locais onde mais se centrava a conflitualidade política com numerosas manifestações republicanas e uma brutal repressão, ou não fosse a própria sede da Monarquia, é também certo que o Porto, além de alimentar o mesmo tipo de agitação republicana, reunia de sobremaneira as condições apontadas por Ruy Luís Gomes, onde é necessário sublinhar o papel da imprensa revolucionária, em particular da “República”, que se publicou entre Abril e Agosto de 1890, a que se seguiu a “República Portuguesa”, onde João Chagas zurzia com assinalável pontaria e audácia o cadavérico regime e, como já vai dito, o filósofo Sampaio Bruno aprofundava os pontos de vista republicanos imprimindo-lhes o mais demolidor fundamento argumentativo, racional e filosófico.


De resto não foi por acaso ter sido o Porto a eleger, logo em 1878, por grande maioria, o primeiro deputado republicano na pessoa do professor Rodrigues de Freitas…


A.H de Oliveira Marques afirma ainda que o movimento foi débil e extemporâneo, sem o acordo do PRP nem da Maçonaria que se teriam oposto, sendo tudo isto bem conhecido.
Sem dúvida e bem conhecido mas, afinal, apenas com base numa comunicação apresentada em 1990 por Fernando de Sousa onde esta opinião é expressa, mas não é mais do que uma opinião tal como a de Oliveira Marques.


Se há espírito livre em relação a tudo e crítico do 31 de Janeiro (31 J), embora sempre numa perspectiva revolucionária, é o de Basílio Teles, cujo carácter revelado na obra literária, filosófica e política e na actuação de toda uma vida merece o maior crédito.


Que nos relata que o mês de Janeiro viu assomar, no Congresso realizado em Lisboa, uma divergência profunda no Directório do Partido republicano, certamente interactiva com divergências na Maçonaria, que se saldou no afastamento de José Elias Garcia e na ascensão de Francisco Homem Cristo .


Heliodoro Salgado, por sua vez, esclarece que o novo Directório que desde há muito trabalhava na preparação da sublevação anti-monárquica, de onde ele próprio se vira afastado, não era composto por traidores mas por republicanos que queriam tanto como os anteriores fazer a revolução. No entanto, “cegara-os o ódio contra Elias Garcia”, a vetusta e carismática figura que era o líder do partido, tendo as circunstâncias em que o processo decorreu denotado profunda deslealdade e mesmo “uma traição de facto” .


É que os que se alcandoraram ao poder no Congresso estavam perfeitamente cientes do que se preparava no Porto, acalentado ainda mais pela publicação do Manifesto-Programa do PRP redigido por Teófilo Braga, Bernardino Pinheiro, José Jacinto Nunes, incluindo o novel líder Francisco Homem Cristo que vem ao Porto, fala com os operacionais e, salvo pequenas divergências, manifesta-se de acordo com a acção.


No entanto, para o plumitivo republicano, o novo Directório queria que Elias Garcia e todos os seus apoiantes fossem marginalizados, fazendo “ uma república exclusivista, sacrificando odiosamente todos os velhos elementos de acção” . 


Ora no dia 27 de Janeiro, além da condenação a prisão do jornalista João Chagas, redactor de “A República Portuguesa”e da publicação em “Debates” de uma “Prevenção”, segundo Heliodoro, da autoria do Tenente Homem Cristo, onde se denunciavam os preparativos insurrecionais, o governo, como nos narra Basílio, desistiu de remédios prontos e enérgicos e optou pelas transferências. Vendo-se ou presumindo-se descobertos os ameaçados consultaram-se e resolveram defender-se apelando para a fidelidade, na hora do perigo, do partido revolucionário .


A essas transferências de militares suspeitos de alinhamento com o levantamento republicano, estes, constituídos sobretudo por sargentos, antes que fossem inteiramente dispersos, responderam com a antecipação da data insurrecional, segundo Hediodoro, não esperando pela data que Elias Garcia tinha combinado com os militares da “província”.


