Mostrar mensagens com a etiqueta museus. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta museus. Mostrar todas as mensagens

14.12.16

Ida ao Museu

2016_341




2016_342






No último feriado resolvi ir ao Museu ver a exposição de 

obras de Amadeo de SouzaCardoso que há um século atrás 

tinham estado presentes numa outra realizada no Salão-



Porém nunca pensei que o acesso fosse tão difícil para os 

peões, já para não falar das pessoas com dificuldades de 

locomoção.



 

2016_343




Para aceder a esta exposição percorre-se boa parte das 

salas do Museu. Um olhar mais agudo nota que a 

renovação efectuada nos locais em 2001 sofreu algumas 

infiltrações e que a manutenção não existiu. Aqui e ali 

encontram-se pequenos termoventiladores e raros são os 

desumidificadores.


A Exposição ficará patente ao público até ao fim do ano.

Imagens não há porque














Quando estava diante do painel proibitivo lembrei-me do 

que se passou numa visita da Ministra da Cultura de França 

quando fotografou uma tela no Muséed’Orsay.




Para quem desejar saber em que estado se encontra o 

antigo Velódromo  deixo aqui uma imagem.





2016_344

 

4.2.16

Arte Efémera (2016)

2016_023




2016_024





19.2.15

Museu da Imprensa

2015_068




Para além do Museu Soares dos Reis existe outro museu nacional na cidade do Porto.

Muitos portuenses pensam que a cidade acaba já ali na estrada da Circunvalação, mas não. Uma parte de Campanhã é do outro lado da estrada N 12. Este museu fica à beira da estrada N 108 que segue dentro da cidade até à Foz (do Douro). 


30.10.14

Sinais do Modernismo no Porto - Anos 30

2014_452


Fui e gostei.
Não gostei muito que não fosse autorizado a fazer fotos no interior da Fundação e não gostei mesmo nada que me exigissem o nº do Bilhete de Identidade à entrada. Nunca me tinha acontecido tal coisa para ter acesso a uma exposição. O que irão eles fazer com a minha ficha?

__

Sobre o pintor:

José Dominguez Alvarez

De ascendência galega, José Cândido Dominguez Alvarez nasceu na freguesia portuense de Campanhã, em 23 de Fevereiro 1906.

Fez os estudos liceais no Porto e em Pontevedra.

Em 1919 instalou-se na Galiza com o objectivo de fazer um curso para funcionário dos Correios e Telégrafos, mas voltou ao Porto, em 1920, sem o ter frequentado. Nesse ano ingressou no Colégio Almeida Garrett e, de seguida, por vontade do pai, foi trabalhar num armazém de tecidos.

Nos anos 20 colaborou na Revista Contemporânea. Em 1924 realizou os primeiros desenhos e aguarelas e, em 1926, com 20 anos, matriculou-se no curso Preparatório de Arquitectura da Escola de Belas Artes do Porto, que veio a trocar pelo de Pintura, em 1928.

Foi membro fundador do grupo "+ Além" que, em 1929, juntou no Porto diferentes artistas que se opunham às homenagens póstumas dedicadas ao mestre Marques de Oliveira. Nessa ocasião tornou-se um dos subscritores do manifesto "Em Defesa da Arte".

Em 1931 perdeu o ano por motivos de saúde e, parte do ano seguinte, passou-o na Galiza, a pintar.
Em 1934 produziu algumas das suas obras mais aclamadas, entre as quais o Homem da Cartola, Louco, Casario, Homem Compostelano ou Figura dum Sonho.
Durante esta fase criativa colaborou em várias publicações culturais e publicou, com regularidade, no periódico portuense Jornal de Notícias.

A sua única exposição individual foi realizada no Salão Silva Porto, em Junho de 1936. Em contrapartida, fez parte do elenco de algumas mostras colectivas. Integrou exposições de alunos do ESBAP (no Salão Silva Porto, em 1929, e, em 1931, no Ateneu Comercial do Porto), expôs com Artur Justino, do grupo "+ Além", no Salão Silva Porto, em 1930, participou na Grande Exposição dos Artistas Portugueses, em 1935, na V Exposição de Arte Moderna do Secretariado de Propaganda Nacional, em 1939, e na Exposição Etnográfica do Douro Litoral no já desaparecido Palácio de Cristal do Porto, em 1940. Durante este ano interveio, também, na Missão Estética de Férias de Viana do Castelo.

Foi no meio de toda esta actividade criativa que concluiu o curso de Pintura, mais precisamente em 1940, tendo apresentado o trabalho Paisagem com Animais, com o qual obteve a classificação de 20 valores. Entretanto, durante a licenciatura, recebeu alguns prémios e elogios de diversos professores, tais como Aarão de Lacerda e Dórdio Gomes.

