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24.12.13

Rua Morgado de Mateus

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Esta artéria já teve os nomes de Rua do Mede Vinagre e Rua da Murta.

Mas o que nos interessa aqui é o Morgado. Segundo a Wikipédia temos um certo número deles. O difícil é escolher o bom.

Estando esta rua mesmo ao lado da Biblioteca Municipal vem logo à ideia que a referência toponómica deve ter algo a ver com "aquela" edição de "Os Lusíadas".

Pois bem, o "nosso" Morgado não é mais nem menos do que 

José Maria de Sousa Botelho Mourão e Vasconcelos 

Só que eu estava longe de me relembrar que também tinha sido ele que editou, ou mandou editar "Les Lettres d'une Religieuse Portugaise" de D. Mariana Alcoforado. 

E passo a transcrever o que nos diz o Dicionário Histórico de Portugal :


« Mais conhecido pelo Morgado Mateus. Moço fidalgo da Casa Real, senhor e administrador dos morgados de Mateus, Sabrosa e outros vínculos; comendador da ordem de Cristo, conselheiro de fazenda, diplomata, etc. 

N. no Porto a 9 de Março de 1758, fal. em Paris em 1 de Junho de 1825. 

Seguindo a carreira diplomática, foi encarregado de negociar a paz em 1801 entre Portugal e a França, paz de que a Espanha tinha de ser medianeira. A paz não pôde celebrar-se, e pelo contrário acendeu-se a guerra 
também com a Espanha. Daí resultou a triste campanha em 1801, finda a qual se celebrou a paz com os dois países, sendo ainda o morgado Mateus o negociador, e que foi em seguida nomeado ministro de Portugal junto do primeiro cônsul Bonaparte. Desempenhou com habilidade essa missão difícil, e procedeu com energia na questão do general Lannes, que Bonaparte nomeou cônsul em Portugal, e que procedeu aqui com a maior insolência praticando toda a casta de despropósitos que o governo do regente lhe tolerou pela sua minímia fraqueza. Ao despótico primeiro cônsul não convinha um ministro como D. José Maria de Sousa, e por isso exigiu a sua transferência para outra corte, e efectivamente foi mudado para S. Petersburgo, sendo substituído em Paris por D. Lourenço de Lima. O morgado Mateus passou ainda para Estocolmo e Copenhaga; quando Bonaparte nos impôs também a obrigação de rompermos com a Rússia. 

Havia casado com D. Teresa de Noronha, filha de D. José de Noronha, e tendo enviuvado, casou segunda vez, em Paris, em 1802, com Madame Adelaide Maria Fileul de la Bellarderie, viúva do conde de Flahaut, autora de vários romances muito apreciados no seu tempo, e conhecida na república das letras por Madame de Sousa. Depois da Restauração, voltou para Paris, em 1817. Apaixonavam-no sobretudo as suas predilecções literárias. Madame Sousa era uma grande escritora e o morgado Mateus um homem de fina e cultivada inteligência. Enquanto sua mulher escrevia os seus romances, o morgado Mateus preparava a sua edição monumental dos Lusíadas, de Camões, mandando imprimir em Paris, nesse ano de 1817, o volume do célebre poema que apresentou depois à Academia Real das Ciências. Esta nomeou uma comissão composta de António Caetano do Amaral, Mateus Valente do Couto e Francisco Mendes Trigoso, que deu a respeito dessa edição um parecer muito lisonjeiro, observando apenas que o editor deveria ter seguido a edição de 1572. A este reparo respondeu D. José Maria de Sousa numa carta que foi impressa nas Memorias da Academia. Os Lusíadas eram precedidos por um artigo do morgado Mateus, sobre a Vida de Camões, trabalho muito notável. A despesa feita pelo morgado Mateus com esta edição, foi de 51.152 francos e 40 cêntimos (9.207$132 réis) os desenhadores foram Gerard, Fragonard, Visconti e Desenne; foram 12 os gravadores, e o revisor da obra foi um tal Menia. Durou 17 meses a impressão que era em magnífico papel velino, sendo os tipos fundidos de propósito. Tiraram-se 210 exemplares, de que D. José Maria de Sousa distribuiu em presentes 179, sendo 11 para o Brasil, 66 para Portugal, 22 para França, 28 para Inglaterra, 5 para Espanha, 13 para Itália, 30 para o Norte, 2 para a América, e 2 para a Ásia. Entre os presenteados, além das testas coroadas e príncipes, contavam-se o conde de Palmela, António Ribeiro dos Santos, Sismonde de Sismondi, Lord Castlereagh, Reynouard, David Hume, a condessa de Albany, o conde de Nevelrode, Metternich, e dois membros da família Bonaparte, o príncipe Eugénio, a rainha Hortênsia, etc. Esta edição foi exclusivamente destinada para presentes, mas o morgado Mateus consentiu que na imprensa Didot, onde se fizera aquele primoroso trabalho, se fizesse uma edição para o público, reimprimindo-se ainda em 1836. 

D. José Maria de Sousa também publicou: Lettres portugaises, traduzidas em portuguez com o texto francez em frente, e precedidas d'uma noticia bibliographica por D. J. M. S; Paris, 1821. São as célebres cartas atribuídas a D. Mariana Alcoforado; isto é, as últimas cinco das doze que Filinto Elísio também traduziu, visto que as outras sete são com certos fundamentos julgadas apócrifas. Fez‑se uma nova edição, em 1853, também em Paris, reproduzindo somente o texto francês, com o título: Lettres portugaises; nouvelle edition conforme à la première, avec une notice bibliographique sur ces lettres. »


1.12.13

Neste prédio de Miragaia ...

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... existe uma placa que indica o nascimento em 1744 de Tomás António Gonzaga.


