Nasci no Porto. Desde muito jovem percorri ruas e lugares. Frequentei pessoas e acontecimentos. Afastei-me da cidade. Voltei ao lugar onde vi a Luz. Com o passar do Tempo libertei-me de um certo bairrismo. A cidade não é minha, mas eu sou desta terra.
30.8.08
29.8.08
Rua GENERAL SILVEIRA
Antes de 1941 esta rua tinha o nome de Coronel Pacheco.
Mas quem foi o General Silveira?
"António da Silveira Pinto da Fonseca Teixeira, Visconde de Canelas.
Mas quem foi o General Silveira?
Como de costume, fui passear pela página do Professor José Adelino Maltez, eis o que ele nos diz:
"António da Silveira Pinto da Fonseca Teixeira, Visconde de Canelas.
Brigadeiro, irmão do 2º conde de Amarante. Ligado ao Sinédrio é um dos revolucionários vintistas. Presidente da Junta Provisional do Governo Supremo do Reino, surgida no Porto em 24 de Agosto de 1820. Vice-presidente da junta unificada surgida em Alcobaça, em 27 de Setembro de 1820. Implicado na martinhada de 11 de Novembro de 1820. Adere ao partido rainhista depois de 1823. Membro da junta revoltosa de Vila Real em 23 de Fevereiro de 1823. Era embaixador em Madrid, por ocasião da vilafrancada."
E encontrei mais em "O Portal da História" que está de novo disponível, após uma ausência de algum tempo.
"António da Silveira Pinto da Fonseca Coelho, (1.º visconde de Canelas).
n. 1 de Maio de 1770.
f. 18 de Outubro de 1858.
Fidalgo cavaleiro da Casa Real, acrescentado a fidalgo escudeiro, comendador da ordem de Cristo; condecorado com a medalha por 4 campanhas da guerra peninsular; grã-cruz da ordem de Carlos III, de Espanha, brigadeiro das antigas milícias.
N. a 1 de Maio de 1770, fal. na vila de Canelas a 18 de Outubro de 1858.
Foi presidente da Junta Provisional do Governo Supremo do Reino, que se organizou na cidade do Porto em 24 de Agosto de 1820, e eficaz cooperador daquela revolução que estabeleceu o regime constitucional. Casou em primeiras núpcias a 19 de Agosto de 1793 com D. Maria Amália Pamplona Barreto de Miranda, filha de José Pamplona Carneiro Rangel Baldaia de Toar, moço fidalgo da Casa Real, acrescentado a fidalgo escudeiro pelo alvará de 7 de Julho de 1758, 11.º senhor da Casa de Beire, padroeiro abacial de Santo André do Sobrado;. cavaleiro da ordem de S. João de Jerusalém, e de sua mulher, D. Antónia Inácia Veloso Barreto de Miranda Correia de Araújo, senhora do morgado de Cabeda, em Vilar da Maçada. Enviuvando em 1837, passou a segundas núpcias a 7 de Fevereiro de 1839 com Ana Josefina Gallien de Chabons, filha dos viscondes de Chabons, fidalgos franceses. 0 título de visconde de Canelas foi concedido por D. João VI, em decreto de 3 de Julho, e carta de 23 de Novembro de 1823.
Transcrito por Manuel Amaral "
E como se falava de Sinédrio e do 24 de Agosto de 1820, tive que ir ler algumas notas que há uns meses o Jorge Rodrigues me disponibilizoue que aqui transcrevo:
"António da Silveira Pinto da Fonseca Coelho, (1.º visconde de Canelas).
n. 1 de Maio de 1770.
f. 18 de Outubro de 1858.
Fidalgo cavaleiro da Casa Real, acrescentado a fidalgo escudeiro, comendador da ordem de Cristo; condecorado com a medalha por 4 campanhas da guerra peninsular; grã-cruz da ordem de Carlos III, de Espanha, brigadeiro das antigas milícias.
