21.10.06

Rua do FERRAZ


De onde vem o nome desta rua:

AFONSO FERRAZ, em 1486, morava nas casas junto da viela que tomou o seu nome. Era filho de Vasco Fernandes, vereador do Porto de 1380 a 1382, e seu procurador às Cortes de Coimbra de 1385, tendo tido a honra de ser referido por Fernão Lopes. Este Vasco era o irmão mais velho da célebre abadessa clarista de Vila do Conde, que está na origem da lenda das freiras saídas dos túmulos. Como primogénito era ainda proprietário de várias quintas, casas e padroados.

18.10.06

Rua de VILAR


Nesta rua:
Seminário de Vilar (um dos "arquitectos" deste seminário foi o padre Himalaya)

Centro Diocesano

Igreja de Vilar

Os primeiros seminaristas foram frequentar este Seminário em 15 de Novembro de 1922.

VILAR - A zona de Vilar sofreu profundas modificações quando, em 1883, se abriu a Rua Pedro V. O Rio Vilar reunia as águas da Carvalhosa e do Campo de Santo Ovídio, e galgava terrenos das ruas da Torrinha e dos Bragas, indo desaguar a Massarelos. Este ribeiro fazia mover várias azenhas; as azenhas de Vilar ou da Mitra eram célebres, por pertencerem algumas ao bispo.

Sobre o Padre Himalaya:

HIMALAYA, MANUEL ANTÓNIO GOMES (Cendufe, Arcos de Valdevez, 9/12/1868 - Viana do Castelo, 21/12/1933) - Padre e inventor de aparelhos que utilizavam energias renováveis. Ecologista. Inventor de explosivos.

Aconselho a leitura do livro de Jacinto Rodrigues, "A Conspiração Solar do Padre Himalaya".


Mais dados sobre este padre-inventor na rua com o seu nome, posteriormente publicada aqui.

11.10.06

rua AUGUSTO LUSO


Curiosidades:

Sobre o professor Augusto Luso:

AUGUSTO LUSO - Nasceu no Porto em 1827 e faleceu em 1902. Poeta. Comissário da Instrução Pública e Inspector das Escolas, foi professor de História e Geografia no Liceu Nacional do Porto da Rua de S. Bento da Vitória. Vivia na Rua do Bonjardim e era apaixonado coleccionador de espécimes zoológicos e botânicos, de numismática, cerâmica e curiosidades, de que facultava o exame sempre que lho pediam. Tinha um irmão Henrique Luso, que faleceu em 1862, com 30 anos; desenhava caricaturas satíricas legendadas pelo irmão. No carnaval de 1859 puseram em circulação uma série de litografias satíricas “As 7 maravilhas do Mundo. 1859” O povo dizia: “É cousa dos Lusos...” Numa das litografias a nº 5 é questão do “Porto limpo de dinheiro”. A este propósito ver a Assembleia Portuense e como nasceu o Clube portuense devido a uma crise financeira.

AUGUSTO LUSO - Professor e poeta portuense, tendo conseguido, no Mosteiro da Batalha, a abertura do mausoléu de D. João II, atreve-se a arrancar do peito um pedaço de carne (!) para o seu museu particular. Testemunharam ao acto os drs. Joaquim Guilherme Gomes Coelho e Elísio Cardoso de Carvalho e Eugénio Fernandes da Silva. O referido museu encontrava-se à Rua de Bonjardim nº 612, onde também havia alguns cabelos do Marquês de Pombal subtraídos quando da trasladação para Lisboa.



9.10.06

Rua de NEVOGILDE



«Nevogilde, a par de Novegilde e do galego Novegil, é topónimo originário do onomástico germânico. Deriva de nome de homem Leovegildo, que se enontra em documentos do século X e dos seguintes. Uma escritura de 1058 refere-nos uma Uilla Lovegilde, mas só dois séculos mais tarde temos noticía da freguesia de Nevogilde. Nas inquirições ordenadas por D. Afonso III, em 1258, no julgado de Bouças os oficiais régios foram à "Ville que vocatur Lovigilldus", então já freguesia, com sua igreja de que eram padroeiros os mosteiros de Santo Tirso e de Pombeiro, que aí tinham seus casais, assim como os possuíam o rei, a Ordem do Hospital os mosteiros de Tarouca (por doação dos cavaleiros de Esposade) e de Macieira, e outros.»