Alves da Veiga conseguiu adiar de 29 para 31, mas depois teve de ceder ao dilema colocado pelas evidências apresentadas pelos militares: ou se avançava antes das transferências ou não havia mais condições para a decisiva participação dos militares disponíveis que eram sobretudo os de baixa patente. 


Diz-nos Basílio Teles que “as cousas precipitaram-se com tal rapidez que, ainda sem os motivos a que vimos aludir, seria muito difícil levar essa espécie de conselho de guerra a uma resolução unânime” . Assim se chegou ao 31J.


Ora a seguir ao 31J o GOL irradiou os irmãos das lojas do Porto onde pontificavam figuras como Alves da Veiga, mas essa condenação pode ser apenas uma expressão da má consciência de terem deixado isolada a insurreição portuense, como se pode depreender do facto de tal condenação ser tão extemporânea que levou a uma forte contestação entre os próprios maçónicos lisboetas, sendo que o próprio Oliveira Marques que tem um olhar historiográfico sobranceiro sobre a insurreição, reconhece que aqui houve exagero. Aliás o GOL tanto parece ter agido por má consciência que, pouco depois, levantou a irradiação que tinha intentado contra Augusto Manuel Alves da Veiga. De notar que Oliveira Marques acaba por reconhecer que provavelmente o 31 de Janeiro terá tido grande apoio popular mas que esse “estudo precisa ainda de ser elaborado” .


Aliás , um ou outro historiador são pródigos em referências apoucando a dimensão do 31J, tanto no que diz respeito à participação popular como à militar - reduzindo-a a uma sargentada, repetindo a expressão usada, noutra perspectiva, por Heliodoro Salgado.


Como se sendo uma capitanada ou uma generalada tivesse um papel mais digno que um insurreição que mobilizou entusiasticamente milhares de civis a enquadrarem centenas de sargentos e praças da guarnição intencionalmente debilitada da cidade do Porto. Até porque desde muito cedo que o grosso dos oficiais se mantinham fiéis ao regime que lhes tinha reforçado as prebendas, em particular o pré, sabendo-se que era na massa dos sargentos e dos soldados, lado a lado com os diversos sectores populares civis, incluindo a pequena-burguesia urbana, que fervilhava o ideal do derrube do regime monárquico.


Até se poderia dizer que a insurreição do 31J se fez contra os oficiais, não só pelo pequeno número de aderentes nessa patente, como pelo papel pérfido do comandante de Infantaria 18(I 18) lançando por terra os códigos de camaradagem militares, como ainda pelo facto de os oficiais do I18 terem tomado a iniciativa de manterem sequestrados nas casernas os soldados para estes não aderirem à insurreição.


O insuspeito Basílio Teles acentua o carácter popular, tanto na vertente militar como civil, e enfatiza a ousada iniciativa arrancada partir dos soldados. E foram os paisanos a tomar a iniciativa de investir contra o portão de I 18. “ Pela primeira vez no nosso pais, a multidão obscura que vegeta nos quartéis ou se agita vagamente nos bairros da miséria, veio gritar francamente, à luz do dia, que está farto da monarquia e dos Braganças“ . E noutro passo referindo-se ao ataque decisivo ao I 18 para libertar os soldados sequestrados pelo comando: “O assalto à porta da Lapa é, essencialmente, uma destas façanhas populares que se nos deparam com frequência na história das insurreições, e que seria absurdo, além de injusto, imputar a dois ou três cabecilhas como seus autores exclusivos” .
Ora sendo Basílio Teles crítico como ninguém do plano insurrecional do 31J, assumindo-se aliás como um estratego da necessário revolução, porque haveria de louvar o que não houvesse a louvar ou inventar factos onde eles não existissem?


Lendo os relatos fidedignos do 31J, fica-se com a ideia, evidente, de uma insurreição de planeamento insípido, em que o idealismo voluntarista substituiu o rigor dum plano operacional, a fé na vitória substituiu a exigência de confirmação dos apoios prometidos, e o romantismo substituiu a desconfiança conveniente face ao comportamento humano, enquanto se acalentam as ilusões de não-violência num acto que é violento por natureza.