N. a 1 de Maio de 1770, fal. na vila de Canelas a 18 de Outubro de 1858.
Foi presidente da Junta Provisional do Governo Supremo do Reino, que se organizou na cidade do Porto em 24 de Agosto de 1820, e eficaz cooperador daquela revolução que estabeleceu o regime constitucional. Casou em primeiras núpcias a 19 de Agosto de 1793 com D. Maria Amália Pamplona Barreto de Miranda, filha de José Pamplona Carneiro Rangel Baldaia de Toar, moço fidalgo da Casa Real, acrescentado a fidalgo escudeiro pelo alvará de 7 de Julho de 1758, 11.º senhor da Casa de Beire, padroeiro abacial de Santo André do Sobrado;. cavaleiro da ordem de S. João de Jerusalém, e de sua mulher, D. Antónia Inácia Veloso Barreto de Miranda Correia de Araújo, senhora do morgado de Cabeda, em Vilar da Maçada. Enviuvando em 1837, passou a segundas núpcias a 7 de Fevereiro de 1839 com Ana Josefina Gallien de Chabons, filha dos viscondes de Chabons, fidalgos franceses. 0 título de visconde de Canelas foi concedido por D. João VI, em decreto de 3 de Julho, e carta de 23 de Novembro de 1823.
Transcrito por Manuel Amaral "
E como se falava de Sinédrio e do 24 de Agosto de 1820, tive que ir ler algumas notas que há uns meses o Jorge Rodrigues me disponibilizoue que aqui transcrevo:
"SINÉDRIO - Grupo, que foi crescendo ao longo dos anos, de 13 personalidades civis, que preparou a Revolução Liberal de 24 de Agosto de 1820. Um dos membros; o fidalgo da Casa Real, do Conselho de S. M. Fidelíssima, provedor de Viana, desembargador da Relação do Porto (1850), Dr. José Maria Xavier de Araújo de Arcos de Val-de-Vez nasceu em 1786, filho de um desembargador, futuro autor, em 1846, de Revelações e Memórias para a História da Revolução de 24 de Agosto de 1820, e de 15 de Setembro do mesmo ano. Outro membro Manuel Fernandes Tomás,(1), desembargador da Relação do Porto, que vivia neste cidade em 1817 e convivia muito com dois amigos, José Ferreira Borges, (2), advogado da Relação e secretário da Companhia dos Vinhos e José da Silva Carvalho, (3), juiz dos Órfãos do Porto. Numa noite de Janeiro de 1818, estes três, com outro amigo o comerciante João Ferreira Viana, (4), redigiram os estatutos de uma sociedade a que chamaram Sinédrio. “Observar a opinião pública e a marcha dos acontecimentos; vigiar as notícias da vizinha Espanha; reunir-se no dia 22 de cada mês em um jantar na Foz, onde se daria parte dos sucessos acontecidos no mês passado e do que conviria fazer no futuro; guardar a maior lealdade uns para com os outros, e o mais inviolável segredo para com estranhos; que, se rompesse um movimento anárquico ou uma revolução, os membros do Sinédrio se combinariam para aparecer a conduzi-la para bem do país e da sua liberdade, guardada sempre a devida fidelidade à dinastia da Casa de Bragança.” Durante os anos de 1818 e 19 o número de membros foi aumentando. Foram então admitidos Duarte Lessa (5), José Pereira de Meneses (6), Francisco Gomes da Silva (7), João da Cunha Sotomaior (8), José Maria Lopes Carneiro (9), José Gonçalves dos Santos Silva (10). Em princípios de 1820 o Sinédrio ganhou alento com as notícias da sublevação da Galiza e a proclamação da Constituição de Cadiz à qual Fernando VII faz juramento. Entretanto já se tinham ganho um grande número de simpatizantes da causa entre os militares, responsáveis de milícias e poderosos regionais, entre estes António da Silveira Pinto da Fonseca que desconhecia a existência do Sinédrio mas que prometeu a adesão da sua família poderosa na província de Trás-os-Montes, do Coronel Cabreira comandante da artilharia