29.11.06

Praça D. João I

Praça onde se situa o Teatro Rivoli (inaugurado em 1932) e tendo face a face dois "enormes" prédios um dos quais foi chamado o Arranha-Céus quando da sua construção, o outro foi a sede do Banco Português do Atlântico de Cupertino de Miranda.


Esta praça foi completamente redesenhada em 2001, integrada no Porto - Capital da Cultura. A fonte desapareceu. Em 2006 esta fonte foi implantada na Praça do Marquês.

detalhe painel - setembro 2006

Abel Salazar

No Banco Millenium - antigo café Rialto existe um painel da autoria de Abel Salazar.



2005



janeiro 2005

RIVOLI Teatro Municipal.Os frisos de escultura são da autoria de Henrique Moreira. O projecto original de Júlio de Brito data de 1929. A remodelação do Teatro, da autoria de Pedro Ramalho foi concluída em 1997. 



2005




ARRANHA-CÉUS - MAURÍCIO CARVALHO DE MACEDO, natural da freguesia de Telões, Amarante, nascido a 3 de Abril de 1896, mandou construi-lo. O prédio mais alto de Portugal em Maio de 1945. Traça de Rogério de Azevedo e de Baltasar de Castro.



painel de azulejos do "Palácio Atlântico" da autoria de Jorge Barradas


2006

O "Palácio Atlântico" (1951) deve-se à traça de ARS (arquitectos Fortunato Cabral, Cunha Leão e Morais Soares)



Acabo de encontrar este postal que mostra como era anteriormente a praça e o prédio do Banco Português do Atlântico. Nele existiam vários consultórios médicos assim como escritórios de empresas, como podemos observar: Gazcidla, Sacor e Companhia de Seguros Ourique. O consulado de França no Porto estava localizado no último andar, onde se nota um mastro de bandeira. Neste mesmo edifício também chegou a existir a escola de dactilografia Maratona.(actualização de Junho de 2011)

Se desejar ler e rever fotos do Rivoli pode consultar o blogue Restos de Colecção que em Novembro de 2013 divulga um interessante artigo.

27.11.06

Rua dos MERCADORES


A Rua dos Mercadores foi, juntamente com a Bainharia e a Rua Escura, um dos eixos de circulação vital para o Porto Mediévico, ligando a zona ribeirinha, centro
mercantil, ao burgo episcopal e assegurando a comunicação com as principais vias medievais que saiam do Porto em direcção ao Entre-Douro-e-Minho e a Trás-os-Montes. Percorrendo a zona extra-muros desde as imediações da Porta de Sant'Ana até à Praça da Ribeira, junto ao Douro - ia, segundo documento antigo, "de Sant'Ana para baixo até a Praça da Ribeira" - ela seria, como o seu nome indica, um dos locais eleitos pelos mercadores portuenses para instalarem as suas moradias e estabelecimentos. Era assim, uma zona rica da cidade, com estruturas bem cuidadas, embora algumas, desde cedo oferecessem problemas de conservação.


texto e foto de
Francisco Oliveira



O tempo em que a Ribeira foi centro cívico da cidade


Os "mercatores do Porto"

A partir da conquista de Lisboa aos mouros, por D. Afonso Henriques, em 1147, cessaram, por assim dizer, as incursões árabes aos territórios do Norte do país e a costa portuguesa deixou de andar, como acontecia até ali, infestada de navios
mouriscos, cujas tripulações assaltavam os barcos dos mercadores portuenses, mal eles saíam barra fora.

Tentando aproveitar, entretanto, as vantagens foraleiras concedidas, anos antes, pela "Carta de Foral", dada pelo bispo D. Hugo à cidade, novos moradores, provenientes especialmente das terras do interior, chegam ao velho burgo para se empregarem nos mesteres e, sobretudo, nas actividades ribeirinhas, porque o rio começava a ser a via dorsal de todo o comércio, não apenas com as terras do interior mas, fundamentalmente, com o exterior.

