6.3.08

Rua SÁ DA BANDEIRA


Sá da Bandeira

Fotografia publicada e localizada no Flickr



Sobre esta a rua aconselho a leitura do Blog de Carlos Romão: A Cidade Surpreendente

e também as fantásticas fotografias de César Augusto , pode ver algumas das suas fotografias aqui: http://www.flickr.com/photos/poesia/621034331/in/set-522110/ e aqui: http://www.flickr.com/photos/poesia/168518863/


Sobre Sá da Bandeira e a Rua Sá da Bandeira:

SÁ DA BANDEIRA - Bernardo de Sá Nogueira de Figueiredo, Marquês de Sá da Bandeira. Um dos heróis do Cerco do Porto. Quando desembarcou em Mindelo com Pedro IV, foi a Vila do Conde convidar o general José Cardoso a unir-se aos liberais, este ameaçou-o de morte. Celebrizou-se no renhido combate que se travou no alto da Bandeira em Vila Nova de Gaia (cerca do Largo dos Aviadores), onde foi gravemente ferido no braço direito. Só no final do combate é que aceitou ser levado ao hospital que então funcionava no edifício da família Guedes da Aveleda, Penafiel, na Praça da Batalha (ver). Aí amputaram-lhe o braço que foi enterrado no jardim do palacete, junto de uma palmeira. Era na altura o governador da cidade. Herculano considerou-o «o português mais ilustre do seu século». Um biógrafo: — «mesmo mutilado, surdo, sem brilho no falar e no escrever, todos concordaram tratar-se de uma das mais belas figuras do nosso oitocentos». Foi agraciado com o título de barão, em 1833, um ano depois ascendeu ao viscondado e em 1864 foi-lhe atribuído o título de marquês. Morreu com 81 anos de idade, no dia 6 de Janeiro de 1876, em Lisboa. Acabou com a escravatura.

Rua SÁ DA BANDEIRA - Até 1836 a área da cidade compreendida entre as ruas de Santa Catarina a leste, e do Laranjal a poente; e entre a igreja dos Congregados a sul e o começo da Rua Formosa, à Cancela Velha a norte possuía apenas duas ruas e algumas vielas. As ruas eram a de Santo António e a do Bonjardim; as vielas eram: As várias Vielas da Neta, a Viela das Pombas, a Viela dos Tintureiros e a Viela dos Congregados. Estas vielas foram destruídas na totalidade ou em parte para abrir as ruas actuais. A Rua Sá da Bandeira começou a ser rasgada em terrenos da cerca dos Congregados, em 1836 para estabelecer uma ligação entre a Praça de D. Pedro e a Rua do Bonjardim, esse troço é o que hoje se chama Rua Sampaio Bruno! Só 7 anos depois, em 1843, se começaram a construir casas. As primeiras têm as traseiras voltadas para a Viela dos Congregados. Em 1875 é que foi feito o prolongamento para o norte até à Rua Formosa. As expropriações demoraram um ano e foram arrasadas as vielas da Neta. Em 1880 já este troço estava aberto ao trânsito. Em 1904 começaram as obras para o troço até Fernandes Tomás. Foi quando foram demolidas as cocheiras da carris no lado ocidental em frente ao Bolhão. Em 1909 e 10 o prolongamento andava comprometido pois o Governo defendia o lobby de uns proprietários e comerciantes que queriam o prolongamento não em linha recta como a Câmara o queria mas sim em “forma de cachimbo”. É preciso chamar-lhe a Rua de Cachimbo. A 25 de Janeiro de 1910 o Governo contrariando o projecto da Câmara que era em linha recta, aprovou o cachimbo de Sá da Bandeira. Em 1916, o vereador das obras Elísio de Melo construiu a actual entrada da rua; resolveu alargar a Rua do Bonjardim compreendida entre a nova Sá da Bandeira e a de Trinta e um de Janeiro. A Rua do Bonjardim começava nessa época ao fundo da Rua Trinta e um de Janeiro. A este alargamento, que estava no prolongamento do 2º troço chamou-se Sá da Bandeira e o 1º troço foi mudado para Sampaio Bruno. A maior parte dos terrenos onde foram abertas, esta rua e a Passos Manuel pertenciam à Ferreirinha, D. Antónia Adelaide Ferreira.

Notas amavelmente cedidas por Jorge Rodrigues

O chamado Edifício DKW, aquele onde outrora se situaram o Instituto Francês e a IBM, nos números 629/673, é da autoria dos arquitectos Arménio Losa e Cassiano Barbosa. O projecto data de 1950 e o prédio foi terminado em 1953.

Beco PASSOS MANUEL


beco

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É aquela rua estreita e inclinada que parte junto do Ateneu do Porto até à entrada de serviço do Teatro Sá da Bandeira.

Desde 1988 que tem o nome actual.


