10.10.12

O Porto e os cinemas


coliseu II



O texto que se segue foi-me enviado em 2008 por uma pessoa amiga e tinha sido publicado pelo quotidiano "Público". Infelizmente o "link" apresentado já não funciona. Lamento igualmente que não esteja indicado o seu autor.



São 21 as casas que nos últimos 30 anos deixaram de exibir cinema diariamente; de fora deixamos as que assumiram novas funcionalidades: Coliseu, Rivoli, S. João e Carlos Alberto


37|06|08
Fotografia original de Óscar Coelho da Silva (1968)

Águia d'Ouro

Localização - Praça da Batalha
Propriedade - Endutex (edifício classificado pela cãmara em 1996)
Inauguração - 1899; reabriu como cinema em 1928, embora projectasse fitas desde 1907 
Encerramento - 1989
Situação actual - abandonado e em avançado estado de degradação: foi já anunciada a transformação em hotel 


relevo batalha


Batalha
Localização - Praça da Batalha
Propriedade - Empresa Neves & Pascaud, concessionado à Associação Gabinete Comércio Vivo até 2010 (edifício classificado pela câmara em 1996)Inauguração - 1947 (o seu antepassado, o Cinema High-Life, fora inaugurado no mesmo lugar em 1908)
Encerramento - 2000
Situação actual - reabriu em 2006 como sala de concertos e outros espectáculos, também com as valências de bar e restaurante


Sala Bebé


Sala Bebé
Localização - Praça da Batalha
Propriedade - Empresa Neves & Pascaud, concessionado à Associação Gabinete Comércio Vivo
Inauguração - 1976
Encerramento - 2000
Situação actual - reabriu em 2006 e tem actividade irregular como cinema



Casa das Artes
Localização - Rua de Ruben A
Propriedade - Ministério da Cultura
Inauguração - 1991
Encerramento - 1999
Situação actual - em obras; foi anunciada como futura sede da Cinemateca do Porto



Central Shopping (5 salas)
Localização - Rua de Santos Pousada
Propriedade - Soares da Costa
Inauguração - 1996Encerramento - 2004
Situação actual - desmontado; está a ser transformado em escritórios



Charlot
Localização - Shopping Brasília (Praça de Mouzinho de Albuquerque)
Propriedade - Imobiliária Progressiva da Boavista
Inauguração - 1977
Encerramento - 2001
Situação actual - fechado; mantém plateia e cabina de projecção



Estúdio

Localização - Rua de Costa Cabral
Propriedade - Centro de Caridade de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro
Inauguração - 1967
Encerramento - anos 90
Situação actual - mantém plateia e equipamento de projecção; acolhe eventos organizados pela instituição proprietária


Estúdio 400
Localização - Rua de Sá de Albergaria (à Foz)
Propriedade - Centro Paroquial de S. Miguel de Nevogilde
Inauguração - 1976
Encerramento - anos 90
Situação actual - acolhe espectáculos e iniciativas do centro paroquial mas também de entidades exteriores


070512

Estúdio Foco

Localização - Rua de Afonso Lopes Vieira
Propriedade - Hotéis Tivoli
Inauguração - 1973
Encerramento - 1997
Situação actual - fechado e em estado de abandono, mas mantém plateia


231012

Júlio Dinis

Localização - Rua de Costa Cabral
Propriedade - Rocha Brito e Vigoço
Inauguração - 1943 (remodelado em 1971)
Encerramento - 2001
Situação actual - plateia foi desmontada, mas mantém equipamento de projecção; funciona como danceteria e salão de festas



Lumière (A e L)

Localização - Rua de José Falcão/Rua das Oliveiras
Propriedade - Companhia Portuguesa de Computadores
Inauguração - 1978
Encerramento - 1997
Situação actual - transformado em parque de estacionamento

Nun'Álvares

Localização - Rua de Guerra Junqueiro

Propriedade - Ciura

Inauguração - 1949 (transformado em sala-estúdio em 1984)
Encerramento - 2005
Situação actual - mantém a sala equipada e em bom estado; aluga-se

Olímpia

Localização - Rua de Passos Manuel
Propriedade - Sociedade Nortenha de Gestão de Bingos
Inauguração - 1912
Encerramento - 1989
Situação actual - funciona como bingo


cinema passos manuel

Passos Manuel

Localização - Rua de Passos Manuel
Propriedade - Associação dos Amigos do Coliseu do Porto
Inauguração - 1971 (o seu antecessor, Salão Jardim Passos Manuel, funcionou como cinema entre 1908 e 1937); interrompeu a exibição regular em 1997 e, depois, em 2003; retomou a actividade em 2004, mas a regularidade foi interrompida logo no ano seguinte
Situação actual - exibe cinema esporadicamente, em alternância com outros espectáculos