A cidade expandia-se para fora do primeiro muro defensivo, crescia em prestígio económico, assistia ao aumento cada vez mais acentuado do seu comércio com o exterior e via a sua população a aumentar de dia para dia.

Com o interesse que começa a despertar o intenso labutar da vida mercantil, mas não só, na zona ribeirinha da cidade, a população arrisca descer de Cimo de Vila para ao pé do rio, onde a vida fervilhava de tal modo que o Senado Municipal, a certa altura, teve que tomar medidas para evitar brigas e morticínios, tão intensa era a actividade que ali se desenvolvia no carregar e descarregar de navios, que ali chegavam todos os dias vindos das mais distantes paragens.

Da parte do Porto, eram os próprios burgueses da cidade que em seus navios faziam o comércio com a Flandres e outros portos do Norte da Europa e da França. E os pescadores da Lada, de Miragaia e de Massarelos também iam, em seus próprios barcos, até aos mares afastados da Bretanha e da Inglaterra. Levavam o sal das salinas de Matosinhos e de Guifões e traziam o pescado com que abasteciam os mercados do burgo.

A população aumentou com tal rapidez na zona ribeirinha que, em 1249, o bispo D. Julião Fernandes, para prover essa gente de assistência religiosa condigna, designou um capelão para a ermida de S. Nicolau, na Reboleira, precursora da actual igreja paroquial de S. Nicolau.

Desde muito cedo que os homens de negócios, que actuavam com seus barcos a partir do rio Douro, procuravam furtar-se ao pagamento dos impostos, levando as suas embarcações para o entreposto de Vila Nova de Gaia, criado por iniciativa de D. Afonso III, no ano de 1255.

O monarca, para retirar ao bispo do Porto e ao Cabido as pingues rendas que ambos recebiam da intensa actividade comercial que os mercadores da cidade desenvolviam, mandou ordem aos mestres e capitães dos navios que entrassem no Douro, para que "desembarcassem as mercadorias que trouxessem nos seus barcos no novo bairro de Vila Nova, afim de lhe pagarem aí a ele Rei os direitos devidos e não ao bispo nem ao Cabido…"

Esta atitude de D. Afonso III viria a gerar, no futuro, uma série de questões, pendências e conflitos entre a Mitra e os burgueses da cidade que, por seu vez, deram origem a excomunhões, interditos e queixas dos bispos ao Papa.

Numa data que não é possível determinar, mas que coincidiu com este surto de desenvolvimento do comércio marítimo, criou-se no Porto a primeira Bolsa destinada a acudir aos percalços da navegação e do comércio dos barcos do Porto que comercializavam com os portos do Norte da Europa. A iniciativa, para que não fiquem dúvidas, foi dos próprios armadores de navios da cidade. Muito anterior à que D. Dinis instituíra em Lisboa.

Na base desta iniciativa esteve o naufrágio na costa flamenga, em 1149, no tempo de D. Sancho I, portanto, de um navio da praça do Porto.

Pode dizer-se que se o progresso mercantil se fazia sentir especialmente na Ribeira, junto ao rio, onde se criara o novo centro cívico da urbe, a indústria, com os seus mesteres, prosperava nas encostas da Penha Ventosa e da Vitória como ainda hoje o atestam os nomes de arruamentos que nos trazem à memória os mesteirais de antanho agora evocados nos nomes de algumas das ruas portuenses Caldeireiros, Pelames, Mercadores, Bainharia.

No reinado de D. Pedro I (1357-1367 ), havia no Porto mais naves e navios do que em todos os outros portos do país. E a maior parte dessas embarcações de alto bordo eram construídas nos estaleiros da Ribeira e de Miragaia que competiam em qualidade e quantidade com os maiores estaleiros da Europa.

