29.11.08

Rua Dr. PEDRO DE SOUSA

38|11|08


Outrora já se chamou Rua Nova de Pereiró.

(de notar que em Novembro de 2008 ainda não teve direito às novas placas toponímicas existentes em outras ruas da proximidade, será desleixo ou falta de verba?)

A antiga Viela da Neta

«Falo no texto ao lado da desaparecida Viela da Neta. Era, segundo relatos dos jornais da época, um lugar "esconso, tortuoso e imundo". Estabelecia uma ligação entre a Ria Formosa, nas proximidades do Bolhão, e a Rua do Bonjardim, junto aos Congregados. Teve várias denominações, na opinião de Andrêa da Cunha e Freitas Viela da Fonte da Neta; Viela da Neta; Viela da neta, junto à quinta do pai Ambrósio; Rua da Neta; Rua do Pai Ambrósio; Quinta da neta; Viela do Pai Ambrósio; e Quinta da Viela da Neta. Quem terá sido esta Neta, ninguém o soube ainda dizer. Mas é bem possível que a referência diga respeito a uma neta do tal pai Ambrósio. Quem assim pensa é, ainda, Cunha e Freitas que alicerça essa hipótese na leitura que fez de um documento do ano de 1774 em que se alude à "rua e viela da neta do pai Ambrósio…" A Viela da Neta era ladeada, por alturas da Cancela Velha, pelas traseiras do quintal do palacete de D. Antónia Adelaide Ferreira que vivia no Largo da Trindade. Havia um portão de ferro junto do qual a Ferreirinha vendia ao público alguns produtos hortícolas e frutas provenientes das suas propriedades.»

Germano Silva

Jornal de Notícias

26.11.08

Campo da CONSTITUIÇÃO


De Ruas do Porto


Fotografia localizada aqui



«O Campo da Constituição foi o principal recinto do Futebol Clube do Porto de 1913 a 1952, altura em que foi substituído pelo Estádio das Antas. Hoje, é utilizado pelas equipas dos escalões de formação do clube.

História

No final do ano de 1911 o FC Porto foi informado de que teria que desocupar o Campo da Rua da Rainha, já que no local seria construída uma fábrica. Começou-se então a procurar um espaço adequado às novas instalações e com facilidade se encontrou um terreno próximo à Rua da Rainha (cujo nome havia já sido alterado, após a Implantação da República, para Rua de Antero de Quental), na Rua da Constituição. Em Julho de 1912 é dado o aval em assembleia-geral e o terreno é alugado por 350 escudos anuais. Nele é construído um campo de futebol, inaugurado no dia 1 de Janeiro de 1913 (embora o torneio oficial de inauguração tenha acontecido apenas entre os dias 26 e 28 do mesmo mês). A sede já havia sido transferida da Rua da Rainha para a Constituição em Novembro de 1912. Em 1914 é inaugurado um ringue de patinagem, que três anos depois é substituído por um campo de ténis.

Durante um largo período, o Campo da Constituição serviu também de casa a outros clubes, como o Salgueiros, o Vilanovense ou o Sporting de Espinho, a quem o FC Porto subalugava as instalações. Contudo, o FC Porto cresceu rapidamente e, em cerca de duas décadas, o Campo da Constituição tornou-se pequeno demais para o clube. Em 1933 foi apresentada em assembleia-geral a proposta de aquisição de terrenos para um novo estádio. O Estádio das Antas só ficaria pronto em 1952, pelo que, desde a década de 30 e até à inauguração do novo estádio, o FC Porto teve muitas vezes necessidade de jogar em campo emprestado, por vezes no Amial, do Sport Progresso, mas sobretudo no Estádio do Lima, do Académico.

Em 1952 deu-se a mudança definitiva para as Antas. A sede já havia sido transferida, em 1933, para a actual praça Humberto Delgado. O Campo da Constituição encontra-se ainda hoje em actividade, servindo de casa aos escalões de formação do FC Porto.»

