12.5.08

Calçada das VIRTUDES

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Viela de SANT'ANA

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11.5.08

Rua do CIDRAL DE BAIXO

10.5.08

Rua do CIDRAL DE CIMA

10|05|08

Localizada e publicada no Flickr


"A Rua do Cidral deriva o seu nome de «pomar de árvores cidreiras». Do fruto, a cidra, extraía-se uma bebida que nos tempos dos Romanos e da Alta Idade Média, quando as vides não ainda vulgares, substituía o vinho. A rua que também aparece grafada Sidral, é das mais antigas da velha Miragaia... "

"Toponímia Portuense" de Eugénio Andrea da Cunha e Freitas


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8.5.08

Até logo, vou ao Porto!

Nem o Cerco do Porto alterou a fisionomia da cidade ela mantinha-se concentrada até à igreja de Cedofeita e Rua da Carvalhosa, a ocidente; Lapa e Fontinha, a norte; Rua da Alegria e S. Vítor a oriente. É dentro deste perímetro que em breve começarão grandes operações urbanísticas, quer a título particular, quer a título municipal, enquanto que os arrabaldes mantêm a sua fisionomia rural. Até que o ímpeto reformador de Mouzinho da Silveira, apostado em dar um cunho moderno - e liberal - à Administração Pública, vem contribuir para que o Porto ganhe o espaço territorial que, nos nossos dias, vai até à Estrada da Circunvalação.

De facto, em 1836, é promulgada uma nova divisão administrativa do país e, nesse contexto, são anexados ao Porto os municípios da Foz e de Campanhã por decreto de 6 de Novembro; e a freguesia de Paranhos, pertencente às Terras da Maia, por diploma de Setembro de 1837. Posteriormente - e devido a outros arranjos legislativos - é extinto o município de Bouças, sendo uma parte integrada em Matosinhos e outra no Porto, dando origem às freguesias de Ramalde e de Aldoar. É ainda criada por decreto de 12 de Dezembro de 1841 a freguesia do Bonfim à custa de território das freguesias de Campanhã e de Santo Ildefonso.

O Porto - consagrado por D. Pedro IV como Cidade Invicta - vê assim confirmada a sua liderança tanto mais que são criados por essa altura três bairros administrativos com tutela judicial sobre vários julgados da região o de Cedofeita, abrangendo a Foz, Matosinhos, Leça, Aveleda, Azurara e Leça do Balio; o de Santa Catarina, com jurisdição sobre Campanhã, S. Pedro da Cova, Avintes, Grijó e Vila Nova de Gaia; e o de Santo Ovídio, cuja malha se estendia por Rio Tinto, Alfena, Valongo, Santo Tirso e Aguiar de Sousa. Trata-se, enfim, da projecção das Muralhas Fernandinas, agora em sentido exclusivamente jurídico-administrativos e económicos.

O regime alfandegário então instituído é a prova de que algo estava a mudar. O esquema de barreiras decretado em 1821 estabelecia as estradas de produtos devedoras de imposto no alto da Calçada de Gaia, para sul; no Senhor do Bonfim, para Vila Real; na que é hoje Praça do Marquês de Pombal (então sítio da Aguardente) para Guimarães; e para Braga, na zona da Prelada. No final de Oitocentos estava já em vigor um novo regime que ia do Esteiro de Campanhã até ao Castelo do Queijo, limites estes que vão dar existência à Estrada da Circunvalação. Aliás, quando esta via-limite do Porto foi construída, havia inclusive um fosso para impedir que alguém, obrigado o pagar a taxa, escapasse aos postos que ainda hoje se encontram ao longo daquela estrada, nomeadamente no Esteiro de Campanhã, na Vilarinha, no Amial.

