17.9.06

Rua de CEDOFEITA

foto de Brilho de Conta


No número 159 existe uma placa relacionada com Carolina de Michaellis.



Tudo o que resta do Bazar dos Três Vintens!

No n° 285, actual ISCET, foi durante anos (até aos anos 60) o Salão Silva Porto, misto de Galeria de Arte e de Antiquário.
foto d'A Baixa do Porto


Parte desta rua, do seu início até à rua do Breyner é pedonal.


Curiosidades:

Algures, num dos palacetes, morou, durante a juventude de Jorge Nuno, a família Pinto da Costa. Num outro dos palacetes, segundo a história da cidade, foi instalado o primeiro elevador da cidade.


CAROLINA MICHAELLIS DE VASCONCELOS - Alemanha, 1851 - Porto, 1925.
Romancista e professora universitária, nascida em Berlim e naturalizada portuguesa em 1876, por casamento. Estudou um grande número de línguas fora da universidade, já que o ensino universitário, na Alemanha, era interdito a mulheres. Adquiriu uma vasta erudição, de que deu mostras nos seus trabalhos, desenvolvendo simultaneamente um rigor metodológico exemplar.

Fixou-se no Porto, publicando grande número de estudos sobre Filologia, História da Literatura e até Etnologia. Foi convidada para uma cátedra da Universidade de Lisboa, vindo porém a ser transferida para Coimbra, onde exerceu actividade docente a partir de 1911. De entre as suas obras, destacam-se a edição crítica das Poesias de Sá de Miranda (1885), a monumental edição do Cancioneiro da Ajuda (1904-1921), uma História da Literatura Portuguesa (1897) em alemão, as Lições de Filologia Portuguesa (1912), A Saudade Portuguesa (1914, obra que procurou analisar a especificidade do povo português, inserindo-se no ambiente cultural do país numa época em que ganhava força a corrente do saudosismo), Romances Velhos em Portugal, Autos Portugueses sobre Gil Vicente y de la Escuela Vicentina e Algumas Palavras Sobre os Púcaros de Portugal.

biografia de Carolina Michaellis de Vasconcelos

outra biografia de Carolina Michaellis de Vasconcelos


sobre a fonte da Rua de Cedofeita


"Comecemos pela Rua de Cedofeita, junto ao entroncamento com as ruas de Álvares Cabral e Sacadura Cabral. Tomemos a direcção da Praça de Carlos Alberto. Logo ali, à direita, num prédio de arquitectura vulgar, com o número 501, uma placa na fachada do edifício lembra que nele nasceu em 11 de Janeiro de 1883 o diplomata, escritor e jornalista Augusto de Castro, que foi director do Diário de Notícias. Uns metros adiante, fechado, com os vidros das janelas partidos, votado ao mais completo abandono está o prédio com o número 395. Aparentemente nada há nele que o diferencie dos demais. E, no entanto, este edifício protagonizou uma das mais significativas fases da história da cidade do Porto. Foi nele que o rei D. Pedro IV teve a sua residência e instalou o seu Quartel General durante o Cerco do Porto. Inicialmente aquele monarca alojou-se no Palácio dos Carrancas (onde está agora o Museu Nacional de Soares dos Reis), sem dúvida o palácio mais indicado, para a época, como digno da residência de um rei. Mas, certa noite, a artilharia miguelista, colocada em Gaia, atingiu a residência régia e os conselheiros de D. Pedro IV insistiram com ele para que se mudasse para a casa da Rua de Cedofeita que pertenceu à família Ribeiro de Faria.

Foi, mais tarde, de D. Júlia de Mello Sampaio de Lencastre, serviu de sede aos Tribunais Correccionais e acolheu depois uma repartição das Finanças. Foi recentemente comprada pelo dono de uma oficina de reparação de automóveis que fica pegada. Não se sabe qual vai ser o seu destino, mas dava perfeitamente para acolher o Museu do Cerco, que ainda não existe.

Ao tempo da guerra liberal, a Rua de Cedofeita ainda não estava toda urbanizada. Mas já possuía, de um e do outro lado, boas casas de habitação, algumas apalaçadas. Era, para a época, uma rua muito comprida mas não desmesuradamente larga.

No princípio era a estrada que do Olival (Cordoaria) ligava com Barcelos e Vila do Conde. Até 1781 foi conhecida pela designação de Rua da Estrada. Depois chamaram-lhe Rua Direita de Cedofeita até que veio a denominação actual. No século passado por esta artéria tonitroavam os pregões das vendedeiras de rua e o fragor dos tamancos arrastando-se pelo solo pedregoso. De manhã à noite a rua apresentava-se sempre atravancada de carros de bois, em constantes idas e vindas de Ramalde para os fretes da zona ribeirinha.