"Toponímia Portuense" de Eugénio Andrea da Cunha e Freitas

8.10.06

Rua BARÃO DE NOVA SINTRA



Nesta rua:
Jardins dos Serviços Municipais de Águas, na rua do Barão de Nova Sintra n° 285 - abertos ao público com uma “colecção” de fontes da cidade. O palacete e a quinta pertenceram a um inglês chamado Wright e foram comprados pela municipalidade em 1932.



Dados biográficos:

O barão de Nova Sintra, JOSÉ JOAQUIM LEITE GUIMARÃES, homem bondoso e abastado, viveu largos anos no Brasil, depois viajou pela Europa, fixou residência em Paris, até que em 1855, veio para a sua pátria, ficando então seis anos em Lisboa até que finalmente estabeleceu a sua casa no Porto, onde morreu em 1870. O Estabelecimento Humanitário do Barão de Nova Sintra, que a Misericórdia portuense administra, foi fundada em 1863 por José Guimarães. Homem «de coração generoso e iniciativas rasgadas» depois de levantar da «falência moral e administrativa» o Asilo de Mendicidade, através de mil dificuldades e desgostos, criou um Estabelecimento de Artes e Ofícios aprovado em 3 de Dezembro daquele ano pelo rei D. Luís I e pela rainha D. Maria Pia. Três anos depois, em 19 de Outubro de 1866, inaugurava-se na mesma rua e na mesma casa onde hoje está, também com a presença dos monarcas o Estabelecimento Humanitário do Barão de Nova Sintra. O titulo de barão de Nova Sintra foi concedido a José Joaquim Leite Guimarães, em remuneração de suas benemerências, por decreto de 8 de Março de 1862.


Sobre o parque dos SMAS ver também: dias com árvores

7.10.06

Rua do BREYNER


(também conhecida por rua do Breiner)

A Rua do Breyner já estava rasgada, ainda que não inteiramente, em 1813, como se vê da planta redonda de George Balck, mas ainda então não tinha nome e estava escassamente urbanizada. E no mesmo estado se encontrava em 1833, como mostra a planta de Clarke.


Deu nome à rua Pedro Melo Breyner.



A salientar a presença do Instituto Britânico. Nesta rua existiu, dos anos 40 até aos anos 60 (do século XX), o Instituto Industrial do Porto num edifício que mais tarde albergou a Escola Irene Lisboa e a escola Fontes Pereira de Melo, anteriormente tinha lá estado a Faculdade de Letras da Universidade do Porto.


Também nesta artéria existiu uma fábrica, hoje transformada em parque de estacionamento.


Acrescento, em 2008, a antiga fábrica (de branqueamento de texteis?) é hoje uma residência para idosos do Montepio Geral.




PEDRO MELO BREINER, senhor da Trofa, conselheiro de Estado, embaixador de Roma governador das Justiças do Porto, que morreu encarcerado por seguir as ideias liberais e o partido de D. Pedro.


O lar feminino S. José de Cluny (nº 401) tem como autores do projecto (1954) os arquitectos Eduardo Iglésias e Francisco Pereira da Costa.

3.10.06

Rua ANSELMO BRAANCAMP



A Rua de Anselmo Braancamp, que parte da Firmeza e corre pouco mais ou menos paralela à Rua de Santos Pousada, foi aberta em terrenos que haviam pertencido à Quinta do Tadeu. O nome desta desaparecida propriedade ainda hoje sobrevive, de resto, na Rua do Monte Tadeu, onde vai desembocar a de Anselmo Braancamp.


A toponímia portuense evoca ainda o antigo líder do Partido Progressista, falecido em 1885, numa Travessa de Anselmo Braancamp, que une a rua homónima à de Santos Pousada.