Por esta altura, o processo de urbanização do Porto começa a desenvolver-se em duas vertentes por um lado, o crescimento em mancha de óleo da zona central; por outro lado o desenvolvimento das "aldeias periféricas de Campanhã, Paranhos, Aldoar, Ramalde, Foz e Nevogilde" , como salienta Gaspar Martins Pereira. Segundo este historiador, todas estas zonas mantiveram até tarde a sua feição rural, a ponto de o seu "sentimento de identidade conservar formas de expressão tradicionais". Documentos da Polícia da época relatam "combates à pedrada entre grupos rivais de rapazes - por vezes às centenas - nas fronteiras das respectivas freguesias", casos de Ramalde contra Lordelo e de Cedofeita contra Paranhos...

Este sentimento de pertença ainda existe de certo modo. Ainda não há muito tempo - e quiçá ainda se mantém esse hábito - era possível ouvir da boca dos portuenses que viviam (ou vivem) no Carvalhido, em Paranhos, em Ramalde ou Aldoar e que se deslocavam à Baixa para tratar da sua vidinha "Até logo, vou ao Porto!" ...

Jorge Vilas

Publicado no Jornal de Notícias


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Rua do VALE FORMOSO

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Rua PROFESSOR JOAQUIM BASTOS

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7.5.08

Rua JÚLIO RAMOS

07|05|08

publicada e localizada no Flickr


Júlio Gonzaga Ramos, nasceu no Porto em 1868 e faleceu em 1945. Pintor.
Arquivo da Toponímia



Já teve o nome de Travessa da Igreja de Paranhos


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Rua Dr. PEDRO DIAS


Esta artéria já foi chamada de Calçada do Campo Lindo.

O Dr. Pedro Augusto Dias era natural de Vieira do Minho, onde nasceu em 1835, frequentou a Universidade de Coimbra e aí recebeu o grau de bacharel em Filosofia, formando-se depois em Medicina em 1860.
Veio então exercer a profissão no Porto, onde concorreu, com José Carlos Lopes e Joaquim Guilherme Coelho (Júlio Dinis) a uma cadeira da Escola Médico-Cirurgica (1863-64).
Em 1868 foi promovido a lente proprietário da cadeira de Operações, que regeu até à sua jubilação, em 1895.
Faleceu com 96 anos de idade, em 1931.

(Arquivo da Toponímia)


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6.5.08

As tradições operárias do Bairro da Fontinha

Pregueiros da Rua das Musas



O sítio da Fontinha, chamemos-lhe assim, nasce junto a Fradelos e morre, lá no alto, na Rua da Fábrica Social. Fica-lhe pelo dorso torcicolado as Carvalheiras, essa maravilha humilde de serventia citadina; e a Rua das Musas - na sua graça poética de legenda toponímia.

Trata-se de um dos mais típicos e generosos aglomerados populacionais tripeiros de índole tipicamente operária, cuja verdadeira história está ainda por fazer.

Com efeito, foi por estas bandas que, no surto associativo dos anos 70-80, do século XIX, se deram os passos mais decisivos do movimento operário portuense - um período e um sítio acerca dos quais muito pouco ou nada se tem dito.

É para tentar ajudar à reconstituição histórica do movimento operário portuense que aqui se evocam apenas alguns dos mais significativos acontecimentos que tiveram por palco o Bairro da Fontinha ou as suas redondezas.

Em Abril de 1874, por exemplo, um pequeno núcleo de operários fundou, na Rua de Santa Catarina, na esquina com a Calçada do Luciano, hoje Rua da Escola Normal, a Associação dos Trabalhadores que, dois anos depois, transferiu a sua sede para o Largo da Fontinha, onde se manteve, em permanente actividade, por muitos anos mais. Nesta associação, que reunia operários dos mais diversos ramos da indústria, pontificava o cidadão francês Joseph Delarue, fabricante de pianos, que estivera implicado nos acontecimentos da Comuna, e por causa dos quais deixara França para se radicar no Porto. Ainda há relativamente pouco tempo funcionava na Praça da República a Casa Delerue, especializada na reparação e afinação de pianos.