Mais algumas linhas sobre este português de Miragaia que aos sete anos seguiu a família até ao Brasil e que faleceu deportado em Moçambique:


«Tomás Antônio Gonzaga (1744-1810) foi poeta português. Seu livro "Marília de Dirceu", foi escrito com o pseudônimo árcade de Dirceu. Por seu envolvimento na Inconfidência Mineira, foi preso e deportado para a África.
Tomás Antônio Gonzaga (1744-1810) nasceu em Porto Portugal, no ano de 1744. Seu pai e seu avô paterno eram brasileiros. Quando seu pai retornou ao Brasil, como Ouvidor de Pernambuco, Tomás estava com sete anos de idade. Iniciou seus estudos com os jesuítas na Bahia, até 1761. Com 17 anos foi estudar na Universidade de Coimbra. Já formado em Direito, redigiu uma tese para concurso universitário, hoje publicada como "Tratado de Direito Natural.
Em 1782, Tomás retorna ao Brasil, como Ouvidor de Vila Rica. Em 1786 é nomeado Desembargador para a Bahia, mas adiou o quanto pode essa transferência. Estava apaixonado pela jovem mineira, de 17 anos, Maria Joaquina Dorotéia de Seixas Brandão.
Tomás participava das reuniões dos inconfidentes, que tinham como objetivo libertar a colônia do domínio econômico português. A conspiração era realizada por pessoas da elite econômica, onde se destacava a presença de padres e letrados, entre eles Tomás Antônio Gonzaga. Foi delatado, preso e levado para o Rio de Janeiro, onde ficou até 1792. Nesse mesmo ano publica a primeira parte do livro que vinha compondo nos bons tempos em Vila Rica.
Na primeira parte do livro, o poeta fala do amor, canta as experiências de uma vida simples, em contato com a natureza, ao lado de seus amigos pastores e de sua querida pastora Marília. Seus poemas estavam de acordo com a expressão do Arcadismo, cuja proposta era o retorno à ordem natural, em que a natureza adquire um sentido de simplicidade, harmonia e verdade, como nesse trecho de Marília e Dirceu: "Enquanto pasta alegre o manso gado,/Minha bela Marília, nos sentemos/À sombra deste cedro levantado./Um pouco meditemos/Na regular beleza,/Que em tudo quanto vive nos descobre/A sábia Natureza".
Ainda em 1792, Gonzaga é deportado para Moçambique. A segunda parte do livro, foi escrita e publicada quando ainda estava na prisão, em 1799. Nesses textos, o tom é outro, o poeta se lamenta do destino, afirmando sua inocência e queixando-se das saudades de "Marília" e da liberdade: "Que diversas que são, Marília, as horas,/Que passo na masmorra imunda e feia,/Dessas horas felizes, já passadas/Na tua pátria aldeia!".
O poeta escreveu ainda "Cartas Chilenas", uma sátira manuscrita, em versos, que circulou anonimamente em Vila Rica. Através de estudos, confirmou-se que era de Gonzaga. Nele a figura do governador da capitania de Minas, Luís da Cunha Meneses, é ridicularizado, por suas arbitrariedades. O nome das pessoas e dos lugares são trocados. Minas Gerais é Chile; Vila Rica é Santiago; o autor é Critilo. A obra só foi publicada em 1845.
Tomás Antônio Gonzaga morreu em Moçambique, Àfrica, no ano de 1810. »

Publicado pela e-biografias.


12.7.13

Camões

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O busto em bronze de Camões da autoria da escultora Iréne Vilar encontra-se escondido num recanto da Avenida Brasil. Anteriormente estava mais visível na Avenida D. Carlos I.


13.6.13

125 anos

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O Infante

Deus quer, o homem sonha, a obra nasce.
Deus quis que a terra fosse toda uma,
Que o mar unisse, já não separasse.
Sagrou-te, e foste desvendando a espuma,

E a orla branca foi de ilha em continente,
Clareou, correndo, até ao fim do mundo,
E viu-se a terra inteira, de repente,
Surgir, redonda, do azul profundo.

Quem te sagrou criou-te português.
Do mar e nós em ti nos deu sinal.
Cumpriu-se o Mar, e o Império se desfez.
Senhor, falta cumprir-se Portugal!

Mensagem


Efeméride

No 125º aniversário de Fernando Pessoa

Relevo da autoria de José Fernandes de Sousa Caldas na fachada da Escola de Artes Decorativas Soares dos Reis.


11.6.13

ESCOLA JOÃO DE DEUS


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Sobre João de Deus (de Nogueira Ramos):
"João de Deus de Nogueira Ramos (São Bartolomeu de Messines, 8 de Março de 1830 — Lisboa, 11 de Janeiro de 1896), mais conhecido por João de Deus, foi um eminente poeta lírico, considerado à época o primeiro do seu tempo, e o proponente de um método de ensino da leitura, assente numa Cartilha Maternal por ele escrita, que teve grande aceitação popular, sendo ainda utilizado. Gozou de extraordinária popularidade, foi quase um culto, sendo ainda em vida objecto das mais variadas homenagens e, aquando da sua morte, sepultado no Panteão Nacional. Foi considerado o poeta do amor."

Para continuar a conhecer a sua biografia pode fazê-lo aqui.

Os alunos desta escola contam assim a sua história:

"HISTÓRIA DA NOSSA ESCOLA

A nossa escola chama-se João de Deus e situa-se na freguesia de Ramalde, perto da Avenida da Boavista. 

É uma escola nova, tem um recreio grande e oito salas de aula.

A escola João de Deus foi inaugurada a 11 de Outubro de 1991.

Sabem porque foi construída a escola João de Deus ?

Porque a escola Belos Ares já era velha e não tinha espaço para tantas crianças.

A escola  Belos Ares era constituída  por dois edifícios, um na rua João de Deus e outro  na rua Belos Ares.

O da rua João de Deus tinha 3 salas de aula e no 2º piso funcionava a Delegação Escolar  e na rua Belos Ares tinha 3 salas grandes.

Até 1974, o edifício da Rua Belos Ares era o edifício onde as meninas tinham aulas e o edifício da Rua João de Deus era onde os meninos tinham aulas, separadamente das meninas.