Entre 1940 e 1942 foi bolseiro do Instituto de Alta Cultura. Nesse período pintava essencialmente paisagens e foi nomeado professor da Escola Industrial Infante D. Henrique, no Porto.

A saúde frágil traiu-o a 16 de Abril de 1942, dia em que faleceu, vítima de tuberculose.

A título póstumo, a sua obra foi objecto de várias exposições. No ano da sua morte, o Instituto da Alta Cultura realizou no Salão Silva Porto uma exposição retrospectiva, organizada pelos pintores Dórdio Gomes e Guilherme Camarinha, depois repetida em Lisboa, em 1943, na Sociedade Nacional de Belas Artes – a essa exposição seguiram-se uma exposição no Ateneu Comercial do Porto, organizada por Fernando Lanhas, Alberto de Serpa e João Menéres Campos, em 1951; uma exposição na Academia Dominguez Alvarez (galeria inaugurada em 1954, no Porto, por Jaime Isidoro e António Sampaio), em 1958; uma exposição intitulada Dominguez Alvarez na Colecção de Adolfo Casais Monteiro, a qual teve lugar na Galeria Gravura, em Lisboa, em 1963; uma retrospectiva de Alvarez exibida na Casa de Serralves, no Porto, e, mais tarde, na Secretaria de Estado da Cultura, em Lisboa (1987); uma homenagem na Bienal Internacional de Cerveira, em 1997; uma exposição em sua memória na Galeria de Vilar, da responsabilidade da Cooperativa Árvore, no Verão de 2002; e uma exposição denominada "Dominguez Alvarez 770, Rua da Vigorosa, Porto", montada no Centro de Arte Moderna da Fundação Calouste Gulbenkian, em 2006, no centenário do nascimento do artista.

Apesar da sua breve carreira, a qual foi praticamente coincidente com a sua formação académica e interrompida por diversas viagens a Espanha e por consecutivos períodos de doença, Dominguez Alvarez deixou centenas de obras.

Ao contrário de muitos dos seus colegas, não estudou fora do país. Pintou o Porto e as localidades dos seus antepassados, motivos que dominaram os seus horizontes de inspiração. Este "pintor oriundo de Pontevedra, residente no Porto", como se auto intitulava, foi, também, um estudioso, especialista em pintura espanhola (Zuloaga, Dario de Regoios e Gutierrez Solana), e um promotor das relações artísticas entre Portugal e a Galiza (permuta de livros e revistas entre escritores e artistas dos dois países), tendo chegado, inclusivamente, a tentar organizar no Porto, durante o Outono de 1935, uma exposição de arte galega que integraria a "Semana da Cultura Galega", projecto este que, no entanto, não se concretizou.

Construtor de paisagens rurais e urbanas que partem do natural, visitadas pelo artista durante as viagens que fez pela Península Ibérica (Porto, Minho, Galiza e Castela), representou cenas do dia-a-dia com homens a negro e torcidos, figuras à chuva, retratos de figuras com paisagens em fundo e torres de catedrais espanholas, como a de Segóvia e a de Compostela, utilizando uma linguagem expressionista e surrealista que revela um bom domínio dos materiais e das soluções plásticas.

Esta figura do "segundo modernismo português" está representada no Centro de Arte Moderna da Fundação Calouste Gulbenkian com 39 obras (pinturas e desenhos), em Lisboa, no Museu Nacional de Soares dos Reis, no Porto, na Casa-museu de José Régio, em Vila do Conde, no Museu Municipal Amadeo de Souza-Cardoso, em Amarante, e no Museu do Abade de Baçal, em Bragança. 


(Universidade Digital / Gestão de Informação, 2010)



Para saber mais sobre a obra e o artista pode também ler o blogue de Alexandre Pomar.


7.2.14

Fábrica Social

2014_011


2014_012


A Fábrica, ou a antiga Fábrica Social, fica situada na rua que tem o seu nome. lá bem em cima no Alto da Fontinha. 

Ao que nos disseram foi, no início, uma fábrica de chapéus. Também tomou o nome de "Real Fábrica Social" após a visita que o rei Manuel II  fez à cidade em Novembro de 1908. 

Podemos notar à sua volta um bairro para operários cujas casas possuíam um pequeno quintal para produção de frutas e legumes.

A Fábrica foi fundada em 1842 e foi uma das três últimas fábricas de chapéus do Porto e chegou a funcionar graças ao trabalho cerca de 200 assalariados. As outras duas últimas fábricas de chapéus que existiam na cidade eram a Costa Braga (fundada em 1866) - situada na rua da Firmeza onde hoje se encontra a escola de Hotelaria e uma outra na rua dos Bragas. Quando os homens começaram a andar sem chapéu, período anterior à 2ª Guerra Mundial, acabaram as fábricas de chapéus na cidade.

