9.2.08

Rua da ESCOLA NORMAL




Fotografia publicada e localizada aqui

...Deve o seu nome ao belo edifício inaugurado em 1886, mandado construir expressamente pela Junta Geral do Distrito, na esquina da Rua da Alegria com a travessa do mesmo nome... ("Toponímia Portuense" de Andrea da Cunha e Freitas).

Já se chamou oficialmente Travessa da Alegria mas foi conhecida igualmente por Rampa da Escola Normal.

Sobre a formação dos professores pode ler mais aqui: http://educar.no.sapo.pt/formprofes.htm

Actualmente o antigo edifício da Escola Normal é ocupado pelo Esmae. Para saber mais sobre o Teatro Helena Sá e Costa pode consultar esta página.


8.2.08

Avenida de MONTEVIDEU




clique sobre a imagem por favor

Da autoria de Américo Gomes, foi realizada em 1934, estando situada na Avenida de Montevideu. É um monumento em homenagem aos pescadores, representados pelo homem que agarra vigorosamente um leme. É admirável pelo seu movimento, expressão e caracter. Houve mesmo quem considerasse, a seu tempo, "uma das maiores revelações artísticas dos últimos tempos, no sentido da escultura nacionalista monumental portuguesa".
Publicado aqui

...Lemos na monografia da Foz, do Sr.Guido Monterey, que a mudança do nome da Rua do Castelo do Queijo para a Avenida de Montevideu, em homenagem à Républica do Uruguai, foi proposta e aprovada em sessão camarária de 25 de Julho de 1926, que a autorização para a Camara dispôr dos terrenos necessários ao prolongamento da Avenida foi dada pelo Ministério da Guerra em oficío de 30 de Dezembro de 1927, e os seus jardins, junto ao molhe, foram inaugurados em 28 de Junho de 1929 ... ("Toponímia Portuense" de Andrea da Cunha e Freitas)

Outrora foi Rua do Castelo do Queijo pois assim aparece no famoso Roteiro de 1933.

A moradia existente no número 644 (esquina com a rua Pêro da Covilhã), conhecida como casa José Prata de Lima, é um projecto do arquitecto José Porto.

7.2.08

Livro sobre o Porto

PORTO
DA HISTÓRIA E DA LENDA

Autor: Germano Silva
Prefácio: Geraldo José Amadeu Coelho Dias
Edição: Casa das Letras - 2007

6.2.08

Rua RAMALHO ORTIGÃO



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O edifício do gaveto com a rua do Almada, onde se encontra a Papelaria Nelita, também conhecido pelo nome de "António Soares Marinho" foi projectado em 1942 pelos arquitectos JofreAntónio Justino e Rogério de Azevedo. 


nelita
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José Duarte Ramalho Ortigão - algumas notas

n. 24 de Outubro de 1836.
f. 27 de Setembro de 1915.



Escritor, jornalista, bibliotecário da Biblioteca da Ajuda, oficial da secretaria da Academia Real das Ciências, etc.

N. no Porto a 21 de Novembro de 1836, sendo filho do professor Joaquim da Costa Ramalho Ortigão, oriundo duma nobre família do Algarve.

Fez os seus estudos preparatórios no Porto, e dedicou-se também ao magistério como seu pai. Leccionou no colégio da Lapa, que seu pai dirigia, e sentindo uma grande inclinação para as letras, entrou para a redacção do Jornal do Porto, tomando a seu cargo a secção noticiosa e folhetim. Naquela folha colaboravam então os políticos mais em evidência. Ramalho Ortigão logo se afirmou um espírito cintilante e pitoresco, revelando as altas qualidades que lhe deviam dar nas letras um lugar tão especial. Lançado na vida do jornalismo, e tendo sido nomeado oficial da Academia Real das Ciências, veio em 1879 para Lisboa estabelecer definitiva residência.