Entre 1974 e 1991, a escola tinha 270 crianças e 12 professores.

Os horários eram em regime normal - das 9 horas às 12 horas, recomeço às 14 horas e final às 16 horas.

Quando se construiu a escola João de Deus, a escola antiga da rua João de Deus não ficou logo a ser uma escola de música como é agora. A escola velha da rua Belos Ares ficou a ser a Delegação Escolar, mas já acabou.

A nova escola João de Deus tem uma cantina grande, com muitas mesas e comida saborosa; uma biblioteca com computadores ligados à Internet; uma secretaria para quando houver qualquer problema com a escola, quando for preciso ir buscar os livros ou para pagar a refeição da cantina; uma sala de professores onde os professores lancham e fazem discussões; uma sala de apoio para os meninos que têm dificuldades em aprender; um gabinete para o director e para os vice-directores discutirem os problemas da escola; uma enfermaria para os meninos magoados e duas casas de banho para rapazes e raparigas.

Nos primeiros anos, depois de ser inaugurada a escola tinha 8 turmas, cerca de 200 alunos e funcionava em regime normal.

Quanto ao recreio, na nossa opinião, devia ter grades à volta da árvore centenária. Apesar de ter redes à volta da escola devia ter muros à volta do campo de Basquete, onde nós jogamos futebol.

A escola tem empregadas que gostam de nós.

As salas de aula estão decoradas com o nosso trabalho.

Há mais ou menos 30 professores e 400 crianças.


No próximo ano já não estaremos nesta escola, mas gostámos de estar estes 4 anos na escola João de Deus."


27.2.13

CAFÉ S. LÁZARO

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Durante algumas décadas foi o café dos artistas da cidade, anexo da Escola de Belas Artes. Contrariamente ao Piolho com as suas placas de mármore nas paredes ou da "Closerie des Lilas" com os nomes nas mesas, este café nunca mais será o que foi!

Assim de memória, sem procurar nos livros: por lá passaram os "quatro vintes" e muitos mais dos anos sessenta do século vinte: o Eugénio de Andrade (que habitava não muito longe) aquela malta toda de Belas-Artes que fazia escala ao ir ou ao vir da escola, o Zeferino que lá ia tomar café depois de jantar na "Morte Lenta", os "ratos de biblioteca" pois a Municipal estava mesmo ao lado, o J. P. Pereira porque S. Lázaro era "in" e outros tantos daqueles tempos que esqueço. Durante mais algumas décadas continuou a ser o café de arquitectos, artistas plásticos e outros professores de educação visual.

Segundo fontes fidedignas a decadência começou com uma mudança de gerência que aconteceu nos anos 90. 

Hoje é um café tipo "pastelaria" sem bilhares, bastante amorfo durante a tarde, à noite não me convidem a lá passar.


28.1.13

Rua MANUEL BANDEIRA

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Nota biográfica sobre este poeta Brasileiro:

"Manuel Carneiro de Souza Bandeira Filho nasceu no Recife no dia 19 de abril de 1886, na Rua da Ventura, atual Joaquim Nabuco, filho de Manuel Carneiro de Souza Bandeira e Francelina Ribeiro de Souza Bandeira. Em 1890 a família se transfere para o Rio de Janeiro e a seguir para Santos - SP e, novamente, para o Rio de Janeiro. Passa dois verões em Petrópolis.

Em 1892 a família volta para Pernambuco. Manuel Bandeira freqüenta o colégio das irmãs Barros Barreto, na Rua da Soledade, e, como semi-interno, o de Virgínio Marques Carneiro Leão, na Rua da Matriz.

A família mais uma vez se muda do Recife para o Rio de Janeiro, em 1896, onde reside na Travessa Piauí, na Rua Senador Furtado e depois em Laranjeiras. Bandeira cursa o Externato do Ginásio Nacional (atual Colégio Pedro II). Tem como professores Silva Ramos, Carlos França, José Veríssimo e 
João Ribeiro. Entre seus colegas estão Sousa da Silveira e Antenor Nascentes.

Em 1903 a família se muda para São Paulo onde Bandeira se matricula na Escola Politécnica, pretendendo tornar-se arquiteto. Estuda também, à noite, desenho e pintura com o arquiteto Domenico Rossi no Liceu de Artes e Ofícios. Começa ainda a trabalhar nos escritórios da Estrada de Ferro Sorocabana, da qual seu pai era funcionário.

No final do ano de 1904, o autor fica sabendo que está tuberculoso, abandona suas atividades e volta para o Rio de Janeiro. Em busca de melhores climas para sua saúde, passa temporadas em diversas cidades: Campanha, Teresópolis, Maranguape, Uruquê, Quixeramobim.

"... - O senhor tem uma escavação no pulmão esquerdo e o pulmão direito infiltrado.

- Então, doutor, não é possível tentar o pneumotórax?

- Não. A única coisa a fazer é tocar um tango argentino."

Em 1910 entra em um concurso de poesia da Academia Brasileira de Letras, que não confere o prêmio. 

Lê Charles de Guérin e toma conhecimento das rimas toantes que empregaria em Carnaval.

Sob a influência de Apollinaire, Charles Cros e Mac-Fionna Leod, escreve seus primeiros versos livres,em 1912.

A fim de se tratar no Sanatório de Clavadel, na Suíça, embarca em junho de 1913 para a Europa. No mesmo navio viajam Mme. Blank e suas duas filhas. No sanatório conhece Paul Eugène Grindel, que mais tarde adotaria o pseudônimo de Paul Éluard, e Gala, que se casaria com Éluard e depois com Salvador Dali.

Em virtude da eclosão da Primeira Guerra Mundial, em 1914, volta ao Brasil em outubro. Lê Goethe, Lenau e Heine (no sanatório reaprendera o alemão que havia estudado no ginásio). No Rio de Janeiro, reside na rua Nossa Senhora de Copacabana e na Rua Goulart.