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34|11|08

25.11.08

Rua JERÓNIMO MENDONÇA

Alameda AQUILINO RIBEIRO

32|11|08

Fotografia publicada no Flickr



AQUILINO RIBEIRO

Texto de Carlos Loures

Publicado em "VIDAS LUSÓFONAS"


«1885: 13 de Setembro: Carregal de Tabosa, concelho de Sernacelhe - nasce Aquilino Gomes Ribeiro, filho de Joaquim Francisco Ribeiro e de Mariana do Rosário Gomes. 1895: A 10 de Julho, entra no Colégio da Senhora da Lapa, onde em Agosto fará o exame de instrução primária. 1900: 5 de Outubro: é admitido no Colégio Roseira, em Lamego. 1902: 16 de Junho - vai para Viseu estudar Filosofia; 16 de Outubro: transfere-se para o Seminário de Beja, onde frequentará o curso de Teologia, vindo durante o segundo ano lectivo a ser expulso por insubordinação. 1906: Passa a viver na capital iniciando a sua vida de escritor e jornalista. 1907: Adere à Carbonária. Violenta explosão no quarto da Rua do Carrião durante a manipulação de cargas de TNT. É preso. 1908: 12 de Janeiro: evade-se da prisão. Em Maio, refugia-se em Paris. 1910: Proclamada a República, no final do ano vem a Portugal, regressando depois a França para continuar os estudos. 1912: Durante alguns meses reside na Alemanha. 1913: Neste país, casa com uma colega da Sorbonne, Grete Tiedmann, e, com ela, regressa a Paris. Publica o livro de contos Jardim das Tormentas. 1914: Eclode a I Grande Guerra: em Agosto, regressa a Portugal com a mulher e o filho que nascera em Fevereiro. 1915: Irá, durante três anos, dar aulas no Liceu Camões, em Lisboa. 1918: É publicado o romance A Via Sinuosa. 1919: Convidado por Raul Proença, entra como bibliotecário na Biblioteca Nacional. Sai o romance Terras do Demo. 1920: Publica as novelas Filhas da Babilónia. 1921: No ABC, publica em Outubro a novela Valeroso Milagre. Sai a novela A Traição. 1922: É publicada a sua tradução (e prefácio) de Recreação Periódica, (Amusement Périodique), de Cavaleiro de Oliveira. É editada a colectânea Estrada de Santiago. 1924: Edição do livro infantil Romance da Raposa. 1926: É a vez do romance Andam Faunos pelos Bosques. 1927: Envolve-se numa conspiração política e, perseguido, refugia-se de novo em Paris. Morre sua esposa Grete. Regresso a Portugal. 1928: Adere ao movimento militar do Regimento de Pinhel. Abortado este, é preso e internado no presídio do Fontelo, em Viseu de onde se evade. Novo refúgio em Paris. 1929: Em Junho casa em Paris, com Jerónima Dantas Machado. Em Portugal, é julgado e condenado à revelia. 1930: É editado o romance O Homem que Matou o Diabo. 1931: Publica o romance Batalha Sem Fim. Passa a residir com a família na Galiza. 1932: É amnistiado e instala-se na Cruz Quebrada. Publica o livro de novelas As Três Mulheres de Sansão, pelo qual lhe é atribuído em 1933 o Prémio Ricardo Malheiros. Ainda em 1933, publica o romance Maria Benigna.1934: Publica as obras É a Guerra e Alemanha Ensanguentada. 1935: É eleito sócio correspondente da Academia das Ciências de Lisboa. São editados o livro de contos Quando ao Gavião Cai a Pena e a obra para crianças Arca de Noé, III Classe. 1936: Publica os livros Aventura Maravilhosa de D. Sebastião, Rei de Portugal, depois da batalha com o Miramolim, O Galante Século XVIII e Anastácio da Cunha, o Lente Penitenciado. 1937: Sai o romance S. Banaboião, Anacoreta e Mártir. 1938: Traduz e prefacia a obra de Xenofonte, A Retirada dos Dez Mil. 1939: Publicam-se o romance Mónica e o livro de ensaios Por Obra e Graça. 