7.6.08

Rua de FEZ

08|06|08

Localizada no Flickr

Já se chamou Rua de Passos. O nome actual data de 1948.

Sobre a cidade de Fez pode ler mais na Wikipédia e não se esqueça que a sua Medina é Património Mundial da UNESCO.



Rua FERNÃO VAZ DOURADO

09|06|08

Publicada e localizada no Flickr


Apesar de na placa se inforrmar que este Fernão era cartógrafo do século XVI, a toponímia portuense nada nos quer dizer, pelo menos pela internet.


Felizmente que encontrei aqui: http://anaprs.blogs.sapo.pt/arquivo/282243.html
mais informações:

"Sobre o cartógrafo Fernão Vaz Dourado (c.1520-c.1580) existem poucos e inseguros dados e muito do que encontramos divulgado são meras suposições. De concreto, apenas chegaram até nós cinco atlas primorosamente iluminados, com datas entre 1568 e 1580, cujo autor se identifica como Fernão Vaz Dourado e, em três deles, com o título de "Fronteiro destas partes da India". Dois dos atlas foram desenhados em Goa, e outros dois, provavelmente também, pelas informações náuticas que incluem se referirem ao sub-continente indiano. O quinto poderá ter sido elaborado em Lisboa, a ser verdade que o autor tenha alguma vez estado em Portugal. A Dourado andou também atribuído o atlas universal de 20 cartas, complementar do Livro de Marinharia de João de Lisboa (c.1560), considerando-se, actualmente, que apenas um fragmento de um mapa figurando o Índico ocidental é também de sua autoria. ...

ler e ver na integra em
© Biblioteca nacional|Tesouros|Lista de tesouros|Atlas Universal atribuído ao cartógrafo Fernão Vaz Dourado c.1576(galeria)"



5.6.08

Rua ADRIANO CORREIA DE OLIVEIRA

"Não era só a voz o som a oitava
que ele queria sempre mais acima
nem sequer a palavra que nos dava
restituída ao tom de cada rima.

Era a tristeza dentro da alegria
era um fundo de festa na amargura
e a quase insuportável nostalgia
que trazia por dentro da ternura.

O corpo grande e a alma de menino
trazia no olhar aquele assombro
de quem quer caber e não cabia.

Os pés fora do berço e do destino
alguém o viu partir de viola ao ombro
Era Outubro em Avintes. E chovia."

Adriano

Poema de Manuel Alegre


07|06|08

Fotografia publicada no Flickr


Adriano Maria Correia Gomes de Oliveira, filho de Joaquim Gomes de Oliveira e de Laura Correia, nasce a 9 de Abril de 1942, na Rua Formosa nº 370, no Porto.
A 16 de Outubro de 1982 sucumbe, vítima de um acidente vascular esofágico.

A biografia de Adriano encontra-se no "site" oficial: http://adriano.esenviseu.net/



Trova do vento que passa

Pergunto ao vento que passa
notícias do meu país
e o vento cala a desgraça
o vento nada me diz.

Pergunto aos rios que levam
tanto sonho à flor das águas
e os rios não me sossegam
levam sonhos deixam mágoas.

Levam sonhos deixam mágoas
ai rios do meu país
minha pátria à flor das águas
para onde vais? Ninguém diz.

Se o verde trevo desfolhas
pede notícias e diz
ao trevo de quatro folhas
que morro por meu país.

Pergunto à gente que passa
por que vai de olhos no chão.
Silêncio -- é tudo o que tem
quem vive na servidão.

Vi florir os verdes ramos
direitos e ao céu voltados.
E a quem gosta de ter amos
vi sempre os ombros curvados.

E o vento não me diz nada
ninguém diz nada de novo.
Vi minha pátria pregada
nos braços em cruz do povo.

Vi minha pátria na margem
dos rios que vão pró mar
como quem ama a viagem
mas tem sempre de ficar.

Vi navios a partir
(minha pátria à flor das águas)
vi minha pátria florir
(verdes folhas verdes mágoas).

Há quem te queira ignorada
e fale pátria em teu nome.
Eu vi-te crucificada
nos braços negros da fome.

E o vento não me diz nada
só o silêncio persiste.
Vi minha pátria parada
à beira de um rio triste.

Ninguém diz nada de novo
se notícias vou pedindo
nas mãos vazias do povo
vi minha pátria florindo.

E a noite cresce por dentro
dos homens do meu país.
Peço notícias ao vento
e o vento nada me diz.

Quatro folhas tem o trevo
liberdade quatro sílabas.
Não sabem ler é verdade
aqueles pra quem eu escrevo.