Os locais fabris ainda se mantiveram activos, por alguns anos, graças à produção de plásticos e posteriormente de "canelas" para fios. 

A actividade fabril termina em 1986.

José Rodrigues (Luanda, 21/10/1936) ali instala os seus locais de trabalho. Anos mais tarde compra o conjunto dos locais e transforma-os para acolher a Fundação com o seu nome em 2009.

Actualmente, para além da própria fundação e do atelier do escultor, os locais acolhem igualmente espaços de criação artística e criativa. Entre eles: Escultora Ana Carvalho, Visões Úteis, Professional Ballet School of Porto, pode ver mais aqui: http://fejoserodrigues.pt/espacos.html



2013_340



2014_002


2014_042


Saiba mais sobre coisas e loisas da cidade no grupo do facebook dedicado às Ruas da Minha Terra.



Complemento de informação (março de 2014): A "Fábrica Social de Jacinto José Gonçalves" começou a sua actividade em 1852 no Alto da Fontinha. A certa altura esta fábrica chegou a ter o estatuto de "previlegiada", isto é, o de gozar de isenção fiscal relativa a matérias-primas importadas.




22.12.13

Casa e jardim de Serralves

2013_335



2013_336



2013_334



Algumas linhas sobre a casa de Serralves publicadas no blogue "Mais cidade que sexo":

« O segundo Conde Vizela, Carlos Alberto Cabral (1895-1968), para além de ter sido um grande industrial, foi um homem culto e viajado que procurou aos mais renomados artistas do seu tempo para construir, mobilar e decorar a Casa de Serralves. 

Entre eles, destaca-se o francês Émile Jacques Ruhlmann, um famoso decorador ao qual recorreu após visitar a Exposição Internacional de Artes Decorativas que teve lugar em Paris, em 1925. 

A casa começou a ser construída nesse ano e os trabalhos terminaram só em 1944. Foi "um projecto ambicioso", que o conde conseguiu concretizar ao mesmo tempo que geria a Fábrica de Fiação e Tecidos do Vizela, uma das maiores do seu tempo. 

A construção encontra-se amplamente documentada através da correspondência que o Conde Vizela e Ruhlmann mantiveram entre 1926 e 1939, "por vezes quase diária", segundo referiu o director do Museu de Serralves, João Fernandes.

"Tudo vinha de Paris", salientou João Fernandes, observando, no entanto, que "o Conde Vizela é o grande autor da Casa de Serralves", mas com Ruhlmann por trás. 

Eurico Cabral ainda se lembra bem do tio, da casa que ele teve em Biarritz, França, e de como Serralves foi o seu "primeiro choque cultural", quando pela primeira vez lá entrou, em 1947. 

"O meu tio reuniu praticamente toda a família aqui, quando inaugurou a casa", recorda ainda. Segundo conta, o segundo Conde de Vizela era homem de poucas falas, "sempre muito sério e que vivia muito isolado, sobretudo aqui em Portugal". »

Pode continuar a ler o artigo intitulado Um conde visionário ou a história de Serralves.


14.12.13

Balade dans Porto avec deux parisiens 6

Pelas ruas do Porto com dois parisienses


2013_314



2013_315



2013_316


Avenida dos Aliados
Intérieur des immeubles "Culturgest" et "A Nacional".
nov 2013




28.11.13

A Alfândega do Porto

2013_277



Por fora e por dentro.



Há no interior um núcleo museológico para aqueles que o desejem visitar.



2013_279


2013_278


2013_280


20.9.13

Mobilidade / Imobilidade

2013_206


Como de costume neste sítio!

Desta vez, pelo menos, houve sanção.

Penso que não seriam frequentadores do museu.

O lugar de estacionamento ideal não pode ser em cima dos passeios...



17.4.13

Rua EDUARDO ALLEN


2013_060


Eduardo Augusto Allen (1824-1899) - Director do Museu Allen ou da Restauração, que mais tarde viria a ser conhecido como Museu Municipal.


Ver também:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Museu_Allen

12.12.12

Museu da Farmácia

141212



Estátua na entrada do Museu da Farmácia.

Foi num sábado à tarde que o tentei descobrir. Era Verão e o museu estava encerrado ao sábado. Ficou o registo parcial da entrada dos locais da Associação Nacional das Farmácias.

Segundo uma brochura:

"É possível visitar a excelente reconstituição da Farmácia Estácio, inaugurada em 1924, na rua Sá da Bandeira. Ficou célebre esta farmácia no final dos anos quarenta pela sua balança falante tornando-se um ex-libris da baixa portuense dessa época."