Pedro Cem

Localização - Centro Comercial Pedro Cem (Rua de Júlio Dinis)
Propriedade - Zon Multimédia
Inauguração - Anos 80
Encerramento - 1997
Situação actual - fechado e à venda

Raione

Localização - Centro Comercial Raione (Rua António Borges)
Propriedade - Augusto Couto Ferreira
Inauguração - 1982
Encerramento - 1984
Situação actual - é a discoteca 


Nº 1 Sá da Bandeira
Localização - Rua Sá da Bandeira
Propriedade - Rocha Brito e Vigoço
Inauguração - 1877 (como Teatro do Príncipe Real; em 1896 acolheu as primeiras sessões de cinema no Porto e de cinema português; a designação de Teatro Sá da Bandeira surge em 1910)
Encerramento - anos 90
Situação actual - acolhe espectáculos diversos, mas mantém equipamento de projecção

Stop (2 salas)

Localização - Centro Comercial Stop (Rua do Heroísmo)
Propriedade - Zon Multimédia
Inauguração - primeira metade dos anos 80 

Encerramento - 1995

Situação actual - mantém plateia e equipamento; tem servido como armazém e está à venda


Terço
Localização - Rua de João Pedro Ribeiro
Propriedade - Instituto Profissional do Terço
Inauguração - 1934
Encerramento - 2003
Situação actual - a sala foi desmontada e o equipamento cedido; prevê-se a transformação em pavilhão desportivo


Cinema  trindade 2

Trindade (2 salas)
Localização - Rua de Ricardo Jorge
Propriedade - Empresa do Cinema Trindade
Inauguração - 1913 (renovado e reaberto em 1957; em 1992 foi transformado em duas salas-estúdio e numa sala de bingo)
Encerramento - 2000
Situação actual - continua a funcionar como bingo; as duas salas-estúdio mantêm-se equipadas


Vale Formoso
Localização - Rua de S. Dinis
Propriedade - Igreja Universal do Reino de Deus
Inauguração - 1949
Encerramento - anos 80
Situação actual - é um templo da IURD


Há três imagens que são exemplares da diversidade da situação actual das duas dezenas de salas que, apesar de continuarem a existir, têm em comum já não morarem no cartaz cinematográfico do Porto-cidade. De um lado, a fachada em ruína, mas sempre imponente no seu desenho e na sua história, do Cine Águia d'Ouro; ali perto, outra velha casa, o
Olímpia, acolhe um bingo dentro das suas paredes e portas com cores cada vez mais desbotadas; fora da Baixa, o Nun'Álvares mantém as suas vitrinas impecavelmente limpas, só que esvaziadas dos cartazes que durante anos atraíram a atenção de espectadores e cinéfilos.

Do Águia d'Ouro, soube-se recentemente que vai ser transformado em hotel low-cost. O Olímpia, como bingo, vê-se que também já viveu melhores dias. O Nun'Álvares é que teima ainda em manter um visual com alguma dignidade, à espera de que alguém volte a ligar-lhe as luzes da ribalta.
"Eu ainda tenho alguma esperança de que alguém queira pegar no cinema. Mas, até agora, não apareceu ninguém", diz o proprietário da casa, António Oliveira, consciente, no entanto, de que as probabilidades são mínimas. "Ir ao cinema já não é um hábito vulgar como antigamente", lamenta o dono do Nun'Álvares, que mantém a sala totalmente equipada,e diz que não irá mexer-lhe, "pelo menos até final deste Verão".

Há mais alguns (poucos) cinemas que, apesar de mostrarem a cara menos bem cuidada do que o Nun'Álvares, também parecem ainda esperar que as luzes dos projectores voltem a iluminar os seus ecrãs de ilusões. Ana Pereira, jovem fotógrafa que recentemente dedicou uma exposição aos velhos cinemas do Porto - esteve patente no Silo do NorteShopping, com o título A tela de uma história que não se acende -, reteve precisamente essa impressão na visita que lhes fez. "A maioria das salas onde entrei estava impecável. A pessoa que nos abria a porta acendia as luzes, e parecia que a sessão ia começar dentro de cinco minutos." Mas não começava.


