21.12.09

Rua de O PRIMEIRO DE JANEIRO



Esta rua tem o actual nome desde 1967, anteriormente era um troço da rua João Grave.





Estádio do Bessa

Fotografia publicada e localizada aqui





Escola Clara de Resende

Fotografia publicada e localizada aqui

Acabo de verificar que algumas das ligações já não funcionam nesta página.

Para ajudar os leitores que aqui chegam do blogue:
bidaosretalhos.blog.com/ , encontrei uma indicação sobre a Escola Clara de Resende publicada pelo IPPAR:
"
A concepção da Escola Clara de Resende é dos Arquitectos João Vasconcelos Esteves com Eduardo Valente Hilário e Luís Alçada Baptista, estes últimos na época ainda estagiários. A execução do projecto resultou de um concurso da Junta das Construções para o Ensino Técnico e Secundário para a Escola Elementar Clara de Resende. A Junta comunicou a vitória do concurso aos arquitectos no dia 14 de Outubro de 1955. O contrato para a elaboração do projecto com Vasconcelos Esteves e o MOP no dia 29 de Fevereiro de 1956. Em 1959 é celebrada a adjudicação ao escultor Fernando Fernandes de um painel decorativo cerâmico. (...)
A construção da Escola Técnica Elementar, ETE, Clara de Resende iniciou-se em 1957 e conclui-se em 1959. Foi inaugurada em 1960. Trata-se de um conjunto escolar contemporâneo da Escola do Cedro em Vila Nova de Gaia (1957-1961) de Fernando Távora. Claramente estes edifícios escolares da autoria de uma nova geração de arquitectos são pautados por um novo conceito de espaço, do papel preponderante atribuído à luz, apostam num novo ordenamento de volumes, no gosto pelas linhas modernas e funcionais e introdução do papel do design numa clara renovação da arquitectura tradicional versus arquitectura moderna internacional.
A Escola Clara de Resende é assim um exemplar dos edifícios do movimento moderno construído no norte de Portugal por uma equipa de arquitectos lisboetas. Reúne uma grande racionalidade na distribuição funcional, por zonas bem definidas, apostando num internacional depuramento formal, no uso dos materiais (...)."



Sobre "O Primeiro de Janeiro":

"O Primeiro de Janeiro é um jornal diário que se publica na cidade do Porto desde 1868. A publicação deve o seu título às manifestações da "Janeirinha", que em 1 de Janeiro de 1868 iniciaram o processo que levou ao fim da Regeneração."
Publicado na Wikipédia

Pode ler mais sobre este jornal no: Observatório da Imprensa


Pode saber mais sobre a Escola Secundária Clara de Resende aqui: http://pwp.netcabo.pt/esclara/index.html (link inexistente)

8.11.09

Torres do Aleixo

041109
Fotografia publicada no Flickr


Para memória futura!

6.9.09

27.8.09

Rua SOUSA VITERBO

020809


Alguns dados sobre Sousa Viterbo:


FRANCISCO MARQUES DE SOUSA VITERBO, Arqueólogo, historiador, jornalista, contista, crítico e filosofo.. Nasceu no Porto a 29 de Dezembro de 1845 no Largo de S. Domingos numa casa pegada ao Banco de Portugal que foi demolida para abrir a rua que hoje tem o seu nome. Exerceu pouco tempo a medicina. Tornou-se professor de arqueologia da Academia de Belas-Artes de Lisboa. É autor de "Arte e Artistas em Portugal. Contribuição para a História das Artes e Indústrias Portuguêsas" (1892). Faleceu em Lisboa a 29 de Dezembro de 1910. (in Arquivo da Toponímia da C.M.P.)


Esta rua já teve o nome de S. Domingos.

21.7.09

Sobre o Piolho e outros cafés do Porto nos anos sessenta

Nas minhas andanças pelos blogs que mais me aprazem, encontrei este texto que publico com a devida autorização do seu autor. Talvez um dia me resolva a contar o que me resta na memória dos diversos cafés nos finais dos anos sessenta.
Até lá fiquem com a prosa de Francisco Seixas da Costa, a quem agradeço a disponibilidade.


«O "Piolho" fez 100 anos e, pelo que sei, está de boa saúde, com muita gente nova a animar-lhe a sala e a esplanada. O "Piolho", ou melhor, o "Café Âncora d'Ouro", é uma bela instituição do Porto, estrategicamente situada junto aos Leões, ali à beira dos Clérigos, de Carlos Alberto e do início de Cedofeita.

