19.2.08

Rua da AGRA

agra

Fotografia publicada no Flickr

A Rua da Agra, na Foz do Ouro, deriva a sua denominação de um nome comum - agra - que isolado, acompanhado de adjectivo ( Agra Nova, etc. ) ou de sufixo diminutivo ela ou elos ( Agrela, Agrelos ), significa fundamentalmente campos localizados longe de casas, que se diziam agros ou agras, do latim ager, agri, campo.("Toponímia Portuense" de Eugénio Andrea da Cunha e Freitas)


"Agra, Agrela, Agro - ainda a ruralidade na toponímia
trata-se de topónimos comuns à Galiza e a Portugal. "Agra" significa "campo", lavrado, mal lavrado ou por lavrar. "Agro" tem mais a conotação de "campo lavrado". são muitos os aumentativos, os diminutivos e os derivados e compostos de um e de outro" - encontrado na: Toponímia galego-portuguesa e brasileira


Rua das CARMELITAS



Fotografia publicada no Flickr (clique para ver a localização)


No ano de 1704, o bispo D. Fr. José de Santa Maria de Saldanha fundou no campo da Via Sacra, ou do Calvário Velho, o Convento de S. José e de Santa Teresa de Carmelitas Descalças. Da sua igreja e casa conventual não resta hoje qualquer vestígio, a não ser na designação oficial das Rua das Carmelitas e de Santa Teresa. A planta redonda de Balck (1813) mostra a rua já com a denominação actual. Em 1839, Costa Lima chama-lhe Rua do Anjo. E regista também uma Travessa das Carmelitas, que parece corresponder, mais ou menos, à actual Rua do Conde de Vizela. ("Toponímia Portuense" de Eugénio Andrea da Cunha e Freitas).

Segundo o Arquivo Municipal da Toponímia já se chamou: Calvário Velho (Roteiro de 1933)




CARMELITAS, RUA - Era uma rua estreita entalada entre os altos muros do convento e os do Recolhimento do Anjo, falta de alinhamento e do necessário espaço para a tornar mais apta ao trânsito e a comunicação entre duas praças. Para a alargar demoliram-se, em 1838 (?), o pátio do convento o muro e a cerca. Assim ficou a descoberto o terreno da cerca. Era de tal modo amplo que em 1845 foi marcado para ali “um jogo da bola que as autoridades proibiram.” Foi neste espaço que se instalou o mercado popular de “Os Ferros Velhos”. Teve vários nomes Rua do Anjo, Nova do Anjo e de Jesus do Anjo. Actualmente segue-se à Rua do Clérigos após a esquina com a Rua do Conde de Vizela. No final do século XIX era ladeada de árvores seculares, formando um lindo túnel com os seus ramos. Também havia destas árvores na praça dos Leões e nos Ferros Velhos. Sofreu grande modificações com a construção, em 1903, do chamado bairro das Carmelitas que integra todo o quarteirão compreendido entre a Praça Guilherme Gomes Fernandes. As ruas de Santa Teresa, Conde de Vizela e Carmelitas. Os poucos prédios que haviam resistido ao redor das instalações monásticas e mesmo o pouco que ainda restava do convento, incluindo os barracos dos Ferros Velhos, começaram a ser demolidos em meados de 1903. Logo nesse ano se começou a abrir a Rua da Galeria de Paris assim chamada porque era para ser coberta de vidro. No interior deste bairro ficam portanto esta última rua e a de Cândido Reis, primeiro chamada Rainha D. Amélia.


Notas cedidas por Jorge Rodrigues


Sobre a Livraria Lello e Irmão:

No dia 13 de Janeiro de 1906 inaugurava, no Porto, a Livraria Lello, causando grande impacto no meio cultural da época. Tratava-se, no entanto, de um espaço de tradição livreira, uma vez que já aí tinha sido fundada a Livraria Chardron em 1869. No período que decorre entre esta data e a inauguração da Livraria Lello, o edifício conheceu outros proprietários, tendo sido vendido em 1894 a José Pinto de Sousa Lello, que se dedicava ao comércio e importação de livros, possuindo já uma outra livraria na cidade, em sociedade com o seu cunhado David Lourenço Pereira. Por morte deste último, José Pinto de Sousa Lello constituiu sociedade com o seu irmão António Lello, passando a livraria a designar-se Lello & Irmão, Lda.
O edifício, de carácter ecléctico, com fachada neogótica, foi concebido segundo projecto do engenheiro Xavier Esteves, destacando-se fortemente na paisagem urbana envolvente.
A fachada apresenta um arco abatido de grandes dimensões, com entrada central e duas montras laterais. No segundo registo, três janelas rectangulares ladeadas por duas figuras pintadas por José Bielman, representando a Arte e a Ciência, respectivamente. Uma platibanda rendilhada remata as janelas, e a fachada termina em três pilastras encimadas por coruchéus, com vãos de arcaria de gosto neogótico. A decoração é complementada por motivos vegetais, formas geométricas e a designação "Lello e Irmão", sobre as janelas.
No interior, os arcos em ogiva apoiam-se nos pilares em que o escultor Romão Júnior esculpiu os bustos de escritores como Antero de Quental, Eça de Queiroz, Camilo Castelo Branco, Teófilo Braga, Tomás Ribeiro e Guerra Junqueiro, sob baldaquinos rendilhados, de linguagem neogótica. O grande vitral, onde se pode ler a divisa "Decus in Labore", é uma das marcas mais significativas da livraria, pelas dimensões e riqueza de tons; tal como a escadaria de grandes dimensões, de acesso ao 1º piso, e os tectos trabalhados (QUARESMA 1995).
Um conjunto em que a arquitectura e os elementos decorativos deixam transparecer o estilo dominante naquele início de século. De facto, a Livraria Lello é um dos mais emblemáticos edifícios do neogótico portuense, ainda que ligeiramente tardio, mas em perfeita actualidade com algumas das tipologias estéticas da época, a que a literatura não foi alheia.
Actualmente, a Livraria modernizou-se, com o objectivo de se adaptar aos tempos presentes. Foi criada uma nova sociedade - Prólogo Livreiros, S.A. -, onde se inclui ainda um dos herdeiros da família Lello; todo o espaço foi restaurado em 1995 e a Livraria está, hoje, apta a responder aos novos desafios com um serviço actualizado e informatizado, disponibilizando ainda um espaço de galeria de arte e de tertúlia entre intelectuais, que deverá constituir um importante pólo cultural da cidade do Porto.
Rosário Carvalho
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No número 100 desta rua encontra-se o chamado "Edifício das Quatro Estações" (1905) desenhado pelo arquitecto Marques da Silva.


Do mesmo arquitecto é o prédio (1917 - 1923) que faz esquina com esta rua e as ruas do Conde de Vizela e de Cândido dos Reis. O projecto inicial é de Émile Boutin.

Rua do MONTE DA LUZ

18.2.08

Rua do PADRÃO

Rua do CARMO




Fotografia publicada e localizada aqui

"D Bernarda Ferreira de Lacerda, ilustre dama portuense, poetisa muito laureada no seu tempo, autora de poemas «Espanha Libertada» e «Soledades do Buçaco», patrocinou, junto de Filipe II, a vinda dos Carmelitas para o Porto, em 1616. Logo no ano seguinte vieram os frades. Logo ao local começou a chamar-se o Carmo, abrangendo no todo ou em parte, a actual Praça Gomes Teixeira, antes Praça da Universidade, antes Praça dos Voluntários da Rainha. Hoje o topónimo está reduzido à Rua e Travessa do Carmo".("Toponímia portuense" de Eugénio Andrea da Cunha e Freitas).


15.2.08

Praça GOMES TEIXEIRA

Por causa da fonte, no meio da praça, com os "leões" a jorrarem água, ainda é conhecida por: "Praça dos Leões". A fonte, oferecida pela "Lyonnaise des Eaux", nada tem de uma obra de arte, sobretudo porque foi totalmente reformulada, assim como a praça, pelas obras da "Capital da Cultura 2001".