1940: Traduz o texto latino de António Gouveia Em prol de Aristóteles. Edita-se o livro de novelas O Servo de Deus e a Casa Roubada; publica uma monografia dedicada a Oeiras. 1942: Publica e prefacia a obra biográfica Brito Camacho. 1943: Regressando à temática histórica, publica Os Avós dos nossos Avós. 1944: Publica o romance Volfrâmio. 1945: Saem a público O Livro do Menino Deus e o romance Lápides Partidas. 1946: Sai o opúsculo Camões e o Frade na Ilha dos Amores; publica a obra etnográfica Aldeia - Terra, Gente e Bichos. 1947: Publicação dos livros Caminhos Errados e Constantino de Bragança, VII Vizo-Rei da Índia e do romance O Arcanjo Negro. 1948: Saem os romances Cinco Réis de Gente e Uma Luz ao Longe. 1949: São publicados os textos de crítica literária Camões, Camilo, Eça e Alguns Mais; publica em separata o comentário à Editio Princeps de Os Lusíadas. É ainda publicada uma edição de luxo de O Malhadinhas. Colabora na propaganda da candidatura do general Norton de Matos à Presidência da República. 1950: Luís de Camões, Fabuloso e Verdadeiro, um ensaio em dois volumes. 1951: Saem os livros Portugueses das Sete Partidas e Geografia Sentimental. 1952: Entre Março e Junho, vai de visita ao Brasil, onde é homenageado. Acaba a tradução de O Príncipe Perfeito; publica Leal da Câmara; sai uma edição ilustrada da tradução de a Retirada dos Dez Mil. 1953: Publica Príncipes de Portugal e Arcas Encoiradas. 1954: Humildade Gloriosa, um romance sobre a vida de Santo António, e O Homem da Nave, são os livros publicados por Aquilino este ano. 1955: Sai a obra Abóboras no Telhado e a biografia crítica O Romance de Camilo. 1956: Publica o conto Sonho duma Noite de Natal e sai também Soldado que foi à Guerra É fundada em Lisboa a Sociedade Portuguesa de Escritores, sendo Aquilino eleito como seu presidente. 1957: A Bertrand inicia a colecção Obras Completas de Aquilino Ribeiro. Sai a crónica romanceada A Casa Grande de Romarigães e edita-se a sua tradução do D. Quixote de la Mancha, de Cervantes. 1958: É publicada a sua tradução das Novelas Exemplares, de Cervantes; é eleito sócio efectivo da Academia das Ciências de Lisboa. Publica o romance Quando Os Lobos Uivam, obra que viria a ser proibida pela censura. É membro da Comissão de Candidatura do general Humberto Delgado. 1959: Publica D. Frei Bartolomeu dos Mártires; prefacia a tradução do romance de Pasternak, Dr. Jivago. 1960: São publicados os livros No Cavalo de Pau de Sancho Pança (uma biografia de Cervantes) e De Meca a Freixo de Espada à Cinta, colectânea de ensaios dispersos. No Brasil, sai o livro Quando Os Lobos Julgam, a Justiça Uiva. 1961: Para ser submetido a tratamento, vai a Londres. 1962: Publica O Livro de Marianinha. Escreve Um Escritor Confessa-se, em que conta a sua vida até 1908, e que sairá apenas em 1974. 1963: É publicado Tombo no Inferno. A Sociedade Portuguesa de Autores, promove uma homenagem a propósito do 50º aniversário da publicação de Jardim das Tormentas. 27 de Maio: no Hospital da CUF, em Lisboa, morre Aquilino. 1985: Nas comemorações do centenário do nascimento, realiza-se na Biblioteca Nacional um ciclo de conferências sobre a sua obra, sendo também inaugurada uma exposição biobibliográfica. Na casa onde nasceu é descerrada uma lápide. 1986: É criado em Viseu o Centro de Estudos Aquilino Ribeiro. 2007: É oficialmente decidida a trasladação dos restos mortais de Aquilino para o Panteão Nacional de Santa Engrácia (o que ocorrerá em 19 de Setembro)...»

