31.5.13

AMADORES DE PESCA REUNIDOS

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Foi uma agremiação desportiva que eu muito frequentei, em companhia do meu pai nos anos cinquenta. Não sei se ainda lá existe, mas a velha placa ainda subsiste.



30.5.13

Busto de Camilo Castelo Branco

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Tão longe dos Amores de Perdição que o condenaram mais uma vez a frequentar a antiga Cadeia da Relação. O Camilo de S. Miguel de Seide está mesmo muito escondido ali na avenida que tem o seu nome.


Esta obra do escultor Henrique Moreira (1890-1979) foi oferecida à cidade por "O Comércio do Porto" em 1925.




Garagem "O Comércio do Porto" | 2013

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O jornal "O Comércio do Porto" já não tem a sua sede no edifício contiguo, o jornal também já não existe, mas a garagem ainda é conhecida por este nome.

Hoje, uma imagem da fachada desta garagem. Eu nunca a tinha visto tão despida. Parte das árvores desapareceram quando foi construído o túnel, as outras caíram e não foram substituídas. A praça Filipa de Lencastre está a transformar-se numa "praça mineral", infelizmente.


29.5.13

Maio 2013

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A uma semana de intervalo na Praça Guilherme Gomes Fernandes, no mês de Maio.

Ou como certas intervenções conseguem pôr a cidade triste, muito triste. Parece que o cinzentismo é um adjectivo intimamente ligado ao Porto. 

Graff da autoria de Hazul Luzah, blocos de cimento de origem não ainda identificada mas aplicados por pessoal camarário.



27.5.13

Foi na rua da Trindade que...

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Em Março de 2004 foi colocada a primeira das novas placas de toponímia da cidade do Porto. Na altura eram mais simples e menos lisíveis do que as actuais. Felizmente que alguns dados foram acrescentados a algumas delas.


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26.5.13

IGREJA SENHORA DO PORTO

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Projecto dos arquitectos Mário Morais Soares e Vasco Morais Soares. 
Inaugurada ou consagrada como paróquia em Junho de 1989(?).




25.5.13

Largo PADRE INÁCIO GOMES

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O Padre António Inácio Gomes foi o primeiro pároco desta recente paróquia do Porto que é a da Senhora do Porto.




24.5.13

ESTRELA D'OURO

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O Estrela

Actualmente é um restaurante mas durante muitos anos foi um café.

Muito especial, tanto pelo espaço como pela sua localização. Dos cafés do centro da cidade era um dos poucos onde se podia estudar à noite. O senhor Fortes tinha decidido que não haveria televisor na sala.

Largas montras deixavam entrar a luz rara da rua da Fábrica.
No interior, as mesas pareciam alinhadas na parada de um quartel.

Subindo o degrau da entrada, escolhia-se ou a esquerda ou a direita.
Do lado direito, dava-se logo com o quiosque. Jornais, revistas, tabaco, etc. Como era hábito nos anos sessenta. A D. Palmira conseguia gerir aquelas dezenas ou centenas de quilos de mercadoria.

Do lado esquerdo encontrava-se um balcão envidraçado onde vendiam café e bolos para fora. Ao lado do balcão, o telefone – cabine a moedas de cinco tostões. Logo a seguir o marco do correio. Sim, o Estrela era o único café do Porto com um marco do correio no seu interior.

Ao fundo, um grande balcão onde os empregados iam buscar as encomendas.
Do lado esquerdo, antes de chegar ao balcão, uma escada de acesso à sala de bilhares.

Etc.. etc...






23.5.13

EDIFÍCIO OURO

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O Edifício Ouro, situado entre os números 47 e 107 da rua Fernandes Tomás é um prédio de rendimento construído entre 1950 e 1954 cujo projecto foi da autoria dos arquitectos Mário Bonito e Rui Pimentel. Nele está situado o Café Goa. Nos finais dos anos sessenta existia ali a Garagem Ouro.


22.5.13

FARMÁCIA | HAZUL

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Antes de mudar para a praça D. Afonso V, a Farmácia Cristo ocupava este local comercial na praça Guilherme Gomes Fernandes.



CAFÉ GOA

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Na rua Fernandes Tomás.

Passei lá numa manhã. Pouco dava para saber se estava mesmo fechado ou se só abriria mais tarde.