do Porto. Em Janeiro de 1820 chega ao Porto Xavier de Araújo (11) que contava numerosas relações no Minho e foi admitido no Sinédrio, em Junho. A Revolução estava decidida para o dia 29 de Julho. O atraso foi devido ao facto do Coronel Cabreira ter recebido ordens do ministro da Guerra de enviar um destacamento da sua artilharia para Peniche. Julgou-se denunciado e traído, e deu parte do sucedido a António da Silveira, que por sua vez comunicou a João da Cunha e este ao Sinédrio, que encarregou o tenente-coronel Gil do Regimento de Infantaria 6 de ir entender-se com Cabreira. Cabreira recebeu muito mal este emissário, fingindo ignorar tudo o que se passava e respondendo que expusesse as circunstâncias por ofício. Gil saiu do encontro desesperado, recusando-se a tratar “com semelhante homem”. João da Cunha pode finalmente levá-los à boa razão. Fernandes Tomás entretanto tinha fugido para as Caldas das Taipas (Entre Braga e Guimarães, Póvoa de Lanhoso) onde Xavier de Araújo o encontrou: —”achei-o em um aposento escuro e cuidadosamente fechado: Meu amigo, me disse ele, vem-me achar no segredo! A nossa revolução malogrou-se no Porto. Os chefes militares tomaram-se de razões uns com os outros, e é provável que a esta hora estejamos descobertos e denunciados! Eu tenho horror aos segredos das prisões; por isso e, para me acostumar ao que é provável nos aconteça, já me fecho todos os dias três ou quatro horas neste aposento escuro, para não estranhar depois”. Nos fins de Junho já tudo estava arranjado. Em Julho Fernandes Tomás regressou ao Porto, convocou o Sinédrio, expondo-lhe a necessidade de ir a Lisboa entender-se com os amigos e observar a situação na capital. Partiu em fins do mês, e lá se demorou uma semana, gastando mais duas nas viagens de ida e volta. Entretanto, e na ausência de Fernandes Tomás, esteve no Porto, caminho de Ponte do Lima, sua terra, o Dr. Fr. Francisco de S. Luís, o eruditíssimo beneditino que seria mais tarde bispo-conde e cardeal patriarca de Lisboa. Escusou-se de entrar no Sinédrio, mas ofereceu toda a sua ajuda para a revolução que se projectava. Prometeu e conseguiu, a adesão do coronel Barros que comandava as forças do Minho, o qual se recusara pouco antes a Xavier de Araújo. A 16 de Agosto chegava ao Porto o coronel Bernardo Correia de Castro e Sepúlveda (13), e logo no dia 18 era admitido no Sinédrio, de que foi o 13º e último membro do Senado e também o único militar. Assinalou-se então o dia 24 de Agosto para início da revolução. Três dias antes Fernandes Tomás e António da Silveira (12) encontraram-se em casa do primeiro para apreciar o manifesto que este redigira, e logo Silveira reprovou, apresentando outro que trazia pronto no bolso: segundo ele, seria formado um conselho militar pelos coronéis dos vários corpos da guarnição do Porto. “Este conselho convocaria a Câmara Municipal que, ouvindo o povo, e consultando-o, lhe proporia os nomes daqueles que deviam formar uma Junta do Governo, a qual se chamaria Junta de Braganções, e seria a sua única tarefa a de fazer uma representação ao Rei, para que remediasse os males da pátria e voltasse a Portugal.” Este Silveira era um grande notável da província de Trás-os-Montes. Devia ser amigo do coronel Cabreira com quem este contactou logo que se pensou traído para logo se dar início à revolução. Personificam uma visão retrógrada da revolução. “Toda a eloquência de Fernandes Tomás foi inútil contra obstinação do Silveira; e rompeu-se a conferência. Pelo que se segue parece que o Silveira não fazia parte do Sinédrio e até