Mas há sempre uma candeia
dentro da própria desgraça
há sempre alguém que semeia
canções no vento que passa.

Mesmo na noite mais triste
em tempo de sevidão
há sempre alguém que resiste
há sempre alguém que diz não.

Manuel Alegre

Rua de TÂNGER

06|06|08

Localizada no Flickr


Outrora foi um troço da Rua de Serralves.

Curiosidades: Nesta rua existe uma ponte - viaduto? - que lhe passa por cima (a rua Correia de Sá).


Pode saber mais sobre esta cidade do Norte de África na Wikipédia!


4.6.08

Rua TENENTE VALADIM

04|06|08

Fotografia publicada no Flickr


Quem foi o Tenente Valadim?

"Eduardo António Prieto Valadim, nasceu em Lisboa a 13 de Julho de 1856, em 1884 foi como militar servir Portugal, para a antiga província ultramarina de Moçambique. Participou em varias batalhas no sertão Moçambicano e, o seu nome ficaria para a história pelo facto de ser incumbido de comandar uma expedição a vários régulos e, a despeito do êxito alcançado junto de alguns, foi friamente decapitado pelo ” régulo Mataca “ (1) em Janeiro de 1890.
...

(1) Régulo Mataca, dominava enormes áreas do sertão Moçambicano, e foi sempre um feroz inimigo de Portugal, diversas expedições foram organizadas para o combater – "pacificar, era o eufemismo usado na altura”, em finais do século XIX, princípios do seguinte."

Texto publicado no blog O albicastrense



3.6.08

A rua onde se secava e debulhava o trigo

Fui buscar o título para esta crónica a uma passagem do "Santuário Mariano", de Frei Agostinho de Santa Maria. Referindo-se às mil e uma invocações que se fazem de Nossa Senhora, e ao aludir à capela onde, no Porto, se venerava a imagem de Nossa Senhora do Ferro, que ainda há muito pouco tempo trouxe a estas colunas, aquele cronista situava-a "nas proximidades da Rua Chã das Eiras" explicando logo a seguir que a rua tinha este nome por ser ali "…que se faziam as eiras em que se debulhava o trigo…"

Antes de prosseguir uma explicação a Rua Chã é das mais antigas artérias da cidade. Sabe-se que já existia, pelo menos, em 1293 e que inicialmente se compunha de dois troços distintos: um que ia da entrada da Rua do Loureiro até à calçada de Vandoma e se chamava simplesmente Rua Chã; outro que da Calçada de Vandoma ia até ao cima da Rua do Corpo da Guarda e que se chamava Rua das Eiras. E como uma parte completava a outra chegou a ter a designação de Rua Chã das Eiras.

E das Eiras porquê ? - pergunta o leitor com toda a legitimidade. Porque quando toda aquela zona ficava do lado de fora do muro velho, ou seja da parte de fora da muralha romana, muito antes da existência da muralha fernandina, parece que se aproveitava a planura do terreno e a sua privilegiada exposição ao sol para ali se secarem os cereais que eram do Cabido.

Relativamente à Rua Chã, o beneditino Pereira de Morais, autor seiscentista de várias obras sobre o Porto, é da opinião que esta designação provém do facto de se tratar de "… uma rua plana, grande e espaçosa…" acrescentando que ".. se diz chã por ser plano o seu pavimento…" A partir daqui, tire o leitor as suas próprias conclusões.

Há 600 anos, exactamente em 1408, aconteceu nesta rua uma grande desgraça todo o casario que era, naturalmente, feito de madeira, foi devorado por um pavoroso incêndio. Ainda naquele mesmo ano, a Câmara, então profundamente interessada na efectiva resolução dos verdadeiros problemas do burgo, ordenou que tudo fosse rapidamente reconstruído mas que as casas deviam ser feitas em pedra.

Surgiu, entretanto, um problema que impedia a reconstrução das moradias com a rapidez exigida pelos edis pouco tempo antes, os "siseiros" (cobradores do imposto da sisa) haviam mandado fechar o Postigo de Carros, aberto na muralha fernandina, em frente à igreja de Santo António dos Congregados, não permitindo que por ali transitassem nem pessoas nem carros. A Câmara protestou juntando o seu clamor aos dos lavradores.

Da parte de fora da cerca, ou seja, onde posteriormente veio a ser aberta a actual Praça da Liberdade, ficavam as melhores hortas e os lavradores que delas cuidavam, viam-se obrigados a dar uma grande volta quando para elas levavam o estrume que vinham buscar à cidade. A Câmara pretendia que se reabrisse o postigo porque era através dele que passavam os carros de bois com a pedra, a madeira e a cal indispensáveis para a reconstrução das moradias que tinham ardido.