Em 1916 falece sua mãe, Francelina. No ano seguinte publica seu primeiro livro: A cinza das horas, numa edição de 200 exemplares custeada pelo autor. João Ribeiro escreve um artigo elogioso sobre o livro. Por causa de um hiato num verso do poeta mineiro Mário Mendes Campos, Manuel Bandeira desenvolve com o crítico Machado Sobrinho uma polêmica nas páginas do Correio de Minas, de Juiz de Fora.

O autor perde a irmã, Maria Cândida de Souza Bandeira, que desde o início da doença do irmão, havia sido uma dedicada enfermeira, em 1918. No ano seguinte publica seu segundo livro, Carnaval, em edição custeada pelo autor. João Ribeiro elogia também este livro que desperta entusiasmo entre os paulistas iniciadores do modernismo.

O pai de Bandeira, Manuel Carneiro, falece em 1920. O poeta se muda da Rua do Triunfo, em Paula Matos, para a Rua Curvelo, 53 (hoje Dias de Barros), tornando-se vizinho de Ribeiro Couto. Numa reunião na casa de Ronald de Carvalho, em Copacabana, no ano de 1921, conhece Mário de Andrade. Estavam presentes, entre outros, Oswald de Andrade, Sérgio Buarque de Holanda e Osvaldo Orico.
..."
Pode continuar a ler aqui.


Também está disponível este filme que tive a oportunidade de ver há muitos anos: 

"O Poeta do Castelo" filme de de Joaquim Pedro de Andrade (1959).



8.10.12

Rua de CEDOFEITA - 478

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Este prédio teve durante bastantes anos uma barbearia no seu rés-do-chão uma barbearia. Durante alguns anos na década de sessenta, a barbearia Costa foi o lugar onde cortava o meu cabelo.



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"no Porto, cidade que amo tanto como a minha natal Lisboa pois que nela passei... dos anos mais livres e também dos mais duros da minha vida"
Prefácio de "Poesia I - 2ª edição
Jorge de Sena


Neste prédio viveu Jorge de Sena quando estudava na Faculdade de Engenharia, na altura na rua dos Bragas. Este prédio situa-se praticamente a meio-caminho entre esta faculdade e a de Farmácia, na altura na rua Aníbal Cunha, frequentada pela sua futura esposa Mécia Lopes.  

7.5.12

Ainda os cafés do Porto


Há muito que não publico textos sobre curiosidades da cidade.

Na limpeza dos meus arquivos acabo de encontrar algo que já tinha guardado e quase esquecido. Como o link para a página onde estava publicado já não funciona, resolvo publicá-lo aqui para que não se perca.

Como a sua publicação é para a divulgação da cidade e das pessoas que nela vivem ou viveram, espero que o autor não veja inconveniente de o colocar aqui.




Em Louvor dos Cafés do Porto

Por Germano Silva *

Há uma história que está por fazer - a dos cafés do Porto. Não a história cronológica desde quando apareceram até ao seu desaparecimento, mas a história do importante papel que esses espaços públicos, se assim se pode dizer, desempenharam como lugares do intercâmbio de ideias e centros de difusão de culturas, tanto modernas como antigas. Nos idos de sessenta, essa verdadeira instituição portuense que foi o "café" desempenhou um papel de tal modo importante na história das artes, da literatura, do teatro e também da política, que não pode passar despercebida à análise mais ou menos crítica do cronista atento ao fenómeno cultural de uma cidade com a dimensão da do Porto. Houve cafés nesta nossa cidade que rivalizaram com as academias e, pode mesmo dizer-se, até com a própria Universidade. Ao redor das suas mesas, com tampos de mármore ou de vidro, travaram-se autênticas batalhas de estética, deram-se a conhecer, em primeira mão, tratados, romances, poemas. Congeminaram-se formas de resistência à ditadura e deram-se a conhecer alguns planos de luta contra o poder instituído. A determinados movimentos ou correntes correspondiam determinados "cafés". No desaparecido Rialto (ficava na Praça de D. João I) , por exemplo, reunia-se o grupos dos poetas que editavam as "Notícias do Bloqueio". Eram eles o Egito Gonçalves, o Daniel Filipe, o Papiniano Carlos, o Luís Veiga Leitão, o António Rebordão Navarro, às vezes o José Augusto Seabra e, sempre que os trabalhos jornalísticos o permitiam, o autor destas linhas, então um jovem candidato a jornalista. As "Notícias do Bloqueio", redigidas "à sombra" dos murais de Abel Salazar pintados nas paredes do café, eram, sobretudo, cadernos de poesia mas eram também e, fundamentalmente, trincheiras de combate político e tribuna de difusão de novas ideias. "Noticias do Bloqueio" é o título de um poema do Egito. Recordo-me que foi o Daniel Filipe quem sugeriu que fosse o título desse poema a servir de cabeçalho aos cadernos. A colecção completa destes cadernos é hoje raríssima e, por isso, difícil de encontrar. A sua reedição seria como que o "pontapé de saída" para a tal história dos nossos "cafés". Outro "café" cultural era a Primus - um misto de café e confeitaria à volta de cujas mesas eram certos, a determinadas horas do dia, o arquitecto Américo Losa e a mulher, a escritora Ilse Losa; o prestigiado advogado e respeitado combatente pelas Liberdades, Artur Santos Silva; António Ramos de Almeida que orientava o Suplemento Cultural do "Jornal de Notícias", onde acolhia fraternalmente os jovens que então ensaiavam os primeiros voos artísticos, literários ou teatrais. Recordo que o Círculo de Cultura Teatral - Teatro Experimental do Porto (TEP) tinha acabado de ser fundado e funcionava, com pleno êxito, no seu teatrinho da antiga Travessa de Passos Manuel, hoje denominada Rua do Ateneu Comercial do Porto. O grande mestre do Teatro que foi o António Pedro, sempre que os seus afazeres de director do TEP lhe davam alguma folga, bem como os actores que constituíam a Companhia do Teatro, eram também certos na Primus. "Primus inter pares", assim se lhe referiu Daniel Filipe numa das belissímas crónicas que diariamente publicava no "Diário Ilustrado". Escreveu: "Há no Porto um café onde se pensa. Há no Porto um café onde se escreve. Há no Porto um café onde se discute..." E o "Majestic", hoje uma instituição da cidade? O que esse "café" representou e representa no panorama cultural do Porto! Houve um famoso grupo de artistas que o elegeu como praça forte para as suas guerras contra o "statu quo", que o mesmo é dizer contra o imobilismo e a inércia reinantes. Foram eles o José Rodrigues, o Armando Alves, o Ângelo de Sousa e o Jorge Pinheiro que passaram à história artística do Porto com a designação de "Os Quatro Vintes". Ainda muito recentemente, num agradável convívio com três dos "Quatro Vintes" (o Zé Rodrigues, o Armando e o Ângelo) se evocou, com alguma emoção, o tratamento afectuoso de que estes artistas eram alvo por parte dos donos do "Majestic". Não há dúvida que para muitos deles, o "café", além de ser a sua Academia, era também uma espécie de lar onde podiam aquecer-se e alimentar-se, graças, muitas vezes, à generosidade de nobres gerentes hoje infelizmente esquecidos... Outro café, inexplicável e incompreensivelmente desaparecido, mas não esquecido, e que merece ser referido aqui, pois exerceu também uma grande influência no pensamento cultural e político do século XX, foi "A Brasileira". Era frequentado, indiferentemente, por homens da esquerda e da direita. Com esta singularidade: os de esquerda sentavam-se à direita e os de direita ocupavam as mesas do lado esquerdo.