Foi Largo do Carmo até 1835 ano em que por Deliberação Camarária de 28 de Outubro se passou a designar por Praça dos Voluntários da Raínha, posteriormente Praça da Uníversidade até 17/12/1936. Vulgarmente conhecida por Praça dos Leões. (Arquivo da Toponímia)

O arquivo da toponímia também nos dá esta visão de:
Francisco Gomes Teixeira (São Cosmado, Armamar n. 28/01/1851 - Porto f. 8/02/1933). Matemático e prof. Universitário.

Mas eu, preferi ir procurar esta ao Instituto Camões:

"Francisco Gomes Teixeira, matemático, nasceu a 28 de Janeiro de 1851 na aldeia de S. Cosmado, freguesia de Armamar, no distrito de Viseu.

Fez os estudos elementares na sua terra natal, e depois foi para o Colégio do Padre Roseira, em Lamego. Matriculou-se na Faculdade de Matemática da Universidade de Coimbra em Outubro de 1869. Ainda durante o curso Gomes Teixeira escreveu o seu primeiro trabalho, que foi publicado na imprensa da Universidade, em 1871. Concluiu o curso em 1874, com a classificação máxima, de Muito Bom por Unanimidade, com 20 valores. Em 1875 fez exame de licenciado com apresentação de dissertação e logo de seguida o doutoramento que obteve também com a classificação máxima.

Em 1876 tornou-se sócio correspondente da Academia Real das Ciências de Lisboa e lente substituto da Faculdade de Matemática. Em 1878 foi nomeado terceiro astrónomo do Observatório Astronómico de Lisboa, mas apenas ocupou esse cargo durante cerca de quatro meses, voltando à Universidade de Coimbra.

Em 1879 foi eleito deputado pelo Partido Regenerador, tendo participado em sessões do Parlamento nesse ano e ainda em 1883 e 1884. Em Novembro de 1879 foi encarregado da cadeira de análise matemática, passando a catedrático em Fevereiro de 1880. Em 1884 Gomes Teixeira pediu transferência para a Academia Politécnica do Porto, onde dirigiu a cadeira de Cálculo diferencial e integral. Veio a ser pouco tempo depois director desta Academia, cargo que desempenhou até 1911, quando foi nomeado reitor da recém formada Universidade de Porto.

Relacionou-se com alguns dos mais destacados matemáticos de renome mundial da sua época, e publicou trabalhos em periódicos científicos de vários países. Deslocou-se várias vezes a outros países onde contactava com outros matemáticos e participava em congressos. Foi membro de várias sociedades científicas e academias de ciências, nacionais e estrangeiras.

Faleceu no Porto a 8 de Fevereiro de 1933.

Actividade Científica

Ainda estudante elaborou um trabalho intitulado Desenvolvimento das funções em fracção contínua, onde apresenta fórmulas para desenvolver as funções em fracções contínuas, que depois transforma em fracções ordinárias, e aplica as fracções contínuas ao cálculo integral e à determinação das raízes de equações, obtendo desta forma resultados mais convergentes do que pelos métodos de Newton (1643-1727) e Lagrange (1736-1813). Este trabalho chamou a atenção sobre as suas capacidades, não só na Universidade de Coimbra, como também fora dela, como é o caso de Daniel da Silva, que a partir desta publicação apoiou e incentivou os trabalhos de investigação de Gomes Teixeira.

Em 1872 Daniel da Silva apresentou na Academia das Ciências o trabalho de Gomes Teixeira Aplicação das fracções contínuas à determinação das raízes das equações, onde fazia a aplicação de fracções à determinação das raízes das equações. A dissertação com que fez exame de licenciatura intitulava-se Integração das equações às derivadas parciais de segunda ordem. Nesta dissertação antecipou resultados que Andrew Forsyth (1858-1942) só mais tarde veio a conseguir obter, tendo também sido destacada por Edouard Gousat (1858-1936), o grande tratadista matemático da época. Para ocupar o lugar de lente substituto na Faculdade de Matemática elaborou a dissertação Sobre o emprego dos eixos coordenados oblíquos na mecânica analítica.