Fica a ideia de uma insurreição lançada com uma grande margem de imponderabilidade, mas foram assim grande parte das revoluções em todos os lugares e em todos os tempos. O próprio 5 de Outubro foi dado como perdido, levando ao suicídio de um líder militar, quando afinal triunfava. A insurreição soviética venceu mas a alemã de Hamburgo pereceu, enquanto a da Baviera foi um sucesso, nada se podendo atestar sobre a competência operacional dos bávaros em relação aos do Norte da Germânia. 


Podemos perorar com milhares de páginas sobre as causas positivas das vitórias e as negativas das derrotas, mas depois das coisas ocorridas é fácil esse tipo de perorações analíticas… Depois do baptizado, não faltam padrinhos… A Revolução de Fevereiro de 1927 falhou por carência de adesões nacionais embora dirigida ao mais alto nível, e falhou como podia não ter falhado se Lisboa tivesse alinhado a 4 e não a 7, a intentona da Mealhada falhou porque não pegou embora se considerasse que as condições estavam maduras para que uma fagulha incendiasse a planície, falharam inúmeras tentativas em 48 anos de ditadura por um motivo ou por outro ou por motivos ignotos, falhou a antecipação spinolista do 16 de Março de 1974 e falhou por que outros não aderiram, e o 25 de Abril, sem dúvida mais bem organizado, bem comandado e bem estribado em comunicações, ainda assim podia ter falhado em lugar de vencido, porque o aspecto emocional da adesão ou não das forças que são constituídas por pessoas, para o sucesso da onda revolucionária, continua a ser de medição e prospecção dificílima e é por isso que esse é o clímax trágico dos processos insurrecionais. Mais um minuto ou menos um minuto, uma palavra mais mansa ou uma palavra mais brava, um aceno de sedução ou um tiro de revólver, uma afirmação acreditada ou pelo contrário rejeitada, um carácter mais indómito ou mais dúbio, podem determinar para que lado cai o castelo de cartas. Mas se o 25 de Abril tivesse falhado não faltaria quem verberasse a falta de madureza das condições, a falta de um plano, a actuação ridícula dos operacionais, etc. etc….


A ingenuidade do Capitão Leitão, acreditando nos cânticos sibilinos do Coronel Lencastre prometendo a adesão do I 18 e no coração revolucionário do Major Graça que haveria miraculosamente de pôr a Guarda Municipal ao lado da República, são estremes em matéria de ingenuidade humana e inépcia política, mas nada de inusual neste tipo de levantamentos. Não foi pelo desembarque de um marinheiro ferido que terá abortado a operação Dulcineia comandada pelo intrépido Capitão Galvão habituado a todo o tipo de planos e quadrículas? Não se deixou o General Delgado cair na armadilha montada pela PIDE, convencido que se ia encontrar com dois oficiais do Exército, quando caiu nas garras dos assassinos da PIDE? Todos os que perdem foram ingénuos, ou se apresentaram mal preparados, ou cometeram erros grosseiros que alguns críticos, mormente historiadores, nunca cometeriam porque nunca teriam nem o arrojo nem a dignidade de se levantarem, ai dos vencidos! 


Claro que se pode e deve analisar a posteriori os erros das batalhas perdidas, mas convém sobriedade, rigor e a competência de discernir o que são erros de decisão ou actuações pusilânimes, de acções que dificilmente poderiam ser de outra maneira, actuações de risco que tanto podem correr bem como mal mas são as necessárias porque nas condições concretas não há outro caminho.


Foi um erro de consequências incalculáveis, desistir de tomar I18 depois de arrombado o portão pelos machados da força popular, prendendo o Coronel Lencastre e portanto, como afirmava Basílio, respeitando-lhe os escrúpulos. Na análise minuciosa do pensador portuense, os dirigentes civis deviam ter imposto a sua autoridade face à incapacidade do dirigente militar. O mesmo no referente à Guarda Municipal. Numa revolução pode procurar-se o mínimo da violência mas tem de se estar preparado para os maiores embates. Houve sem dúvida um excesso de optimismo dos insurgentes pensando que se poderia repetir o cortejo triunfal de 1820 e que o facto da banda entoando “a Portuguesa” arrastar atrás de si multidões, em plena madrugada, pelas ruas do Porto, significava ipso facto adesão certa da guarnição militar em particular do seu sector mais operativo, o da Guarda Municipal.