É um local de profundas tradições culturais e académicas, que muito frequentei na segunda metade dos anos 60, do século passado. Por ali aportava então muita gente de esquerda, os sócios da cooperativa livreira Unicepe, os pró-associativos (não tínhamos ainda direito a associação académica), os estudantes das Faculdades de Ciências e de Economia, logo em frente, bem como os de Letras e Medicina, um pouco abaixo. E todo o Teatro Universitário do Porto, por onde andei, bebia por ali o seu café de saco. É que o "Piolho", durante muito tempo, não teve "cimbalino" (essa portuense expressão para o "expresso", derivada das máquinas italianas "La Cimbali", que já equipavam a modernidade dos cafés da cidade, a começar pelo "Montarroio" e a acabar na "Brasileira").

Para muitas gerações desaguadas da província para estudar no Porto, os cafés representavam um espaço de acolhimento, socialização e convívio. O "Piolho" era um expoente desse universo, que também tinha o "Aviz" (algo intelectual) e o "Ceuta" (em frente ao Rádio Clube Português, onde eu também "actuei"), como fóruns clássicos de conversa, o "Progresso" com o melhor café de saco do mundo (dizia-se que punham bacalhau salgado) mas com professores a mais, o "Estrela" com os seus belos bilhares no 1.º andar e o "Bissau" de Cedofeita, um oásis de serenidade onde se concentrava a gente de Engenharia e dos lares da Torrinha e Rosário. Para estudo, tínhamos o "Saban" e o "Diu" (sempre cheio de "pequenas" de Farmácia). Mais para namoro, havia o "Guarany" ao fim da tarde, o "Orfeu" na Rotunda, o "Pereira" no Marquês, ou os recatados e distantes "Bela Cruz" do Castelo do Queijo e o "Chalet" do Passeio Alegre. Na baixa, onde se parava em outras diferentes ocasiões (ao domingos, ao final da tarde, à espera do "Norte Desportivo"), ficavam os institucionais "Rialto", "Embaixador" ou "Imperial", com a estudantada menos presente. E também o "Astória", ali no passeio das Cardosas, que abria às 6 da manhã, meia hora depois de fechar a "Stadium". Curiosamente, o "Majestic" não tinha então o "glamour" turístico de hoje e, bem perto, na Batalha, já preponderava o "Chave d'Ouro", onde a gente nova não ia muito.

Grande Porto!»

Francisco Seixas da Costa


Publicado em Duas ou Três Coisas

15.7.09

Mobilidade, Tranquilidade, Liberdade, Salubridade!

Como alguns que me conhecem, alguns que já ouviram falar de mim, um dos raros moradores do centro da cidade que ainda, de vez em quando, do alto de alguns andares, do alto de ter nascido aqui e morar ainda aqui, vai deixando uns bitaites para alertar os adormecidos.

Mobilidade - gostaria de poder andar nos passeios, sem carros incomodativos, sem passeios estropiados e sem cagalhotos da cães tão bem educados como os respectivos donos.

Tranquilidade - gostaria de poder viver em plena zona pedonal de Cedofeita sem ser incomodado durante a noite pelos bandos que vão para a "noite". Gostaria de passar noites tranquilas sem os ruídos incómodos das máquinas ruidosas da SUMA, gostaria de não acordar com o barulho provocado pelos veículos que vêm despejar o "ecoponto" por volta das cinco da manhã. Gostaria de não ser incomodado pelas "palhaçadas" das praxes universitárias, dos vai-e-vem dos caloiros e outros cortejos. Como estamos no Verão, também
agradecia que as cáfilas que desfilam depois das "não-sei-quantas" fossem menos ruidosas, gostaria que durante o dia não houvesse automóveis estacionados diante das entradas para a dita "zona" - nem quero imaginar um incêndio ou de um acesso de veículos de socorro. Gostaria ver aplicada a dita lei contra o ruído nocturno. Gostaria não acordar matinalmente com energúmenos a jogar futebol ou a vomitarem perto de uma esquina.

Liberdade - gostaria de poder entrar e sair do prédio onde habito sem ter que encontrar um "molho de lata" diante da porta a qualquer hora do dia ou da noite. (numa sondagem pessoal constatei que a média de idade dos habitantes se situa muito acima dos 70 anos e que o acesso de médicos, INEM e outros profissionais da Saúde é superior a duas por ano). Gostaria de poder chegar ao meu domicílio sem encontrar gente em mau estado de saúde etílica ou mental. Gostaria de poder encontrar ao cair da noite aqueles morcegos, que há uns anos atrás, ainda vinham passear diante da minha janela. Gostaria de poder dormir com a janela aberta e de manhã ouvir aquele melro que vem passear por aqui perto.