Fundou, em 1877, o Jornal de sciencias matemáticas e astronómicas, que foi publicado durante 28 anos, até ser integrado nos Anais Scientificos da Academia Politécnica do Porto. Este periódico científico desempenhou um papel muito importante na divulgação dos progressos das ciências matemáticas e astronómicas, e contribuiu igualmente para divulgar o trabalhos dos investigadores portugueses.

Em 1887, já na Academia Politécnica do Porto, publicou o Curso de análise infinitesimal, Cálculo Diferencial (um volume) onde actualizou o ensino da matemática em Portugal. Em 1889 publicou o primeiro volume do Curso de Análise infinitesimal, Cálculo integral, e o segundo volume em 1892. Nesta obra faz uma síntese dos progressos realizados pela análise e introduz um novo nível de rigor na apresentação da matemática.

Em 1895 levou o trabalho Sobre o desenvolvimento das funções em série ao concurso aberto, em 1893, pela Academia Real das Ciências de Madrid. A Academia concedeu-lhe prémio, embora fora do concurso, por ter apresentado o texto em português. Em 1897 concorreu de novo ao prémio da Academia das Ciências de Madrid com o Tratado de las curvas especiales notables, tanto planas como alabeadas (Tratado das curvas especiais notáveis, tanto planas como torsas, tendo ganho o prémio ex-aequo com Gino Loria (1862-1954). É considerada uma obra clássica de grande qualidade científica e histórica com impacto internacional, tendo sido reeditada em 1971, em Nova York, e em 1995 em Paris.

Continuou a produzir e a publicar regularmente textos científicos, em revistas científicas nacionais e estrangeiras. Após uma primeira fase dedicada à Análise, passou a prestar cada vez maior atenção à Geometria. Nos últimos anos dos seus estudos dedicou-se à História da Matemática em Portugal, tendo elaborado uma obra que constitui uma referência para os estudiosos das ciências em Portugal, a História das Matemáticas em Portugal.

Publicações

Em virtude da vasta lista de textos publicados, que quase atinge as três centenas , apresentam-se apenas as referências para alguns dos trabalhos que marcaram o início da carreira científica de Gomes Teixeira e as Obras de Matemática, que reúnem em vários volumes muitos dos textos publicados anteriormente. Para uma listagem extensa dos textos publicados devem os interessados consultar a obra de Henrique Vilhena, O Professor Doutor Francisco Gomes Teixeira.

Desenvolvimento das funções em fracções contínuas. Coimbra, Imprensa da Universidade, 1871.

“Aplicação das fracções contínuas à determinação das raízes das equações”, Jornal de Ciências matemáticas, físicas e naturais., Lisboa, IV, 1872-73.

Integração das equações à derivadas parciais de 2ª ordem, Coimbra, Imprensa da Universidade, 1875.

Jornal de Ciências matemáticas e astronómicas, Coimbra, Imprensa da Universidade, 1877. Jornal fundado por Gomes Teixeira, publicado até 1905, dedicado inicialmente às Matemáticas superiores e às Matemáticas elementares, mas que a partir de certa a altura se dedicou exclusivamente às Matemáticas superiores.

Anais Científicos da Academia Politécnica do Porto, Coimbra, Imprensa da Universidade, 1905-1906. Substitui, na parte referente às matemáticas, o Jornal de Ciências matemáticas e astronómicas.

Obras sobre Matemática, Coimbra, Imprensa da Universidade, vol. I, 1904; vol. II, 1906; vol. III, 1906; vol. IV, 1908; vol. V, 1909; vol. VI, 1912; vol. VII, 1915.

Panegíricos e conferências, Coimbra, Imprensa da Universidade, 1925.

História das matemáticas em Portugal, Lisboa, Academia das Ciências de Lisboa, 1934."

Fernando Reis

Bibliografia

GUIMARÃES, Rodolfo, Biografia de Francisco Gomes Teixeira, Lisboa, Imprensa Nacional, 1914.

VILHENA, Henrique de, O Professor Doutor Francisco Gomes Teixeira (Elogio, Notas, Notas de Biografia, Bibliografia, Documentos), Lisboa, 1935.

Apontadores

História das Matemáticas em Portugal


Talvez, mais tarde, encontre maneira de falar da Academia Politécnica do Porto e do edifício que se encontra a sul desta praça.