21.5.13

Rua CONDE DE FERREIRA

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Durante muitos anos na cidade do Porto, Conde Ferreira foi sinónimo de Manicómio. Mas também deu nome a uma rua do Bairro dos Brasileiros na mesma cidade.

Teve um importante papel como benemérito tanto na cidade em que faleceu como no resto do país. Desde muito jovem que me habituei a ver um busto que o representava quando subia as escadas do hospital da Ordem do Carmo. Em Mogadouro, a escola que frequentou a minha mãe, também era um fruto da sua filantropia. 



Joaquim Ferreira dos Santos (Vila Meã, Campanhã, Porto, 4 de Outubro de 1782 — Bonfim (Porto), 24 de Março de 1866), 1.º barão, 1.º visconde e 1.º conde de Ferreira, foi um comerciante e filantropo português. Tendo conseguido uma grande fortuna no Brasil e em África, em boa parte pelo tráfico de escravos de Angola para o Brasil, após o seu regresso a Portugal dedicou-se à filantropia: fez construir 120 escolas primárias em Portugal e contribuiu com valiosos donativos para a Santa Casa de Misericórdia do Rio de Janeiro, para a Santa Casa da Misericórdia do Porto e para outras instituições de beneficência. 
Tendo contribuído financeiramente para a causa de D. Maria II de Portugal, a rainha elevou-o a barão em 1842, a visconde em 1843 e a conde em 1856. Com o que sobrou da sua herança foi fundado no Porto um hospital para doentes mentais, que ainda ostenta o seu nome. Foi Par do Reino, fidalgo cavaleiro da Casa Real, do Conselho de Sua Majestade Fidelíssima, comendador da Ordem de Cristo e grã-cruz da Ordem de Isabel a Católica.

Para saber mais pode consultar a página da Wikipédia




20.5.13

Rua JOÃO DE ARAÚJO CORREIA

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Por enquanto é somente arruamento, sem casas, no meio de campos maltratados e mal-cuidados. Rua virá talvez um dia a ser. Implantada sobre os antigos terrenos da STCP da Carcereira. Quem ainda se lembra de ver alguns últimos autocarros, a recollher, com o dístico: CARCEREIRA?

O homem do Douro, o cronista, o médico, o escritor, com direito a estátua no Peso da Régua, merecia melhor rua na cidade em que frequentou a Faculdade de Medicina.

* * *


João Maria de Araújo Correia nasceu a 1 de Janeiro de 1899 na Casa da Fonte, freguesia de Canelas do Douro, município de Peso da Régua, no seio de uma família modesta.
Era filho de António da Silva Correia, solicitador, e da sua segunda mulher, Maria Emília de Araújo, e irmão de Amélia e Maria Ana.
Com cerca de três anos de idade foi viver para a Régua com a família; contudo, em 1913 regressou a Canelas após a morte da tia Maria Soledade.
Adquiriu com o pai o gosto pelas obras de Camilo, autor de "Mistérios de Fafe", o primeiro livro que leu por volta dos oito anos.

Pode continuar a ler aqui.




19.5.13

Rua DUQUE DA TERCEIRA

duque da Terceira


É uma das zonas mais particulares da cidade. É a dos Duques, Viscondes e Condes. 
Eu perco-me sempre a pensar que o INATEL era na rua do Duque de Saldanha, que a República 24 de Março era na rua do Duque da Terceira e que o Eugénio de Andrade morava na rua do Visconde de Bóbeda... deixemos. 
Ao fim e ao cabo são ainda ruas à antiga, residências unifamiliares burguesas, pequenos comércios, oficinas, atalhufadas de trânsito. Mas algumas ainda com algum arvoredo com raízes a desfigurarem  o cimento dos passeios.

Para quem quiser saber mais sobre o Duque da Terceira recomendo a leitura do que está na Wikipédia.



18.5.13

Rua DUQUE DE SALDANHA

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Para saber mais sobre João Carlos de Saldanha Oliveira e Daun pode ir até à Wikipédia.

Não há qualquer dúvida, foi uma personagem muito amada pelos portuenses daí ter dado o seu nome a duas artérias da cidade! Creio que foi e é um caso único.

A outra rua é esta.




17.5.13

Rua do BONFIM

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Esta artéria aparece no Roteiro de 1933 como rua do Poço das Patas. 


