21.11.08

Rua FARIA GUIMARÃES

24|11|08

Fotografia publicada e localizada aqui


Joaquim Ribeiro de Faria Guimarães (1807-1879) foi um importante empresário oitocentista do Porto, Portugal.

Criou, em 1857, a Fábrica de Lanifícios do Lordelo. Era proprietário de uma tipografia onde se fazia a impressão de vários periódicos (O Athleta, A Coallisão e O Nacional).

Geriu a Fundição do Bolhão, fundada pelo seu pai, e desempenhou cargos de presidência em várias instituições oficiais e parlamentares. Foi vice-presidente da Câmara Municipal do Porto e, entre 1852 e 1854, foi o primeiro presidente da Associação Industrial Portuense, hoje chamada Associação Empresarial de Portugal.

Publicado na Wikipédia


19.11.08

Rua MOREIRA DA ASSUNÇÃO

RIBEIRA NEGRA

Rua JOSÉ MARIA PEDROTO

22|11|08

Fotografia publicada no Flickr



José Maria Pedroto nasceu no dia 21 de Outubro de 1928 em Lamego.

Quando tinha sete anos, o seu pai que era militar, foi colocado num quartel na cidade do Porto e levou toda a família consigo. Quando o pai morreu, Pedroto foi para o Colégio Araújo Lima perto do Campo da Constituição onde começou a dar os primeiros pontapés na bola se calhar tentando imitar o seu ídolo da altura, o jogador do Futebol Clube do Porto, chamado Pinga.

Quando tinha 10 anos a família mudou-se para Pedras Rubras e fundou juntamente com um grupo de amigos o FC Pedras Rubras onde era o Presidente e também o capitão da equipa de futebol.

Com 18 anos de idade começou a jogar nos juniores do Leixões, actuava no meio-campo onde começou a demonstrar todo o seu talento. Sobre um jogo da sua carreira nos juniores do Leixões contou um curioso episódio: “No final de um jogo disputado no Bessa, a certa altura pedi a bola ao guarda-redes, driblei quantos adversários me apareceram pela frente, incluindo o guarda-redes contrário e, sozinho, parei a bola em cima do risco da baliza. Ufano, puxei os calções, alisei o cabelo e, cheio de sobranceria, toquei o esférico com o calcanhar para dentro da baliza. No fim do desafio os colegas levaram-me aos ombros para as cabinas. Mas o treinador Armando Martins pregou-me um sermão que até me fez chorar. Nunca mais esqueci essa lição de que um futebolista deve jogar para a sua equipa e não para a galeria”.

Depois veio a obrigação para prestar serviço militar no Algarve mais propriamente em Tavira onde ingressou na Escola de Sargentos Milicianos. Foi jogar para o Lusitano de Vila Real de Santo António que na altura estava na 1ª divisão. Na época seguinte o Lusitano ficou em ultimo lugar mas Pedroto atraiu as atenções primeiro do Belenenses que lhe ofereceu 25.000 escudos e mais 25.000 ao Lusitano. Antes de assinar contrato com os azuis de Belém, apareceu o Futebol Clube do Porto que lhe fez uma oferta de 80.000 escudos mas Pedroto já tinha dado a sua palavra aos homens do Belenenses e não voltou atrás. Era um jogador muito rápido e fazia grandes passes para os seus companheiros, apesar de não ter uma compleição física por aí além, possuía um enorme talento e técnica.

Na época de 1952/53 de novo o FC Porto insistiu para o levar para a cidade invicta, Pedroto pediu 150.000 escudos e os portistas aceitaram no que foi a mais cara transferência até então no futebol português.

Esteve no Futebol Clube do Porto oito temporadas onde foi Campeão Nacional por duas vezes e venceu uma Taça de Portugal.

Na época de 1955/56 o FC Porto, sob o comando técnico de Dorival Yustrich, terminou com um jejum de 15 anos sem vencer o campeonato sangrando-se Campeão Nacional e também conquistou a Taça de Portugal ao vencer na final o Torreense. Pedroto alinhou em 24 jogos e marcou 2 golos.

Em 1958/59 repetiu a conquista no campeonato nacional, já com Bela Guttman a treinador tendo José Maria Pedroto alinhado em apenas 5 partidas.