Salubridade - gostaria de encontrar a rua suficientemente limpa quando de manhã lá ponho os pés. Gostaria de não encontrar pontas de cigarros na Travessa de Cedofeita, quando lá passo à tarde. Gostaria que, passando perto de certos contentores ou esquinas, não me subisse às narinas um odor a urina. Gostaria que alguns dos bueiros da minha rua não exalassem um fedor pútrido. Gostaria que as ruas fossem limpas durante o dia e não durante a noite.

Finalmente, gostaria que os candidatos à Junta de Freguesia, os candidatos às eleições municipais, os candidatos a candidatos de tudo e mais alguma coisa, etc, tomassem uma posição em relação contra a desertificação do centro desta cidade em que eu ainda habito mas que tanto me magoa.

1.6.09

Rua de SERRALVES


Ou o que resta de uma parte da antiga Fábrica de Lanifícios de Lordelo, indicação encontrada no blog "Porto Antigo"


Este sítio já foi designado como Monte da Carreira.

5.3.09

Eles querem cobrir a rua de Cedofeita II

080309P

E se a cobrissem assim, e se a mantivessem limpa, eu até talvez estivesse de acordo.

18.2.09

Sai um cimbalino e um Porto para a mesa do canto


MAJESTIC. Em plena Rua de Santa Catarina, mantém a traça original e os interiores que sempre atraíram assim as atenções dos turistas. É um dos cafés mais emblemáticos do Porto


«Amáveis instituições de utilidade social, os cafés do Porto subsistem e sorveram a renovação apropriada aos novos hábitos. Outros, haveriam de degenerar ou desaparecer com as personagens que adoçaram histórias.

Funcionários públicos e privados, homens da banca e de má nota; estudantes e calaceiros, damas de pusilânime trato e de duvidoso porte, esta a nata de intermináveis horas palradeiras dos cafés da cidade. Outrora, as orquestras pautavam a convivência até o cheirinho a pão quente anunciar novo dia. Era o leque e os salamaleques de uma Belle Époque, cavalheirismo de paletó esbugalhando o olhar em setins e sombrinhas bordadas. Havia esta coisa simples e preciosa, o tempo.

Camilo, nascido há 180 anos, assestava a luneta no Guichard, quando não, refúgio no Chalet Suíço. Já Antero de Quental polemizava no Águia d´Ouro, onde um vinho velho seco viajava sob as queixadas de Arnaldo Gama e Júlio Dinis, que inseriu o nome do café no romance Uma Família Inglesa. Ramalho Ortigão e Sampaio Bruno entretinham-se a jogar dominó no Café Brasil, fundado em 1859, e ainda vivo, junto à estação de São Bento.

No corpo do burgo havia o republicano Sport, o Suísso, tentação de Guerra Junqueiro, o luxuoso Portuense, o Excelsior, o galante Nacional Palace, o sumptuoso Monumental, com orquestras e tômbolas. A evocar, ainda, o Lusitano, aberto em 1853, famoso pelos sorvetes e chá à inglesa, Tivoli, Astória, Saban, Royal, Rialto, com frescos de Abel Salazar e Palladium (actual Fnac), projecto de Marques da Silva, e dotado de grandes áreas de bilhar e dancing.

Pontificava em tais ambiências um vocabulário típico, sucedendo em 1955 Rebelo Bonito se referir, na revista Douro Litoral, à linguagem dos empregados de café. O fino (imperial), o café com cheirinho (borrifado de bagaço, oferta da casa), o galão (copo com aro e pega levando café com leite) e, claro, o cimbalino, alusão à marca da máquina de café. Assim, ao pedir-se um cimbalino marcava-se a diferença do café de saco.

Em cada café uma cratera de biliosas discussões, pousio de promessas amorosas, barricada de gente do mesmo partido ou clube. Tiques intelectuais e vendas de propriedades também remoinhavam entre vozeadas e unha comprida para quebrar a cinza do tabaco. E num frenesim mecanizado, os graxas corcovados, enquanto o gravateiro tentava impingir modas e o menino vendia O Gaiato, da obra do Padre Américo.

Na Baixa deram brado certas senhorecas que tinham a costumeira de beber "chá frio", verde branco servido em bules, e porque melhor convinha ao disfarce, bufavam na frescura oriunda das latadas de Amarante, em vez dos campos de chá chineses.

Com a evolução dos viveres, dos interesses imobiliários, os cafés esfumaram-se ou tiveram de render--se à adulteração. A "snackbarbarização". Casos do Embaixador, do Imperial, vindo ao mundo corria 1935, e onde se interpretaram obras de Wagner e Rossini, e de A Brasileira, inauguração em 1903, com o magnífico pára-sol de ferro e vidro, agora restaurante e Il Caffè di Roma, de uma cadeia de franchising. Que pena! Triunfou a pressa, o balcão, até os avisos "É expressamente proibido estudar neste local", parecendo que a malta nova transporta sarna ou qualquer maleita transmissível.