Colaborou então nos seguintes jornais: Revolução de Setembro, Diário de Notícias, Diário Popular, Jornal do Comércio, Diário da Manhã, etc. A sua prosa, cheia de plasticidade e brilho, a riqueza do seu vocabulário, a graça tão picante e fina do seu comentário, lhe criaram a reputação de eminente escritor. Foi convidado a escrever cartas semanais para a Gazeta de Notícias do Rio de Janeiro. De colaboração com o já falecido escritor Eça de Queirós, escreveu em 1871 o interessante romance O mistério da estrada de Sintra, que se publicou em folhetins no Diário de Notícias, e mais tarde foi reimpresso numa colecção romântica editada pela Parceria Pereira. Este livro motivou um grande movimento de curiosidade, por se julgar que os factos ali narrados eram verdadeiros e não fantasiados. No mesmo ano de 1871, também de colaboração com o citado escritor, fundou a publicação intitulada: As Farpas, chronica mensal da politica, das letras e dos costumes. Esta colecção que consta de 39 volumes, foi muito apreciada por toda a imprensa, e a ela se referiram também diferentes cronistas estrangeiros com palavras elogiosas. De Ramalho Ortigão conhecemos os seguintes livros: Litteratura de hoje, Porto, 1866; Em Paris, Porto, 1868; são estudos e observações do autor na digressão que fizera a Paris por ocasião da exposição universal de 1867; Contos côr de rosa, Lisboa, 1870; este volume contém: A dança, A morte de Rosinha, Gastão, Ella e elle, Uma visita de pezames, e Na Aldeia; Hygiene da alma, pelo barão de Feuchterleben, versão portugueza; Lisboa, 1873; É o tomo I da Bibliotheca dos livros uteis, da que foi editor o antigo livreiro António Maria Pereira; Ginx's Baby, versão portuguesa, 1874; 2 tomos; constituem os n.os 9 e 10 da Bibliotheca da Actualidade, do Porto; Banhos de caldas e aguas mineraes, Porto, 1875, com gravuras intercaladas no texto e 13 estampas em separado; tem uma introdução escrita por Júlio César Machado; Notas de viagem, Rio de Janeiro, 1878; saíra primeiro no jornal a Gazeta de Notícias da mesma cidade; As praias de Portugal; guia do banhista e do viajante, Porto, 1876; com 10 estampas; La Rénaissance et les Lusiades; préface d'une nouvelle édition des Lusiades, faite par le «Cabinet Portugais de Lecture» de Rio de Janeiro, etc.; Traduit du portugais par F. F. Steenakers, Lisbonne, 1880; é a versão do prólogo de que fora incumbido Ramalho Ortigão para a edição luxuosa dos Lusíadas, mandada fazer por conta do Gabinete Português de Leitura, do Rio de Janeiro, em comemoração do tricentenário de Camões; A instrucção secundaria na camara dos senhores deputados, Rio de Jaueiro, 1883; John Bull, A Hollanda, O Culto da Arte em Portugal, etc. Também lhe pertencem o prólogo da edição das Primaveras, de Casimiro de Abreu, feita pelo editor portuense Cruz Coutinho; e um estudo francês, intitulado Coup d'oeil sur Ia civilisation au Brésil, fazendo parte do Catálogo da Exposição do Brasil em Amesterdão. Escreveu nos primeiros anos do jornal satírico e de caricaturas Antonio Maria, fundado por Bordalo Pinheiro; e também publicou algumas biografias humorísticas no Album das Glorias, etc., sob o pseudónimo de João Ri baixo. Ramalho Ortigão foi um dos jornalistas que trabalharam com mais entusiasmo para a celebração do tricentenário de Camões, fazendo parte da comissão executiva das brilhantes festas que se realizaram em Lisboa, no ano de 1880.