Também a preparação política do levantamento deixou a desejar, pois os republicanos não encetaram contactos com os socialistas nem outros representantes do operariado, o que levou Ruy Luís Gomes, talvez desejoso de enviar um sinal para os tempos em que falava (1951), a apontar como um erro maior do 31 J a falta de unidade das forças populares. Só já depois de varridos da Rua de St. António e encurralados na Câmara Municipal é que gizaram in extremis um plano de contra-ataque e de diversão que contaria com o apoio organizado dos operários, através de conversações com o socialista Luís Soares. Mas era preciso tempo e já era tarde. A artilharia já despejava a bombarda e a Guarda Municipal descia St.António. Os revoltosos estavam cercados, resistiriam durante hora e meia mas depois sucumbiram. As tropas que, de Barcelos, Braga e Guimarães, se movimentavam para o Porto não poderiam chegar a tempo. E o telégrafo mantinha-se nas mãos da monarquia. Nem os últimos cartuchos se puderam queimar.
A verdade é que se alguns detalhes tivessem corrido de forma diferente do que correram, o 31 J poderia ter sido vitorioso. O combate poderia nem ter existido ou ter durado muito menos da hora e meia que durou. Em “A República Portuguesa”, às 4 da matina, vai para a máquina o número do 31 J onde transborda a certeza na vitória. Chagas está preso, foi provavelmente Bruno a escrever aquelas palavras. A República poderia ter sido proclamada em Portugal a partir do Porto, não por nove horas, mas para sempre, dezanove anos antes de ter ocorrido a partir de Lisboa.


Só que desta vez a sorte das armas, depois de também balancear para um lado e para outro, acabou por inclinar-se para o lado republicano! Demorou tempo a germinar, depois da sementeira de 1891, mas acabou por despontar e florir! 


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Agradeço ao Pedro me ter disponibilizado o texto para publicação aqui.
A imagem é minha e data de 2005 ou 2006, peço desculpa pela má qualidade.




16.5.13

AFONSO COSTA


Afonso Costa não tem rua nem praça, nem mesmo um simples largo na cidade. Afonso Costa está esquecido do Porto? Não é bem assim pois tem uma estátua. Poucos passam por ali a pé. Poucos perdem um pouco de tempo para lerem o que está escrito... infelizmente.


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Escultura da autoria de Laureano Ribatua no Campo vinte e quatro de Agosto.


Sobre Afonso Costa:


Afonso Augusto da Costa (Seia, 6 de Março de 1871 — Paris, 11 de Maio de 1937), conhecido apenas por Afonso Costa, foi um advogado, professor universitário, político republicano e estadista português.
Foi um dos principais obreiros da implantação da República em Portugal e uma das figuras dominantes da Primeira República.

(pode continuar a ler na Wikipédia)



"Matriculou-se na universidade no ano lectivo de 1888-1889, e concluiu a sua formatura em 1894. Foi premiado nos quarto e quinto anos de direito, tomou grau de licenciado em 17 de janeiro de 1895, fez ato de conclusões magnas em 24 e 25 de maio do mesmo ano, e doutorou-se em 9 de junho ainda em 1895. O seu primeiro despacho para o magistério foi em abril de 1896, e em agosto de 1900 foi nomeado catedrático. O dr. Afonso Costa, nome por que é mais vulgarmente conhecido, era considerado como um dos académicos mais notáveis do seu curso e, quando nomeado lente, era o mais novo de todo o corpo catedrático. No exercício da advocacia revelou-se sempre como um dos mais brilhantes ornamentos do foro português moderno.