Sobre a Freguesia do Bonfim


Outrora periférica, a freguesia do Bonfim cresceu ao longo dos antigos caminhos de Gondomar (Caminho do Padrão de Campanhã, actual Rua do Heroismo) e Valongo e Penafiel (actual Rua do Bonfim); e cresceu em torno do Monte das Feiticeiras, onde fora erguido o cruzeiro da duodécima estação da Via Sacra, também designado do Senhor do Bom Fim e da Boa Morte. A fisionomia do local foi sendo  alterada, sobretudo no século XIX, o que levou à criação da Freguesia do Bonfim, por Decreto de Costa Cabral, de 15 de Dezembro de 1841, desmembrada das vizinhas Santo Ildefonso, Campanhã, Sé. Reinava nessa altura em Portugal D. Maria II, e governava a diocese D. Jerónimo José da Costa Rebelo.

Entre a segunda metade do século XIX e do século XX, surgiram inúmeras fábricas e manufacturas, que fixaram população em bairros operários, criados em novas ruas, rasgadas sobre antigas Quintas, como as de Sacaes ou do Poço das Patas. Aqui e ali alguns palacetes demarcaram-se na paisagem, casas de industrias e comerciantes, por vezes brasileiros de torna-viagem, quase sempre burgueses de grande trato. Nas fachadas destes edificios colocaram-se paineis de azulejos, uns de padrão industrial, outros exempleares únicos, uns lisos e monocromáticos, outros de mil cores com desenhos que misturam estilos fin-de-siécle e arte nova, e que tanto irão caracterizar a freguesia.
Actualmente, as fábricas e manufacturas deixaram de existir dando lugar a outras actividades económicas como o comércio, as instituições bancárias, as pequenas empresas e os serviços.

O edifício da Junta do Bonfim está situada na chamada Quinta dos Cirnes de Francisco Diogo de Sousa Cirne Madureira (um dos conjurados do 24 de Agosto). O palácio foi comprado pela Junta em 1880. A arca de Água do Poço das Patas veio a pertencer ao fidalgo José de Sousa Cirne, proprietário da Quinta do Reimão (século XVI) mais tarde chamada dos Cirnes.

A freguesia do Bonfim é talvez a mais central de todas as que compõem a cidade Invicta. Conta com cerca de 35 mil habitantes e é a mais recente freguesia do Porto. Segundo dados retirados da Câmara Municipal do Porto possui uma área de 292ha. Das quinze freguesias que constituem a cidade do Porto, a freguesia do Bonfim fica em quinto lugar no que diz respeito às freguesias com maior àrea total, destacando-se em 1º lugar Campanhã.

Relativamente ao património, destaca-se a Igreja Paroquial do Bonfim, um belo monumento, dedicado ao Senhor do Bonfim e da Boa Morte. Edificado entre 1874 e 1894, em substituição de uma capela que ali existia desde 1786, esta igreja é um dos muitos símbolos da história desta freguesia. A Fábrica de Manuel Pinto de Azevedo, a Casa-oficina António Carneiro, a Avenida de Camilo, a Quinta de Sacais, o Liceu Alexandre Herculano, a Casa do Poço das Patas (Junta de Freguesia do Bonfim), o Convento de Santo António da Cidade (Biblioteca Pública Municipal do Porto), a Casa Viúva Forbes dos Braguinhas (Escola Superior de Belas-Artes), a Casa dos Viscondes de Gândara e a Quinta Wright (SMAS) são outros espaços que sobressaem no Bonfim, uma freguesia que se desenvolveu ao longo dos anos, situada numa cidade histórica, com inúmeros cartões de visita. Ao nível dos equipamentos de saúde. Além do elevado número de estabelecimentos de ensino, comércio, a freguesia conta ainda com um grande número de colectividades, que cumprem um papel decisivo no desenvolvimento cultural desta freguesia. O Bonfim continua a ter avenidas com árvores centenárias (Avenida Camilo e Avenida Rodrigues de Freitas). Com a chegada do Metro, valorizou-se ainda mais, alargando a sua rede viária e os acessos.






16.5.13

AFONSO COSTA


Afonso Costa não tem rua nem praça, nem mesmo um simples largo na cidade. Afonso Costa está esquecido do Porto? Não é bem assim pois tem uma estátua. Poucos passam por ali a pé. Poucos perdem um pouco de tempo para lerem o que está escrito... infelizmente.