O Charlot (no Brasília), o Pedro Cem e os Stop (nos centros comerciais com o mesmo nome), o Foco e o Trindade (agora com duas salas-estúdio + bingo) são os sítios onde, mais por dentro do que por fora, se fica com essa sensação de que "a exibição poderá ser retomada dentro de momentos". Mas não é essa a convicção de Margarida Neves Araújo, proprietária da Empresa Cinema Trindade (que, na segunda metade do século XX, possuía um pequeno "império" de exibição na cidade, que incluía também o Batalha, o Carlos Alberto e o Olímpia). "Os cinemas no centro do Porto não têm qualquer viabilidade. Agora está tudo nas mãos da distribuição, e eles só querem os grandes centros comerciaisdos arredores", diz a descendente da família Neves Real, a quem se deve a construção do Carlos Alberto e do High-Life (actual Batalha).


E é o Cinema Batalha que retém mais recordações para as sucessivas gerações que no século XX se habituaram a ver no cinema algo indispensável aos seus tempos de lazer (e não só). Para além do valor arquitectónico do edifício, um expoente do modernismo dos anos 40, do arquitecto Artur Andrade, ele é também a memória do primeiro recinto instalado na cidade (na Cordoaria, em 1906) para exibição cinematográfica, o High-Life, que dois anos depois seria construído na Praça da Batalha. Actualmente gerido pelo Gabinete Comércio Vivo, depois de demoradas obras de restauro, a sala principal do Batalha deixou de exibir cinema, e só na sua Sala Bebé é que, esporadicamente,passam filmes.
"Agora é difícil voltar atrás" Laura Rodrigues, responsável da Comércio Vivo (e, curiosamente, filhade Artur Andrade), também não acredita no regresso do cinema à Baixa. E lamenta a perda: "Sempre achei que o cinema fazia chegar até nós o que de melhor se fazia no mundo." A representante dos comerciantes do Porto acusa os poderes públicos de terem "dado a machadada final" na animação do centro histórico com a liberalização dos centros comerciais. 

"Agora é difícil voltar atrás, e a recuperação vai demorar décadas", daí que Laura Rodrigues não veja maneira de o Batalha voltar a passar cinema - aliás, a sala principal já nem sequer possui equipamento de projecção.


É isso que acontece com outras salas, históricas ou mais recentes: o Sá da Bandeira já só passa cinema, e pornográfico, no seu Estúdio 111 - é presentemente a única sala com exibição regular na Baixa! 
O Passos Manuel foi o que tentou remar contra a maré até mais tarde, mas sucumbiu ao desinteresse do público em relação às suas propostas de programação independente.

O Júlio Dinis virou danceteria e salão de festas, e actualmente está em obras, anunciando, nas suas portas, a transferência dos bailes para o Sá da Bandeira. 


O Vale Formoso anuncia na velha fachada "Jesus Cristo é o Senhor" - podia ser o título de uma velha produção bíblica de Hollywood, mas é apenas o lema da Igreja Universal do Reino de Deus, que transformou o cinema em templo no
início da década de 1990.

Finalmente, o Terço, o Lumière (que, principalmente na década de 80, se tornou no "templo" para a estreia de cinema português) e o Central apressaram-se a esconder o rasto das fitas que por eles passaram. A sala do Terço está a ser desmontada; o Lumière virou parque de estacionamento e as cinco plateias do Central Shopping estão a sertransformadas em escritórios.


Dirão os empresários e distribuidores: o Grande Porto tem actualmente mais salas, mais confortáveis e com melhores condições de exibição do que alguma vez teve, referindo-se às mais de 60 plateias dos multiplexes que envolvem a cidade.


Não é o mesmo cinema que fez a festa da Baixa de Novecentos. Mesmo que, como diz Ana Pereira, todos nós sejamos um pouco culpados pelo encerramento dos cinemas do centro, "porque deixámos de os frequentar e optámos pelo conforto dos multiplexes".


14
salas estão actualmente em funcionamento dentro da cidade, mas 12 delas são em centros comerciais (8 Dolce Vita + 4 Cidade do Porto) - as outras duas são o Estúdio 111 (Sá da Bandeira) e o Cine-Estúdio Campo Alegre

21
cinemas estavam activos no Porto em 1978 (todos em salas individuais, à excepção dos dois Lumière, que com o Charlot eram os únicos em centros comerciais)

55
salas nos cinco centros comerciais do Grande Porto: ArrabidaShopping (20), GaiaShopping (9), NorteShopping (9), MaiaShopping (5) e Parque Nascente (12)
artigo publicado aqui


9.10.12

Rua JOÃO DOS SANTOS FERREIRA


081012


Rua perdida lá para os confins de Ramalde que dá mesmo com o seu fim na VCI. Descoberta quando andava à procura de um supermercado para as compras semanais.