Pode continuar a ler aqui

Aquilino Ribeiro fez um discurso para o Banquete no Clube dos Fenianos Portuenses que aparentemente foi a sua última intervenção publica. Podem encontrá-lo nesta página do blogue.




Esta artéria começa na rua Aires de Gouveia Osório


- sem saída.


24.11.08

Rua TOMÁS RIBEIRO

30|11|08

Publicada e localizada no Flickr


Biografia de Tomás Ribeiro

Tomás António Ribeiro Ferreira nasceu em Parada de Gonta, a 1 de Julho de 1831, filho de João Emílio Ribeiro Ferreira e de Maria Amália de Albuquerque, um casal de lavradores moradores no lugar de Parada.

Concluiu os seus estudos preparatórios no Liceu de Viseu, tendo de seguida ingressado no curso de Direito da Universidade de Coimbra. Em Coimbra, integrou-se no grupo de O Novo Trovador e no círculo de António Feliciano de Castilho, cultivando amizades e influências que o acompanhariam ao longo das suas carreiras política e literária. Concluiu o seu curso de Direito em 1855, deixando à entrada do Penedo da Saudade um poema de despedida que ainda hoje ali se encontra, gravado numa das rochas daquele local[1].

Iniciou a sua vida profissional como advogado em Tondela, onde, pertencendo ao Partido Regenerador, foi nomeado presidente da Câmara Municipal. Também exerceu as funções de administrador municipal do Sabugal[2].

Pouco depois de iniciar a sua vida profissional, casou com Maria da Glória Loureiro Correia Castelo Branco, mas foi com a inglesa Ann Charlotte Syder que teve filhos, um dos quais foi a poetisa Branca Eva de Gonta Syder Ribeiro (8 de Julho de 188022 de Março de 1945). Esta filha casou com o ceramista Jorge Rey Colaço e sob o nome de Branca de Gonta Colaço foi uma poetisa de mérito.

Capitalizando a sua experiência municipal em Tondela, nas eleições gerais de 22 de Abril de 1861 (13.ª legislatura) foi eleito deputado por aquele círculo, iniciando a sua carreira política em Lisboa. Entretanto, tinha-se revelado um publicista de mérito, colaborando em múltiplos periódicos e mantendo uma apreciável actividade literária. Mantinha contacto com alguns dos expoentes intelectuais da sua geração de Coimbra, com destaque para Alexandre Braga, Silva Gaio e Bento Marecos.

Já era deputado quando publicou em 1862 a obra D. Jaime ou a dominação de Castela, um poema inspirado nas rivalidades entre Portugal e Espanha e de carácter marcadamente anti-iberista, o que na ocasião estava longe de ser politicamente correcto. Com esta publicação Tomás Ribeiro foi projectado para a ribalta literária, não apenas devido ao mérito intrínseco da sua obra, mas também devido a uma elogiosa Conversação preambular da autoria de António Feliciano de Castilho que prefaciava a obra. Nesse prefácio, Castilho considera o jovem autor comparável a Luís de Camões, afirmando que o poema é mais adequado ao ensino da língua portuguesa que Os Lusíadas. O poema foi um grande êxito, com sucessivas edições em Portugal e no Brasil. Valeu-lhe logo em 1862 a eleição para sócio correspondente da Academia Real das Ciências de Lisboa.

O louvor de Castilho, num prefácio longo em que exalta a autenticidade nacionalista e a simplicidade natural da obra de Tomás Ribeiro, foi um dos pretextos que levaria anos depois, em 1865, a despoletar o choque latente entre os poetas do Romantismo e a nova geração de intelectuais na célebre Questão Coimbrã. Este conflito literário e cultural opôs, de um lado, os poetas românticos, e de outro, os jovens escritores e poetas que pugnavam pela abertura literária de Portugal ao Realismo, corrente que já dominava na literatura europeia, com destaque para a francesa, a tradicional cultura de referência da intelectualidade portuguesa.

Embora Tomás Ribeiro, então deputado em exercício, não tivesse tomado parte activa naquela polémica, limitando-se a pronunciar no Parlamento uma intervenção em que lamentava a falta de respeito dos jovens para com as cãs e glórias proclamadas e reconhecidas, a apreciação da sua obra D. Jaime esteve no centro da discórdia.