O tempo em que a Ribeira foi centro cívico da cidade

Nas inquirições de Entre Douro e Ave, de 1258, há frequentes referências aos "mercatores do Porto" e ao seu comércio com as praças do Norte da Europa e da Flandres. São aí mencionados muitos produtos agrícolas e industriais, a maioria deles portugueses com origem nas terras do interior ou manufacturados por artesãos portuenses vinhos, panos, sal, peles, couros. Gado cavalar, asinino, suíno, bovino e caprino. Alfaias agrícolas como ferros de arado, enxadas, ferraduras e cravos. Picões e cutelos. Caldeiras, grelhas e trempas. Mantas de Ferreira, de Barcelos e mesmo de Castela. Ourelos (panos grosseiros) , tecidos de algodão, sedas, sapatos e botas. E ainda cera, unto, sebo, vinagre, queijo e manteiga. Pelos séculos fora, de 1300 a 1700, através de tantas vicissitudes da vida nacional, a cidade do Porto continuou a singrar como principal centro mercantil e isto devido, fundamentalmente, às condições de navegabilidade do seu rio e do seu entreposto ribeirinho firmado na Ribeira ainda hoje uma verdadeira atracção porque continua a ser a varanda aberta sobre o Douro…

texto de Germano Silva publicado aqui


25.11.06

Rua da BANDEIRINHA


A Rua da Bandeirinha, que conserva a primitiva denominação e em grande parte o seu antigo perfil, é a artéria segundo cremos setecentista. Encontramo-la assim chamada em emprazamentos da Misericórdia, a partir de 1789, e é natural que venha, pelo menos de meados do século. Tomou o nome de "bandeirinha da saúde", que noutros tempos marcava a linha de atracagem das embarcações, em limite que não podia ser ultrapassado em caso de peste.


foto de Jorge Leigo

Não deixar de apreciar a fachada da “Casa das Sereias”, antigamente chamada pela população de “mamudas”, esta casa já pertenceu aos Cunha Portocarrero e durante alguns anos foi o "Hospital dos Ingleses" no século vinte.

(consultar também "Toponimia Portuense" de Eugénio Andrea da Cunha e Freitas)

23.11.06

Rua das FLORES



A Rua de Santa Caterina das Froles ou (rua de Santa Catarina das Flores), aberta em 1521 para ligar os conventos de S. Francisco e de S. Domingos aos de Santo Elói e de S. Bento da Ave Maria.
Os terrenos onde se abriu a rua, entre o rio da vila e o morro da “Vitória”, pertenciam todos à Mitra, que por isso os dividiu em chãos (lotes) e ficou senhoria directa de todas as casas que na nova artéria se vieram a construir. Uma casa podia ocupar vários chãos; como a casa da Santa Misericórdia que ocupava sete chãos.
Nesta rua e logo quando da sua abertura tiveram casa as melhores famílias
burguesas. A casa da Companhia Velha na esquina da Viela do Ferraz, do lado de S. Domingos, eram duas moradas que possuía o contador João de Figueiroa Pinto.
Nesta rua teve casa e viveu Simão Pacheco rico mercador portuense da era de seiscentos, da estirpe de que provieram os Pachecos Pereiras, da Rua de Belomonte tinham loja de panos a S. Domingos, mas breve se afidalgaram, com cartas de brasão de armas e foros na Casa Real. Em 1860 abriu-se a continuação da rua das Flores desde a rua Dona Maria II hoje Trindade Coelho, (aberta em 1838), até ao largo da porta dos Carros, depois largo da Feira de S. Bento hoje Praça de Almeida Garrett.


Curiosidades

MEDICINA E CRENDICES
O dr. Cristiano Morais à roda do ano de 1928, com o seu “curioso tratamento o método Asuero” por meio de uma picadela num dos nervos do nariz, alvoroçou Portugal de lés-a-lés. Eram bichas intermináveis de doentes, vindos de todas as terras, de perto e de longe, que se aglomeravam à porta do consultório.
Um êxito inigualável. Deu para fazer a melhor vivenda da Rua de Camões. Outra história deste médico: o toureiro João Froes, dado como totalmente incapaz para o toureio pela ciência lisboeta, foi curado graças ao cirurgião dr. Cristiano de Morais que o operou com excepcional êxito. Em 1865 havia anúncios na imprensa para vender Cruz Milagrosa contra a Peste na Rua das Flores nº 224 a 226 por 10 réis.