desconhecia a sua existência. ”Em consequência Fernandes Tomás convocou o Sinédrio e a todos dizia: “É escusado querer convencer o Silveira, ninguém é capaz de o trazer à razão.” Sepúlveda que assistia à discussão com toda a calma, levantou-se então e desembainhando a espada, disse: —”Eu não venho aqui para disputas; venho só para tratar dos meios e do dia da revolução! É preciso convencer Silveira por todos os modos, e me ofereço para isso, acompanhado de dois do Sinédrio que me queiram seguir”. Ofereceram-se para tal Ferreira Borges e João da Cunha Sotomaior. Depois de obstinada disputa Silveira foi convencido a ouvir ler o manifesto que Ferreira Borges levava já redigido, em substituição do de Fernandes Tomás. Terminada a leitura, Silveira disse que sim, que assinaria. Ficando de acordo, e designado o dia 24 para a revolução, na véspera juntaram-se todos os membros do Sinédrio, em casa de Ferreira Borges para redigirem as proclamações e as cartas dirigidas às várias autoridades. Tudo se fez no maior segredo: “Nenhuma das autoridades do Porto - escreve Xavier de Araújo - estava no segredo da revolução; só o velho general Canavarro foi instruído dela, no dia 22, por Sepúlveda, e disse o seguinte: — não me oporei, porém também não entrarei, porque não quero atraiçoar o governo que sirvo”. Os membros do Sinédrio contavam com 5 regimentos de infantaria, 3 de caçadores, 1 de artilharia; o Corpo da Polícia do Porto; as milícias da Maia, de Vila da Feira e Porto; e toda a força de linha de Trás-os-Montes, que comandava Gaspar Teixeira de Magalhães e Lacerda."
Libellés :
Freguesia: Cedofeita,
Liberalismo,
Maçonaria
28.8.08
27.8.08
Procissão a Santo António que se fez no Bonfim
«Tudo começou quando eu procurava identificar sítios da cidade actual com topónimos entretanto desaparecidos. Ao debruçar-me sobre escritos relacionados com a zona do actual Largo do Padrão descobri, com alguma surpresa, a informação de que, pelos finais do século XIX, se realizava nesta parte do Bonfim uma procissão em honra de Santo António.
A princípio julguei tratar-se da tradicional festa ao Santo Antoninho da Estrada que o Rancho Folclórico do Porto, há anos, em boa hora, reabilitou de esquecimento a que fora votada.
Mas não. A festa era outra.
Eu explico sei que, algures, junto ao actual Largo do Padrão, existiu a Viela dos Capuchos; e também sei que, por meados do século XIX, a referida viela ainda era uma simples artéria estreita e sinuosa que ligava o antigo Largo do Padrão das Almas ao convento dos frades franciscanos menores da Província da Conceição (Antoninhos de Santo António da Cidade) também conhecidos por Capuchos (daí a designação da viela) em cujo mosteiro, construído no ano de 1783, nos terrenos do antigo Campo de S. Lázaro, se instalou, em 1842, a Biblioteca Pública Municipal.
Quando, em 1843, se começou a rasgar a rua que hoje tem o nome de D. João IV, a Viela dos Capuchos desapareceu, absorvida pelo novo arruamento.
O projecto da nova artéria previa que ela começaria em S. Lázaro e prolongar-se-ia até ao sítio da Cruz da Regateira, junto ao Hospital do Conde de Ferreira.
O quer não aconteceu por dificuldades surgidas com as expropriações.
Com a Viela dos Capuchos, também levaram sumiço a Rua do Poço das Patas, a Rua de Brás de Abreu, artérias que, nos meados do século XIX, integravam o tecido urbano das imediações do actual largo Largo do Padrão por onde, segundo uma antiga tradição, era costume passar uma "procissão chamada de Santo António".
E que procissão era essa? - pergunta o leitor com toda a legitimidade.