31.10.12

A ALFÂNDEGA

391012

Museu das Alfândegas

O edifício foi mandado edificar a 25 de Setembro de 1859, na praia de Miragaia, segundo projecto do arquiteto francês Jean F. G. Colson (o mesmo arquitecto do Observatório Astronómico de Lisboa), tendo o seu primeiro núcleo sido inaugurado em 1869 e terminada a construção dez anos mais tarde.

A sua edificação implicou a construção da enorme plataforma do cais onde assenta a Alfândega e que substituiu a antiga praia de Miragaia. Complementarmente, de forma a facilitar o transporte de mercadorias, a Alfândega e a Estação de Campanhã foram ligadas por um ramal de caminho de ferro (Ramal da Alfândega) em 1888, tendo ainda sido aberta a rua Nova da Alfândega.

Este conjunto de modificações é por muitos considerada como uma das mais profundas alterações urbanísticas e paisagísticas da cidade do Porto no século XIX.

A partir da década de 1990, conheceu intervenção de restauro e requalificação com projeto do arquiteto Eduardo Souto de Moura, passando a abrigar um Centro de Congressos, o Museu de Transportes e Comunicações e a sede da Associação Museu de Transportes e Comunicações (AMTC), instituição privada sem fins lucrativos criada em Fevereiro de 1992, com a missão de preservar o edifício da antiga Alfândega do Porto, assim como todo o património na área dos transportes e comunicações.
in Wikipédia



15.7.12

Museu Nacional da Imprensa

100712

Um museu periférico! Quase desconhecido. Gratuito e que merece ser visitado pelo menos uma vez na vida. Actualmente uma exposição temporária que dá para reflectir sobre o que se passa no mundo.

11.7.12

Rua ROCHA PEIXOTO


040712


Sobre Rocha Peixoto a página camarária diz-nos: "António Augusto da Rocha Peixoto,nasceu na Póvoa de Varzim em 18/05/1866 e faleceu em Matosinhos a 02/05/1909. Naturalista, etnólogo e arqueólogo, foi uma das figuras marcantes na vida cultural portuguesa na transição do século XIX para o nosso século." E a Wikipédia poucos detalhes nos dá!


É uma rua estranha que só a partir do século XXI encontrou uma certa utilidade para quem se quer dirigir ao centro da cidade.
É uma rua estranha porque do outro lado da rua encontramos isto:

050712


Actualização | Dezembro 2013:

Por mero acaso descobri que a Universidade do Porto presta homenagem ao seu antigo aluno.

Passo a transcrever:

« António Augusto César Octaviano da Rocha Peixoto nasceu a 18 de Maio de 1866 no n.º 20 da antiga Rua da Silveira (actual Rua Rocha Peixoto), na Póvoa de Varzim.

O 11.º dos 12 filhos de António Luís da Rocha Peixoto, médico, cirurgião e militante miguelista, natural de Arcos de Valdevez, e de Constança Amélia da Costa Pereira Flores, de Vila do Conde, foi baptizado na Igreja Paroquial de Nossa Senhora da Conceição, a 21 de Maio.

Em 1874 ficou órfão de pai, acontecimento que dificultou grandemente a sua vida, obrigando-o a trabalhar para prover o sustento da mãe e de três irmãs, ainda antes de completar a formação académica.
Em criança tinha um aspecto frágil que o ajudava a esconder um carácter dotado de grande força de vontade. Estudou no Colégio de Nossa Senhora do Rosário, no Porto, e, aos 15 anos de idade, ajudou a fundar a revista estudantil "Boletim Litterario. Revista Académica Mensal", que produziu 3 números.

Em 1883, com dezasseis anos e sob o nome de Augusto César, publicou artigos críticos sobre os Jesuítas no jornal da Póvoa de Varzim, intitulado "A Independência", em resposta a Afonso dos Santos Soares, defensor confesso da Companhia de Jesus.
No ano seguinte, já estudava no Instituto Escolar de S. Domingos (depois convertido na Escola Académica), nas proximidades da Rua da Sovela, no Porto, tendo por condiscípulos António Nobre e Alexandre Braga.

Aquando da mudança da Escola Académica para a Quinta do Pinheiro, conviveu com Hamilton de Araújo, Fonseca Cardoso e Ricardo Severo, organizadores do "Grémio Oliveira Martins".