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Escultura da autoria de Laureano Ribatua no Campo vinte e quatro de Agosto.


Sobre Afonso Costa:


Afonso Augusto da Costa (Seia, 6 de Março de 1871 — Paris, 11 de Maio de 1937), conhecido apenas por Afonso Costa, foi um advogado, professor universitário, político republicano e estadista português.
Foi um dos principais obreiros da implantação da República em Portugal e uma das figuras dominantes da Primeira República.

(pode continuar a ler na Wikipédia)



"Matriculou-se na universidade no ano lectivo de 1888-1889, e concluiu a sua formatura em 1894. Foi premiado nos quarto e quinto anos de direito, tomou grau de licenciado em 17 de janeiro de 1895, fez ato de conclusões magnas em 24 e 25 de maio do mesmo ano, e doutorou-se em 9 de junho ainda em 1895. O seu primeiro despacho para o magistério foi em abril de 1896, e em agosto de 1900 foi nomeado catedrático. O dr. Afonso Costa, nome por que é mais vulgarmente conhecido, era considerado como um dos académicos mais notáveis do seu curso e, quando nomeado lente, era o mais novo de todo o corpo catedrático. No exercício da advocacia revelou-se sempre como um dos mais brilhantes ornamentos do foro português moderno.

Também se tem distinguido pelas suas ideias políticas avançadas; em 1897, no Porto, foi um dos homens que saíram a campo a protestar contra o plano do governo progressista de alienação das linhas-férreas do Estado. No comício que então se realizou em 13 de junho na rua do Bonjardim, foi o dr. Afonso Costa um dos oradores mais fluentes, apresentando-se pela primeira vez publicamente ao povo do Porto; e foram tão convincentes as suas palavras, que desde logo ficou considerado um dos mais valiosos vultos do partido republicano. Noutros comícios que se realizaram seguidamente na mesma cidade, também o dr. Afonso Costa tomou parte, sendo os seus discursos sempre ouvidos com o maior interesse e atenção. Quando a peste bubónica se declarou no Porto, no verão de 1899, o regime excepcional das medidas preventivas a que a cidade foi submetida por ordem do governo progressista, determinou contra ele o descontentamento geral da população. Aproximavam-se as eleições de deputados, e o partido republicano do Porto apresentou as candidaturas do dr. Afonso Costa, de Xavier Esteves e de Paulo Falcão. As eleições realizaram-se a 16 de novembro, e depois de grandes lutas entre monárquicos e republicanos, ficaram eleitos os três candidatos apresentados, mas o governo conseguiu que esta eleição fosse anulada arbitrariamente, no tribunal de verificação de poderes. Este facto ainda exaltou mais os ânimos, incitando-os a novas lutas. Em 21 de janeiro de 1900 saiu o primeiro número do jornal republicano O Norte, e os três candidatos eram novamente apresentados ao sufrágio dos eleitores independentes, como o haviam sido anteriormente na Voz Pública. O acto eleitoral realizou-se a 18 de fevereiro seguinte, e a despeito de todas as pressões, o Porto tornou a eleger os três deputados republicanos, facto que em todo o país causou a maior impressão. O dr. Afonso Costa apresentou-se na câmara respectiva como distinto parlamentar, e como um dos mais temíveis inimigos das instituições monárquicas. Orador fluente, os seus discursos eram calorosamente escutados. Caindo o ministério progressista, e subindo ao poder o partido regenerador, procedeu-se à eleição de deputados em 25 de novembro do referido ano de 1900, e o partido republicano apresentou novamente os três candidatos, mas desta vez não foram reeleitos."
No início do ano de 1937 foi indigitado para Grão-Mestre da Maçonaria Portuguesa, cargo que já não chegou a assumir, em virtude de ter falecido.
Faleceu a 11 de Maio de 1937 em Paris, tendo sido sepultado inicialmente em Neuilly-sur-Seine, no jazigo de Robert Burnay, sendo trasladado posteriormente, em 1950, para o cemitério de Cemitério do Père-Lachaise, em Paris.
Os seus restos mortais só em 1971 foram trasladados para Portugal, encontrando-se actualmente em Seia, no jazigo da família.