Segundo o folheto onde colhi estas informações era "uma procissão familiar...".
Tudo se terá passado no último quartel do século XIX. Um paroquiano do Bonfim, de nome António Jacinto Pinto Banha, funcionário superior da empresa dos Caminhos de Ferro do Douro e Minho, ofereceu uma imagem de Santo António, de que era devoto, à confraria do Senhor do Bonfim e da Boa Morte.
Era essa imagem que os devotos de Santo António levavam em procissão por algumas ruas da freguesia.
O folheto a que atrás me refiro cita, exactamente, o itinerário da procissão que se realizou em 26 de Julho de 1894.
Da paroquial do Bonfim, cujas obras de construção, iniciadas em 1874, tinham acabado exactamente nesse ano de 1894, ou seja, vinte anos depois, saiu "uma linda procissão" que rumou "ao antigo Campo do Poço das Patas" (actual Campo 24 de Agosto); subiu "pela Rua de S. Jerónimo" (a Rua de Santos Pousada dos nossos dias); prosseguiu pelas "antigas travessas da Alegria e S. Jerónimo", (que, uma vez unidas, vieram a dar a actual Rua da Firmeza); continuou pela Rua da Duquesa de Bragança (depois, Rua de D. João IV); atravessou o Largo do padrão das Almas, assim denominado por causa de um cruzeiro que lá existia da invocação do Senhor do Amor Divino e Almas, retirado do local em 1869; e pela Rua de 23 de Julho, hoje Rua de Santo Ildefonso, a procissão recolheu à igreja de onde havia saído.
O folheto não diz qual foi o motivo que deu origem à realização da procissão.
Como não explica a razão por que se fez a cerimónia em 26 de Julho e não a 13 de Junho que é o dia em que a Igreja celebra a festa a Santo António.
Mas contém mais dois por menores curiosos.
Um deles está relacionado com o tempo. Diz que a procissão "... saiu à rua num dia de muito calor" e que, no exacto momento em que o présbito recolhia à igreja, caiu "uma forte e refrescante bátega de água...".
Consta ainda do documento em questão que a procissão, presidida pelo padre Manuel Ferreira Coutinho de Azevedo, a cujo dinamismo de ficou a dever, em grande parte, a conclusão da actual igreja, "... era, por assim dizer, organizada em família" e que "a melhor rapaziada do Bonfim procurava, à compita, estar presente para transportar os andores, as lanternas, enfim, marcar presença e figurar no présbito solene...".
Relativamente à actual Rua de D. João IV acho que é interessante informar que ela começou por se chamar Rua da Duquesa de Bragança, em honra de D. Amélia de Baviera que foi a segunda mulher de D. Pedro, primeiro imperador do Brasil, o nosso D. Pedro IV, duque de Bragança,. Depois da abdicação do cargo brasileiro. A artéria também se chamou Rua dos Heróis de Chaves em lembrança dos combates que naquela cidade se travaram em 1912 durante as chamadas "incursões monárquicas do Norte". »
A princípio julguei tratar-se da tradicional festa ao Santo Antoninho da Estrada que o Rancho Folclórico do Porto, há anos, em boa hora, reabilitou de esquecimento a que fora votada.
Mas não. A festa era outra.
Eu explico sei que, algures, junto ao actual Largo do Padrão, existiu a Viela dos Capuchos; e também sei que, por meados do século XIX, a referida viela ainda era uma simples artéria estreita e sinuosa que ligava o antigo Largo do Padrão das Almas ao convento dos frades franciscanos menores da Província da Conceição (Antoninhos de Santo António da Cidade) também conhecidos por Capuchos (daí a designação da viela) em cujo mosteiro, construído no ano de 1783, nos terrenos do antigo Campo de S. Lázaro, se instalou, em 1842, a Biblioteca Pública Municipal.
Quando, em 1843, se começou a rasgar a rua que hoje tem o nome de D. João IV, a Viela dos Capuchos desapareceu, absorvida pelo novo arruamento.