Breve nota sobre o homem que deu o seu nome a esta artéria:

João dos Santos Ferreira (n. 29/1/1899 e f. 3/9/1977) - Industrial e proprietário da Empresa Industrial do Ouro, figura muito conhecida no Norte. 
Foi Vereador da Câmara Municipal do Porto, na década de 60. 
Fundou a delegação do Norte da Liga Portuguesa contra o Cancro, do qual foi presidente, ficando ainda a dever-se a construção do Hospital de Oncologia do Porto e a doação dos terrenos. 

In Jornal de Notícias - Arquivo da Toponímia 


8.10.12

Rua de CEDOFEITA - 478

071012



Este prédio teve durante bastantes anos uma barbearia no seu rés-do-chão uma barbearia. Durante alguns anos na década de sessenta, a barbearia Costa foi o lugar onde cortava o meu cabelo.



061012



"no Porto, cidade que amo tanto como a minha natal Lisboa pois que nela passei... dos anos mais livres e também dos mais duros da minha vida"
Prefácio de "Poesia I - 2ª edição
Jorge de Sena


Neste prédio viveu Jorge de Sena quando estudava na Faculdade de Engenharia, na altura na rua dos Bragas. Este prédio situa-se praticamente a meio-caminho entre esta faculdade e a de Farmácia, na altura na rua Aníbal Cunha, frequentada pela sua futura esposa Mécia Lopes.  

ANTIGO QUARTEL DOS BOMBEIROS VOLUNTÁRIOS PORTUENSES

041012


Há muitos anos votado ao esquecimento - Rua Fernandes Tomás

Um pouco sobre a origem da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários Portuenses:

No inicio da década de 20 viveram-se momentos de conflito, motivados por uma conjuntura político-social originada pelas diferenças ideológicas entre os adeptos da monarquia e os que aderiram à República, implantada em 5/10/1910.
Isto levou a que a sociedade civil fosse também atingida por estas convulsões.
Esta dualidade de opiniões era sentida no seio dos B.V. do Porto, já que entre os seus elementos existiam adeptos das duas ideologias, que, não raras vezes travaram questiúnculas entre si. Além desta oposição política, a corporação vivia na instabilidade pois uns apoiavam a Direcção, na pessoa do seu presidente, José Machado Pinto Saraiva, contestado por outros, dominados pelos irmãos Saldanha, estes dotados de forte personalidade, e que tentavam impor a sua vontade aos demais.
Tais divergências levaram a que se formassem dois grupos distintos, no seio da corporação: 
Os SAIAS, liderados por Joaquim Vieira e Arnaldo Leite.
Os SALDANHAS, liderados por Abílio e Álvaro Saldanha.
Nos primeiros meses de 1924 realizaram-se as eleições para a Direcção, o que agudizou ainda mais as relações entre as facções rivais, a tal ponto que durante o acto eleitoral, bastante tumultuado, a urna foi quebrada e os votos espalhados pelo chão. Tais factos levaram o grupo dos SAIAS a decidir-se pela cisão.
Poucos dias depois a Comissão Organizadora aluga um edifício na Rua do Bolhão, escolhendo o 9 de Abril - dia do aniversário da Batalha de La Lys - para fundarem a Associação Humanitária Dos Bombeiros Voluntários Portuenses.
Assim, nessa data, as ruas do Porto animaram-se duplamente, pois além de se comemorar o dia do Soldado Desconhecido, novos Soldados - os da PAZ - formavam mais um corpo de homens prontos a dar a sua vida pela cidade e pelos seus semelhantes.
Para primeiro Comandante do Corpo de Bombeiros foi convidado o Capitão de Artilharia Bernardo Gabriel Cardoso Júnior, que aceitou a nomeação.
O baptismo de fogo da Corporação dá-se pouco depois da formação,(a 16 de Julho de 1924) na Estamparia do Bolhão, muito perto do quartel. O sinistro, na altura considerado um dos maiores do país, destruiu completamente a enorme estamparia e três prédios contíguos.
A devotada acção dos Portuenses, ao lado dos outros Corpos de Bombeiros da cidade, evitou que este tomasse maiores proporções.
Em 1925 a primeira escola de bombeiros efectua o seu exame final. Também nesse ano é inaugurada oficialmente a primeira viatura de combate a incêndios, o P.S.P.-1, e que ainda hoje se encontra operacional.
As acções desenvolvidas pelo Corpo de Bombeiros, levaram, desde muito cedo, o Governo da Nação a reconhecer os seus méritos. Desta forma, em 1926 uma Portaria Governamental louva os "Portuenses", sendo considerados, logo em 1927, uma Instituição de Utilidade Pública.
Possivelmente para estas distinções concorreu o comportamento heróico dos haveres e quando a actuação dos Portuenses, no combate ao incêndio dos Correios da Praça da Batalha.>

Texto encontrado na internet sem referência ao texto original.