Sobre Passos Manuel:

Nota biográfica de Passos Manuel


"Passos, Manuel da Silva (Passos Manuel). (1801-1862).

Formado em leis em 1822. Responsável pela gazeta vintista O Amigo do Povo, de 1823.
Advogado no Porto entre 1822 e 1828.
Emigra em 1828, depois da revolta de 16 de Maio.
Deputado em 1834-1836; 1836; 1837-1838; 1838-1840; 1843-1845; 1846; 1851-1852; 1853-1856; 1857-1858; 1858-1859.
Senador em 1840-1842.
Par do reino desde 17 de Maio de 1861, não chega a tomar posse.
Um dos chefes da oposição ao partido dos amigos de D. Pedro em 1834, quando era grão-mestre da chamada Maçonaria do Norte. Eleito deputado pelo Minho, logo critica as eleições, não as considerando livres, por estarem suspensas as garantias constitucionais, por haver censura prévia e por terem sido realizadas sob o controlo, não de câmaras municipais eleitas, mas antes de comissões nomeadas pelo governo.
Em 1835, durante o governo da fusão, já se distancia dos radicais, como Francisco António de Campos, Leonel Tavares e Pinto Basto, considerados então como os irracionais. Lidera então uma espécie de terceiro partido que, a partir de 2 de Julho de 1836, edita O Português Constitucional, dirigido por Almeida Garrett, epicamente qualificado como partido da liberdade, contra o partido corruptor. Mas tal não obste a que procure entendimento com o ministro Rodrigo da Fonseca.
Nas eleições de 17 de Julho de 1836 consegue eleger 27 deputados pelo Douro, contra um governamental chamorro, numa altura em que governava o duque da Terceira. Assume-se como um dos líderes da Revolução de 9 de Setembro de 1836.

Ministro do reino do governo do conde de Lumiares, de 10 de Setembro a 4 de Novembro de 1836, tenta a moderação contra os radicais. Fala então num regime de soberania nacional, com uma constituição dada pela nação e não pela Coroa e com a abolição da Câmara dos Pares. Depois do golpe da Belenzada, faz parte do triunvirato revolucionário da nova situação, juntamente com Sá da Bandeira e Vieira de Castro. Institui-se então novo governo, presidido por Sá da Bandeira, de 5 de Novembro de 1836 a 1 de Junho de 1837, onde mantém a pasta do reino, acumulando com a da fazenda. É neste período que se assume como reformador, estando ligado ao novo código administrativo, de 31 de Dezembro de 1836, depois de terem sido suprimidos 466 concelhos, em 6 de Novembro. Organiza as eleições de 20 de Novembro e é um dos inspiradores da Constituição de 1838, negociada entre setembristas e cartistas moderados. Nas eleições consegue fazer eleger uma esmagadora maioria de setembristas moderados, criando-se uma espécie de partido revolucionário institucionalizado, de liderança gradualista.

Em 21 de Janeiro de 1837, em discurso feito em Cortes, considera querer cercar o trono de instituições republicanas. Pretende que o rei seja o primeiro magistrado da nação e invoca a liberdade contra a licença. Em 1 de Junho de 1837, com o governo de Dias de Oliveira, abandona a sua actividade ministerial. Em Março de 1838 já critica a amnistia. Tendo em vista as eleições de 12 de Agosto e 12 de Setembro de 1838 inspira a Associação Eleitoral Pública, de setembristas moderados, contra a Associação Cívica, afecta aos radicais, e a Associação Eleitoral do Centro, juntando cartistas a ordeiros. Morre em 16 de Janeiro de 1862.

·Breve Razoamento a Favor da Liberdade Lusitana

Paris, 1832

·Discursos Parlamentares

Porto, Livraria Portuense Manuel Malheiro, prefácio e compilação de Luís Manuel Prado de Azevedo, 3 vols., Porto, 1880.

Portal da História

Portal do Ministério das Finanças"

Texto publicado por José Adelino Maltez, pode ver o texto completo aqui: http://maltez.info/respublica/portugalpolitico/



Largo PROFESSOR ABEL SALAZAR


j. d.

Estátua de Júlio Dinis

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Abel de Lima Salazar - Pintor e professor universitário (Guimarães n. 19/7/1889 - Lisboa f. 29/12/1946). Médico de profissão e professor catedrático de Histologia e Embriologia na Universidade do Porto desde 1919, notabilizou-se sobretudo como artista amador, além de ensaísta, historiador e crítico de arte. (Arquivo da Toponímia)

Tem o nome actual desde 1979. Já se chamou Largo do Carmo e Largo da Escola Médica


ICBAS

ICBAS - Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar

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Breve Biografia de ABEL SALAZAR

Médico, cientista, escritor, artista plástico, um ser plural: 1889-1946

Por Carlos Vieira Reis


MÉDICO QUE SÓ SABE DE MEDICINA, NEM DE MEDICINA SABE.