Durante o período que durou o Cerco, e por via da circunstância já acima referida de nesta artéria ter sido instalada a residência de D. Pedro IV, a Rua de Cedofeita transformou-se no centro de toda a vida social e oficial da cidade. Na mesma artéria estavam instaladas as secretarias da Guerra e dos Estrangeiros; os ministros Agostinho José Freire (Guerra); e José António de Magalhães (Justiça) viviam muito perto da residência real. Na Rua da Torrinha, no prédio número 55, a dois passos de Cedofeita, estava a secretaria do Reino."

(Germano Silva, em Cedofeita, Colecção "Mediana - Guias das Freguesias do Porto", Edições Afrontamento e Mediana S.A., Porto 1996)

agradeço a contribuição de Denudado

5 comentários:

JRP disse...

Já foi acrescentado um link para este blog no Comboio Azul.
Mais uma vez, Parabéns!

Denudado disse...

"Comecemos pela Rua de Cedofeita, junto ao entroncamento com as ruas de Álvares Cabral e Sacadura Cabral. Tomemos a direcção da Praça de Carlos Alberto. Logo ali, à direita, num prédio de arquitectura vulgar, com o número 501, uma placa na fachada do edifício lembra que nele nasceu em 11 de Janeiro de 1883 o diplomata, escritor e jornalista Augusto de Castro, que foi director do Diário de Notícias. Uns metros adiante, fechado, com os vidros das janelas partidos, votado ao mais completo abandono está o prédio com o número 395. Aparentemente nada há nele que o diferencie dos demais. E, no entanto, este edifício protagonizou uma das mais significativas fases da história da cidade do Porto. Foi nele que o rei D. Pedro IV teve a sua residência e instalou o seu Quartel General durante o Cerco do Porto. Inicialmente aquele monarca alojou-se no Palácio dos Carrancas (onde está agora o Museu Nacional de Soares dos Reis), sem dúvida o palácio mais indicado, para a época, como digno da residência de um rei. Mas, certa noite, a artilharia miguelista, colocada em Gaia, atingiu a residência régia e os conselheiros de D. Pedro IV insistiram com ele para que se mudasse para a casa da Rua de Cedofeita que pertenceu à família Ribeiro de Faria.

Foi, mais tarde, de D. Júlia de Mello Sampaio de Lencastre, serviu de sede aos Tribunais Correccionais e acolheu depois uma repartição das Finanças. Foi recentemente comprada pelo dono de uma oficina de reparação de automóveis que fica pegada. Não se sabe qual vai ser o seu destino, mas dava perfeitamente para acolher o Museu do Cerco, que ainda não existe.

Ao tempo da guerra liberal, a Rua de Cedofeita ainda não estava toda urbanizada. Mas já possuía, de um e do outro lado, boas casas de habitação, algumas apalaçadas. Era, para a época, uma rua muito comprida mas não desmesuradamente larga.

No princípio era a estrada que do Olival (Cordoaria) ligava com Barcelos e Vila do Conde. Até 1781 foi conhecida pela designação de Rua da Estrada. Depois chamaram-lhe Rua Direita de Cedofeita até que veio a denominação actual. No século passado por esta artéria tonitroavam os pregões das vendedeiras de rua e o fragor dos tamancos arrastando-se pelo solo pedregoso. De manhã à noite a rua apresentava-se sempre atravancada de carros de bois, em constantes idas e vindas de Ramalde para os fretes da zona ribeirinha.

Durante o período que durou o Cerco, e por via da circunstância já acima referida de nesta artéria ter sido instalada a residência de D. Pedro IV, a Rua de Cedofeita transformou-se no centro de toda a vida social e oficial da cidade. Na mesma artéria estavam instaladas as secretarias da Guerra e dos Estrangeiros; os ministros Agostinho José Freire (Guerra); e José António de Magalhães (Justiça) viviam muito perto da residência real. Na Rua da Torrinha, no prédio número 55, a dois passos de Cedofeita, estava a secretaria do Reino."

(Germano Silva, em Cedofeita, Colecção "Mediana - Guias das Freguesias do Porto", Edições Afrontamento e Mediana S.A., Porto 1996)

ASPIRE - Chohfi disse...

Já não existe a famosa "Mi Allegro"?

ASPIRE - Chohfi disse...

Já não existe mais a "Mi Allegro"?

Teo Dias disse...

@ Aspire - chohfi:

Em 4 anos a rua também mudou, mas a Mi Allegro ainda existe. há menos lojas a vender sapatos, a loja de comércio justo já desapareceu.
À noite há mais movimento. E eu continuo a passar por lá para ir até à padaria ou para ir ao supermercado.
Obrigado por ter passado por aqui, obrigado por ter deixado um comentário.