15.5.13

O HOMEM DO LEME


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O Homem do Leme é uma praia, também um bar virado para o mar. Mas o Homem do Leme é sobretudo uma estátua da autoria de Américo Gomes (1880 - 1964).



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Se deseja saber mais sobre o Homem do Leme pode consultar o blog do Porto e não só que publicou sobre o assunto um artigo muito interessante.



14.5.13

Torre dos Clérigos | 250 anos e ainda jovem

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É quase meio-dia, ao longe apareceram os OVNIs... 


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Enquadrada a torre parece mais maneirinha (!) mas é só impressão


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Fotografei a montra! Oh, logo a nova montra que era segredo de comerciante. De falas mansas e engravatado mete conversa. Não se acreditava que uma pessoa podia usar um outro ponto de vista! Mostrei-lhe a foto mas não lhe disse que vinha parar aqui.

Ouf! Dare-dare. É meio-dia! Os motores de combustão afogam o som dos carrilhões.



Estação de Zoologia Marítima "Dr. Augusto Nobre"

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Outrora também conhecida pelo "Aquário". Fechada ao público desde 1965. Pode saber mais consultando a página da Universidade do Porto.



13.5.13

Rua MONSENHOR FONSECA SOARES

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António Augusto da Fonseca Soares (1891-1976). Fora nomeado pároco encomendado de Massarelos em 1919. É uma das figuras que está na origem da construção da Igreja do Santíssimo Sacramento, situada na rua Guerra Junqueiro.  



12.5.13

7.5.13

Rua HENRIQUE ALVES COSTA

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O cinema está marginalizado na cidade! Tanto esta rua como a rua Invicta Filmes são ruas sem saída! Ambas na freguesia de Ramalde, não muito longe uma da outra...

Como a página da Toponímia da nossa Cãmara nada nos diz, sinto-me na obrigação de acrescentar algumas linhas.

Henrique Alves Costa nasceu em 1910 e faleceu em 1988. Cinéfilo, crítico de cinema foi uma figura importante na cidade e nos esforços que fez para a divulgação da cultura cinematográfica. Presidente da Direcção do Cineclube do Porto, dirigente associativo, entre outros da Cooperativa Artística Árvore. Pai de Isabel Alves Costa e de Alexandre Alves Costa. Para além de ter colaborado em diversos jornais também escreveu diversos livros sobre Cinema.

Ficam aqui algumas linhas de Sérgio C. Andrade, que bem o conheceu nas lides cineclubistas, publicadas na Ipsilon.