No parlamento revelou-se um orador de mérito, participando em diversas comissões parlamentares e intervindo assiduamente nos trabalhos, com destaque para a resposta ao Discurso da Coroa de 1862 em que como deputado da oposição atacou violentamente o Governo, numa intervenção de grande qualidade parlamentar. Quando em 1864 os estudantes da Universidade de Coimbra fizeram greve em protesto contra a não concessão de uma passagem administrativa de ano, no incidente que ficou conhecido pela Rolinada, Tomás Ribeiro foi o único parlamentar que se levantou em sua defesa.

Nas eleições gerais de 11 de Setembro de 1864 voltou a ser eleito pelo círculo uninominal de Tondela, prestando juramento no Parlamento a 14 de Janeiro de 1865. Dissolvido o parlamento, voltou a ser eleito pelo círculo de Tondela nas eleições gerais de 8 de Julho de 1865. Nesta legislatura coube-lhe apresentar, como relator, o parecer da Comissão de Legislação sobre a proposta de lei da liberdade de imprensa, na qual defendeu a posição governamental. Tomou esse mesmo posicionamento na defesa de um conjunto de obras públicas de iniciativa governamental, afirmando-se como um deputado interventor e influente[3].

Apesar disso, e do prestígio que conquistara na actividade literária e jornalística, ocorrida a Janeirinha, nas eleições gerais de 1868 foi largamente batido no seu círculo de Tondela pelo lente de Coimbra António Gonçalves da Silva e Cunha. Ficava assim interrompida a sua carreira parlamentar, num interregno que duraria sete anos, já que apenas voltaria a ser eleito deputado nas eleições gerais de 1874.

Tendo ficado fora do parlamento, continuou a sua actividade no campo administrativo, ingressando no funcionalismo público. Quando Januário Correia de Almeida, o 1.º visconde de São Januário, foi em 1870 nomeado governador da Índia Portuguesa, Tomás Ribeiro foi escolhido para o acompanhar com o cargo de secretário-geral do governo daquela colónia.

Em Goa destacou-se pela sua acção a favor da cultura portuguesa, tendo fundado em 1871 o Instituto Vasco da Gama, uma instituição destinada a promover e reforçar a cultura literária goesa. O Instituto Vasco da Gama foi o primeiro passo significativo do governo para fomentar e apoiar as ciências e as letras em Goa, tendo-lhe sido atribuído um edifício para instalação da sua sede e apoio financeiro para a publicação de um boletim mensal com o título do próprio instituto. Renovado em 1924, foi em torno do Instituto Vasco da Gama que se promoveu uma fase áurea da literatura indo-portuguesa, nas áreas do ensaio, do texto de intervenção jornalística, na historiografia e na poesia[4].

Em 1872, de regresso a Lisboa, foi nomeado governador civil do distrito de Bragança, cargo que exerceu entre 1 de Agosto de 1872 e 25 de Novembro de 1873.

Nas eleições gerais de 12 de Julho de 1874 voltou a ser eleito deputado, desta feita pelo círculo uninominal de Braga, prestando juramento a 11 de Janeiro de 1875. Este seu regresso ao parlamento seria duradouro pois foi sucessivamente reeleito nas eleições gerais de 1878 por Mangualde, de 1879 por Nisa e de 1881 por Lamego e pelo [Sabugal]]. Nesta última legislatura não chegou a prestar juramento, pois entretanto, por carta régia de 29 de Dezembro de 1881, fora elevado à dignidade de Par do Reino, tomando assento na Câmara dos Pares a 25 de Janeiro de 1882.

Nesta fase da sua vida parlamentar atingiu uma posição de grande influência na vida política, pertencendo a numerosas comissões parlamentares e cabendo-lhe algumas das intervenções mais marcantes da respectiva bancada. Reflexo dessa importância foi a sua sucessiva inclusão nos elencos governamentais: Ministro dos Negócios Eclesiásticos e da Justiça entre 15 de Novembro e 13 de Dezembro de 1878 e Ministro da Marinha e Ultramar entre 29 de Janeiro de 1878 e 1 de Maio de 1879, no gabinete regenerador presidido por Fontes Pereira de Melo; Ministro do Reino entre 14 de Novembro de 1881 e 24 de Outubro de 1883 e Ministro das Obras Públicas, Comércio e Indústria, de 19 de Novembro de 1895 a 20 de Fevereiro de 1886, num novo gabinete regenerador também presidido por Fontes Pereira de Melo.No entretanto exerceu por um período curto as funções de governador civil do distrito do Porto, permanecendo naquele cargo entre 2 de Abril e 29 de Dezembro de 1881.