QUANDO TUDO ACONTECEU...

1889 – No dia 19 de Julho, nasce num quarto de Hotel, em Guimarães.
1903 – Vai para o Porto fazer os estudos secundários no Liceu Central do Porto, onde em 1906 funda, com outro colega, o jornal escolar republicano «Arquivo».
1907 – Ingressa na Academia Politécnica do Porto.
1909 – Ingressa na Escola Médico-Cirúrgica do Porto. Contrariado.
1915 – Conclui o Curso de Medicina, apresentando a Tese «Ensaio de Psicologia Filosófica». Participa na Exposição dos Humoristas e Modernistas, nos jardins de Passos Manuel.
1916 – Concorre a uma vaga de Histologia na Faculdade de Medicina do Porto.
1917 – Em 14 de Maio, é nomeado professor extraordinário, por distinção, de Histologia e Embriologia e em 9 de Julho é nomeado professor ordinário.
1919 – Funda e dirige o Instituto de Histologia e Embriologia.
1922 – Expõe na Misericórdia do Porto e na Sociedade Nacional das Belas Artes.
1926 – Sucumbe a um esgotamento, provocado por excesso de trabalho e razões familiares.
1932 – Inicia uma activa campanha de educação da mocidade sob a égide de várias associações estudantis republicanas e anti-salazaristas.
1933 – Ingressa na Loja Maçónica Lux et Vita, do Grande Oriente Lusitano Unido, no Porto. Parte em 7 de Março para um exílio voluntário em Paris.
1934 – Regressa ao Porto e publica um ensaio sobre Henrique Pousão e «Digressão em Portugal».
1935 – Em Maio, é demitido compulsivamente da Universidade. Emprega-se como cartazista na Tipografia Lusitana, em Gaia. É-lhe recusada a saída do país, com uma bolsa do British Council e fica proibido de frequentar a Biblioteca da Faculdade. Instala na sua própria casa, um Laboratório. Passa a dedicar mais tempo à sua actividade artística e cultural.
1938 – Envolve-se em duas violentas polémicas com Casais Monteiro e António Sérgio. Publica «Paris em 1934». Efectua uma Exposição Individual em Lisboa e no Porto. Desenvolve uma interessante concepção científico-filosófica do mundo, com o relativismo e o agnosticismo como base.
1940 – Publica «O que é a Arte?».
1941 – Reintegrado na Universidade instala um Centro de Estudos Microscópicos na Faculdade de Farmácia, com o patrocínio do Instituto de Alta Cultura e por sugestão do Governo.
1942 – Publica «A Crise da Europa». Inicia colaboração com o Instituto Português de Oncologia, a convite do Prof. Gentil.
1944 – Publica «Hematologia».
1945 – Participa activamente na campanha eleitoral, ao lado do Movimento de Unidade Democrática. Em consequência desta participação, são cortadas as verbas de financiamento do Centro de Estudos Microscópicos.
1946 – Escreve no «Sol» um interessantíssimo conjunto de artigos sobre a arte modernista. Em 29 de Dezembro morre em casa de sua irmã, em Lisboa.


AS ORIGENS

Nasceu em 19 de Julho de 1889, em Guimarães, filho de Adolfo Barroso Pereira Salazar e Adelaide da Luz Silva Lima Salazar.

Por dificuldade em alugar casa onde se instalassem, os pais foram viver temporariamente para o Hotel do Toural, logo que casaram.

Ali ocuparam um quarto e posteriormente dois, tendo sido num desses quartos, que Abel Salazar deu o primeiro vagido, filho primogénito de uma fratria de três filhos.

Seu pai era secretário e bibliotecário da Sociedade Martins Sarmento e professor de Francês na Escola Industrial Francisco de Holanda.

Colaborador da «Revista de Guimarães» nos seus primeiros números, foi coordenador do importante Catálogo da Biblioteca Pública de Guimarães editado em 1888 e, em 1892, assumiu sozinho a coordenação do Catálogo Suplementar da mesma biblioteca.

A eliminação da disciplina de Francês dos curricula escolares em Guimarães parece ter sido a causa principal da forçada saída de Adolfo Salazar para o Porto, onde faleceu a 1 de Janeiro de 1941, com 84 anos de idade.

O ESTUDANTE

Em Guimarães, Abel faz os seus estudos primários, sendo considerado um bom aluno e tendo chegado a ser premiado, algumas vezes.

Faz os estudos secundários também em Guimarães, no Seminário-Liceu, onde tem como condiscípulo Manuel Gonçalves Cerejeira, futuro Cardeal Patriarca e amigo íntimo de um homem contra quem Abel Salazar sempre há-de lutar e que, por estranha coincidência, usa o mesmo apelido – Salazar. António de Oliveira, beirão, rural, político e ditador.