As tertúlias do Café Ceuta



O "Ceuta", um dos raros grandes "cafés" do Porto ainda em actividade, acolheu durante anos uma animada tertúlia literária criada pelo Fernando Fernandes, o grande animador da Livraria Leitura que sucedeu à Divulgação. Recorde-se, a propósito, que a Divulgação nasceu a partir do Movimento Cultural Convívio, que surgiu com a página cultural do jornal "A Planície" que se publicava em Moura, no Alentejo. A primeira loja da Divulgação funcionou num sétimo andar do prédio número 22 da Praça de D. Filipa de Lencastre. Só mais tarde se transferiria para o cimo da Rua de Ceuta, já com o Fernando Fernandes (vindo da Livraria Aviz) como seu grande dinamizador. Os homens da tertúlia do "Ceuta" sentavam-se invariavelmente ao fundo da sala, perto do balcão da copa. Começavam a chegar à hora do lanche e iam ficando pela noite fora, às vezes até à hora do encerramento do café e, não raras vezes, vigiados de perto pelos esbirros da polícia política, a celebrada PIDE. Além do Fernando Fernandes e dos seus companheiros de aventura na Divulgação, o Carlos Porto e o Vítor Alegria, eram assíduos àquelas reuniões, Luís Veiga Leitão, António Emílio Teixeira Lopes, Orlando Neves que com a Maria Virgínia de Aguiar, então sua mulher, fundou e dirigiu a revista "A Cidade - do Porto e pelo Norte"; o jornalista Pedro Alvim; os actores Dalila Rocha e João Guedes, além do mestre António Pedro; e ainda Manuel Baganha, Luís Ferreira Alves, Jorge Baía da Rocha, Carlos Ispaim e muitos, muitos outros. Dos habituais frequentadores desta tertúlia do "Ceuta" alguns eram exímios jogadores de bilhar e muitas vezes deliciavam os numerosos assistentes com renhidas partidas de "snooker" na cave do "Ceuta". A esta época dourada dos "cafés" do Porto deve-se juntar a intensa actividade cultural e artística que se operava na cidade através do Cine Clube do Porto, da Associação dos Jornalistas e homens de Letras do Porto, da Galeria Alvarez que o Jaime Isidoro criara na Rua da Alegria e que era a primeira do seu género no Porto; da Cooperativa Artística Árvore que continua a produzir frutos em abundância e de excelente qualidade; e da própria Escola Superior de Belas Artes dirigida, então, por esse homem superior que foi o mestre Carlos Ramos. Trago este assunto às páginas deste número especial da "Porto de Encontro" para prestar homenagem a uma grande instituição que ainda hoje no Porto procura manter-se viva - o "café". É o caso do legendário "Âncora D'Ouro", mais conhecido por "O Piolho", e o "Orfeuzinho", lá para as bandas da Rotunda da Boavista. São dois locais onde certas pessoas, a determinadas horas, ainda se reúnem para trocar ideias, falar do próximo livro. Que dizer de "O Piolho": lembrar as manhãs ociosas e as longas noites em que a vida não ia além, ainda, de uma ilusão da Primavera da vida... Façamos votos para que no futuro os vindouros possam também dizer que muitos dos cafés de hoje exerceram a sua influência no pensamento do século XXI.


* Escritor, jornalista e editor da revista "Visão"


Texto originalmente publicado na revista "Porto de Encontro", Julho de 2001.»



12.2.12

O 18

0 18

TERMINUS : Foz do Douro

Adeus adeus
que não tenho pressa
vou no eléctrico
com a minha amada
até à Foz

Deixem-me estar
assim
debruçado
sobre
o sonho
saboreando
o sal
o sol
o mar
os olhos
da minha amada
onde me perco
e renasço

Adeus adeus
deixem-me estar assim
que não tenho pressa
quero adormecer
para sempre
contemplando
o mar
dos olhos
da minha amada

Mão na mão
desafiando a cidade
os vizinhos
e o sono
vamos no 18
até à Foz

E o eléctrico
é já
um navio de bruma
que resiste
a todas as marés
e
sonolento
desliza
para os lábios do delirio

Quando chegou
ao fim da linha
o 18 não parou
entrou mar adentro

Nao sabia
o eléctrico
por quão triste
estava o mar
naquela tarde
em Fevereiro
as ondas
do mar da Foz
eram
só lágrimas
e sal
porque nunca houvera
visto
uns olhos
tão de bruma
e sol
e sonho

Antonio Barbosa Topa





António Barbosa Topa, nascido no Porto em 1948. Jovem poeta de Gaia, na sua juventude, com publicação nos suplementos juvenis dos diários lisboetas. Amigo desses tempos e companheiro de aventuras durante anos. Exilou-se em França em 1969, trabalhou após o 25 de Abril na antiga Secretaria de Estado da Emigração.
Ligado ao movimento associativo e ao desenvolvimento cultural sempre teve o lazer ocupado pela escrita e pela poesia. Colaborou em várias publicações da emigração.
Autor de dois livros de poesia: "O fio da palavra" (1993) e de "Sur les lèvres du silence/Pelos lábios do silêncio" (2000). As suas poesias foram editadas em várias antologias.