Ele e Pinheiro Chagas foram os delegados que o governo mandou como representantes de Portugal, em 1893, à Exposição Histórico Europeia de Madrid, por ocasião das festas comemorativas do centenário de Cristóvão Colombo. Traduziu a comédia em 4 actos, de George Sand O marquez de Villemer que se representou no teatro de D. Maria lI. Também publicou algumas poesias no antigo jornal portuense A Grinalda. Ramalho Ortigão tem viajado muito, e o seu excelente livro Hollanda, já, mencionado, é a descrição duma dessas viagens. Ainda que avançado em idade, o seu espírito não envelhece. Diz um dos seus biógrafos:

«Ramalho não acusa nem cansaço nem esmorecimento. É o mesmo artista de sempre, o burilador delicioso da frase, o anotador pitoresco e alegre, o crítico austero e delicado, o ironista delicioso e brilhante. Duma grande exuberância de fantasia e conhecendo perfeitamente a sua língua, que maneja com abundância e gosto, Ramalho é um dos escritores mais notáveis da sua geração. A sua prosa elegante, tersa, plástica, cheia de cor e de harmonia, é inconfundível como a sua personalidade. Alto, direito, forte, duma solidez perfeita e duma robustez magnífica, Ramalho com mais de 70 anos é ainda um rapaz, ágil, vibrante, e com o mesmo espírito e a mesma vivacidade dos anos juvenis. Ao passo que em volta de si tudo e todos envelhecem numa tristeza apagada, Ramalho como que rejuvenesce realizando o milagre da suprema força na idade em que ainda os mais animosos se deixam vencer e dominar pelos achaques e pelas desilusões da vida. Varão magnífico, poucos são os rapazes que possam competir com ele em louçanias de espírito e em robustez física. Os seus hábitos de vida simples e confortável, a sua higiene rigorosa, à inglesa, a sua alegria constante deram-lhe essa consistência formidável que o assentaram com firmeza na vida.»

Ramalho Ortigão foi nomeado há bastantes anos bibliotecário da Biblioteca da Ajuda. Por decreto de 23 de Janeiro de 1901 foi agraciado com o titulo de académico de mérito da Academia Real de Belas Artes e por decreto de 30 de Novembro de 1907 foi nomeado vogal do Conselho Superior de Instrução Pública por parte da mesma Academia.


Transcrito por Manuel Amaral e publicado aqui


O tempo em que a Ribeira foi centro cívico da cidade


Os "mercatores do Porto"

A partir da conquista de Lisboa aos mouros, por D. Afonso Henriques, em 1147, cessaram, por assim dizer, as incursões árabes aos territórios do Norte do país e a costa portuguesa deixou de andar, como acontecia até ali, infestada de navios mouriscos, cujas tripulações assaltavam os barcos dos mercadores portuenses, mal eles saíam barra fora.

Tentando aproveitar, entretanto, as vantagens foraleiras concedidas, anos antes, pela "Carta de Foral", dada pelo bispo D. Hugo à cidade, novos moradores, provenientes especialmente das terras do interior, chegam ao velho burgo para se empregarem nos mesteres e, sobretudo, nas actividades ribeirinhas, porque o rio começava a ser a via dorsal de todo o comércio, não apenas com as terras do interior mas, fundamentalmente, com o exterior.

A cidade expandia-se para fora do primeiro muro defensivo, crescia em prestígio económico, assistia ao aumento cada vez mais acentuado do seu comércio com o exterior e via a sua população a aumentar de dia para dia.

Com o interesse que começa a despertar o intenso labutar da vida mercantil, mas não só, na zona ribeirinha da cidade, a população arrisca descer de Cimo de Vila para ao pé do rio, onde a vida fervilhava de tal modo que o Senado Municipal, a certa altura, teve que tomar medidas para evitar brigas e morticínios, tão intensa era a actividade que ali se desenvolvia no carregar e descarregar de navios, que ali chegavam todos os dias vindos das mais distantes paragens.

Da parte do Porto, eram os próprios burgueses da cidade que em seus navios faziam o comércio com a Flandres e outros portos do Norte da Europa e da França. E os pescadores da Lada, de Miragaia e de Massarelos também iam, em seus próprios barcos, até aos mares afastados da Bretanha e da Inglaterra. Levavam o sal das salinas de Matosinhos e de Guifões e traziam o pescado com que abasteciam os mercados do burgo.

A população aumentou com tal rapidez na zona ribeirinha que, em 1249, o bispo D. Julião Fernandes, para prover essa gente de assistência religiosa condigna, designou um capelão para a ermida de S. Nicolau, na Reboleira, precursora da actual igreja paroquial de S. Nicolau.