Por mudança dos pais para a cidade do Porto, passa a frequentar o Liceu Central do Porto, de S. Bento da Vitória, onde ingressa em 30 de Setembro de 1903 e onde se mantém até à conclusão da 7.ª classe de Ciências, em 1906-7.

Ingressa seguidamente na Academia Politécnica do Porto, onde faz os preparatórios necessários para o acesso a Medicina.

Em 1909, ingressa na Escola Médico-Cirúrgica. Contrariado. Queria ser engenheiro civil. Não será por isso que irá ser mal sucedido.

A partir de 1913, é nomeado 2.º Assistente de Anatomia Patológica e depois primeiro assistente provisório de Clínica e escreve diversos trabalhos sobre a morfologia e anatomia comparada do córtex, para o que se obriga a frequentar as duas instituições portuenses ligadas às doenças mentais – o Hospital Conde Ferreira e o de Magalhães Lemos.

Nesses trabalhos formula, pela primeira vez, uma teoria anatomo-psicológica sobre o funcionamento do sistema nervoso.

Apesar da contrariedade inicial, faz um curso brilhante que conclui em 1915, com uma Tese intitulada «Ensaio de Psicologia Filosófica»; receberá do júri a classificação máxima.

O MÉDICO E O PROFESSOR

Concluído o curso, em 1915, é convidado por alguns dos seus mestres, nomeadamente Luís Viegas e Fraga de Almeida, a ingressar no magistério universitário. Recusa.

Concorre posteriormente, por decisão sua e não por convite, a uma vaga na cadeira de Histologia entretanto posta a concurso.

Conseguido o lugar, inicia o curso de Histologia de 1916-17, com uma notável lição de abertura onde expõe os problemas fundamentais da biologia, de uma forma considerada de grande originalidade, nessa altura.

Em 14 de Maio 1917, é nomeado professor extraordinário, de Histologia e Embriologia, por distinção, e em 9 de Julho desse mesmo ano é nomeado professor ordinário.

Episodicamente rege ainda a cadeira de Fisiologia.

Fundador e Director do Instituto de Histologia e Embriologia, em 1919.

É aí, nesse modestíssimo centro de estudos, que apesar de mil contrariedades, de que a insuficiência de material e a ridicularia das verbas são apenas uma parte, concebe e realiza uma série de notáveis trabalhos de investigação, de que se destacam as pesquisas relativas à estrutura e evolução do ovário.

Introduz concepções científicas próprias sobre a atrésia do folículo de Graaf, estabelece as bases da evolução pós-fetal do ovário e descreve os seus tipos principais.

Enquanto não é compulsivamente afastado da Faculdade, mantém o Laboratório de Histologia permanentemente aberto aos alunos, de dia e de noite.

Representa a Faculdade de Medicina do Porto em numerosos congressos e visita estabelecimentos científicos e artísticos em quase toda a Europa Central e do Sul.

Mas o cientista é também um professor voltado para processos didácticos inovadores.

Defendendo a prioridade da educação sobre o ensino, opõe ao saber livresco o desenvolvimento da observação, o convite à reflexão e à iniciativa pessoal, como uma outra forma de alcançar o conhecimento, pela investigação.

O magistério de Abel Salazar está aberto ao diálogo com o aluno, visando despertar o entusiasmo criador.

Desenvolve métodos para estimular a inquietação científica dos discípulos, procurando desenvolver as qualidades intelectuais e humanas de cada um. Ensina-os a serem críticos em face do conhecimento estabelecido, porque sabe bem como muito dele era transitório.

Defende o autodidactismo, a supressão da avaliação quantitativa e a redução ao mínimo da intervenção do professor na aprendizagem.

Publica 116 trabalhos científicos.


O INVENTOR

Em 1920, inicia novos métodos de técnica histológica, dos quais se destaca a técnica tano-férrica ou «método Salazar», como passa a ser mundialmente conhecida em todos os laboratórios de biologia microscópica.


O PERSONAGEM NA PRIMEIRA PESSOA

Comecei a minha vida universitária na Universidade do Porto, quando não existia ainda vida científica.

Iniciei a minha actividade no meio de grandes dificuldades, sem laboratório, sem recursos e sem bibliografia.

Organizei primeiro um pequeno laboratório de Histologia que desenvolvi, pouco a pouco, e fiz os meus primeiros trabalhos sobre o ovário da coelha, nestas circunstâncias.

Organizei um novo Instituto, mas sempre com grandes dificuldades materiais, devido à exiguidade dos subsídios.

Esta obra, embora modesta, chamou a atenção dos meios científicos e encontra-se citada em diversas revistas, tratados, manuais e resumos da especialidade.

Fundei também, com Athias e da Costa, os Arquivos Portugueses de Biologia, de que sou ainda um dos directores.