Em 1887, na Academia Politécnica do Porto, fundou com Fonseca Cardoso, João Barreira, Ricardo Severo e Xavier Pinho a "Sociedade Carlos Ribeiro". Este grupo, ao qual se juntou Basílio Teles, António Arroio, António Nobre e Augusto Nobre, reunia-se numa casa na zona do Moinho de Vento para debater a crise nacional. Destas reuniões resultou a publicação da "Revista de Sciencias Naturaes e Sociaes", entre 1890 e 1898, dirigida por Rocha Peixoto, Ricardo Severo e Wenceslau de Lima.
Nesses tempos de estudante, Rocha Peixoto publicou artigos a folhetos sobre a degradação do Museu Municipal do Porto, colaborou em opúsculos e jornais, como "O Primeiro de Janeiro", do Porto, e "O Século", de Lisboa, e também participou em tertúlias musicais, tocando guitarra, tendo mesmo chegado a compor uma valsa intitulada "Lavandisca".

Rocha Peixoto participou na Tumulto de 31 de Janeiro de 1891, como nos conta Basílio Teles na sua obra "Do Ultimatum ao 31 de Janeiro: esboço d' historia política". Nela refere que Peixoto e Ricardo Severo, na manhã desse dia histórico, o convocaram para aparecer na Foz para o pôr a par dos acontecimentos. Os três vistoriaram o centro do Porto, para se inteirarem das movimentações das tropas fiéis ao Governo, e Rocha Peixoto escreveu um manifesto dirigido à população civil, em especial ao operariado, com o intuito de instigar a agitação social e assim perturbar a Guarda Municipal. Com a consciencialização do fracasso desta sublevação, Basílio Teles e Ricardo Severo deixaram Rocha Peixoto e centraram-se na busca de auxílio para os revoltosos.

Foi secretário da "Revista de Portugal" (1891-1892), dirigida por Eça de Queirós, organizou o "Catálogo de Mineralogia, Geologia e Paleontologia: Extracto do Annuário de 1890-91", da Academia Politécnica do Porto. Em 1893 passou a ser sócio da Academia das Ciências e desempenhou o cargo de bibliotecário no Ateneu Comercial do Porto (1893-1900).

Em 1895 começou a colaborar com a "Revista d'Hoje" e recebeu o diploma de académico da Classe de Ciências Matemáticas, Físicas e Naturais.
Pela altura da extinção do grupo "Sociedade Carlos Ribeiro" e da "Revista de Sciencias Naturaes e Sociaes" (1898), Rocha Peixoto leccionava Geografia e Ciências Físico-Naturais na Escola Industrial Infante D. Henrique, no Porto.

Em 1899 associou-se à nova revista "Portugália", de carácter nacionalista, que tomou o lugar da "Revista de Sciencias Naturaes e Sociaes". Esta publicação, dirigida por Ricardo Severo, contava com Fonseca Cardoso, como secretário, e com Rocha Peixoto, como redactor-chefe e articulista.

Em meados de 1900 foi nomeado Conservador do Museu Municipal do Porto, então instalado num edifício da Rua da Restauração, e, em 28 de Junho desse ano, acumulou esse cargo com o de Director da Biblioteca Pública Municipal do Porto, de que foi Director Interino entre 1900 e 1904 e Director Efectivo entre 1904 e 1909.

A sua relação com o Museu Municipal era anterior à sua entrada na instituição, pois, ainda estudante na Academia Politécnica do Porto, escrevera sobre o seu estado ruinoso, no título "O Museu Municipal do Porto (História Natural)" e no artigo "O Museu da Restauração" publicado n' "O Primeiro de Janeiro", em 1893. Em 1894, no mesmo jornal, sugeriu que a edilidade portuense comprasse a colecção de faiança de Guerra Junqueiro e, em 1897, integrou uma comissão de estudo da reorganização do museu e da sua instalação num novo edifício.

Durante a comissão de serviço no Museu, organizou as diversas secções do acervo desta instituição, a saber, a de Mineralogia, de Paleontologia, de Etnografia, de Arqueologia, de Artes Decorativas e de Numismática, melhorou os espólios de pintura e de azulejo e promoveu obras no edifício. Em 1902, com Joaquim de Vasconcelos, criou o "Guia do Museu Municipal do Porto", iniciou a transferência do Museu para as suas novas instalações, anexas à Biblioteca (1902-1905), e dotou-o de peças provenientes do Mosteiro de Santa Clara de Vila do Conde, iniciativa que levantou alguma polémica.

No período em que presidiu aos destinos da Biblioteca, fomentou profundas obras de restauro do edifício, a reorganização dos seus serviços e a reforma e modernização da classificação e catalogação dos livros. Criou três pequenas bibliotecas no Porto (no Bonfim, em Cedofeita e na Foz, com título modernos existentes em duplicado na B.P.M.P.), favoreceu doações às bibliotecas da Póvoa de Varzim e de Ponte de Lima e, ainda, mandou colocar nas paredes do claustro da Biblioteca Pública (antigo claustro do convento de Santo António da Cidade) azulejos quinhentistas e barrocos, oriundos de extintos conventos do Norte de Portugal (de Santa Clara e de São Bento de Ave Maria, do Porto, de Santa Clara e de S. Francisco, de Vila do Conde, de Grijó, em Vila Nova de Gaia, etc.).