O projecto da nova artéria previa que ela começaria em S. Lázaro e prolongar-se-ia até ao sítio da Cruz da Regateira, junto ao Hospital do Conde de Ferreira.
O quer não aconteceu por dificuldades surgidas com as expropriações.
Com a Viela dos Capuchos, também levaram sumiço a Rua do Poço das Patas, a Rua de Brás de Abreu, artérias que, nos meados do século XIX, integravam o tecido urbano das imediações do actual largo Largo do Padrão por onde, segundo uma antiga tradição, era costume passar uma "procissão chamada de Santo António".
E que procissão era essa? - pergunta o leitor com toda a legitimidade.
Segundo o folheto onde colhi estas informações era "uma procissão familiar...".
Tudo se terá passado no último quartel do século XIX. Um paroquiano do Bonfim, de nome António Jacinto Pinto Banha, funcionário superior da empresa dos Caminhos de Ferro do Douro e Minho, ofereceu uma imagem de Santo António, de que era devoto, à confraria do Senhor do Bonfim e da Boa Morte.
Era essa imagem que os devotos de Santo António levavam em procissão por algumas ruas da freguesia.
O folheto a que atrás me refiro cita, exactamente, o itinerário da procissão que se realizou em 26 de Julho de 1894.
Da paroquial do Bonfim, cujas obras de construção, iniciadas em 1874, tinham acabado exactamente nesse ano de 1894, ou seja, vinte anos depois, saiu "uma linda procissão" que rumou "ao antigo Campo do Poço das Patas" (actual Campo 24 de Agosto); subiu "pela Rua de S. Jerónimo" (a Rua de Santos Pousada dos nossos dias); prosseguiu pelas "antigas travessas da Alegria e S. Jerónimo", (que, uma vez unidas, vieram a dar a actual Rua da Firmeza); continuou pela Rua da Duquesa de Bragança (depois, Rua de D. João IV); atravessou o Largo do padrão das Almas, assim denominado por causa de um cruzeiro que lá existia da invocação do Senhor do Amor Divino e Almas, retirado do local em 1869; e pela Rua de 23 de Julho, hoje Rua de Santo Ildefonso, a procissão recolheu à igreja de onde havia saído.
O folheto não diz qual foi o motivo que deu origem à realização da procissão.
Como não explica a razão por que se fez a cerimónia em 26 de Julho e não a 13 de Junho que é o dia em que a Igreja celebra a festa a Santo António.
Mas contém mais dois por menores curiosos.
Um deles está relacionado com o tempo. Diz que a procissão "... saiu à rua num dia de muito calor" e que, no exacto momento em que o présbito recolhia à igreja, caiu "uma forte e refrescante bátega de água...".
Consta ainda do documento em questão que a procissão, presidida pelo padre Manuel Ferreira Coutinho de Azevedo, a cujo dinamismo de ficou a dever, em grande parte, a conclusão da actual igreja, "... era, por assim dizer, organizada em família" e que "a melhor rapaziada do Bonfim procurava, à compita, estar presente para transportar os andores, as lanternas, enfim, marcar presença e figurar no présbito solene...".
Relativamente à actual Rua de D. João IV acho que é interessante informar que ela começou por se chamar Rua da Duquesa de Bragança, em honra de D. Amélia de Baviera que foi a segunda mulher de D. Pedro, primeiro imperador do Brasil, o nosso D. Pedro IV, duque de Bragança,. Depois da abdicação do cargo brasileiro. A artéria também se chamou Rua dos Heróis de Chaves em lembrança dos combates que naquela cidade se travaram em 1912 durante as chamadas "incursões monárquicas do Norte". »
IGREJA DO CRISTO REI
"A presença dominicana na cidade do Porto remonta à primeira metade do século XIII. A chegada a esta cidade deu-se no ano de 1237 pela acção do bispo D. Pedro Salvador, o qual, escrevendo ao Capítulo Provincial que decorria na cidade de Burgos (Castela), solicita a vinda dos dominicanos, concedendo-lhes, inicialmente, todas as ajudas necessárias para a sua implantação. Segundo Fortunato de Almeida, na sua História da Igreja em Portugal, o bispo D. Pedro pede que fundem um convento nesta cidade, "a fim de auxiliarem a remediar as desordens de toda a espécie que lavravam nella e nas terras vizinhas".[1]
A fundação do Convento de São Domingos, tendo como grande benfeitor o rei D. Sancho II, é de 1239 e, por sinal, foi o mais antigo da cidade do Porto. A sua construção concluiu-se em 1245.