Tendo ingressado na Câmara dos Pares, a sua intervenção parlamentar manteve-se intensa, participando em diversas comissões e na discussão de temas relacionados com as colónias e com os direitos, liberdades e garantias dos cidadãos. Voltaria a ser chamado a integrar o elenco ministerial em 1890 quando foi nomeado novamente Ministro das Obras Públicas, Comércio e Indústria do executivo presidido por João Crisóstomo de Abreu e Sousa, permanecendo no cargo entre 13 de Outubro de 1890 e 21 de Maio de 1891.

Quando em 1895 se restabeleceram as relações diplomáticas entre Portugal e o Brasil na sequência da ruptura verificada em 1893, coube a Tomás Ribeiro ser nomeado ministro junto do governo brasileiro. No Rio de Janeiro teve um importante papel na normalização das relações políticas entre os dois Estados lusófonos.

Desempenhou também os cargos de director-geral do Ministério da Justiça, presidente da Junta de Crédito Público e vogal do Tribunal de Contas, empregos que manteve por largos anos.

Escreveu, para além do D. Jaime (1862), as obras A Delfina do Mal (1868), Sons que Passam (1868), Vésperas (1880), Dissonâncias (1890), e as crónicas reunidas em Jornadas (1873). Esta última obra, a par da peça dramática A Indiana (1873) e vários poemas coligidos no volume Vésperas reflectem a sua experiência na Índia Portuguesa, em particular a vivência como administrador colonial em Goa, sendo nelas patente um certo gosto pelo exotismo, ainda ao jeito romântico.

Publicou também alguns ensaios históricos, entre os quais D. Miguel, a Sua Realeza e o Seu Empréstimo Outrequin e Jauge (1880) e História da Legislação Liberal Portuguesa (1891-1892).

A sua obra A Delfina do Mal foi levada à cena no Teatro D. Maria II, conseguindo assinalável sucesso. Também o poema A Judia, incluído no seu livro de poesia Sons que Passam (1868), foi muito celebrado nos salões sociais da época, tendo sido musicado e transformado numa canção ultra-romântica com alguma popularidade.

Com uma obra literária que se insere plenamente no romantismo português da Regeneração, Tomás Ribeiro pode ser com justiça considerado como o poeta lírico mais representativo da fase de dissolução da corrente literária e estética que vinha desde O Novo Trovador e findou no plano doutrinário com a Questão Coimbrã e no plano lírico com a poesia de João de Deus.

Embora tivesse chegado a ser visto como um poeta realista, por mais tarde, ter assimilado também algumas características do realismo, contudo Tomás Ribeiro nunca abandonou o fundo melodramático característico do ultra-romantismo. Apesar de alguns críticos o considerarem discípulo de Charles Baudelaire, o certo é que Tomás Ribeiro nada tem a ver com os precursores da Escola Nova, sendo antes o expoente do ultra-romantismo literário português.

Na Academia das Ciências de Lisboa Tomás Ribeiro foi feito sócio a 11 de Dezembro de 1862 e chegou a presidente da Classe de Letras e a vice-presidente da instituição.

Amigo de Camilo Castelo Branco, que visitou em São Miguel de Seide, prefaciou alguns dos livros do romancista, dedicou-lhe a obra Dissonâncias (1890) e auxiliou-o na doença, recebendo-o na sua quinta de Carnaxide.

Em Carnaxide foi um dos maiores incentivadores do culto de Nossa Senhora da Rocha, tendo estimulado a construção do santuário e de várias outras obras de benefício para a população local.