«A Cinemateca Portuguesa assinala hoje em Lisboa o centenário deste portuense que foi uma "figura da cinefilia nacional". A lembrar este crítico e cineclubista que marcou o auge do Cineclube do Porto estará o seu amigo de muitas décadas, Manoel de Oliveira
Eram, por assim dizer, dois "rapazes" da mesma idade. Conheceram-se no início dos anos 30 e tornaram-se amigos e companheiros de tertúlias, de viagens, de aventuras. Um fazia filmes (e continua a fazê-los), quando as circunstâncias o permitiam. O outro via filmes, criticava-os, defendia-os e ajudava a divulgá-los, quando achava que eles o mereciam.
Manoel de Oliveira (n. 1908) e Henrique Alves Costa (1910-1988) são os dois amigos de que falamos. Dois portuenses autodidactas na sua paixão pelo cinema. O primeiro tinha na sétima arte, então a dar ainda os primeiros passos como tal, a sua vocação primeira, que conciliava com a gestão da indústria herdada do pai. O segundo herdara também do pai a profissão de despachante oficial de alfândega, que exerceria toda a vida, mas era para o cinema que corria todas as horas restantes. "Conheci Henrique Alves Costa depois de ter apresentado o Douro, Faina Fluvial em Lisboa, no Cinema Condes, onde figurou no V Congresso Internacional da Crítica, na noite de 21 de Setembro de 1931."
Com estas palavras, Manoel de Oliveira vai começar a recordar o seu amigo, hoje à noite, na Cinemateca Portuguesa, em Lisboa, na homenagem no centenário desta "figura histórica da cinefilia nacional", justifica a instituição. Para além do decano do cinema português e mundial, estarão presentes o realizador da geração do Cinema Novo José Fonseca e Costa e familiares e amigos do homenageado. O realizador de "Acto da Primavera" - o filme que será exibido na Cinemateca, e que era um dos preferidos de Alves Costa - acrescentará que a "boa amizade" entre ambos foi firmada num "forte interesse comum pelo cinema em geral e pelo cinema português em particular". E realçará o trabalho que o crítico e cineclubista dedicou à defesa do cinema português e, em particular, dos seus próprios filmes.
De facto, desde que viu "Douro, Faina Fluvial" - o filme que "de súbito colocava o incipiente cinema português à hora mais avançada do cinema mundial", escreveu mais tarde -, Alves Costa não mais deixou de acompanhar Oliveira. "Às vezes, sentávamo-nos à mesa para jantar e tínhamos de esperar uma hora que o meu pai acabasse de falar ao telefone com o Manoel", recorda Alexandre Alves Costa, afilhado do realizador. A primeira imagem que se guarda de Henrique Alves Costa - para além da figura jovial do velho senhor de bigode grisalho, óculos grossos e cigarro permanente na mão - é a do crítico de cinema e grande referência do Cineclube do Porto (CCP).
Não tendo integrado o núcleo fundador do Clube Português de Cinematografia, em 1945, a ele aderiu logo dois anos depois e foi sob a sua direcção que o CCP se tornou no maior do país, reunindo na década de 50 mais de 2500 sócios.
Semana histórica
Para além da exibição e debate dos filmes, o CCP organizou encontros de cineclubes e outras iniciativas, muitas delas em claro desafio à censura salazarista. Entre elas destaca-se a I Semana do Cinema Português, no Porto, em Dezembro de 1967, que reuniu um conjunto de jovens realizadores que aí mostraram os seus filmes, mas também apontaram pistas para o futuro de uma cinematografia que estava num beco sem saída, apesar das fitas inovadoras de Paulo Rocha ("Os Verdes Anos" e "Mudar de Vida"), Fernando Lopes ("Belarmino") e António de Macedo ("Domingo à Tarde"). "Do que foram esses dias no Porto, de onde nasceu o que viria a ser o Centro Português de Cinema e a possibilidade para a nossa geração de fazer filmes, em pleno marcelismo, lembro-me do clima de agitação e de euforia que tomou conta de todos e do papel catalisador que o Henrique Alves Costa teve na organização dessas jornadas", recorda o realizador António-Pedro Vasconcelos.
E revê essa figura com "um sorriso infantil, uma irreverência juvenil e um entusiasmo contagiante". Nessa semana histórica nasceu o movimento que haveria de convencer a Gulbenkian a apoiar a produção de cinema e criar a oportunidade a vários realizadores de fazerem a sua primeira longametragem, como aconteceu com o próprio António-Pedro Vasconcelos ("Perdido por Cem") e José Fonseca e Costa ("O Recado"), por exemplo.
Já depois do 25 de Abril de 1974, Henrique Alves Costa - que, "sendo de esquerda, sempre recusou a pertença a qualquer partido, porque não aceitava espartilhos", diz o filho Alexandre - não aceitou a influência que o Partido Comunista exerceu sobre o CCP, e também sobre o Instituto Português de Cinema (IPC), criado em 1973. Saiu do primeiro e apoiou a criação do alternativo Cineclube do Norte. "Decidi ir brincar com outros meninos", disse, então, a André Oliveira e Sousa, seu companheiro de aventuras cinéfilas, como agora recorda o expresidente da Federação Portuguesa de Cineclubes.
Vasconcelos recorda também a presença de Alves Costa no encontro que então teve, no Porto, com Oliveira, quando o autor de Aniki-Bobó subscreveu "um pacto secreto de resistência" contra a política jdanovista do PC e a sua influência no Instituto de Cinema.
O crítico de cinema Jorge Leitão Ramos só conheceu Alves Costa depois do 25 de Abril, nas I Conversações Cinematográficas Luso-Espanholas, no Porto, e no lançamento do Cinanima, em Espinho - de que ele foi uma espécie de "padrinho e mentor", nota o presidente do festival, António Gaio. "Ele era o homem que fazia coisas. E fazia-as com um grande dinamismo e facilidade de relacionamento humano", diz o crítico do Expresso, considerando essa sua faceta mesmo mais relevante do que a de crítico ou historiador de cinema. E destaca também a liberdade do seu discurso, como quando definiu António Lopes Ribeiro como "o homem que amou sinceramente o cinema e que mamou da teta dele alegremente".
Mas a história do cinema português não seria a mesma sem Henrique Alves Costa, que escreveu livros ("Breve História do Cinema Português", "A Longa Caminhada para a Invenção do Cinematógrafo" e "Raul de Caldevilla" são alguns títulos) e colaborou regularmente em revistas e jornais (Espectáculo, Invicta-Cine, Cinéfilo, mas também O Comércio do Porto e o Jornal de Notícias). Só não conseguiu ver concretizado um dos seus sonhos: a Cinemateca do Porto, de que foi o principal mentor desde que, no final dos anos 70, se ocupou da criação duma filmoteca no Museu Soares dos Reis.
É por isso que a homenagem do centenário tem hoje lugar na... Cinemateca em Lisboa. No Porto, na terça-feira, a Medeia Filmes dedica-lhe uma sessão no Estúdio Campo Alegre, exibindo "L'Atalante", de Jean Vigo, outro dos seus filmes favoritos.»