No final da temporada de 1959/60, pôs um ponto final na sua carreira de jogador, passando imediatamente a treinador tendo assumido o comando técnico das camadas jovens do FC Porto e também dos juniores da Selecção Nacional onde conquistou o Torneio Internacional da UEFA. Passa depois para treinador da Académica de Coimbra onde esteve duas épocas, seguindo-se depois o Leixões SC e o Varzim SC em 1965/66.

Na temporada de 1966/67 realizou o seu sonho ao tornar-se treinador da equipa principal do Futebol Clube do Porto. Esteve três épocas nas Antas onde conquistou uma Taça de Portugal em 1967/68 ao derrotar na final o Vitória de Setúbal por 2-1. Logo depois da saída algo atribulada do FC Porto, Pedroto ingressou no Vitória de Setúbal onde permaneceu no comando técnico da equipa por 5 épocas. Sob o seu comando, os sadinos não conquistaram nenhum título, mas ficaram por uma vez em segundo lugar, três terceiros lugares e um quarto lugar, e atingiu por duas vezes os quartos de final da Taça UEFA. Na época de 1974/75 mudou-se para o Boavista FC onde permaneceu duas épocas. Nessas duas épocas acumulou o cargo de treinador da Selecção Nacional.

Na temporada de 1976/77 Pedroto regressa ao Futebol Clube do Porto e Vence a Taça de Portugal ao derrotar o Bragas na final. Na época seguinte sagrou-se Campeão Nacional e o FC Porto quebrou o longo jejum de 19 anos sem ganhar o campeonato. Em 1978/79 levou o FC Porto ao título de Bi-Campeão. Na época seguinte ficou em segundo lugar a escassos dois do Sporting que ganhou o campeonato. No final dessa temporada, Pedroto foi afastado do comando técnico dos portistas pelo então Presidente Amérido Sá.

Em 1980/81 ingressou no Vitória de Guimarães já com o campeonato na 9ª jornada mas ainda assim levou a equipa ao 5º lugar no final da época. Na temporada seguinte continuou ao serviço dos vimarenenses e terminou o campeonato com um quarto lugar.

Para a época de 1982/83 e já com Jorge Nuno Pinto da Costa na presidência do Futebol Clube do Porto, Pedroto regressa ao clube das Antas. Na época seguinte conquista a Taça de Portugal ao vencer na final o Rio Ave por 4-1. No entanto à 10º jornada do Campeonato Nacional, Pedroto foi obrigado a deixar de orientar os portistas por causa de lhe ser diagnosticado um cancro. Em Janeiro de 1984 foi para Londres onde viria a ser internado, e deixa o comando dos Dragões a António Morais. Em Maio e já em casa, assistiu à final da Taça dos Vencedores das Taças entre o FC Porto e a Juventus de Itália, onde os transalpinos foram mais felizes.

No dia 8 de Janeiro de 1985 e com 56 anos de idade, José Maria Pedroto acabou por não conseguir vencer a doença que o levou do mundo dos vivos. Ficou sepultado no cemitério de Agramonte, no mausoléu do Futebol Clube do Porto.

Palmarés:

Como jogador: 2 Campeonatos Nacionais
1 Taça de Portugal
Como treinador: 2 Campeonatos Nacionais
5 Taças de Portugal


Publicado em: Estrelas do FCP

18.11.08

Estátua de D. Pedro IV com a história mutilada

«Há cinco dias (escrevo no sábado de manhã) que espero da Câmara do Porto uma resposta a uma pergunta muito simples que lhe enderecei, por mail, através do seu Gabinete de Imprensa.

A pergunta foi esta o que aconteceu às placas que estavam no sopé do pedestal da estátua equestre de D. Pedro IV, na Praça da Liberdade, que evocavam a memória dos 12 Mártires da Liberdade que naquele mesmo local foram enforcados, por ordem D. Miguel, nos dias 7 de Maio e 9 de Outubro de 1829 ?

Recordo, para quem não esteja lembrado, que o monumento em causa esteve entaipado, durante várias semanas, enquanto se procedeu a operações de conservação e limpeza. Terminadas estas, os taipais foram removidos e é a partir dessa altura que se dá pela ausência das placas que estavam colocadas no pedestal - uma de cada lado.

O silêncio da Câmara sobre este caso deixa-me apreensivo. A mim e a muitos leitores destas crónicas de quem estou constantemente a receber mensagens e telefonemas a indagar sobre o misterioso desaparecimento das placas. Mas eu sei tanto como eles nada. Este silêncio da Câmara é, no mínimo, preocupante. E justifica as mais variadas especulações. Será que, a par com o vazio cultural a que este executivo camarário nos remeteu, também vamos assistir ao banimento puro e simples da memória histórica da nossa cidade ?