Desde muito cedo que os homens de negócios, que actuavam com seus barcos a partir do rio Douro, procuravam furtar-se ao pagamento dos impostos, levando as suas embarcações para o entreposto de Vila Nova de Gaia, criado por iniciativa de D. Afonso III, no ano de 1255.

O monarca, para retirar ao bispo do Porto e ao Cabido as pingues rendas que ambos recebiam da intensa actividade comercial que os mercadores da cidade desenvolviam, mandou ordem aos mestres e capitães dos navios que entrassem no Douro, para que "desembarcassem as mercadorias que trouxessem nos seus barcos no novo bairro de Vila Nova, afim de lhe pagarem aí a ele Rei os direitos devidos e não ao bispo nem ao Cabido…"

Esta atitude de D. Afonso III viria a gerar, no futuro, uma série de questões, pendências e conflitos entre a Mitra e os burgueses da cidade que, por seu vez, deram origem a excomunhões, interditos e queixas dos bispos ao Papa.

Numa data que não é possível determinar, mas que coincidiu com este surto de desenvolvimento do comércio marítimo, criou-se no Porto a primeira Bolsa destinada a acudir aos percalços da navegação e do comércio dos barcos do Porto que comercializavam com os portos do Norte da Europa. A iniciativa, para que não fiquem dúvidas, foi dos próprios armadores de navios da cidade. Muito anterior à que D. Dinis instituíra em Lisboa.

Na base desta iniciativa esteve o naufrágio na costa flamenga, em 1149, no tempo de D. Sancho I, portanto, de um navio da praça do Porto.

Pode dizer-se que se o progresso mercantil se fazia sentir especialmente na Ribeira, junto ao rio, onde se criara o novo centro cívico da urbe, a indústria, com os seus mesteres, prosperava nas encostas da Penha Ventosa e da Vitória como ainda hoje o atestam os nomes de arruamentos que nos trazem à memória os mesteirais de antanho agora evocados nos nomes de algumas das ruas portuenses Caldeireiros, Pelames, Mercadores, Bainharia.

No reinado de D. Pedro I (1357-1367 ), havia no Porto mais naves e navios do que em todos os outros portos do país. E a maior parte dessas embarcações de alto bordo eram construídas nos estaleiros da Ribeira e de Miragaia que competiam em qualidade e quantidade com os maiores estaleiros da Europa.

... pode continuar a ler este artigo publicado no "Jornal de Notícias aqui:
http://jn.sapo.pt/2006/11/26/porto/o_tempo_que_a_ribeirafoi_centro_civi.html


1.2.08

Rua JOSÉ FALCÃO


Antiga rua D. Carlos.

Vários edifícios dignos de interesse arquitectónico.
Ali já existiu um prédio da A.C.M. (Associação Cristã da Mocidade) . - A 27 de Julho de 1909 JOSÉ AUGUSTO PROENÇA abre um curso de esperanto na sede à rua de D. Carlos da União Cristã da Mocidade Portuguesa ("Tripeiro").



Antigo Armazém-Mostruário da Fábrica de Cerãmica das Devezas

Fotografia publicada e localizada no Flickr

Quem foi "José Falcão":
José Joaquim Pereira Falcão
(Miranda do Corvo 1/06/1841 - Coimbra 14/01/1893)

Professor de mecânica celeste e astronomia. Propagandista republicano, autor da Cartilha do Povo, de 1884. Chega a proclamar, num artigo publicado em 5 de Maio de 1891: se a Monarquia nos pode salvar, que nos salve: o nosso alvo é o país, e não o sistema.
Publicado aqui