No final de 1901 foi nomeado naturalista-adjunto da secção de Mineralogia da Academia Politécnica do Porto e, em 1903, foi enaltecido pelo Ministro Luís Augusto Pimentel Pinto, juntamente com os outros responsáveis da revista "Portugália".

Em 1908 passou uma temporada nas termas do Peso de Melgaço, onde fez amizade com um grupo de utentes da estância termal, entre os quais se destacavam o Dr. Teixeira de Sousa, de Chaves, o Dr. Silva Gaio, Secretário da Universidade de Coimbra, e o artista portuense António Carneiro. A esse grupo chamou "Academia".

Apesar da ligação académica, cultural e profissional ao Porto, Rocha Peixoto nunca deixou de manter um forte vínculo à sua terra natal, comprovado pelos estudos sobre o património arqueológico, histórico, e etnológico da Póvoa de Varzim. Foi responsável pelas primeiras escavações da Cividade de Terroso, do Castro de Laúndos e da vila de Martim Vaz, envolveu-se na questão da naturalidade de Eça de Queirós e empenhou-se na defesa da comunidade piscatória poveira, que influenciou, entre outros, os trabalhos de Fonseca Cardoso (estudo antropológico sobre os pescadores da Póvoa, editado na "Portugália", em 1908), de Cândido Landolt (livro sobre o Folk-Lore da Póvoa de Varzim, de 1915) e de António dos Santos Graça ("O Poveiro", de 1932). Não é, portanto, de estranhar, que tenha legado a sua biblioteca, constituída por mais de 2.000 títulos, à Biblioteca Municipal da Póvoa de Varzim.

Este notável naturalista, professor, antropólogo, etnólogo e escritor faleceu em Matosinhos, vítima de tuberculose aguda seguida de uma crise, a 2 de Maio de 1909.
Na altura da sua morte trabalhava no Porto como naturalista-adjunto da Academia Politécnica, como Director da Biblioteca Pública e do Museu Municipal do Porto e, ainda, como professor de Geografia e de Ciências Físico-Naturais da Escola Industrial Infante D. Henrique.

Do Cemitério de Agramonte, no Porto, onde foi sepultado, o seu corpo foi trasladado para o Cemitério da Póvoa de Varzim, em 16 de Maio de 1909, a pedido da Câmara Municipal poveira.
(Universidade Digital / Gestão de Informação, 2010) »

A Biblioteca Municipal da Póvoa de Varzim também publica uma cronologia de Rocha Martins nesta página.


22.5.12

CASA-MUSEU ARQUITECTO MARQUES DA SILVA

050512

A Fundação Instituto Arquitecto José Marques da Silva (FIMS) também conhecida mais simplesmente por "Fundação Marques da Silva" encontra-se na praça do Marquês na cidade do Porto, em duas casas contíguas na esquina com a rua Latino Coelho. A chamada “Casa- Atelier foi traçada pelo dito arquitecto no início do século XX e ele foi para lá habitar em 1913, ano em que ocupou o cargo de director da Escola de Belas-Artes do Porto (até 1939). (primeira foto) É uma pequena moradia de três pisos que quase passa despercebida por quem apressadamente circula naquela zona. Foi, porém pensada como casa com áreas distintas para habitação e para o exercício da sua profissão.

A sua obra está espalhada pela cidade, a maioria dos portuenses já passou várias vezes em frente a edifícios por ele desenhados, a começar pela estação de São Bento e pelo Teatro de São João. Os dois antigos liceus masculinos (Alexandre Herculano e Rodrigues de Freitas) também são da sua autoria. Ao percorre o blogue brevemente encontrarão outros.

Facto curioso: José Marques da Silva fez o curso de Arquitectura em Paris na École des Beaux-Arts, foi aluno e trabalho com Victor Laloux (1850-1937). Victot Laloux desenhou a Gare d'Orsay (Paris), obra terminada em 1900. A estação de São Bento no Porto(1896-1916) é da autoria de Marques da Silva . A gare de Orsay foi desactivada como estação de caminho de ferro e hoje é um museu.