Apresentei também trabalhos pessoais no Congresso de Lyon, Nancy, Turim, Liège, Lisboa, e nas Reuniões da Sociedade de Biologia.

Trabalhei no Laboratório do Prof. Champy, em Paris, durante o meu exílio. Além dos trabalhos científicos, fiz na Universidade cursos sobre a Filosofia da Arte e desenvolvi um sistema de Filosofia que acabo de constatar, com satisfação, ser bastante próximo da Escola de Viena.

Foi o desenvolvimento deste sistema filosófico que, teria desagradado à Ditadura e ao Catolicismo, e terá sido a causa principal da minha revogação. Quer dizer, oficialmente, ainda não conheço a causa da minha revogação; particularmente, sei que a causa principal foi o sistema filosófico em questão.

Esclareço que nunca fui um político; toda a minha vida me ocupei unicamente da actividade intelectual.


E NA TERCEIRA PESSOA

Bento Caraça diz que é torrencial o génio de Abel Salazar. Entretanto, o que está a acontecer no resto do mundo? Consulta a Tábua Cronológica.

Do cientista, escreveu o Prof. Alberto Saavedra: «Quem não privasse com Abel Salazar, julgá-lo-ia, à conta do seu aspecto fechado, carregado, um homem seco, duro, avesso a expansões, a jovialidade, a efusões.

No trato íntimo, porém, Abel Salazar era outro: irradiava gentileza, afabilidade, prestabilidade, a todos atendendo e servindo, sem afectação ou prosápia.

Talento e cultura, de mãos dadas, faziam dele um conversador extraordinário. Com a mesma facilidade e segurança focava problemas de Ciência, Filosofia, Estética, Literatura ou Sociologia.

Dessas esferas, baixava ao trivial, ao quotidiano, glosando sucessos ou figuras que, por momentos, entretinham a sua veia humorística....

Pelo seu inconformismo, rebeldia, luta pela Liberdade e pela Justiça, e assim lutar por um mundo melhor, Abel Salazar aliciava facilmente a juventude.

Bento Caraça, costumava chamar torrencial ao génio deste homem de espírito perdulário.

Era uma personalidade multifacetada que personificava bem a frase que lhe é atribuída – Médico que só sabe de Medicina, nem de Medicina sabe.

Um século antes, um outro português, Ribeiro Sanches, médico distintíssimo, conhecido em todo o mundo, escrevera algo semelhante no seu «Método para aprender e estudar a Medicina»: – Nenhum médico foi célebre na sua arte se não teve o entendimento alimentado com o estudo das humanidades.

E também ele se interessou pela educação da juventude, tendo escrito as «Cartas sobre a Educação da Mocidade», onde falava do reino cadaveroso que mais não era do que o atraso científico e intelectual, a ausência de ideias e projectos, a retórica, o discurso redondo e vazio que dá para tudo.


O ARTICULISTA

Abel Salazar aglutina jovens que se opõem ao fascismo do Estado Novo. Entretanto, o que está a acontecer no resto do mundo? Consulta a Tábua Cronológica.

Ainda no Liceu de Guimarães, com um pequeno grupo de companheiros, publica um jornal escolar republicano de que saem dois números: o Arquivo.

Na Academia Politécnica do Porto, relaciona-se com vários elementos da Nova Silva e do Grupo ABC.

Pertence assim à notável geração que, com generosidade e ambição, proclama a liberdade «sem servilismos de programas, de escolas ou de dogmas», lema da revista portuense Nova Silva.

Fundada em 1907, por Jaime Cortesão, Leonardo Coimbra, Álvaro Pinto e Cláudio Basto, com orientação anarquista e anti-clerical, ideologia dominante no escol estudantil da época.

Acompanhando essa ideologia, Abel Salazar subscreve em 1907, uma Representação de Estudantes do Porto contra um projecto franquista de limitação da liberdade de imprensa, publicada pelo Mundo, e pouco depois, em Abril, adere à greve académica.

Os jovens que Abel Salazar aglutina à sua volta, têm todos interesses culturais e opõem-se firmemente à tendência do Estado Novo, que em tudo procede de forma concordante com os regimes totalitários.

Esta tendência é claramente evidente na exaltação do chefe e na tentativa de penetração nos meios académicos pela primeira organização de carácter fascista – a Acção Escolar da Vanguarda.

Uma grande parte desses resistentes sente-se atraída pelo Comunismo que promete Paz e Justiça Social.

O Sol Nascente, quinzenário de Ciência, Arte e Crítica, torna-se então, verdadeiramente, a «sua» revista.

Abel Salazar, embora sem imposições, orienta a revista e assume um papel conciliador entre as tendências anarquista e marxista do grupo juvenil.