Sobre a Fábrica de Cerãmica das Devezas:
"José Joaquim Teixeira Lopes. Nascido em 1837 em S. Mamede de Ribatua. Desde miúdo, sem mestres, nem exemplos, nem incentivos, ocupava-se a esculpir a canivete bonecos de madeira, principalmente santos. Imagens muito apreciadas pela vizinhança, e por isso adquiridas para as igrejas das redondezas. Em 1850, com 13 anos chega ao Porto, enviado pelo pai para expressamente para aprender desenho e escultura com o professor da Academia de Belas-Artes, Manuel Fonseca Pinto. Este era também mestre de escultura nos estaleiros de Gaia. Assim aprendeu a modelagem de carrancas de navios. Em 1856, com 19 anos, regressa a S. Mamede mais seguro na sua arte de santeiro. Um ano depois, com 20 anos, casa-se com uma prima, Raquel. Vendem tudo o que possuíam e vêm instalar-se no Porto; para aprender mais e procurar que a sua arte renda mais. Desta vez estuda com outro professor, mais afamado, João António Correia, professor de Belas-Artes. Passa a dedicar-se à arte cerâmica e vai ele próprio vender os seus bonecos nas feiras regionais. Também vende aos adeleiros, aos capelistas, vende a quem lhos compre, a quem lhos difunda. Ganha fama junto do operariado tripeiro que o convida a ser autor do monumento a D. Pedro V da Praça da Batalha. A seguir os portugueses do Brasil cotizam-se para lhe oferecer uma bolsa de estudo em Paris. O “senhor Teixeira” como já era conhecido no Porto só fica um ano em Paris porque tinha saudades da mulher e dos filhos. Volta-se de novo para a arte barrista. E em 1866 associando-se ao pedreiro que fizera o pedestal da estátua de D. Pedro V começa a fabricar cerâmica em larga escala, cerâmica utilitária, cerâmica decorativa, cerâmica para todos os usos. Daí nasceu a Fábrica de Cerâmica das Devesas na Rua Veloso da Cruz, Gaia, que em breve atinge uma grande expansão, no vulto e diversidade dos artigos fabricados. A empresa abre um armazém-mostruário na esquina das ruas de José Falcão, antiga D. Carlos e da Conceição. Duas fachadas inteiramente revestidas, de cima a baixo e de um lado a outro, com produtos ceramistas da Fábrica das Devesas. Revestimento que lhe conferia um notável sabor mourisco. Ainda existia em 1972, era então a Companhia das Anilinas. No salão nobre deste edifício a empresa levava a efeito exposições festivas, em certo modo festas elegantes da sociedade tripeira, a pretexto de qualquer novidade cerâmica saída das mãos de Teixeira Lopes pai. Teve dois filhos artistas, António e José. Além da arte industrial em que se fixou, há a destacar a estátua de D. Pedro V; o painel de bronze com o Baptismo de Cristo para o baptistério da Sé; a Caridade e um Calvário em jazigos do cemitério do Repouso; e finalmente o retábulo comemorativo da tragédia da Ponte-das-Barcas, as Alminhas da Ribeira."

Notas recolhidas por Jorge Rodrigues



Painel da antiga Fábrica das Devezas

Actualização em Setembro 2013:

Acabo de encontrar no blog RUINARTE um documento muito completo sobre a antiga fábrica de cerâmica das Devezas, aconselho que dêem uma volta por lá. 

Rua BARÃO DE FORRESTER


816

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Antes de 1959 esta artéria fazia parte da Rua de Cedofeita, talvez por isso que a sua numeração não foi alterada. A rua não começa no número 1!



Dados sobre o Barão de Forrester:
Joseph James Forrester nasceu na Escócia a 21 de Maio 1809 e morreu misteriosamente no rio Douro em 12 de Maio de 1861.Veio muito novo viver para o Porto, para a casa de um tio, negociante muito abastado, que comprava as pipas de vinho do Porto por dez mil réis e depois as vendia na Inglaterra por mais de setenta. Educou o sobrinho para lhe continuar o negócio, mas ao jovem aconteceu algo de belo e imprevisível: apaixonou-se pelo rio Douro.

A compra e venda da produção dos lavradores eram para ele apenas um pretexto para viver no rio. Tal era a paixão fluvial, que mandou construir um barco do estilo rabelo, para aí poder permanecer por longos períodos e receber os seus amigos e pessoas importantes da época, aos quais oferecia jantares esplêndidos. Conta a história que este barco, de tão requintado e luxuoso que era, impressionou na época, não só pela magnífica tripulação rigorosamente uniformizada, mas também por já dispor de magnificas condições, tais como: cozinha, sala de jantar, leitos e retrete.