Associada aos primeiros passos do movimento operário portuense, anda a Imprensa operária que surge para sustentar, apoiar e defender os interesses da classe e a doutrina mutualista que lhe andava associada. Em 1875, apareceu nas imediações da Fontinha, mais concretamente na Rua do Bonjardim, nas proximidades do actual Largo de Tito Fontes, o "Jornal Artístico Social", de que eram redactores os irmãos Abreu, Bernardino e Eduardo Gonçalves, pertencentes, os três, ao quadro redactorial de "O Primeiro de Janeiro".

O nome da Rua da Fábrica Social anda ligado, por sua vez, à fábrica de chapéus que por ali laborou.

Em 1873, a classe dos chapeleiros atravessava uma das suas fases de maior desenvolvimento com a mecanização das instalações das fábricas Social, no Alto da Fontinha; e de Costa Braga, na Rua da Firmeza, no mesmo local onde agora está a Escola Artística de Soares dos Reis.

O sítio onde se realizavam os maiores comícios operários desses tempos era no actual Largo do Dr. Tito Fontes por ser, para a época, o mais amplo logradouro que havia na cidade para esse tipo de manifestações. As reuniões públicas em que participavam os associados das instituições operárias da altura faziam-se num velho edifício situado na esquina da Rua de Gonçalo Cristóvão e do actual Largo do Dr. Tito Fontes. Defronte ficava outra casa célebre a sede da Laboriosa (está agora em ruínas) em cujo salão se realizaram importantes e agitadas reuniões operárias. Dionísio Ferreira dos Santos Silva, antigo operário chapeleiro, estreitamente ligado aos movimentos republicanos (seria um dos participantes na revolta de 31 de Janeiro de 1891) e mutualistas, com a sua palavra fácil e convincente interveio em inúmeros comícios e reuniões especialmente nos da classe a que pertencia.

Por falar em oradores de comícios a Rua de Conceição Fernandes, em Gaia, lembra um grande orador dos movimentos operários dos meados do século XIX, José Maria Conceição Fernandes, que em 25 de Julho de 1875, juntamente com Felizardo Lima, protagonizou uma vibrante intervenção no Salão da Laboriosa durante um concorrido comício operário. Era serralheiro de profissão e acabou os seus dias professor na Escola Industrial do Infante D. Henrique. O Porto esqueceu-o. Gaia perpetuou-lhe o nome na toponímia local.

O espaço da crónica é curto mas não queremos encerrá-la sem falar num tipo de indústria que teve algum sucesso nos meados do século XIX e se desenvolveu através de pequenas oficinas que se espalhavam pelas faldas do monte da Fontinha, ou seja, nas zonas das Liceiras e Carvalheiras. Referimo-nos ao fabrico de camas e outra mobília de ferro. O pioneiro desta indústria foi um antigo operário da Fundição do Bolhão chamado António Martins Viana, que morreu em 1912, na sua casa do Bairro Operário da Constituição, esquina desta rua com a de Serpa Pinto, mandado construir pelo jornal "O Comércio do Porto", segundo um projecto do arquitecto Marques da Silva.


Em 1876, paredes-meias com a sede da Associação dos Trabalhadores, citada na peça ao lado, funda-se, também, no Largo da Fontinha, a Cooperativa de Tecidos em que congregam os trabalhadores do sector têxtil. Mas a mais famosa actividade desta zona foi, sem dúvida, a indústria do fabrico manual de pregos de ferro forjado, disseminada por inúmeras oficinas instaladas na Rua das Musas, no Alto da Fontinha e em terrenos onde, posteriormente, viria a ser construído o hoje tão falado (pelos piores motivos) Bairro do Leal. A 12 de Maio de 1876, os pregueiros das oficinas das Musas e da Fontinha deram início uma greve exigindo aumentos salariais. Este movimento grevista coincidiu com a inauguração, na Rua dos Bragas, da Companhia Aurifícia, uma unidade industrial moderna, apetrechada com a mais moderna maquinaria que na época existia para o fabrico de pregos a partir do arame. Estes dois acontecimentos estiveram na origem da extinção da velha industria artesanal do fabrico de pregos de ferro forjado.

Germano Silva

Publicado no Jornal de Notícias