Abel Salazar pretende estimular o ambiente cultural do Porto, não só através desta revista, que tenta competir com o jornal O Diabo, publicado em Lisboa, mas também com outras iniciativas dirigidas aos novos.

No Povo do Norte, na Ideia Livre, na Gérmen, no Notícias de Coimbra, numa primeira fase e, depois, numa segunda fase, no Diabo, no Trabalho, na Síntese, na revista socialista Pensamento e na Seara Nova.

Formula, numa série de artigos, uma explicação histórico-organicista da Crise da Europa e aplica ao domínio das ciências humanas a matriz psicossomática da caracterologia de Kretschmer.

Colabora nos seguintes jornais e revistas: Afinidades, Povo do Norte, Ideia Livre, O Distrito de Beja, O Primeiro de Janeiro, Seara Nova, Síntese, Esfera, Vida Contemporânea, Revista de Ciências Médicas e Humanismo, Revista Pensamento, Liberdade, Sol, Democracia do Sul, Voz da Justiça, Foz do Guadiana, O Trabalho, Sol Nascente e O Diabo.


O ARTISTA

Em 1915, participa na Exposição dos Humoristas e Modernistas que se efectua nos Jardins de Passos Manuel. Os seus 47 desenhos expostos merecem o elogio unânime da crítica.

No ano seguinte, expõe no Palácio da Bolsa com um grupo denominado Os Fantasistas.

Em Janeiro de 1922, expõe na Misericórdia do Porto, com Cerqueira Machado, e, dois anos depois, em Lisboa, na Sociedade Nacional das Belas Artes, com agrado geral da crítica.

Em 1938 e 1940, efectua em Lisboa e no Porto grandes exposições individuais que provocam grande e generalizada admiração.

Do artista, diz o pintor Júlio Pomar: «A primeira constatação a fazer perante a obra plástica de Abel Salazar é a do seu altíssimo interesse como documento humano; é, por assim dizer, a presença do homem».

Os seus quadros de mulheres do Porto, no esforço de trabalho árduo, os seus retratos, como os de Camilo Castelo Branco e de Guerra Junqueiro, ficam célebres.

A sua obra plástica é tocada de um humanismo profundo e duma fecundidade prodigiosa, nos mais diversos géneros.

Não é um pintor de «atelier»; prefere pintar a figura humana, onde ela mais se mostra e agita - na rua.

É também um pintor da mulher. Pinta as costureiras e as caixeiras, mas também as elegantes, as coquettes.

Mas também, e sobretudo, as mulheres em cena de trabalho, em armazéns na Ribeira ou nas descargas dos batelões em Miragaia.

Repete este tema mais do que os outros, pelo que alguns o consideraram «um dos mestres que desencadeou o Neo-Realismo», uma vez que o trabalho árduo das mulheres era uma das flagrantes condições de desarmonia social.

José Augusto França atribui a Abel Salazar um lugar de precursor do movimento neo-realista, ao mesmo tempo que o condena a uma «situação amadorística».

Essas mulheres, descalças, com lenços na cabeça, blusas amplas, saias enroladas na cintura, sugerindo corpos vigorosos e perfeitos, são o tipo de beleza de mulher que Abel Salazar nos deixa.

Essas mulheres nada têm que ver com as deformações, intencionalmente expressivas de servidão e desgraça, dos pintores neo-realistas portugueses, na sequência do manifesto de Vespeira, de 1945.

Qual homem do Renascimento, Abel Salazar expressa o seu extraordinário talento sob diversas formas, das quais se evidenciam as Artes Plásticas.

A obra de Abel Salazar revela-se em diversas áreas e técnicas, desde o desenho, a caricatura e o óleo, passando pelo retrato, paisagem e pintura mural.

No domínio da gravura, a realização é notável na prática das suas modalidades, com relevo para as águas-fortes, de elevada qualidade.

Tenta a escultura mas dedica-se depois, com carácter de grande originalidade, aos cobres martelados.

Com uma execução pessoal, repuxando e combinando a acção dos ácidos com o fogo, dá, aos seus característicos nus femininos, uma nova sensualidade.

Os pratos de cobre que Abel Salazar cria são peças que despertam um fascínio incomparável.

Abel Salazar é uma personalidade inconfundível. Caracterizam-no, essencialmente, o inconformismo e a ânsia de liberdade.


O ESCRITOR

Uma das facetas do seu engenho é a literatura de viagens.

No ensaio «O que é a Arte?» rejeita um objectivo panfletário na concepção artística, afirmando: «não se faz Arte por decreto nazi, fascista ou comunista».

De influência naturalista, a obra de Abel Salazar, pelo dramatismo e livre expressão, evolui para uma forma original de modernidade.

Publica os seguintes livros: Ensaio de Psicologia Filosófica, Uma Primavera em Itália, A Ciência e o mundo actual, Digressões em Portugal, Paris em 1934, Recordações do Minho Arcaico, O que é a Arte?, A Crise da Europa, Um Estio na Alemanha, e Henrique Pousão.