Também se tem distinguido pelas suas ideias políticas avançadas; em 1897, no Porto, foi um dos homens que saíram a campo a protestar contra o plano do governo progressista de alienação das linhas-férreas do Estado. No comício que então se realizou em 13 de junho na rua do Bonjardim, foi o dr. Afonso Costa um dos oradores mais fluentes, apresentando-se pela primeira vez publicamente ao povo do Porto; e foram tão convincentes as suas palavras, que desde logo ficou considerado um dos mais valiosos vultos do partido republicano. Noutros comícios que se realizaram seguidamente na mesma cidade, também o dr. Afonso Costa tomou parte, sendo os seus discursos sempre ouvidos com o maior interesse e atenção. Quando a peste bubónica se declarou no Porto, no verão de 1899, o regime excepcional das medidas preventivas a que a cidade foi submetida por ordem do governo progressista, determinou contra ele o descontentamento geral da população. Aproximavam-se as eleições de deputados, e o partido republicano do Porto apresentou as candidaturas do dr. Afonso Costa, de Xavier Esteves e de Paulo Falcão. As eleições realizaram-se a 16 de novembro, e depois de grandes lutas entre monárquicos e republicanos, ficaram eleitos os três candidatos apresentados, mas o governo conseguiu que esta eleição fosse anulada arbitrariamente, no tribunal de verificação de poderes. Este facto ainda exaltou mais os ânimos, incitando-os a novas lutas. Em 21 de janeiro de 1900 saiu o primeiro número do jornal republicano O Norte, e os três candidatos eram novamente apresentados ao sufrágio dos eleitores independentes, como o haviam sido anteriormente na Voz Pública. O acto eleitoral realizou-se a 18 de fevereiro seguinte, e a despeito de todas as pressões, o Porto tornou a eleger os três deputados republicanos, facto que em todo o país causou a maior impressão. O dr. Afonso Costa apresentou-se na câmara respectiva como distinto parlamentar, e como um dos mais temíveis inimigos das instituições monárquicas. Orador fluente, os seus discursos eram calorosamente escutados. Caindo o ministério progressista, e subindo ao poder o partido regenerador, procedeu-se à eleição de deputados em 25 de novembro do referido ano de 1900, e o partido republicano apresentou novamente os três candidatos, mas desta vez não foram reeleitos."
No início do ano de 1937 foi indigitado para Grão-Mestre da Maçonaria Portuguesa, cargo que já não chegou a assumir, em virtude de ter falecido.
Faleceu a 11 de Maio de 1937 em Paris, tendo sido sepultado inicialmente em Neuilly-sur-Seine, no jazigo de Robert Burnay, sendo trasladado posteriormente, em 1950, para o cemitério de Cemitério do Père-Lachaise, em Paris.
Os seus restos mortais só em 1971 foram trasladados para Portugal, encontrando-se actualmente em Seia, no jazigo da família.



22.10.12

Rua SANTOS POUSADA

211012



Na parte baixa desta rua, junto ao Campo 24 de Agosto existiram algumas fábricas. Hoje só nos resta o edifício da antiga Fábrica de Moagem Aliança, que anteriormente tinha tido o nome de Invicta e que fora, anteriormente a 1908,  propriedade de António Joaquim de Andrade Villares, fundada em 1874. Este enorme edifício encontra-se hoje transformado num complexo habitacional. 

Anteriormente esta rua teve o nome de S. Jerónimo.

Se está interessado em saber algo mais sobre Santos Pousada, veja aqui.

Arquitectura:
No número 1231 desta artéria situa-se a chamada casa José Braga, cujo projecto de Celestino Castro data de 1949.
O Edifício Bayer fica no nº 441. O autor do seu projecto foi Márcio de Freitas (1958).

18.10.12

JAZIGO DE SANTOS POUSADA NO CEMITÉRIO DO PRADO DO REPOUSO


191012


António dos Santos Pousada era natural do Porto. Filho de Bernardo Pousada e de Maria Josefa Gomes, onde nasceu em 28 de Outubro de 1854.

Estudou na Escola Politécnica do Porto até 1884, tendo sido um dos estudantes contemplados com um prémio nesse ano que foi entregue em sessão solene realizada a 20 de Outubro de 1884.