Viva o Estrela de Ouro e o emblemático marco de correio no interior do estabelecimento, o Orfeu, o Orfeuzinho. Viva o Ceuta, o Progresso, o aromático café de saco, o café dos professores. Viva o Universidade, o "Piolho" e as placas de mármore de final de curso nas paredes. E viva o Diu, o Avis, o Bela Cruz, junto ao Castelo do Queijo, também restaurado. Portos de encontro da cidade consigo própria, os cafés são ainda derradeiros monumentos de afectividade.»

alfredo mendes
Fotografia de Ursula Zangger

in Diário de Notícias

Rua do SENHOR DA BOA MORTE

130209


16.2.09

Rotunda da BOAVISTA


24|06|08

Fotografia original de Óscar Coelho da Silva (1969) - apresentada no Flickr

Rua do ESTORIL

Rua do ORFEÃO DO PORTO

120209

Rua FRANÇOIS GUICHARD

110209

Fotografia publicada no Flickr


«Historial
François Guichard - ( 1946 - 2002 ). Foi director de Estudos da Centre National de Recherche Scientifique, Professor da Universidade de Bordéus III e Director-adjunto do pólo bordalês do Centro de Estudos Norte de Portugal Auitânia ( 1979 -2002 ). Foi um relevante investigador e universitário francês que ao Porto, á sua região e a Portugal consagrou importantes estudos. » (sic)

Arquivo da Toponímia

Si vous souhaitez savoir plus sur François Guichard vous pouvez consulter ce document de Lusotopie.

Actualização e localização em Novembro de 2013.


14.2.09

História de uma rua que é dos nossos dias




A fotografia que ilustra esta crónica foi-me enviada por um leitor acompanhada da seguinte pergunta " sabe dizer-me onde é isto ?"

A resposta não é difícil porque na foto há elementos à vista que ajudam, facilmente, a identificar o local.

Trata-se do troço da Rua de Sá da Bandeira junto ao cruzamento com a Rua de Fernandes Tomás.

Basta olhar com atenção para ver, em plano recuado, a cúpula da torre da capela da Senhora da Boa Hora, também conhecida por capela de Fradelos; e, antes da torre, a vemos a casa esqueleto para exercício dos bombeiros de quando os Sapadores tinham o seu quartel na Rua de Gonçalo Cristóvão.

Vale a pena falar um pouco da história da Rua de Sá Bandeira que começou a ser construída três anos depois de terminado o Cerco do Porto, ou seja em 1836.

O primeiro troço que se construiu da nova artéria foi aberto ao longo da cerca do convento dos padres da Congregação de S. Filipe de Nery. Esse troço é a actual Rua de Sampaio Bruno. Inicialmente deu-se-lhe o nome de Sá da Bandeira. Isso aconteceu em 1837. Aquele bravo militar que combatera no Cerco ainda era vivo e a Câmara do Porto teve que lhe pedir autorização colocar o seu nome numa artéria da cidade. Sá da Bandeira anuiu ao pedido.

O convento dos Congregados, de que apenas resta a igreja, ocupava todo o quarteirão que envolve a zona nascente da Praça da Liberdade e a Rua de Sá da Bandeira, e estendia-se muito para além da actual Rua de Sampaio Bruno ao longo de uma estreita viela que corria paralela ao muro da cerca e que por isso se chamava dos Congregados. Ainda existe, agora com a designação de travessa. Ligava a igreja do referido mosteiro à desaparecida Quinta do Laranjal em cujos terrenos se viria a abrir, anis mais tarde, uma artéria que começou por se chamar Rua do Bispo, por serem propriedade da Mitra os terrenos da aludida quinta, depois deram-lhe o nome de D. Pedro, o quarto, claro, com a implantação da república passou a ser designada por Rua de Elias Garcia. Desapareceu com a abertura da Avenida dos Aliados.

Mas foi da Rua de Sá da Bandeira que me propus tratar. Voltemos, portanto, ao ponto de partida.