As placas foram mandadas colocar, no sítio onde estavam, pela própria Câmara do Porto, em 1914. Esse gesto, dos edis de então, foi aplaudido porque representou o pagamento de uma dívida de gratidão aos heróis a quem, não apenas o Porto, mas o país inteiro, ficou a dever a sua carta de alforria, ou seja, o direito a sermos livres.

A morte por enforcamento dos 12 Mártires da Liberdade nas forcas miguelistas da Praça Nova passou a simbolizar a redenção politica de Portugal desses conturbados tempos. Foi, aliás, por causa desse acontecimento que àquele logradouro se deu, posteriormente, o nome de Praça da Liberdade. Pretender escamotear os factos referidos é querer apagar a própria história.

Recapitulemos os factos. Quando, em 1828, começaram a sentir-se os primeiros sintomas do absolutismo de D. Miguel, eclodiu, em Aveiro, no dia 16 de Maio daquele ano, uma revolta liberal. À testa do movimento estava uma prestigiada figura do liberalismo - Joaquim José de Queirós, avô do nosso Eça, antigo desembargador na Baia e então membro do Parlamento, digamos assim, que D. Miguel acabara de abolir.

O Porto, para onde os revoltosos aveirenses se dirigiram, aderiu de imediato ao movimento revolucionário que ficou conhecido pela Revolução de 16 de Maio. Mas os intentos dos revolucionários fracassaram. Derrotadas, as forças liberais tiveram que recuar. Os cabecilhas (alguns) recolheram-se ao "Belfast", um barco inglês que estava no Douro e nele viajaram para Inglaterra. Por isso, a revolução ficou conhecida pela "Belfastada".

Outros, a maioria, empreenderam uma longa caminhada para a Galiza, sempre acompanhados por duas extraordinárias figuras do liberalismo português Joaquim José de Queirós, o verdadeiro chefe da revolução, e o então major Sá Nogueira, mais tarde mutilado num combate, durante o Cerco, no Alto da Bandeira, em Gaia. Viria a ser agraciado com o título de Marquês de Sá da Bandeira.

Mas nem todos os revoltosos saíram da cidade. Muitos ficaram. E foi sobre esses que acometeu a ira miguelista. Acirrada por sermões de maus frades e de clérigos corruptos, a célebre alçada, o tribunal especial de D. Miguel, cometeu as maiores atrocidades sobre os liberais. Muitos foram condenados à morte. Constava das sentenças, iníquas, que o único crime dos condenados era o de terem ideias políticas próprias mas contrários às do absolutismo e de terem lutado por elas. Esses patriotas, só por o serem, perderam todos os seus direitos, honras e privilégios e viriam a ser levados pelas ruas da cidade, com baraço e pregão, e conduzidos às forcas levantadas na Praça Nova onde seriam enforcados perante o gáudio dos frades congregados e lóios que, enquanto os liberais morriam nas forcas, brindavam, das janelas das suas celas, com vinho do Porto e pão de ló, ao seu rei, D. Miguel e à santa religião. Mais uma vez, a Igreja, a apoiar a tirania.

Aos enforcados foram depois cortadas as cabeças para serem espetadas em altos paus que seriam levantados em frente as casas dos seus familiares. Foram doze, os Mártires da Liberdade cujos nomes acabam de ser retirados do sopé da estátua de D. Pedro IV.»

Germano Silva

publicado no Jornal de Notícias (20 Janeiro 2008)



É verdade que não o posso afirmar com certeza absoluta, que não encontrei a devida referência nos meus arquivos, mas tenho a certeza que alguém me afirmou que as placas originais tinham sido oferecidas pelos operários da "Fundição do Bolhão.

Rua de SANTA HELENA

21|11|08

Localizada aqui


Travessa dos CAMPOS

19|11|08

Publicada no Flickr


«...Em 1791, os assentos paroquiais de Santo Ildefonso mencionam uma Rua dos Campos de Germalde, que pela sua proximidade, talvez tenha qualquer relação com esta travessa, a qual em 1824 e 1833 aparece como Viela dos Campos e em 1824 como Travessa dos Campos...»

"Toponímia Portuense" Eugénio Andrea da Cunha e Freitas