20.4.12

Palacete do Conde do Bolhão

chantier

Quem passa ali na rua Formosa quase não se apercebe do palacete. Rua estreita, porta já há muitos anos fechada. Em frente, o prédio caído chama o olhar. Na porta ao lado existe uma joalharia que nos distrai. O portuense, que gosta de olhar para cima, distingue o Mercúrio existente no cimo.

Construído em 1844 para um rico comerciante, mais tarde conde, o edifício, onde já funcionou a Litografia do Bolhão, há anos que se encontra prometido para albergar o Teatro do Bolhão.

Tive a ocasião de o visitar durante o "Estaleiro-Aberto" que ocorreu no passado 18 de Abril - Dia Internacional dos Monumentos e Sítios.



021112



Actualização - Abril 2014


«Mandado construir em 1844 por António de Sousa Guimarães, um dos comerciantes mais ricos do País, o Palácio Conde do Bolhão expressa o vigor político e financeiro da orgulhosa burguesia portuense do séc. XIX, sendo a sua decoração de estuques, pintura e talha assinada pelos artistas mais relevantes da época.
O Palácio deve ainda a sua reputação à faustosa vida social que o Conde do Bolhão promovia e que Camilo Castelo Branco, seu protegido, descreveu detalhadamente. O Conde do Bolhão albergou por duas vezes a Família Real no Palácio e as suas opulentas festas, com 800 convidados, constituíam o zénite da vida social na cidade. Finalmente, e à boa maneira Camiliana, a história do Palácio está envolta numa teia de situações rocambolescas, onde abundam escândalos, infidelidades, traições e duelos, e onde o autor surge como um dos mais notórios protagonistas.
Arruinado e acusado de falsificação de moeda no Brasil, o conde acabaria por vender o Palácio que, no início do séc. XX, foi convertido em sede da Litografia do Bolhão. Para instalar as suas oficinas, esta conhecida litografia, (que funcionou até cerca de 1990), construiu um anexo de dimensões consideráveis acoplado à fachada traseira do palácio e cobrindo o antigo jardim.
Em 1998, a Academia Contemporânea do Espectáculo (ACE) apresentou à Câmara Municipal do Porto um projecto de instalação no Palácio que prefigura de forma emblemática os propósitos de requalificação e programação da cidade, já que perspectiva a criação de uma estrutura de formação e produção cultural e artística de raiz local e resultante da dinâmica das forças vivas da própria cidade; a recuperação e devolução ao público, de um imóvel simbólico da cidade e de grande valor patrimonial; a implantação de um pólo de actividade cultural no coração da Baixa desertificada e desqualificada; a integração do projecto, em conjunto com o TNSJ, o ANCA, o Rivoli e o Coliseu, numa rede de circulação de públicos no centro urbano. Finalmente, o potencial de acolhimento de espectáculos que a tipologia do seu Auditório permite. A implantação do projecto, que conheceria
vicissitudes várias, envolveu três presidentes da CMP, seis Ministros da Cultura, um Ministro da Educação e o próprio Presidente da República que, em Março de 1999, assinalou no Palácio o Dia Mundial do Teatro.
Em Novembro de 2001, a CMP adquiriu o imóvel cedendo o seu comodato à ACE e, finalmente, com o apoio da Direcção Regional de Educação do Norte e da Câmara Municipal do Porto iniciou-se, em Junho de 2006, a primeira fase de recuperação do Palácio. Actualmente o projecto atravessa a segunda fase de intervenções, estando a conservação e restauro do imóvel a cargo da empresa 3M2P - Construção e Reabilitação de Edifícios, Lda., que, a 18 de Abril, no âmbito das celebrações do Dia Internacional dos Museus e Sítios, e em colaboração com o Grémio do Património, organizou uma visita estaleiro-aberto à obra que contou com cerca de 60 participantes.»

Miguel Monteiro (3M2P)
In “Pedra e Cal” Ano XIV nº 52


A recuperação deste edifício decorre sob a direcção do arquitecto José Gigante.


Actualização Março 2015:

Tendo reparado que nas últimas semanas os visitantes do blogue têm consultado este artigo divulgo os contactos do novo teatro do Porto:

ACE Teatro do Bolhão


Situa-se na rua Formosa, 342 

Telefone: 222 089 007

Para saber mais um pouco sobre a história da ACE | Teatro do Bolhão poder ler aqui: http://ace-tb.com/teatrobolhao/presentation/apresentacao/


4 comentários:

Unknown disse...

Parte do texto apresentado é uma transcrição do wikipédia, onde ainda menos rigor informativo tem quando a afirma que ocorriam festas com 800 convidados. Nem a burguesia portuense contemplava esse numero, nem o palácio tinha dimensão para tal...

Teo Dias disse...

Caro desconhecido,

A parte do texto que comentou encontra-se entre aspas e o seu autor e a respectiva publicação (em papel) estão devidamente identificados. Talvez a Wikipédia tenha copiado a mesma fonte que eu utilizei.
Sou um divulgador, não sou um historiador.
As criticas dos anónimos também são aceites, mesmo quando não avançam nem um iota em relação ao que está publicado. Mas talvez a senhora (ou senhor) tenha dados mais concretos em relação ao assunto.
Obrigado pela participação.

José Barra disse...

Bem-haja pelo seu contributo para a divulgação da nossa história. Se não fossem estes contributos as pessoas simples como eu não teriam acesso a este tipo de informação. Nascido e criado aqui, com a azáfama do quotidiano não tive olhos para ver certas coisas e agora com as modernas tecnologias posso passear pelo presente e pelo passado.
José Barra

Teo Dias disse...

Obrigado! Caro José Barra!

O divulgador e observador continua atento. Ultimamente tem faltado vontade de divulgar determinadas coisas.

Só mais uma pequena observação sobre o espaço ocupado por este palacete.

Não sei, não tenho a certeza, mas creio que para receber toda aquela gente que alguns contam, um palacete devia ter um "pequeno jardim", talvez eles todos coubessem no tal jardinzinho que mais tarde foi ocupado por um barracão de uma das empresas de Karl Emil Biel. Já (ou ainda do meu tempo) ali existiu uma indústria gráfica com uma certa importância.

Sobre o Biel também penso que era tempo de se divulgar mais largamente a sua biografia principalmente no que diz respeito à introdução e desenvolvimento da electricidade na indústria do Norte de Portugal.