Mas a Rua Chã guarda muitos outros pergaminhos e tradições que se não vêm, nem andam muito nas páginas da crónica portuense. Passavam obrigatoriamente por ela as mais imponentes e solenes procissões que se realizavam no Porto. Lá vai a do Corpo de Deus. Tantos anos levou a subir e descer a Rua Chã que os alfaiates, tecelões, tecedeiras e mercadores eram obrigados a toldar, ou seja, colocar toldos para protecção contra as ardência do sol, desde a Rua do Loureiro até (à porta de) Vandoma.

A Rua Chã beneficiava de vários privilégios, um dos quais, talvez o mais importante, era o de que os que nela moravam tinham isenção de aposentadoria, isto é ninguém que passasse na cidade, em viagem, ou negócios, podia exigir que nela lhe concedessem aposentadoria. Foi uma das primeiras artérias do burgo a ser contemplada com uma estalagem "grande e boa…"

Em 1757 fizeram-se sentir nesta artéria, de forma bastante violenta, os ecos da Revolta dos Taberneiros quando os revoltosos "erguendo medonho alarido" se juntaram defronte da casa do Juiz do Povo, José Ferreira da Silva, que vivia à entrada da Rua do Loureiro.

Este tipo de protestos e outras revoltas, muito frequentes nos séculos XIV e XV, nomeadamente as que eram encabeçadas por mercadores e mesteirais, em protesto contra a imposição de novos impostos ou as tentativas de cerceamento das liberdades antigas, levaram muitos estrangeiros, que por aqui se haviam instalado, a procurarem paragens menos agitadas e a instalar-se ao longo da margem direita do rio onde predominava o sossego dos campos.

Uma das mais importantes corporações profissionais que nos começos do século XIX funcionava na Rua Chã (imaginem só!) era a dos chocolateiros - os homens que trabalhavam com chocolate.

António de Freitas, morador na rua, era um dos mais prósperos mas também um dos mais inconformados contra "as pessoas que se haviam intrometido no mester e se dedicavam à manufactura do chocolate sem terem qualquer preparação para o fazer…"

O protesto de António Ferreira, a que aderiram muitos mais profissionais, foi registado no escritório do tabelião Manuel José de Oliveira para depois ser entregue às autoridades e nele se diz, nomeadamente, que procuram defender " a maior perfeição, bondade e asseio das suas manufacturas para evitar que perigue a saúde dos povos…"

A Rua Chã, já nos nossos dias, também era conhecida pela rua dos barbeiros, tão numerosas eram as lojas destes profissionais que por ali havia.



O típico Café Royal

Na Rua Chã, os simpáticos restos de moradias, com semblante de setecentos, são reminiscências que evocam os tempos em que por ali viveram os Belezas de Andrade, ligados à Companhia Geral de Agricultura das Vinhas do Alto Douro; altas-dignidades da Igreja Portucalense; ricos comerciantes e artistas, que trabalharam nas obras da Sé e do mosteiro de S. Bento da Ave-Maria. Nos baixos do melancólico e nobre solar dos Castros, mesmo em frente à antiga Viela da Cadeia, actual Travessa da Rua Chã, funcionou o mais emblemático café do sitio - o célebre Royal, que tantas vezes inspirou as cantigas dos ceguinhos. Não era um café espampanante com luzimento de espelhos, candelabros e outros atavios. Mas era um típico café do Porto, com aquele ambiente esfumado que, na época, caracterizava os estabelecimentos e aquele alegre vozear que não se entendia nem se deixava ouvir, tudo ilustrado pelas conversas dos últimos "graxas" personagens típicos dos cafés portuenses. O Royal finou-se tal como outros cafés o Saban, o Excelsior e o Sport. No seu lugar está agora a loja de um chinês, ou coisa por aí. Foram-se da rua os revoltosos, desapareceram os chocolateiros, levaram sumiço os barbeiros.

Germano Silva
in Jornal de Notícias


Largo TOMÉ PIRES

03|06|08

Localizada no Flickr

Tomé Pires (1465 - 1540) - Naturalista e embaixador. Boticário de profissão (que seu pai também já exercia). Tomé Pires nasceu em lugar incerto (talvez Leiria) em ano que podemos com probabilidade situar à volta de 1465. A "Suma Oriental" de Tomé Pires deve ser considerada como um notável contributo para o conhecimento da vida no Oriente frequentado por portugueses na primeira metade do século XVI.

Arquivo da Toponímia