060512


José Marques da Silva (1869-1947)
Dizer que José Marques da Silva foi o arquitecto que moldou a fisionomia do Porto no início do século XX significa que, para compreender a sua figura, devemos procurar identificar não apenas a sua obra construída mas também o peso dos seus argumentos e ideias na cultura da cidade.
A sua primeira obra de grande significado urbano foi a Estação de São Bento (1896-1916). Ela assinala de um modo monumental a reconfiguração urbana despoletada pela chegada do caminho-de-ferro ao centro da cidade. Não só se estava a reinventar o papel regional do Porto como um centro de serviços que exigia um novo aparato simbólico, como também a própria orgânica funcional do centro, definitivamente deslocado da cota baixa na Ribeira para a cota alta, na praça da Liberdade. Na sequência natural da Estação, a Avenida dos Aliados foi o projecto urbano que consolidou essas dinâmicas e, como arquitecto municipal, Marques da Silva geriu os interesses do plano e coordenou a implementação dos projectos que a configuraram, para além de ter desenhado alguns dos seus edifícios. Para além dessa função determinante na reinvenção do Porto, Marques da Silva construiu várias outras obras no centro da cidade, como o Teatro Nacional de São João (1910-1920), a conclusão do Palácio do Conde de Vizela (1920-1923), o Edifício das Quatro Estações (1905), os Liceus Alexandre Herculano (1914-1930) e Rodrigues de Freitas (1919-1933) e várias casas de habitação unifamiliares consolidaram no Porto o seu prestígio como arquitecto. Também em Guimarães construiu obras de grande significado urbano, como a Sociedade Martins Sarmento (1903-1908), o Mercado Municipal (1927-1947) e o Santuário da Penha (1930-1947), assim como em Braga o Edifício das Obras Públicas (1905) e em Barcelos um prédio na rua Barjona de Freitas (1940). Entre as suas principais obras conta-se também a Casa e Jardins de Serralves, no Porto, (1925-1943) onde, em sintonia com o seu cliente, conciliou as contribuições de prestigiados arquitectos franceses numa obra com qualidades singulares.
A sua obra funda-se na aprendizagem da arquitectura académica, primeiro no Porto na Academia de Belas Artes (1882-1889) e depois em Paris onde frequentou a École Nationale de Beaux-Arts (1889-1896). A arquitectura das beaux-arts, consolidada ao longo de todo o século XIX, associou aos valores da tradição clássica as componentes da razão, promovendo esquemas de composição funcional (mais adaptados às mecânicas da vida moderna) guarnecidos com um aparato formal capaz de atribuir um carácter forte aos edifícios (garantido a presença decorativa). Visível sobretudo em edifícios monumentais, o expoente máximo é a Ópera de Paris (1860-1875) de Charles Garnier (1825-1898). Marques da Silva formou-se nesse contexto beaux-arts, na companhia de estudantes Norte Americanos, Gregos, Russos, Italianos, Egípcios, Sul Americanos e Escandinavos que frequentavam o atelier de Victor Laloux (1850-1937).
Na viragem do século, quando Marques da Silva regressou ao Porto para iniciar a sua prática profissional, o programa internacionalmente divulgado das beaux-arts enfrentava desafios complexos. A principal desadequação dessa prática resultava dos processos construtivos que exigia, pouco adequados aos novos sistemas de produção industrial que então estavam em expansão. Contudo, os ataques mais ferozes a que estava sujeita vinham do desajuste da sua expressão formal perante os desejos simbólicos de uma sociedade em transformação. Pode dizer-se que teve lugar um verdadeiro combate, entre os defensores da depuração formal eventualmente resultante das novas técnicas construtivas, aqueles que defendiam a manifestação simbólica de convicções políticas e, também, quem defendia o ecletismo “ao gosto do freguês”. Nesse contexto de indefinição e antagonismos, Marques da Silva soube manter uma integridade disciplinar muito estável. Sem nunca trair a sua filiação beaux-arts, foi acertando a sua prática para corresponder às aspirações da sociedade.
Esse sentido de compromisso oportuno foi o motor da sua prática pedagógica. Entre 1913 e 1939 assumiu a direcção da Escola de Belas Artes do Porto, onde foi mestre de várias gerações de arquitectos. O desenho, como instrumento central da prática do projecto, foi o motor do seu ensino, empenhado em transmitir processos metodológicos estáveis capazes de reagir às múltiplas solicitações da prática profissional. Foi uma estratégia que lhe garantiu a estima de várias gerações de arquitectos modernos que, partindo da base académica sedimentada por Marques da Silva, souberam reinventar a prática da arquitectura portuense.
Nas suas múltiplas frentes de actuação Marques da Silva deixou um legado duradouro na cultura arquitectónica portuense, na paisagem da cidade, na cultura de projecto dos arquitectos, nas práticas de ensino, numa certa forma de fazer e pensar a arquitectura que se foi consolidando no Porto ao longo do século XX.