(900 mensagens publicadas no blogue)

6.5.13

PRELADA (2013)

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Entrada principal da Quinta da Prelada


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A Casa da Prelada


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Ainda em obras


« Situada na freguesia de Ramalde, junto ao Carvalhido, na rota dos Caminhos de Santiago (antiga estrada para a Galiza), a Quinta da Prelada elege-se como um dos espaços mais notáveis e grandiosos do aro do Porto. Concebido pelo arquitecto italiano Nicolau Nasoni, este vasto conjunto arquitectónico e paisagístico está subordinado a um eixo que estabelece um percurso desde a casa nobre até ao recinto onde se eleva uma torre, vulgarmente designada por "Castelo". 

A casa nobre, que foi residência da família Noronha de Menezes, previa quatro torres, à semelhança do Palácio do Freixo, tendo sido executada apenas um quarto da obra. Outro paralelismo com o Freixo encontra-se na sacada da torre que é tratada em profundidade, jogando com a espessura da parede. De resto, o desenho e a gramática decorativa empregue nos vãos da Casa da Prelada é facilmente reconhecível noutras obras de Nasoni.

Em 1758, Francisco Mateus Xavier de Carvalho, pároco de Ramalde, informa-nos, nas Memórias Paroquiais, que “as Cazas estão comesadas com riscos de Nazoni pintor italiano, que vive na cidade do Porto”. A propriedade pertencia a D. António de Noronha e Menezes de Mesquita e Melo, fidalgo da Casa Real e cavaleiro da Ordem de Cristo, e a sua mulher D. Isabel de Noronha e Menezes, irmã de D. Manuel, arcediago do Porto, que apadrinhou vários filhos de Nicolau Nasoni.

O portão nobre, posteriormente intervencionado por Nasoni, e a primitiva casa dos Noronha e Menezes devem respeitar à segunda metade do século XVII. Num desenho de Joaquim Vilanova, datado de 1833, vê-se a torre e o corpo central nasoniano, e, adossado a estes, uma construção mais baixa, restos da casa primitiva. Esta área foi demolida no final do século XIX e substituída por um corpo que procurou rematar o edifício.

Em 16 de Maio de 1903, D. Francisco de Noronha e Menezes, através do seu testamento, lega a Quinta da Prelada à Santa Casa da Misericórdia do Porto, da qual tomou posse em 1904. A Casa teve várias utilizações ao longo do século XX: Hospital de Convalescentes, em interligação e na dependência do Hospital de Santo António (1906-1960); Centro de Recuperação de Diminuídos Físicos (1961-1973); e, finalmente, Lar da Terceira Idade (1974-2003).

Em 1938, o lago, as fontes e a escadaria foram classificados como “Imóvel de interesse público”. Esta classificação foi revogada em 1977 e passou, também, a abranger a casa, os jardins e a mata.»

Publicado na página da Santa Casa da Misericórdia do Porto



Camarão não é marisco!

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O largo do Camarão.

Tão longe do mar, tão afastado do rio. Antes de iniciar a minha pesquisa sobre a origem do nome deste largo bem me parecia que o nome dele nada devia ter a ver com o marisco!