(dados recolhidos por Jorge Rodrigues, fotos de Francisco Oliveira, aos quais agradeço a colaboração)

_________
Nesta rua:

Um alfarrabista: Chaminé da Mota
Uma Igreja: Igreja da Misericórdia

21.11.06

Esplanada do CASTELO


O Forte de S. João da Foz que foi construído em 1570.


- Para o seu arquivo ou para publicar, aqui lhe envio uma fotografia, feita ontem, do ângulo mais atirado ao rio e mar, bem como o seguinte pequeno texto:
"O Castelo de S. João da Foz é uma edificação iniciada no século XVI, por ordem de D. Catarina de Áustria - regente do reino e avó de D. Sebastião - e concluído no século XVII por D. Jão IV.
Serviu de calabouço do Duque de Terceira e alguns dos seus oficiais, aquando da revolta da Patuleia, em Outubro de 1846 e, mais recentemente, de armazém e paiol."

Saudações
Francisco Oliveira -



A primeira Igreja de S. João da Foz, situava-se dentro do castelo. Em 1640 com as obras a efectuar na fortaleza foi necessário transferi-la para outro lugar.

Actualmente o Castelo é ocupado pelas instalações do Instituto de Defesa Nacional (IDN)

20.11.06

Rua do ATENEU COMERCIAL DO PORTO

Já foi Travessa Passos Manuel.


Nesta rua (então Travessa Passos Manuel) existia, nos anos 60, o Teatro de Bolso "António Pedro" do T.E.P. - Teatro Experimental do Porto.




A história da benemérita e velha instituição tão portuense que é o Ateneu Comercial está há muito feita, e vamos apenas esboçá-la para quem de todo a desconhece. No dia 29 de Agosto de 1869, na Rua da Porta do Sol, António Bernardino Alves Costa, Pedro Pinto Gonçalves Pimenta e Manuel José Alves de Azevedo fundavam uma sociedade recreativa que denominaram Nova Euterpe. Foi graças a estes cavalheiros que pôde sobreviver e prosperar. Em 1877 ou 78, começaram a funcionar ali cursos de escrituração e geografia comerciais entre outros. Desde 10 de Janeiro de 1885 estava o Ateneu instalado na Rua de Passos Manuel. Uma das mais belas coisas que o Ateneu possui é a sua bibliotéca, que começou com 326 volumes num gabinete de Leitura e que já em 1944 ascendia a mais de 50 000, com verdadeiras preciosidades, tal como « um precioso e raríssimo exemplar» da 1º edição de «Os Lusíadas». Foi em 1884, um ano antes de se mudar para a nova sede, que se trocou o nome de Nova Euterpe pelo de Ateneu Comercial. E foi cremos, pelo seu centenário que à antiga Travessa de Passos Manuel foi dado o nome de Ateneu Comercial do Porto.

Mais sobre o Ateneu Comercial do Porto


Plateia e Balcão do Teatro de Bolso António Pedro.
(foto do Círculo de Cultura Teatral)


16.11.06

Rua de BELOMONTE

foto de Francisco Oliveira
Outrora chamada de S. Domingos.

foto de Francisco Oliveira

A realçar a existência nesta rua do Solar dos Pacheco Pereiras (actualmente ocupado pela ESAP).

A primitiva Rua de Belmonte correspondia a parte inferior da Rua das Taipas.

«...A Rua de Belomonte aparece assim em princípios do século XVI, graças à iniciativa dos frades. As primeiras trinta varas de chãos foram por eles aforadas, em 1503, ao armeiro Álvaro Gonçalves, o personagem tão conhecido da «A Última Dona de S. Nicolau», para construir cinco moradas de casa --- «assim como pegava da escada que sobe para para a viela da Esnoga, pela Rua de Belomonte acima, da parte da vitória», reza a respectiva escritura. No fim da rua, antes de chegar ao largo de S. João Baptista, hoje de S. João Novo, havia um cruzeiro que deu nome ao local: O Padrão de Belmonte.»

"Toponímia Portuense" de Eugénio Andrea da Cunha e Freitas