18.1.12

Jardim do PASSEIO ALEGRE

130112

"com as últimas águas partem as árvores
um sorriso é então todo o jardim"


Eugénio de Andrade (1923-2005)


Homenagem da Associação Portuguesa de Escritores



No chão, em pleno jardim, encontra-se esta placa de Homenagem ao poeta cuja Fundação existiu em face na rua do Passeio Alegre. 
A assinalar igualmente que muito próximo habita o escritor António Rebordão Navarro.


Eugénio de Andrade não tem rua no Porto, como pude verificar na página internet da Câmara Municipal do Porto.


O Site da Fundação Eugénio de Andrade ainda existe, pode consultar uma série de retratos da autoria de vários artistas. 

Mais informações sobre o Jardim do Passeio Alegre aqui.


7.4.11

Rua DR. NUNES DA PONTE


030411


Dr. José Nunes da Ponte - (1848 - 1924) -Nasceu na Ribeira Grande, Açores, licenciou-se em Medicina em Coimbra e 1879, tendo-se estabelecido no Porto( Foz do Douro a partir de 1885, onde morreu em 1924. Presidente da Câmara Municipal do Porto em 1918. Médico, poeta e militante republicano desde 1897. (Arquivo da Toponímia)

Mais dados biográficos em Recanto das Letras


12.11.08

Colónia Dr. MANUEL LARANJEIRA


10|11|08

Fotografia publicada e localizada no Flickr


Sobre Manuel Laranjeira:

«Duas notas prévias: uma para dizer que, conforme prometido, cá estou para deixar umas palavras mais que justas sobre o homem; uma outra para referir que as linhas que se seguem são, quase todas (”tomos” 1 e 2), extractos do livro “A Génese de Espinho - Histórias e Postais”, da autoria de Carlos Morais Gaio. A guitarra a quem tem unhas…

O nascimento
Às 20h do dia 17 de Agosto de 1877, uma sexta-feira, nascia no lugar da Vergada, freguesia de São Martinho de Mozelos, concelho da Feira, Manuel (Fernandes) Laranjeira.

Em Espinho
Aos 22 anos, fixou residência em Espinho numa casa com o n.º 275 da Rua Bandeira Coelho (actual Rua 19). “Padecia de sífilis e preparava-se para formalizar a sua inscrição na Escola Médico-Cirúrgica do Porto. Iria destacar-se como um vulto influente da cultura portuguesa e marcaria a primeira década do século, já que Espinho lhe serviu de palco para a produção intelectual e para a participação cívica.”

O homem e a obra
“Considerado como o autor que melhor encarnou a obsessão no naturalismo em encontrar a verdade sobre a sociedade portuguesa, concebida como uma entidade dotada das características psicológicas dos seus habitantes, publicava, em 1902, a peça ‘Amanhã (prólogo dramático)’, via representado, em 1905, o seu manuscrito ‘Às Feras’ e concluía, em 1907, a licenciatura com uma tese intitulada ‘A Doença da Santidade (ensaio psico-patológico sobre o misticismo de forma religiosa)’. Na sua vasta colaboração em jornais e revistas, defendia a ideia de que os suicídios célebres (Soares dos Reis, Antero de Quental, Camilo Castelo Branco) reflectiam o mal-estar colectivo, julgando necessário que alguém fosse capaz de escrever a verdade sobre Portugal.”

As tertúlias
“Numa época em que a neurose e o esgotamento se popularizavam, Laranjeira abusava do café e do tabaco, tinha insónias prolongadas e passava noites a escrever, depois das boémias e das tertúlias. Frequentador habitual do Café Chinês, rodeava-se de um grupo fiel, onde pontificavam, entre outros, o artista Amadeo de Souza-Cardozo (que frequentava a praia [de Espinho]) e um grupo de jovens influentes no meio local (…)”

“A Génese de Espinho - Histórias e Postais”
Carlos Morais Gaio
Campo das Letras, Porto, Dezembro de 1999
(págs. 381 a 392, Capítulo VI - Uma vila à Beira-mar, Os Anos de Laranjeira)

A causa
Manuel Laranjeira sentia-se um “D. Quixote de braços cruzados” perante a “força cruel da realidade, defendia ser preciso uma ‘mentira vital’ para se acreditar nalguma coisa. A causa republicana levou-o a participar, empenhadamente, na luta contra a monarquia, pelo que reagiu euforicamente à implantação da República.”

O político
“Em 1911, desdobrou-se em iniciativas, fez uma conferência, no Teatro Aliança, sobre as invasões do mar e as obras de defesa da costa [espinhense], lutou pela criação da comarca, como forma de consumar a independência face à Vila da Feira, escreveu (…) artigos sobre o assunto (…) e foi nomeado presidente da Comissão Administrativa Municipal [de Espinho], cargo que desempenhou durante poucos meses (entre Agosto e Outubro), por razões de saúde.”