Antes porém, mais uma informação que ajudará o leitor a perceber melhor de como se processou a urbanização desta parte da cidade. Até 1836, ano em que se deu inicio às obras para a abertura da rua que viria a ter o nome de Sampaio Bruno, na parte da cidade compreendida entra as ruas de Santa Catarina, Bonjardim e Formosa, havia apenas a Rua do Bonjardim, que descia até muito perto da igreja dos Congregados; e as vielas da Neta, das Pombas e dos Tintureiros. Esta última é a actual Travessa do Bonjardim; a Viela das Pombas á a actual Rua de António Pedro e que antes se chamou Travessa do Grande Hotel. A Viela da Neta era uma estreita e comprida artéria que descia desde a Rua Formosa até um local da actual Rua de Sá da bandeira que podemos situar em frente ao café A Brasileira. Essa viela desapareceu quando, em 1875 se começou a construir a parte da Rua de Sá da Bandeira desde a Rua do Bonjardim, junto à Viela dos Congregados, até à Rua Formosa. Da Viela da Neta ficou um pequeno apontamento a que se deu o nome de Travessa da Rua Formosa, e que fica mesmo em frente ao palacete que foi do conde do Bolhão e fazia ligação com a Rua de Sá da Bandeira. Escrevi "fazia" e escrevi bem porque a travessa encontra-se fechada ao trânsito e a peões e temo que venha a desaparecer com as obras que estão projectadas para aquele sítio.

As obras para a abertura da nova rua até à Rua Formosa foram muito demoradas por causa das expropriações que tiveram de ser feitas, apesar de haver ainda, entre a Rua de santa Catarina e a tal Viela da Neta, muitos terrenos de cultivo, hortas e pomares pertencentes, na sua maior parte, a D. Antónia Adelaide Ferreira, a célebre Ferreirinha da Régua.

Foi já no dealbar do século XX (1904) que se começou a falar na construção da parte da nova artéria, entre a Rua Formosa e a Rua de Fernandes Tomás. No entanto as obras só começaram, efectivamente, no ano de 1911.

Quatro anos depois projectava-se um novo alongamento da rua, mas para o Sul. Havia um projecto camarário que previa o alargamento e modernização da medieval Rua do Bonjardim, na parte que ia dos Congregados à entrada da actual Rua de Trinta e um de Janeiro. O projecto vingou. Alargou-se a parte inferior da Rua do Bonjardim que ficou a ser uma continuidade da Rua de Sá da Bandeira. Estávamos em 1916.

O prolongamento da Rua de Fernandes Tomás até à Rua de Gonçalo Cristóvão teve inicio em 1924. Para tanto muito contribuiu uma tragédia que ficou memorável na cidade daquele tempo.

No dia 26 de Julho de 1924 um violento incêndio destruiu totalmente três prédios da Rua de Fernandes Tomás. Foi o pretexto para se dar continuidade ao prolongamento da Rua de Sá da Bandeira para Norte. A demolição do que restou dos imóveis calcinados abriu, por assim dizer, caminho para a nova empreitada.

Germano Silva
in Jornal de Notícias

9.2.09

Nós por cá - no Porto

Nós os peões do porto já estavamos habituados aos passeios ondulados como aqueles que existem na rua do Carregal, já estávamos habituados aos passeios minimalistas onde não cabe um carrinho de bebé! Também os utentes do Hospital Maria Pia se deparam com passeios estritamente reservados ao mobiliário urbano.
Depois houve aquela moda dos passeios dissuasivos como na praça Guilherme Gomes Fernandes. Na rua Elísio de Melo existem os passeio com "escadinhas". Também há os passeios sobredimensionados que são uma porta aberta para a prática de futebol de rua ou de estacionamento permanente.

Aqui vão dois casos do quotidiano:

030109

Na nova Praça (ainda não vi a placa com nome) ali na antiga rua dos quartéis, mesmo em frente do MNSR. Ainda não descobri se é um estacionamente privativo para os visitantes do Museu. Só sei que normalmente não há espaço para os peões circularem, são atirados para o meio da rua. Ficam sujeitos aos rodados dos veículos que aparecem pela boca do Túnel (dito de Ceuta). Pelos vistos ninguém se queixa, nem os funcionários do Ministério da Cultura.


Segundo exemplo:

070109

Outro inimigo da Cultura! Este (ou esta) escolheu propositadamente a Rua das Galerias para incomodar os pacíficos peões. O outro sacava do Parabellum quando ouvia falar de cultura, estes, estacionam os carros. É um método mais subtil.

A mim, só me espanta a passividade dos peões.

A mim, só me espanta a falta de cívismo.

Peço desculpa aos proprietários dos veículos mas encontro-me com um problema no photoshop e não pude disfarçar as matrículas.
Peço desculpa ao terceiro canal da televisão portuguesa por ter utilizado um título de programa.
Peço desculpa aos peões que continuam calados.

Eles querem cobrir a rua de Cedofeita I

É verdade que eu tinha prometido mostrar o Porto pelas imagens das suas ruas, mesmo que por vezes, não fossem as mais bonitas.