Sabe-se que os primeiros dominicanos, nesta cidade, foram Fr. Gualter e Fr. Domingos Galego.
A permanência dos dominicanos na invicta só foi interrompida com a extinção das ordens religiosas em 1834. A partir desta data, a nossa Ordem fez-se representar, apenas, pela comunidade dos religiosos irlandeses do Corpo Santo, em Lisboa. Será nesta comunidade que se iniciará o longo processo que conduzirá à restauração da Província Dominicana no nosso país, ocorrida a 11 de Março de 1962, ou seja, praticamente 128 anos depois da lei de extinção decretada pelo ministro Joaquim António de Aguiar.
Os dominicanos regressam ao Porto em 1938, com a abertura de uma casa. Em 1949, por insistência do Bispo D. Agostinho de Jesus e Sousa, a comunidade desloca-se para o Bairro Gomes da Costa e começam-se as iniciativas para a construção do actual Convento. Convém referir que para a realização deste projecto contribuíram variadíssimas pessoas, onde se destacam o Fr. Estêvão Faria, então superior da comunidade, e o Prof. Dr. Luís de Pina, que obteve da Câmara Municipal o terreno onde estão o Convento, a Igreja e o Centro Paroquial. A dedicação da nova Igreja ocorreu no dia 25 de Maio de 1954, sob a presidência do D. Francisco Rendeiro. Passados pouco mais de 5 anos, no dia 25 de Outubro de 1959, é restaurado oficialmente o Convento do Porto, agora com a invocação de Cristo Rei.
Segundo o testemunho do Fr. Bernardo Domingues, "o desenvolvimento citadino e a actividade social e religiosa entraram em apreciável dinâmica de integrado crescimento assim como a consciência colectiva de que Cristo Rei era, de facto, uma comunidade social e religiosa com características próprias. Por isso, já em 1963, houve um movimento de leigos para que se tornasse, de facto, uma Paróquia." Facto que só viria a acontecer no dia 02 de Fevereiro de 1979, pela mão do então Bispo do Porto, D. António Ferreira Gomes. Nomeou-se para primeiro pároco desta Paróquia o Fr. Eugénio Boléo, seguindo-se, alguns anos depois, o Fr. Rogério Amorim que levaria a execução o actual Centro Paroquial.
Presentemente, a comunidade conventual, constituída por sete irmãos, presta serviços à comunidade paroquial que neste momento congrega múltiplas actividades pastorais (desde a Catequese com mais de 800 crianças, onde perto de 80% são oriundas de fora da Paróquia, passando pelos Convívios[2], que reúnem cerca de 300 jovens, assim como as três conferências vicentinas ligadas há mais de 50 anos à nossa comunidade, e outros movimentos laicais: as nossas fraternidades leigas, a Legião de Maria, Fé e Luz, Escoteiros, etc). Refira-se, também, que desde 1997 funciona, no nosso Centro, o Instituto Cultural D. António Ferreira Gomes[3], onde são ministrados diversos cursos para centenas de pessoas que todos os anos se inscrevem nesta instituição ligada ao saber.
[1] Fortunato de Almeida, História da Igreja em Portugal, tomo I, Coimbra 1910, p. 302.