2.10.12

Um dia passará (talvez) por aqui uma avenida!

031012

Que ela se chame D. Pedro IV ou que conserve o D. Pedro e lhe acrescente o Álvares Pereira, ainda não sei. 

O que sei é que, se a coisa já está decidida, já era tempo de sabermos onde vai acabar! Será que atravessará o Parque da Cidade ou simplesmente terminará ali, sem saída, na Avenida da Boavista?  

Sobre o mesmo assunto pode ver a actualização. 

Escola DR. AUGUSTO CÉSAR PIRES DE LIMA

021012

"Não há nenhuma cidade, assim, que subitamente se não torne secreta"
Eugénio de Andrade


Mas quem foi o Dr. Augusto César Pires de Lima?
A resposta foi encontrada na página do Património Cultural Imaterial:


Augusto César PIRES DE LIMA (S. Tiago de Areias, 29/08/1888 - Caldas da Saúde, 21/02/1959)


"Em 1905 formou-se em Direito pela Universidade de Coimbra, exercendo atividades no âmbito da advocacia e na docência no Liceu de Vila Real (1906 a 1914), Liceu Central do Porto (1915), Liceu Freitas Branco, Escola Comercial Oliveira Martins, Escola Comercial de Mouzinho da Silveira e na Escola do Infante D. Henrique, presidindo à direção desta última. Foi ainda Professor de Literatura Portuguesa no Centro de Estudos Humanísticos do Porto. Foi autor de vários livros de leitura para o ensino primário, secundário e 
técnico, que publicou em parceria com a Renascença Portuguesa, com especial interesse as edições escolares das obras de escritores portugueses.
Destacou-se no campo da Etnografia Portuguesa na primeira metade do século XX, dedicando parte fundamental da sua obra ao estudo da cultura tradicional do Douro Litoral e Minho. Integrou, em 1938, a Junta de Província do Douro Litoral, onde se manteve por quase vinte anos, no âmbito da qual viria a presidir a Comissão de Etnografia e História. Assumiu a direção da revista desta instituição, o Boletim Douro Litoral, no qual publicou parte fundamental da sua obra. A sua atividade etnográfica revelou ser das mais significativas entre as Juntas Provinciais e Distritais do nosso país, que surgiam neste período, confirmando a crescente expressão regionalista da Etnografia do século XX.
Foi responsável pela criação do Museu de Etnografia e História do Douro Litoral, de que assumiu as funções de direção, sucedendo-lhe, após a sua morte, o seu sobrinho Fernando Castro Pires de Lima.
A sua produção bibliográfica reuniu cerca de uma centena de opúsculos sobre Etnografia, Filologia e História e aproximadamente três centenas de artigos sobre temas agrícolas e outros de âmbito regionalista. O essencial desta obra que, se distribuiu entre as diferentes publicações científicas que colaborou, foi compilado em seis volumes dos seus Estudos Etnográficos, Folclóricos e Históricos, publicados entre 1947 a 1951, com o apoio da Junta de Província do Douro Litoral. Esta publicação sublinha a importância de que os seus trabalhos se revestem para a Etnografia Portuguesa, compreendendo tradições e expressões orais, arte popular, jogos e brinquedos infantis, técnicas e sistemas agrícolas, a habitação, medicina popular, entre outras temáticas que privilegiou.
Os seus primeiros trabalhos no domínio etnográfico privilegiaram os estudos sobre os Jogos e Canções infantis (1918), as Lendas (1919), e Adivinhas (1943). Procedeu ao estudo do Cancioneiro Popular de Vila Real (1924-1928), com materiais recolhidos por Luís Esteves Aguiar, alusivo a uma compilação de mil e duzentas quadras. Entre 1914 a 1921, dedicou às Tradições Populares de S. Tirso uma importante série de ensaios, publicados na revista Lusitana, numa análise comparada da sua investigação, alusivos à literatura 
tradicional, nas suas variadas formas de narrativas orais, e aos costumes e tradições populares, em especial a temática da medicina popular." 


Travessa do BOM RETIRO

011012