A morte
O poeta, médico, escritor, filósofo & tudo suicidou-se no dia 22 de Fevereiro de 1912, aos 34 anos. No jornal “Rumo” de 30/06/1949, Roberto Fernandes escrevia assim, a propósito do fim de Laranjeira: “Uma tarde, avizinhando-se a noite, retirei-me da cabeceira da sua cama para regressar a casa. Tinham decorrido uns vinte minutos, se tanto, quando estava a jantar e alguém veio dizer-me que Manuel Laranjeira se suicidara, disparando um tiro de revólver na cabeça. Abandonei a refeição e corri apressadamente a sua casa. Quando entrei no seu quarto, onde antes conversara com ele, verifiquei a realidade da má notícia. Um fio de sangue, manchando o travesseiro, corria dum ferimento do lado direito da cabeça, um pouco abaixo da orelha. O seu corpo, reduzido a quase um esqueleto nos últimos dias em que guardava o leito, sumia-se sob as roupas, depois de morto, apenas se divisando a sua cabeça de farta cabeleira, a boca aberta como se ainda pudesse dizer a todos: “Irreverente como sempre fui, até me ri da Morte porque me antecipei a ela…”

Nota: Orlando da Silva publicou em 1992, numa edição de autor, uma interessante fotobiografia intitulada “Manuel Laranjeira: Vivências e Imagens de uma Época (1887-1912)”. Imprescindível para quem quiser conhecer ao pormenor a vida do poeta, com reproduções de documentos e fotografias de Laranjeira e das pessoas e dos sítios que nele habitavam.»

Publicado no Boblog





Sobre a Colónia Dr. Manuel Laranjeira existe um documento publicado pela Associação Portuguesa de Sociologia que trata do alojamento social no Porto, com especial referência aos primeiros bairros sociais da cidade, que pode ver aqui.


12.11.07

Rua MIGUEL TORGA

torga

Uma rua sem saída, quase um beco, num sítio longínquo e perdido da cidade, talvez pelo seu "bucolismo" lhe tenha sido dado o nome do poeta que nasceu em S. Martinho de Anta - saloíces de tecnocratas urbanos!

Sobre a obra de Miguel Torga:

Miguel Torga, pseudónimo de Adolfo Correia da Rocha, nasceu em 1907 em S. Martinho de Anta, concelho de Sabrosa, Trás-os-Montes, e faleceu em 17 de Janeiro de 1995 em Coimbra. Emigrou para o Brasil ainda jovem e, quando regressou em 1925, matriculou-se na Universidade de Coimbra onde se formou em Medicina. Esteve de início literariamente próximo do grupo da Presença, sediado em Coimbra. Por volta de 1930, estava já afastado do grupo, fundando a revista Sinal. Funda pouco depois a revista Manisfesto. Começou a ser conhecido como poeta, tendo mais tarde ganho notoriedade com os seus contos ruralistas e os seus dezasseis volumes de Diário, estes publicados entre 1941-1995. Várias vezes nomeado para o Prémio Nobel da Literatura, tornou-se um dos mais conhecidos autores portugueses do século XX.
Obras:
POESIA: Ansiedade (1928), Rampa (1930), Tributo (1931), Abismo (1932), O outro Livro de Job (1936), Lamentações (1943), Libertação (1944), Odes (1946), Nihil Sibi (1948), Cântico do Homem (1950), Alguns Poemas Ibéricos (1952), Penas do Purgatório (1954), Orfeu Rebelde (1958), Câmara Ardente (1962), Poemas Ibéricos (1965).
FICÇÃO: Pão Ázimo (1931), A Terceira Voz (1934), A Criação do Mundo (5 volumes, 1937-1938-1939- 1974-1980), Os Bichos (contos, 1940), Contos da Montanha (1941), Rua (1942), O Senhor Ventura (1943), Novos Contos da Montanha (1944), Vindima (romance, 1945), Pedras Lavradas (contos, 1951).
LITERATURA AUTOBIOGRÁFICA: Diário (16 volumes, 1941-1995), Portugal (1950).

Outras páginas sobre o autor:

  • Torga e as vicissitudes de uma experiência de leitura
  • Algumas considerações sobre Portugal de Miguel Torga
  • A metamorfose em Vitorino Nemésio e Miguel Torga
  • Trás-os-Montes: um paraíso perdido e reencontrado por Torga
  • Este Marão que eu sou: uma procura, através da escrita de Miguel Torga, da imagem e da identidade de Portugal

  • Publicado aqui: Projecto Vercial

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    QUANDO TUDO ACONTECEU

    1907: Nasce Adolfo Correia da Rocha em S. Martinho de Anta (distrito de Vila Real). - 1920: Emigra para o Brasil. - 1925: Regressa do Brasil. - 1927: Fundação da "Presença" em que colabora desde o começo. - 1928: Ingressa na Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra; Ansiedade, primeiro livro, poesia. - 1930: Deixa a "Presença". - 1931: Pão Ázimo, primeiro livro em prosa. - 1933: Formatura em Medicina. - 1934: A Terceira Voz, prosa; passa a usar o pseudónimo Miguel Torga. - 1936: O outro livro de Job, poesia. - 1937: A Criação do Mundo - Os dois primeiros dias. - 1939: Abertura do consultório médico, em Coimbra. - 1940: Os Bichos. - 1941: Primeiro volume do Diário; Contos da Montanha, que será reeditado no Rio de Janeiro; Terra firme, Mar, primeira obra de teatro. - 1944: Novos Contos da Montanha; Libertação (poesia). - 1945: Vindima, o primeiro romance. - 1947: Sinfonia (teatro). - 1950: Cântico do Homem (poesia); Portugal. - 1954: Penas do Purgatório (poesia) - 1958: Orfeu Rebelde, poesia. - 1965: Poemas Ibéricos. - 1981: Último volume de A Criação do Mundo. - 1993: Último volume do Diário (XVI). - 1995: Morre Adolfo Correia da Rocha.