O roteiro do Porto levantado por F. Lopes para integrar o Guia da Cidade de 1895 não mostra ainda esta rua, cujo traçado - segundo o investigador Cunha Rodrigues - só vamos encontrar na planta de 1901. No entanto, foi justamente em 1895 - mais exactamente no dia 1 de Maio - que a autarquia, numa homenagem ao político progressista, decidiu atribuir à rua, que já antes existia, o nome de Anselmo Braancamp.

Tendo entrado na posse da Câmara em 1892, a artéria não recebeu imediatamente designação oficial, mas os portuenses chamavam-lhe Rua da Companhia das Águas, uma vez que se encontravam ali perto dois reservatórios da referida companhia. Nascido em Lisboa a 23 de Outubro de 1819, Anselmo Braancamp desenvolveu na capital o essencial da sua carreira política. Liga-o ao Porto, contudo, o facto de aqui ter integrado, em 1846, a Junta Provisória que emergiu da revolução de 9 de Outubro, provocada pelo golpe de estado contra o governo de Palmela.

De origem holandesa, os Braancamp instalaram-se em Portugal pelo terceiro quartel do século XVIII, quando o diplomata Hermano José Braancamp, oriundo de Amsterdão, assumiu em Lisboa o cargo de ministro residente - leia-se embaixador - do governo da Prússia. Chegado à capital portuguesa em 1751, este antepassado de Anselmo Braancamp, manteve-se em funções até 1775. Já em Lisboa, desposou D. Maria Inácia de Almeida Castelo Branco, cujos descendentes vieram a ser, sucessivamente, barões, viscondes e condes de Sobral.

Anselmo era ainda criança quando partiu para França, acompanhando seu pai - Anselmo José Braancamp de Almeida Castelo Branco - no exílio parisiense a que o forçou a regência de D. Miguel. E só voltou a Portugal em 1835, após a aclamação de D. Maria II, para prosseguir em Coimbra os estudos de Direito que iniciara em Paris. Já licenciado, exerceu o cargo de procurador régio em Almada e, a partir de 1845, em Lisboa.

Após o golpe de estado contra o ministério de Palmela, em 1846 - a "Emboscada" - e a consequente revolta portuense de 9 de Outubro, põe a sua fortuna e serviços à disposição da Junta Provisória. Parte depois para o Algarve, como governador civil dos distritos do Sul. Em 1851, data que assinala a queda definitiva do cabralismo e o advento da Regeneração, é pela primeira vez eleito deputado por Lisboa.

Nomeado em 1862 para a pasta da Fazenda, Anselmo Braancamp faz publicar a lei que abole os morgadios. Em 1868, é ministro da Marinha, mas regressa, logo no ano seguinte, à gestão da Fazenda, que abandona em 1870 na sequência da revolução protagonizada por Saldanha.

Quando os partidos Histórico e Reformista se fundem, em 1876, para dar origem ao Partido Progressista, Anselmo Braancamp ascende à liderança da nova formação política e, nessa qualidade, é chamado, em 1879, a organizar um governo, de que assume a presidência e a pasta dos Negócios Estrangeiros. Mas o executivo não tarda a cair, na sequência do Tratado de Lourenço Marques, firmado com a Inglaterra.

Anselmo Braancamp morre a 13 de Novembro de 1885, quando acabara de lançar, com Oliveira Martins e outros, o movimento Vida Nova, que pretendeu reorganizar e modernizar o progressismo.

Entre as várias distinções que recebeu em vida, contam-se as grã-cruzes da Ordem de Torre e Espada, da Ordem de Nossa Senhora da Conceição e da Legião de Honra. Em 1874, procuraram nomeá-lo par do Reino, mas Braancamp declinou a homenagem.

BRAAMCAMP, ANSELMO JOSÉ (Lisboa, 23/10/1819 - Lisboa, 13/11/1885) – Magistrado e político. (...)
Defendeu a Patuleia, eleito deputado em 1851. Foi ministro da Fazenda (1869 - 1870) e dos Estrangeiros (1879 - 1881)
Presidente do Conselho de Ministros de 1879 a 1881.
Pertenceu ao Partido Histórico e ao Partido Progressista desde a sua fundação (1875).