A resposta explícita está na página da Câmara Municipal. Mais uma vez a explicação é daquele estudioso que exaustivamente dedicou uma obra importante sobre a cidade, nomeio Eugénio Andrea da Cunha e Freitas e a sua "Toponímia Portuense".

«O largo do Camarão e a Rua, antiga viela, da Senhora das Dores ficam junto da rua de S. Victor, por trás do recolhimento de S. Lázaro. O recolhimento de viúvas pobres de Nossa Senhora das Dores, vulgarmente chamado do Camarão, foi ali fundado em 1870 por Francisco António Rebelier, confirmada a doação das casas de recolhimento e capela de N.Srª das Dores, em seu testamento de 2 de Maio de 1819. Foi depois mudado para as Fontaínhas, sob a administração da Santa Casa da Misericórdia do Porto. Porque se chamava ao largo do Camarão? Porque ali morava, em 1698, um tal Manuel Gonçalves, o "camarão" casado com Maria Nogueira, pais de uma moça Antónia, recebida nesse ano, à face da igreja, com o pedreiro João de Sousa. Quem diria àqueles humildes mesteirais que a alcunha familiar perduraria séculos fora?»

4.5.13

Praça ALMEIDA GARRETT

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Não é o melhor ângulo desta praça, mas quem chegava de comboio à estação central era assim que a via.



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Uma memória.



3.5.13

IGREJA DOS REDENTORISTAS



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Este templo situa-se na esquina da rua Dr. Alves da Veiga com a rua da Firmeza. Tem entrada por esta última. 
O painel de azulejos que se encontra no exterior é da autoria de Fernando Fernandes e tem a data de 1954.



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No seu interior existe um fresco da autoria de Dórdio Gomes.



1.5.13

Rua ANTÓNIO PATRICIO (2013)

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Sobre António Patrício:
"Nasceu no Porto a 7 de Março de 1878, filho de Emília Augusta da Silva Patrício (doméstica) e de António José Patrício (armador e dono de uma agência funerária). A morte de três dos seus irmãos menores, vitimados pela tuberculose, haveria de o marcar para sempre.
Frequentou o Liceu Rodrigues de Freitas, no Porto, prosseguindo os seus estudos na Academia Politécnica dessa mesma cidade, no curso de Matemática, embora não o tenha concluído.
Em 1898, durante o período em que cumpre o serviço militar, casa-se com Alice Minie Josephine d'Espiney. No ano seguinte nasce o seu primeiro filho, Emílio d'Espiney Patrício. Nesse mesmo ano, António Patrício parte para Lisboa onde frequentará a Escola Naval (1899-1901) A partir de 1901 dedica-se aos estudos de Medicina na Escola Médica do Porto, concluindo o curso no ano de 1908, sem nunca vir a exercer tal profissão.
Em 1910 toma a decisão definitiva em relação à sua vocação, escolhendo a carreira diplomática. Nesse mesmo ano é nomeado cônsul de 2ª classe em Cantão. Antes disso porém, notabiliza-se numa missão na Corunha, onde consegue impedir com sucesso a entrada de um carregamento de armas destinadas aos monárquicos portugueses presentes na Galiza e sob o comando dePaiva Couceiro. Seguem-se as missões em Manaus e Bremen. É afastado da diplomacia em 1918, após desinteligências com o general Sidónio Pais, então em ascensão. Regressa ao serviço no ano seguinte, sendo destacado para Constantinopla. Em 1920 sofre bastante com a morte de um dos seus filhos, António Patrício Júnior.
Passará ainda por Londres e Caracas antes de regressar a Portugal, em 1928, iniciando funções na Secretaria de Estado do Ministério dos Negócios Estrangeiros. Volvidos dois anos, é designado ministro de Portugal em Pequim, cargo que não chega a ocupar, vindo a falecer em Macau."

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O edifício conhecido como "Sede da Caixa de Previdência" situa-se nesta artéria no número 262.

O projecto inicial (1968) da autoria do arquitecto Arménio Losa era para um edifício de habitação. A conclusão do esqueleto data de 1973. Após um período de abandono a estrutura foi adaptada à função que tem actualmente. O edifício foi terminado em 1988. Outros arquitectos que tiveram uma intervenção no projecto: Alfredo Matos Ferreira e B. Madureira.