Mas desta vez tocaram numa das ruas que eu vi evoluir ao longo de muitos anos, já estou como aquele anónimo que deixou vários comentários sobre o Jardim da Cordoaria.

Encontrei uma notícia em "
Jornalismo Porto Net" que vem mesmo a propósito!

Comerciantes, habitantes, arquitectos, vereadores, passeantes, marinheiros, alunos, pais de alunos, bloguistas e muitas mais pessoas querem "cobrir" a rua de Cedofeita", mais ou menos estão todos de acordo, ou totalmente, ou, medrosamente, parcialmente.

Não tenho medo de afirmar que estão todos enganados!

Acabo de abrir o meu "gmail" e encontrei uma mensagem de uma pessoa amiga que me enviou o link para uma emissão da TV5 Monde. Curiosamente essa emissão trata das galerias (passages) de Paris.

Vou saltar para as minhas botas, abrir o guarda-chuva e ver a emissão. Onde haverá um café com a tvtel?

Também a aconselho a todos aqueles que querem tratar do Porto como foi tratado o problema do comércio em Paris no século XIX.

Até já, não se preocupem, vou voltar sobre o assunto! Nem que seja com uma pequena ajuda do Auzelle e do Oudinot.



2.2.09

Rua FRANCISCO SANCHES

JUNTA DE FREGUESIA DE RAMALDE

010209

Fotografia publicada no Flickr

História da freguesia de Ramalde


NASCIMENTO E ADMINISTRAÇÃO DA FREGUESIA
A freguesia de S. Salvador de Ramalde é mencionada pela primeira vez com o nome arcaico de Rianhaldy, nas Inquirições de D. Afonso III, em 1258. Porém, já aparece citada anteriormente, como lugar, num documento de 1222 em que a rainha D. Mafalda faz uma doação ao Mosteiro de Arouca.
A origem e crescimento do povoado de Rianhaldy perde-se nos tempos, antes da fundação da monarquia portuguesa, provavelmente entre 920 e 944, data em que chegaram ao território os monges de S. Bento. Assim começaria a história do julgado de Bouças e do seu antiquíssimo mosteiro beneditino. Este território pertenceu ao Padroado Real de D. Sancho I que depois o doou, em 1196, a sua filha D. Mafalda.
Na época de D. Sancho II o território denominava-se Ramunhaldy e era constituído por cinco lugares: Francos, Requezendi, Ramuhaldi Jusão e Ramuhaldi Susão (actualmente Ramalde do Meio).
Entre 1230 e 1835 pertenceu ao concelho de Bouças, o qual integrava também S. Mamede de Infesta, Matosinhos, Foz do Douro e um conjunto de vinte povoações.
Em 1895 foi integrado no concelho do Porto, como freguesia. Os seus limites eram assim definidos: a Norte o concelho de Matosinhos (Bouças); a Sul Lordelo do Ouro; a levante Paranhos e Cedofeita e a poente Aldoar.


EVOLUÇÃO DEMOGRÁFICA
É muito difícil caracterizar demograficamente com precisão esta freguesia no período anterior aos finais do século XIX. No entanto, pode dizer-se que em épocas anteriores Ramalde comportava uma população considerável, pois em 1757 possuía 407 fogos e em 1855 cerca de 600 fogos. Por outro lado, o forte crescimento da natalidade e a baixa taxa de mortalidade indiciam um incremento populacional.
No período que medeia entre os finais do século XIX até 1991, e devido à recolha de dados do "Census", já é possível fazer uma análise mais rigorosa da evolução demográfica.
Temos, assim, dois períodos: até aos finais do século XIX, fase que se caracteriza pela inexistência de "Census", e a partir dos finais do século XIX até à actualidade em que já existem "Census" para o estudo dessa evolução. Entre 1864 e 1981, S. Salvador de Ramalde manteve sempre um crescimento populacional positivo, sendo até muito elevado em certos períodos. No entanto, os "Census" preliminares de 1991 apontam, pela primeira vez, para uma taxa de crescimento populacional negativa. Analisando o segundo período, temos o seguinte quadro evolutivo:

Entre 1864 a 1900 um crescimento para mais do dobro. Este facto pode explicar-se pelo arranque do sector industrial e pela mobilização de uma crescente mão-de-obra que veio fixar-se em Ramalde.
Entre 1940 e 1950 e de 1960 a 1970, a população apresenta ritmos de crescimento que variam entre os 38,7% e os 44,5%, respectivamente. No período correspondente a 1940 - 50, este acréscimo pode talvez ser explicado pelo afluxo migratório das zonas rurais para as zonas urbanas.
Para o período de 1960 - 70, pode estabelecer-se uma relação de crescimento populacional e o desenvolvimento industrial que terá conduzido à fixação de mão-de-obra junto das unidades industriais. Porém, não deve ser alheia a este crescimento a implantação de grande número de bairros de habitação social a fim de fornecer alojamento a franjas de população deslocadas do centro do Porto, que apresentava, nesta fase, indícios de saturação.