Santos Pousada foi nomeado professor da escola industrial em concurso para professores em 1884, aprovado por portaria de 8 de Novembro de 1884 [Joaquim Ferreira Gomes, Estudos para a História da Educação no século XIX, Instituto de Inovação Educacional, Lisboa, 1996, p. 83, nota 3]. Santos Pousada foi colocado na Escola de Desenho Industrial Faria Guimarães, no Bonfim, cidade do Porto, por Despacho de 4 de Dezembro de 1884, tendo a escola sido inaugurada em 12 de Janeiro de 1885, com mobiliário emprestado pelo Instituto Industrial do Porto. Nessa escola matricularam-se 134 alunos para frequentar aulas nocturnas [Joaquim Ferreira Gomes, idem, p. 85]

Exerceu depois funções docentes na Escola Industrial Passos Manuel, em Vila Nova de Gaia. 

Santos Pousada foi consultado sobre as modificações necessárias à adaptação do Palácio dos Cirnes, já que ele tinha sido adquirido pela Junta de Freguesia do Bonfim para aí se instalar, bem como as escolas primárias. Foi convidado António dos Santos Pousada, que depois de um estudo exaustivo redigiu o seu parecer num documento datado de 1888.

Considerado um homem culto e trabalhador, que muito se empenhou na causa da implantação da República, em especial na região do Porto. Em 1904, Santos Pousada pertencia à comissão municipal republicana do Porto. Participou de forma activa nas campanhas contra a Monarquia e na organização do movimento republicano.

Foi ainda um dos propagandistas da mutualidade no norte de Portugal, tendo participado em inúmeras realizações. Foi relator de teses que abordavam a contabilidade e a escrituração das associações de socorros mútuos, no Congresso Regional que se realizou no Porto em 1904. Participou também de forma activa no Congresso Nacional da Mutualidade que se realizou em 1911, na Sociedade de Geografia de Lisboa. Neste congresso foi eleito vogal do Conselho Central da Federação Nacional das Associações de Socorros Mútuos e foi vice-presidente da Comissão Oficial de Reforma do Mutualismo, competindo-lhe a organização dos modelos de escrita que deviam acompanhar o novo modelo de reforma. 

António José dos Santos Pousada destacou-se como jornalista. Colaborou em diversos órgãos da imprensa republicana como Vanguarda, Voz da Beira, Voz da Justiça, Voz de Angola, O Alarme e A Democracia. Era correspondente do jornal República, em Espinho, terra onde vivia e era muito respeitado pela população. Foi ainda o fundador da obra beneficência O Vintém das Escolas.

Pertenceu à Maçonaria, desde 1885, onde desenvolveu intensa actividade, tendo prestado serviços relevantes à organização. Talvez um dos seus mais difíceis trabalhos tenha sido conseguir que a actividade maçónica não se extinguisse no Porto, após o 31 de Janeiro, tendo conseguido, com os poucos elementos que restaram reerguer a organização. Preparou em 1900 uma conferência maçónica nacional, facto que marcou a história da instituição. Tinha como nome simbólico, Championnet, tendo atingido o grau 33 do Rito Escocês Antigo e Aceite. Pertenceu à Loja Aurora do Lima, do Porto, onde foi venerável, mais tarde passou para a Loja Liberdade e Progresso. Em 1901 ascende ao grau 33.

Foi eleito deputado pelo Porto e colaborou em inúmeros jornais. Com a divisão do Partido Republicano após o 5 de Outubro, Santos Pousada filiou-se no Partido Republicano Evolucionista, liderado por António José de Almeida.

Faleceu a 6 de Outubro de 1912.

No dia 10 de Novembro de 1912, realizou-se na Liga das Associações de Socorros Mútuos uma sessão solene de homenagem a Santos Pousada. Presidiu à sessão João Pinto de Azevedo, presidente da direcção da liga, tendo sido escolhido para presidir à sessão José Ernesto Dias da Silva, presidente da Federação Nacional das Associações de Socorros Mútuos. Discursaram durante a sessão Luís de Queirós e Manuel Inácio Alves Pereira.

Publicado no Almanaque Republicano