Acompanhado pelos mais valentes marinheiros, o barão navegava desde o Porto até Barca de Alva, ficando horas e horas ancorado no fundo do rio, a desenhar os pormenores das margens, as encostas a descer em catarata até ás ribas rochosas, os cachões sinuosos que a água fazia entre as valeiras, e redigia notas para os seus opúsculos sobre o Douro. A coroa de glória a que aspirava, conseguiu completá-la: o Mapa do Douro, um minucioso levantamento reduzido a um desenho de três metros de comprido e 68 cm de largo, nunca sendo comercializado, mas sim oferecido a quem se mostrasse interessado, independentemente da classe social a que pertencesse. Nunca um rio português tinha sido estudado com tanto amor, tanto rigor científico, tanta despreocupação material. Este trabalho esplendoroso, adicionado aos vários mapas da região demarcada, fez com que o governo lhe atribuísse a honraria do título de Barão, constituindo um feito inédito até então, conseguido por um estrangeiro.

Em Maio de 1861, o barão de Forrester foi visitar D. Antónia Adelaide Ferreira, a uma das de mais de meia centena de quintas de que a famosa Ferreirinha era proprietária: A Quinta do Vesúvio. Esta quinta, situada na Horta de Numão, entre a Pesqueira e Foz Côa, e que contém dentro dos seus muros sete montes e trinta vales, era uma das preferidas de D. Antónia. Ali a detentora de uma das maiores fortunas do Douro primava em receber as suas visitas, debaixo de uma frondosa palmeira que ainda hoje existe. Ao instalar-se o barão no Vesúvio, aumentou assim o número de visitantes que já ali se encontravam, a saber, a filha de D. Antónia, o genro (jovem conde de Azambuja) e ainda o juiz de direito da comarca, que apreciava muito não se sabe se a quinta, se o famoso vinho, se a Ferreirinha.
D. Adelaide, ao ver-se ladeada de toda esta gente, e talvez um pouco saturada de tantas visitas, decide anunciar a sua partida no dia seguinte para a Régua. O barão disponibiliza-se de imediato para a acompanhar, ao que recebeu resposta negativa da proprietária, alegando que o mesmo não tinha lá o seu barco. Num gesto de galanteio e contra resposta, o barão fez questão de a acompanhar, porque era conhecedor do percurso e seria o governador do barco da enérgica Senhora. Separava-os da "Princesa do Douro" a distância de cinquenta e seis quilómetros e havia que passar pela pior garganta do curso: o cachão da Valeira. Era este o local que mais impressionava o barão, e por ele desenhado várias vezes. Foi precisamente aí que a tragédia caiu sobre os viajantes.
Os remeiros não puderam evitar a força da torrente, o barco afundou-se e todos os ocupantes foram atirados para as águas revoltosas do rio. As grandes saias de balão que então se usavam seriam motivo de salvação das senhoras. Os cavalheiros tiveram outra sorte. Desapareceram dois criados de D. Adelaide, e os cadáveres encontraram-se dias depois nas imediações da Régua. Até um caixote com pratas que a Ferreirinha levava para a Quinta de Travassos em Loureiro, veio a aparecer longe, entalado na roda de uma azenha. Só do Barão não houve mais notícias. Vieram mergulhadores, na esperança de encontrar o corpo, sendo todas as tentativas infrutíferas. O Barão, que sempre usava um grande cinto de cabedal atulhado de libras de ouro, tinha nesse dia calçado grandes botas pretas, que chegavam ao cimo da anca, e tudo aquilo era ouro escondido.

O Barão de Forrester desapareceria, nas profundas deste rio, amante sôfrego, que o abraçou para sempre e o não deixou mais partir. Sentida e merecida homenagem a este amante do Douro e do seu rio.


A Wikipédia também publica uma página sobre o Barão de Forrester.




Curiosidade:

Apesar de o corpo do barão nunca ter sido encontrado, no Cemitério Inglês do Porto existe um monumento funerário em sua memória.