Publica as seguintes separatas: A Posição Actual da Ciência, da Filosofia e da Religião, A Posição Actual da Filosofia e da Religião, A Socialização da Ciência.


O POLÍTICO

Durante o exílio voluntário, ao lado de Cogniot, Prenant e Wallon, participa nas actividades antifascistas da Union Rationaliste e na Internationale des Travailleurs de l' Enseignement.

Subscreve juntamente com eles um manifesto contra a Ditadura portuguesa e contra as prisões em Portugal.

Envia para a redacção do Liberdade, diversos pacotes de panfletos e literatura subversiva, mas não tem notícia de que tenham sido recebidos.

Nesse tempo, quem manifeste oposição ao regime é apelidado de comunista.

Abel Salazar nunca pertenceu a esse partido, ataca o dogmatismo e os totalitarismos de esquerda e de direita, as utopias exclusivamente individualistas e colectivistas.

Como afirma ao seu grande amigo Prof. Alberto Saavedra, não é comunista, nem sequer está interessado numa acção política partidária.

Não há indicação de ter pertencido ao Movimento de Unidade Anti-Fascista.

Apenas no despertar da consciência cívica que foi o M.U.D. (Movimento de Unidade Democrática), em 1945, o cientista concede ao jornal República uma entrevista e faz uma conferência em Matosinhos.

Abel Salazar, figura representativa da cultura portuense, não tem a tentação de aderir ao Partido Comunista, como grande parte dos escritores e artistas desse tempo. Mas o partido, adopta-o.

Em Maio de 1935, Abel Salazar é demitido de professor catedrático de Histologia da Faculdade de Medicina do Porto, sob pretexto de «influência deletéria da sua acção pedagógica-didáctica sobre a mocidade universitária».

É-lhe recusada a autorização de sair do país e mesmo de frequentar a biblioteca da sua Faculdade.


O EXÍLIO

A acção do irreverente professor desperta a repressão da Censura, provoca ataques da imprensa situacionista e a proibição de tratar em público matérias que não sejam estritamente científicas.

O cientista reage, exilando-se voluntariamente em Paris, para onde parte em 7 de Março.

Na cidade francesa trabalhará no Laboratório do Prof. Champy, prestigiado anatomista francês.

Regressa ao Porto em fins de Agosto de 1934.

Em 1935, depois de ser demitido da Universidade, procura sair novamente do país, desta vez aproveitando um convite do British Council.

A saída ser-lhe-á recusada, como recusada lhe será também a solicitação que faz para frequentar a biblioteca da sua Faculdade.


O MAÇON

Abel Salazar não pode deixar de se opor à ameaça nazi-fascista e aos seus imitadores internos, insistindo numa campanha de pensamento livre.

É então que em 6 de Julho de 1933, ingressa na loja maçónica portuense «Lux et Vita», uma das lojas do Grande Oriente Lusitano Unido.

Pode continuar a ler este artigo em: "Vidas Lusófonas"


O meu amigo Augusto Baptista publicou algo sobre Abel Salazar que pode encontrar no Repórter


Numa agência bancária da Praça D. João I podemos ainda hoje apreciar, no local que já foi o Café Rialto um fresco da autoria de Abel Salazar. Já publicado nas "Ruas da Minha Terra"

Sobre o edifício:
O edifício onde funcionou até há pouco tempo o ICBAS foi inaugurado para servir de Faculdade de Medicina em 1937, esta funcionou ali até 1960.
Foi planeado pelos arquitectos Rogério dos Santos Azevedo (1898-1983) e Baltazar Castro (1891-1967).
Esta faculdade ocupou o espaço onde tinham tido lugar os cursos da Escola Medico-Cirúrgica do Porto. Antes de lá funcionar o ICBAS o edifício era ocupado pela Faculdade de Letras.
Na semana passada foram inaugurados os novos locais  do Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar na rua D. Manuel II onde outrora existiu um quartel. Em tempos idos, este quartel teve o nome de Metralhadoras 3 e posteriormente, durante os anos sessenta do século XX o de CICAP.   


 Breve nota biográfica do arquitecto Rogério Azevedo aqui.



5.3.08

Travessa de LICEIRAS

O sítio por onde corria o antigo rio de Liceiras


"Apetecia-me começar a crónica deste jeito " Ainda se lembra?... Era no Porto e num local concorrido?". Este foi o título de uma das mais interessantes rubricas de "O Tripeiro", dos idos de cinquenta, quando a revista era dirigida pelo historiador Artur de Magalhães Basto. Publicava-se uma fotografia de um determinado sítio do Porto, antigo ou desaparecido, e desafiavam-se os leitores a identificarem o local. As respostas revelavam, quase sempre, aspectos históricos, facetas e factos relacionados com o sítio em causa, até aí desconhecidos. Era, por isso, uma rubrica de grande utilidade e muito enriquecedora para a história da cidade.