ACELERAÇÃO DO URBANISMO NA ACTUALIDADE
O modo de vida de S. Salvador de Ramalde reflecte um processo de descaracterização sócio-cultural, em grande parte devido à aceleração da urbanização, nomeadamente a partir da década de 60.
Hoje o número de indivíduos que trabalham no sector primário é praticamente nulo (nos "Census" de 91 eram apenas 55) e os traços culturais dessa ruralidade quase se perderam, sendo desconhecidos entre a população mais jovem. Actualmente, 61,7% da população trabalha no sector terciário, seguindo-se 38,4% no sector secundário.
Nota-se, também, uma quebra de sociabilidade e relação de vizinhança, o que poderá ser explicado, em grande parte, por uma percentagem significativa da população activa trabalhar fora da freguesia, mantendo, assim, contactos privilegiados em diferentes espaços. A abertura de importantes ligações rodoviárias - que interessam mais ao Grande Porto do que propriamente às populações da freguesia - também não favorece, pelo contrário, as tradicionais relações de vizinhança e solidariedade.


HABITAT E URBANISMO
No início da industrialização da freguesia, a habitação operária designava-se por "ilha", alojamento muito precário, mas que permitia fixar mão-de-obra a baixo custo. Por outro lado ao patronato industrial vinha associado o crescente desenvolvimento de uma burguesia portuense industrial.
Estas "ilhas" eram também a única alternativa para uma incipiente classe operária cujo poder de compra era muito baixo, dada a prática corrente de baixos salários no início da industrialização -- princípio do século XX. Por fim, no plano de melhoramento da cidade "1956" e depois no plano director municipal "1962", a freguesia de Ramalde perde definitivamente a sua face camponesa e torna-se num espaço de preferência destinado à função residencial e ao sector secundário.
Os Planos indicados fizeram evoluir o centro da cidade para uma progressiva terciarização enquanto as zonas periféricas, como a freguesia de Ramalde, passaram a funcionar como espaços residenciais e de crescimento do sector secundário.
No que diz respeito aos espaços residenciais surgem novas realidades habitacionais que, de certo modo, pretendem substituir as "ilhas" da primeira fase: as habitações sociais. Este tipo de habitação pretende dar resposta ao aumento populacional da cidade numa época em que se põe em prática uma política de transferência administrativa de sectores de população do centro da cidade para a periferia, especialmente os que provêm de zonas degradadas.
A habitação social marca profundamente a ocupação na freguesia de Ramalde que se organiza fundamentalmente a partir da década de 60. Em contrapartida, e sem explicação, embora tenha sido Ramalde um território rural, parece não ter havido então a preocupação de criar espaços verdes. Na realidade, em toda a freguesia apenas existe uma zona de lazer e que não é pública. Trata-se do parque de campismo da cidade, ou parque da Prelada, que ocupa a quinta que pertenceu ao antigo solar dos Senhores da Prelada. A entrada principal abre-se para a rua do Monte dos Burgos, na saída para a Maia e Viana do Castelo já do lado Norte da Via de Cintura Interna.
Existe cerca de uma dúzia de bairros de habitação social, como os de Pereiró, Campinas, Ramalde, Viso, Francos, Ramalde do Meio, Bairro de Santo Eugénio...
Encontramos também a habitação privada mas degradada, as "ilhas" nas zonas de Pedro Hispano e João de Deus, Francos, Ramalde do Meio, Requesende, Pedro de Sousa e Pereiró.
A par deste tipo de habitação, aparecem as áreas residenciais de luxo: Avenida da Boavista, Zona Residencial da Boavista (Foco) e Avenida de Antunes Guimarães. Repare-se que as três zonas se situam nos limites da freguesia, a Sul e Leste.
Pode considerar-se que outro tipo de urbanismo está representado pela cidade cooperativa da Prelada inaugurada em 22 de Julho de 1993. Trata-se de uma união de cooperativas: "As Sete Bicas", "Ceta", "Hazal", "Portocoop", "Santo António das Antas", "Santo Ildefonso", "Solidariedade e Amizade", tendo como vizinha uma outra urbanização cooperativa, a "Nova Ramalde". O grande surto da habitação cooperativa surgiu após a revolução de 25 de Abril de 1974.