    O HOMEM E AS ORIGENS







    Adolfo Correia da Rocha, que será conhecido por Miguel Torga, nasce em 12 de Agosto de 1907, em S. Martinho da Anta, concelho de Sabrosa, Trás-os-Montes. Filho de gente do campo, não mais se desliga das origens, da família, do meio rural e da natureza que o circunda. Mesmo quando não referidos, estão sempre presentes o Pai, a Mãe, o professor primário Sr. Botelho, as fragas, as serranias, a magreza da terra, o suor para dela arrancar o pão, os próprios monumentos megalíticos em que a região é pródiga.
    Entra no Seminário, donde sai pouco depois.
    Emigra para o Brasil em 1920. Trabalha na fazenda do tio, é a dureza da "capinagem" do café. O tio apercebe-se das suas qualidades. Paga-lhe ingresso e estudos no liceu de Leopoldina, onde os professores notam as suas capacidades.
    Regressa a Portugal em 1925. Entra da Faculdade de Medicina de Coimbra. Participa moderadamente na boémia coimbrã. Ainda estudante publica os seus primeiros livros. Com ajuda financeira do tio brasileiro conclui a formatura em 1933.
    A família é um dos pontos fulcrais da sua vida. O pai, com quem a comunicação se faz quase sem necessidade de palavras, é um dos fortes esteios da sua ternura, amor e respeito. Cortei o cabelo ao meu pai e fiz-lhe a barba.(...) Foi sempre bonito, o velhote... Recorda os braços do pai pegando pela primeira vez na neta, recém nascida. O mesmo amor em poemas dedicados à mãe. Por sua mulher e filha um afecto profundo, também.
    Uma parcela de arrogância, um certo distanciamento dos homens, timidez comum aos homens vindos dos meios humildes:
    Nem sempre escrevi que sou intransigente, duro, capaz de uma lógica que toca a desumanidade. (...) Nem sempre admiti que estava irritado com este camarada e aquele amigo. (...) A desgraça é que não me deixam estar só, pensar só, sentir só.
    O desejo de perfeição absoluta e de verdade:
    Que cada frase em vez de um habilidoso disfarce, fosse uma sedução (...) e um acto sem subterfúgios. Para tanto limpo-a escrupulosamente de todas as impurezas e ambiguidades.
    Não dá nada a ninguém, diz-se. Imensas consultas gratuitas como médico, desmentem a atoarda. Não dispõe de recursos folgados, confidencia a alguns amigos. Compreende-se: por motivos políticos, a sua mulher, Profª. Andrée Crabbé Rocha, é proibida de leccionar e, ao longo dos anos iniciais, altos são os custos editoriais do que publica...
    A ideia da morte e da solidão acompanham-no permanentemente. Desde criança mantêm-se presentes no corpo e no espírito. Dos vinte e cinco poemas insertos no último volume do Diário, cerca de metade evocam-nas. Não porque atinja já uma idade relativamente avançada ou sofra de doença incurável. Na casa dos quarenta e até antes, já o envolvem. Não se traduzem em medo, mas no sentido do limite. Criança ainda, uma noite, sozinho, (...) desamparado e perplexo, assiste à morte do avô. O que não será estranho à obsessão.
    No enterro de Afonso Duarte, ao fazer o elogio fúnebre afirma que a morte purifica os sentimentos.
    O homem é, por desgraça, uma solidão: Nascemos sós, vivemos sós e morremos sós.
    Viajante incansável por todo o país e estrangeiro. Visita a China e a Índia já próximo dos oitenta anos. Pareço um doido a correr esta pátria e nem chego a saber por quê tanta peregrinação.
    Os monumentos entusiasmam-no. Os Jerónimos, a Batalha e Alcobaça têm sentido na Alma da nação. Mafra é uma estupidez que justifica uma punição aos reis doiros que fizeram construir o convento. Os monumentos paleolíticos fascinam-no.
    Sou uma encruzilhadas de duas naturezas. De variadíssimas, dirá quem bem o conhece...
    Morre em 17 de Janeiro de 1995. Enterrado em S. Martinho da Anta, junto dos pais e irmã."
    Pode continuar a ler este artigo aqui: "Vidas Lusófonas"

    6.8.07

    Praça da GALIZA



    Em sessão da Câmara Municipal do Porto, de 28 de Junho de 1936, o então presidente da Comissão Administrativa, prof. Dr.Alfredo de Magalhães, propôs que fosse dado a determinada praça o nome da Galiza. (Arquivo da Toponímia)

    Estátua de Rosália de Castro da autoria de Barata Feyo
    Nesta praça também se situa a Escola Gomes Teixeira.

    15.5.07

    Rua RUBEN A.


    No nº 120, a Casa das Artes que se encontra encerrada desde 2005 pois o tecto da sala de cinema caiu.

    Actualização em Janeiro de 2012:

    O edifício da Casa das Artes foi projectado em 1981 pelo arquitecto Eduardo Souto de Moura. As obras ficaram concluídas em 1991. Este edifício está integrado no jardim de uma moradia cuja frente dá para a rua António Cardoso.




    Busto de Ruben A no Jardim Botânico do Porto

    Breve nota sobre Ruben A:

    Ruben A. (1920-1975) é o pseudónimo de Ruben Andresen Leitão. Nasceu em Lisboa a 26 de Maio de 1920 e faleceu em Londres em Setembro de 1975. Foi professor no King's College em Londres entre 1947-1951 e funcionário da Embaixada do Brasil em Lisboa entre 1954-1972. Entre 1972-1974 exerceu o cargo de administrador da Imprensa Nacional-Casa da Moeda e director-geral dos Assuntos Culturais do Ministério da Educação e Cultura. 


    Além de romancista, é conhecido também como dramaturgo, cronista e historiador. Obras: Caranguejo (romance, 1954), Cores (contos, 1960), Cartas de D. Pedro V aos seus Contemporâneos (1961), A Torre da Barbela (romance, 1965), O Outro que era Eu (1966), O Mundo à Minha Procura (1964, 1966 e 1968), Páginas (seis diários publicados em 1949, 1950, 1956, 1960, 1967 e 1970), Silêncio para 4 (novela, 1973), Kaos (romance, 1982).

    ver mais aqui.