Ocorreu-me tudo isto ao olhar a fotografia que ilustra este trabalho. Mostra-nos o trecho da Rua de Camões, junto à Trindade, e parte da Rua de Gonçalo Cristóvão, antes da existência do viaduto. Trata-se de uma fotografia relativamente recente. Dos finais dos anos cinquenta. Mas de difícil identificação, julgo eu, para as gerações mais novas - tantas e tão profundas foram as alterações, num relativo curto espaço de tempo.

A Rua de Camões, aberta em 1838, foi rasgada, em parte, ao longo de uma propriedade que pertencia ao fidalgo do Bonjardim, o célebre Gonçalo Cristóvão. Com a sua abertura cobriu-se o rio de Liceiras que, por aquele tempo, corria a céu aberto junto da rua com a mesma designação e que as mulheres da vizinhança utilizavam como lavadouro público.

O topónimo Liceiras é muito antigo. Segundo refere Cunha e Freitas, na sua "Toponímia Portuense", vem referido numa doação de 1457 e aparece posteriormente mencionado como aldeia em documentos de 1662 e 1724. A João Carneiro, um dos mais ricos e influentes cidadãos do Porto do seu tempo, pertencia, no século XV, o Campo de Liceiras. Ao rio de Liceiras há referências em registos paroquiais de Santo Ildefonso, nos anos de 1783 e 1806. O topónimo subsiste, na actualidade, na Travessa de Liceiras que em tempos mais recuados se chamou Travessa da Sampaia.

A abertura da Rua de Camões obrigou, digamos assim, à cobertura do rio de Liceiras, que desapareceu, deixando de servir de lavadouro e dando origem a um amplo logradouro a que se deu o nome de Largo de Camões, onde, durante muitos anos, se realizou uma feira de carneiros.

No terreno onde ainda decorre a construção da estação de metro da Trindade, localizou-se, em tempos idos, o manancial de Camões. Originalmente pertencia à quinta de Gonçalo Cristóvão mas a Câmara comprou-o, a fim de utilizar a sua água para o abastecimento público. A sua água era utilizada pelo Hospital da Ordem da Trindade, abastecia o chafariz do antigo Largo do Laranjal, actual Praça da Trindade; e as fontes da Rua de Sá da Bandeira, que ficava na esquina com a Rua de Sampaio Bruno; do pátio do desaparecido edifício onde funcionou a Câmara, na Praça da Liberdade; e o chafariz do Largo de S. Bento das Freiras, actual Praça de Almeida Garrett.

Junto do manancial de Camões também funcionou, durante muitos anos, o Horto Municipal. Desapareceu quando, em 1938, o caminho-de-ferro do Porto à Póvoa se estendeu da Boavista até à Trindade. Até ali, a via férrea tinha o seu términus na estação da Boavista, junto à Avenida da França. Já tudo desapareceu para dar lugar ao metro. Sinais dos novos tempos.

Um rio, uma rua, um Campo e uma Travessa de Liceiras

Rua de Cima do Muro da Trindade já desapareceu

Esta era a designação de uma artéria que já desapareceu. Uma rua estreita que corria comprimida entre o edifício da Ordem da Trindade e o chamado Monte da Douda e ligava a Rua de Camões à Praça da Trindade. Chama-se hoje Rua dos Heróis e Mártires da Angola. Por Monte da Douda era conhecida uma elevação de terreno (pedreiras da Trindade) que ficava entre as ruas do Almada, Alferes Malheiro e a desaparecida de Cima do Muro da Trindade. Na esquina da Rua do Alferes Malheiro com a Rua de Cima do Muro ficava o célebre Café Primavera, de cuja fachada ainda se vê parte na fotografia (em cima) que ilustra esta crónica. Era frequentado por jornalistas, boémios, tipógrafos, cocheiros, brasileiros endinheirados. Havia razão para esta heterogénea mas sempre abundante freguesia é que a gerência caprichava, como referiu certo cronista da época, em "fornecer aos seus habitués grandes atracções as quais se resumiam ao recrutamento de bailarinas espanholas que, ao som de um caquético piano exibiam por descuido zonas de plástica no rodopio do sapateado?"

Texto de Germano Silva publicado no Jornal de Notícias


Rua SANTA ANASTÁCIA

foz 08

Fotografia publicada no Flickr


A Rua de Santa Anastácia existia em 1846; assim diz o "Periódico dos Pobres no Porto", num anúncio publicado em 3 de Setembro desse ano. Seria, naturalmente, mais antiga." ("Toponímia Portuense" de Eugénio Andrea da Cunha e Freitas)

O outro nome que esta rua já teve era o de Rua da Cambada.