Aqui pode encontrar todas as ruas e outros arruamentos da Freguesia de Ramalde na cidade do Porto.

29.1.09

Rua Escritor NUNO DE BRAGANÇA

050109

Fotografia publicada e localizada no Flickr


Sobre Nuno Bragança

(1929-1985)

Publicou um livro decisivo para a nossa modernidade literária, A Noite e o Riso, 1969, que alia a experiência surrealista a certas tendências do «nouveau roman» francês, desenvolvendo uma experiência pessoal de educação e boémia.

Notabilizou-se como romancista (Square Tolstoi, 1981) e como contista (Estação, póstumo), tematizando a inquietação humana através da deambulação urbana, política, militante e erótica, e insistindo na componente social da desarticulação íntima dos valores e dos sentimentos.


"Estou sentado num dancing e tenho a mão. Ainda em volta de uma bebida de pressão de ar.

Às vezes, acontece num sítio destes e em hora assim que o pecado original se derreteu num shaker, acabando-se a mortalidade infantil e a Polícia. Sinto essa harmonia. Por cima dos ombros cansados, como um xaile da leveza dum suspiro de gato. Pelas luzes das mesas e fumo nos olhos trotam as mais certeiras notas de piano."

A Noite e o Riso (excerto)

No número 105 desta rua existe a chamada casa "Engenheiro Nunes de Sousa". O projecto foi iniciado em 1989 pelo arquitecto Manuel Botelho e a construção ficou terminada em 1994.
 

28.1.09

Cafés do Porto - A Brasileira

Nos meus arquivos de artigos de jornais encontrei este publicado há meses no Jornal de Notícias.

Sou de uma geração que ainda conheceu os últimos suspiros dos grandes cafés da cidade, em que os cafés eram uma razão de serem de certos percursos da cidade. Cafés sem televisão, cafés onde regularmente as pessoas se encontravam, onde se tratavam de negócios e comércios, onde se estudava ou onde se namorava.

«A notícia de que "A Brasileira" corre o risco de desaparecer, a concretizar-se, será mais uma machadada no já tão depauperado património histórico do Porto. Não é possível dissociar a história do antigo café da baixa portuense, da vida cultural, cívica e política da própria cidade, dos últimos cem anos. Adriano Teles, antigo farmacêutico da Rua do Bonjardim que, em Minas Gerais, no Brasil, para onde emigrou nos finais do XIX, se dedicou ao negócio do café, fundou "A Brasileira" em 1903, no regresso ao Porto, com o objectivo de criar e difundir uma marca própria de café. O acto inaugural do novo estabelecimento constituiu um acontecimento social sem precedentes na cidade. Foi de tal modo elevado o número de pessoas presentes que, contam as notícias da época, houve necessidade de requisitar dois polícias para regularem o trânsito que se tornara caótico. Logo após a inauguração, e durante 13 anos consecutivos, com o intuito de difundir a nova marca, foi servido gratuitamente café à chávena aos balcões de "A Brasileira". A pouco e pouco o novo estabelecimento foi-se impondo no mercado ao mesmo tempo que as sua s salas se ia transformando em ponto de encontro de tertúlias culturais - das mais animadas da baixa portuense. O edifício actual é dos anos 30. Foi desenhado pelo arquitecto Januário Godinho e decorado com esculturas de Henrique Moreira, espelhos franceses de Max Igram e decorações de alabastros de Vimioso. Inaugurou-se em Março de 1938. Com o titulo de "A Brasileira", a firma proprietária do café publicou, desde praticamente o início e até aos anos 40, um quinzenário. Nas décadas de 50 e 60 era um lugar onde se reunia a nata dos literatos, jornalistas, políticos e gente do Teatro. Com uma curiosidade os homens da Esquerda sentavam-se ao lado direito; e os da Direita ocupavam as mesas dispostas no lado esquerdo. Que pena que um local com tanta história possa vir a desaparecer»

15.1.09

Actualização



O mau tempo, esta chuva e este frio têm tido uma má influência sobre o decorrer harmónico deste blogue.

A gripe e a recuperação dos excessos das festas também.

Tanto paleio só para vos anunciar que actualizei a Rua Clemente Menéres e que ainda estou vivo. As fotos do Porto é que vão escasseando.


Onde é?

Um leitor deste blog mandou-me um email com um apelo mais do que urgente.

Possuía uma aguarela sobre o Porto e gostaria de identificar o local.

Como eu sou bom rapaz, como eu penso que estas coisas de blogar e de internitar são para serem inter-activas, deixo-vos a pergunta. Quem encontrar a resposta pode deixar um comentário - mais cedo ou mais tarde ele será publicado.