[2] http://crconvivios.no.sapo.pt/CCR.htm
[3] www.icafg.pt "
A fundação do Convento de São Domingos, tendo como grande benfeitor o rei D. Sancho II, é de 1239 e, por sinal, foi o mais antigo da cidade do Porto. A sua construção concluiu-se em 1245.
Sabe-se que os primeiros dominicanos, nesta cidade, foram Fr. Gualter e Fr. Domingos Galego.
A permanência dos dominicanos na invicta só foi interrompida com a extinção das ordens religiosas em 1834. A partir desta data, a nossa Ordem fez-se representar, apenas, pela comunidade dos religiosos irlandeses do Corpo Santo, em Lisboa. Será nesta comunidade que se iniciará o longo processo que conduzirá à restauração da Província Dominicana no nosso país, ocorrida a 11 de Março de 1962, ou seja, praticamente 128 anos depois da lei de extinção decretada pelo ministro Joaquim António de Aguiar.
Os dominicanos regressam ao Porto em 1938, com a abertura de uma casa. Em 1949, por insistência do Bispo D. Agostinho de Jesus e Sousa, a comunidade desloca-se para o Bairro Gomes da Costa e começam-se as iniciativas para a construção do actual Convento. Convém referir que para a realização deste projecto contribuíram variadíssimas pessoas, onde se destacam o Fr. Estêvão Faria, então superior da comunidade, e o Prof. Dr. Luís de Pina, que obteve da Câmara Municipal o terreno onde estão o Convento, a Igreja e o Centro Paroquial. A dedicação da nova Igreja ocorreu no dia 25 de Maio de 1954, sob a presidência do D. Francisco Rendeiro. Passados pouco mais de 5 anos, no dia 25 de Outubro de 1959, é restaurado oficialmente o Convento do Porto, agora com a invocação de Cristo Rei.
Segundo o testemunho do Fr. Bernardo Domingues, "o desenvolvimento citadino e a actividade social e religiosa entraram em apreciável dinâmica de integrado crescimento assim como a consciência colectiva de que Cristo Rei era, de facto, uma comunidade social e religiosa com características próprias. Por isso, já em 1963, houve um movimento de leigos para que se tornasse, de facto, uma Paróquia." Facto que só viria a acontecer no dia 02 de Fevereiro de 1979, pela mão do então Bispo do Porto, D. António Ferreira Gomes. Nomeou-se para primeiro pároco desta Paróquia o Fr. Eugénio Boléo, seguindo-se, alguns anos depois, o Fr. Rogério Amorim que levaria a execução o actual Centro Paroquial.
Presentemente, a comunidade conventual, constituída por sete irmãos, presta serviços à comunidade paroquial que neste momento congrega múltiplas actividades pastorais (desde a Catequese com mais de 800 crianças, onde perto de 80% são oriundas de fora da Paróquia, passando pelos Convívios[2], que reúnem cerca de 300 jovens, assim como as três conferências vicentinas ligadas há mais de 50 anos à nossa comunidade, e outros movimentos laicais: as nossas fraternidades leigas, a Legião de Maria, Fé e Luz, Escoteiros, etc). Refira-se, também, que desde 1997 funciona, no nosso Centro, o Instituto Cultural D. António Ferreira Gomes[3], onde são ministrados diversos cursos para centenas de pessoas que todos os anos se inscrevem nesta instituição ligada ao saber.
[1] Fortunato de Almeida, História da Igreja em Portugal, tomo I, Coimbra 1910, p. 302.
[2] http://crconvivios.no.sapo.pt/CCR.htm
[3] www.icafg.pt "
JUNTA DE FREGUESIA DE CEDOFEITA
Morada: Praça Pedro Nunes, 16
Código Postal: 4050-466 PORTO
Telefone: 22 6052740
Fax: 22 6005853
E-mail: cedofeita@j-f.org
Web: www.jf-cedofeita.pt - não actualizado!
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Presidente: Sérgio Nascimento Alves Martins (PSD)
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