Principal bibliografia sobre o arquitecto:
António CARDOSO, J. Marques da Silva arquitecto 1869-1947, Porto,
Secção Regional do Norte da Associação dos Arquitectos Portugueses, 1986.

António CARDOSO, O arquitecto José Marques da Silva e a arquitectura 
no Norte do País na primeira metade do séc. XX, Porto, Faup-publicações, 1997.

Mário João MESQUITA, Marques da Silva, o aluno, o professor, o arquitecto,
Porto, IMS-Faup, [2006]

Texto do I.M.S.





2.12.11

Casa Museu MARTA ORTIGÃO SAMPAIO



021211


A Casa-Museu Marta Ortigão Sampaio está integrada no conjunto conhecido por Edifício Parnaso da autoria de José Carlos Loureiro.


Visita ideal para um sábado ou domingo à tarde. É a oportunidade de ver o interior da casa que se encontra relativamente bem conservado.


Era a moradia de uma das proprietárias do conjunto, entre dois prédios de rendimento, como existiam naquela época (1956).


Tive a sorte de o ter visitado quase integralmente.Admirei mais a arquitectura do que os quadros expostos.


011211


Se não estiver muito frio, pode-se descer até à Rotunda, tomar um café na "Peninsular" (que já não é o que foi) ou noutro sítio.


Nesta altura do ano o "jardim" encarecou, dá para ter uma visão diferente do leão (o da Boavista, não o da Estrela). A venda das castanhas ainda existe 
na esquina de Júlio Dinis.


7.4.11

Rua das ESTRELAS


020411


Estrelas - no Polo III da Universidade do Porto, à Rua do Campo Alegre, foi inaugurado, no dia 25 de Novembro de 1997, o Planetário do Porto, num vasto complexo que também integra o Centro de Astrofísica, obra do arquitecto José Manuel Soares. O complexo, dispõe de uma biblioteca, uma zona de exposições, um auditório e um telescópio .Julgamos suficiente a revelação destes dados para que se compreenda a existência desta Rua das Estrelas, onde o Planetário está sediado. (Germano Silva - Arquivo da Toponímia)


4.12.07

Rua NOSSA SENHORA DE FÁTIMA



Foto publicada e localizada no Flickr

Até 20 de Agosto de 1942 chamou-se rua das Valas.

O projecto da Igreja de Nossa Senhora de Fátima é da Oficina ARS - Arquitectos na qual trabalhava, por então, um grupo de arquitectos, pintores e escultores, pioneiros do movimento moderno no Porto. Dirigiu a obra o Arq. Mário de Morais Soares, coadjuvado pelos seus colegas Fortunato Cabral e Cunha Leão; autor dos vitrais foi o Pintor Adalberto Sampaio.
A obra, termina em 1933 e inaugurada solenemente em 1936, é assim o primeiro projecto da arquitectura moderna religiosa em Portugal. Seguiu-se-lhe meses depois, em Lisboa, e também dedicada a Nossa Senhora de Fátima, uma igreja projectada pelo Arq. Pardal Monteiro, com vitrais de Almada Negreiros.

Nesta rua também encontramos o edifício Parnaso de José Carlos Loureiro, onde se encontra, entre outros, a Casa-Museu Marta Ortigão Sampaio.


3.11.06

Praça PARADA LEITÃO

Foto de Francisco Oliveira
Café "Âncora de Ouro" mais conhecido pelo "Piolho" (remodelado em 2006).


Quem era "Parada Leitão"?

O Major José de Parada e Silva Leitão, lente de Física da antiga Academia Politécnica do Porto e do Instituto Industrial da mesma cidade, (1809-1880 ), nasceu em Sernache do Bonjardim; despachado alferes do Regimento de Infantaria nº 19 (1827), seguiu as ideias liberiais. Emigrado na Galiza, em Plymouth, em Ostende, na Bélgica e nos Açores, desembarcou no Mindelo e combateu no cerco. Concluindo o seu curso em 1837, foi convidado a requerer o lugar de lente da 8ª cadeira ( Fisica e Mecânica ) da Academia Politécnica desta cidade, que então se estava organizando. Exerceu este magistério por muitos anos, enquanto a saúde lho permitiu. Em 1853 era nomeado director da Escola Industrial do Porto. No exercício destes cargos fundou o «Industrial Portuense», o primeiro periódico deste género que houve em Portugal.
O sábio professor FERREIRA DA SILVA escreveu uma «Homenagem à memória de José de Parada e Silva Leitão», publicada em 1917, dizendo dele que "era um nobilíssimo carácter, qualidade primacial de todo o homem culto. Mas foi também um dos mais ilustres representantes do professorado superior português do seu tempo".