Associada à sua carreira política e literária, Tomás Ribeiro desenvolveu grande actividade no jornalismo, afirmando-se como um publicista de relevo. Colaborou nos periódicos Gazeta de Portugal, Gazeta Comercial, Artes e Letras, Brasil-Portugal, Mala da Europa, Revista Contemporânea, Almanaque de Lembranças, Actualidade, Jornal de Viseu e noutros jornais e revistas por onde dispersou alguns dos seus contos e poesias. Colaborou também no Jornal das Colónias usando o pseudónimo de Tomé de Diu[5].

Em 1885 fundou, com Luciano Cordeiro, o semanário político Repúblicas, do qual foi director político, cabendo a Camilo Castelo Branco o cargo de director literário. Em 1889 fundou o diário O Imparcial, a que se seguiu A Opinião, periódicos que duraram pouco tempo.

Manteve ao longo da sua carreira uma ligação estreita à sua aldeia natal de Parada de Gonta, que lhe serviu de inspiração para diversos poemas e que apelidava de fresca aldeia formosa. Foi por influência de Tomás Ribeiro que o lugar foi elevado à categoria de freguesia por decreto de 29 de Maio de 1884 e foi dotado de uma Escola Primária que recebeu o nome do então chefe do Governo Fontes Pereira de Melo. Também doou a casa onde nascera para ser instalada uma Estação de Correios, que ainda ali se localiza, e conseguiu que a freguesia fosse servida por uma estação do caminho-de-ferro tendo presidido como Ministro das Obras Públicas, Comércio e Indústria à sua inauguração em 1885. Também foi por sua influência que em 1894 foi inaugurada a igreja paroquial da localidade.

Tomás Ribeiro faleceu em Lisboa no dia 6 de Fevereiro de 1901, tendo sido sepultado no Cemitério dos Prazeres daquela cidade.

No ano de 1981, uma sua neta, Cristina de Gonta Colaço, publicou na série intitulada Postais de Parada de Gonta, um artigo inserto no jornal Folha de Tondela (n.º 279), dando notícia que tinha encontrado em Parada de Gonta, na casa de família, a seguinte notícia:

No dia 13 de Agosto de 1907, foram exhumados do modesto coval do Cemitério dos Prazeres os ossos do meu saudoso páe. Assisti eu, o Jorge e o meu tio Francisco Calvente. A pequena urna ficou depositada no jazigo d’este último, tendo aparafusada uma chapa com o número 25.141. D’ali seguirá para Parada de Gonta, conforme era desejo do grande poeta Thomaz Ribeiro, de quem eu sou filha saudosíssima. Branca de Gonta Colaço.

Aproveitando aquela informação, quando em 1982 foi comemorado o 150.º aniversário do nascimento do poeta Tomás Ribeiro, as forças vivas de Parada de Gonta prestaram-lhe homenagem efectuando a transladação dos seus restos mortais para um jazigo que então foi construído no cemitério da sua fresca aldeia formosa.

Tomás Ribeiro é recordado na toponímia de múltiplas localidades portuguesas, com destaque para Parada de Gonta e para Tondela, que também lhe dedica a sua Biblioteca Municipal. É patrono de escolas em Tondela e Parada de Gonta.


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Rua JOÃO RAMALHO

29|11|08

Fotografia publicada no Flickr



"...João Ramalho, «mercador do Porto, bem rico e bem atrevido no mar», dirige de combinação com o Mestre os acontecimentos políticos no grande burgo do Norte; aquando a vinda sobre a cidade do arcebispo de Santiago de Compostela, comanda no rio Leça uma audaciosa operação contra as forças galegas, que põe em debandada; finalmente é ele que se insinua de noite num batel por entre a armada castelhana que bloqueia Lisboa, para ir anunciar ao Mestre a chegada da frota do Porto, combinar com ele as disposições do ataque, e regressar, poucas horas volvidas, a Cascais, onde os navios portugueses esperavam (Cap. 120, 122 e 131). João Ramalho, representante duma classe local que, em bloco, teve parte notabilíssima na revolução, é, todavia, o único mercador que pode apontar-se entre a élite dos chefes... " (Extracto do texto de "A Revolução de 1383 - 1385 segundo Jaime Cortesão ").

Arquivo da Toponímia


Já teve o nome de Rua Particular da Rua Nova da Constituição