5.11.08

TEATRO S. JOÃO

tnsj

Fotografia localizada no Flickr


TEATRO DE S. JOÃO ou TNSJ

O primitivo teatro toma a sucessão do teatro lírico do Corpo da Guarda no qual se deu o último espectáculo a 28 de Fevereiro de 1797.

O Teatro de S. João é inaugurado a 13 de Maio de 1798 num local onde se elevavam diversas casas, um pano de muralha e a capelinha da Nossa Senhora da Batalha. O primeiro foi criado por João de Almada, pai; o segundo foi construído de raiz por Francisco de Almada e Mendonça, filho. Francisco de Almada mostrou uma grande vontade de construir um teatro lírico no mais breve espaço de tempo possível. É talvez o exemplo de obras de grande envergadura que foram feitas a um ritmo rapidíssimo: vinte e cinco meses e quinze dias. Escolheu o arquitecto-cenógrafo que trabalhava no S. Carlos e noutros teatros de Lisboa, o bolonhês Augusto Romano Vicente Mazzoneschi que estadiou no Porto de 1797 a 1799, e o engenheiro Teodoro de Sousa Maldonado. O interior foi construído segundo o modelo da época, à italiana, isto é, em forma de ferradura. Constava de quatro ordens, cada uma de vinte camarotes, à excepção da primeira que tinha mais dois; no centro da segunda ordem estava a tribuna real. A plateia superior constava de cento e onze cadeiras, a inferior de duzentas e vinte, e as varandas de setenta. O tecto apresentava uma pintura de Apolo cercado dos retratos de Camões, Gil Vicente, Baptista Gomes (!) e Garrett. No piso correspondente à segunda ordem e em frente da entrada da tribuna real, notava-se um vasto salão de forma ovóide com admiráveis decorações destinadas a concertos de música.

O projecto desenhado data de 1796. Mas a aprovação governamental sobre um ante-projecto é de 1794. Nesse mesmo ano lançou um empréstimo por acções que rendeu 32.100$000 reis. Quando , em 1796, o projecto foi aprovado oficialmente, deu início às expropriações de um certo número de prédios que custaram 3.276$320 reis. As obras iniciaram-se a 29 de Março de 1796. Almada sabia que o dinheiro era pouco. Então recorreu à pedra dos muros da cidade, compeliu os negociantes de madeira a contribuírem com materiais do seu comércio, obrigou os carreteiros a fornecerem os transportes e levou os comerciantes a subscreverem o segundo empréstimo que abriu a 29 de Dezembro de 1797 e rendeu 23.150$000 reis. A inauguração foi no dia 13 de Maio de 1798 aniversário do príncipe D. João futuro VI do nome. Assim a cidade do Porto suportou todos os encargos.

Em 1815 o teatro tinha saldadas todas as suas dividas. A denominação de Real Teatro de S. João data de 1805 segundo um documento que empossa os representantes dos proprietários ou subscritores. Nada tem a ver com o Cerco do Porto. A escolha de João tem mais a ver com o rei de que com o santo popular do Porto. Teve uma vida de 110 anos. Com a restauração do absolutismo em 1828 a sua actividade ressentiu-se. Assim como com o Cerco. O lugar de regente foi ocupado até 1850 por maestros italianos. A cidade foi produzindo tudo o que é necessário à opera excepto cantores. Havia famílias inteiras constituídas por insignes músicos. Muitos artistas líricos estrangeiros se fixaram no Porto e aí morreram fundando descendência. Entre estes a Elisa Hensler (1859) futura condessa de Edla que casou com o viúvo de Maria II, D. Fernando. Quase todos se tornaram professores da burguesia e o Porto pôde beneficiar destes novos conhecimentos e conhecer socialmente uma época de ouro musical.

Conclusões sobre a história do Real Teatro de S. João:
1º- A iniciativa da sua fundação reproduziu o que já tinha acontecido com o anterior Teatro Lírico, isto é, partiu da autoridade superior do distrito, que igualmente chamou a si a tarefa de pôr a ideia em execução, o que conseguiu num prazo incrivelmente curto.
2º- Foram os capitalistas, os comerciantes e os industriais de transportes da cidade, as individualidades que forneceram os meios materiais reclamados pelo Corregedor.
3º- A existência do teatro lírico provocou o florescimento de verdadeiros talentos musicais nacionais e sustentou uma numerosa classe de profissionais de grande estimação, tais os compositores, os maestros, os cantores e os músicos professores de orquestra.
4º- O ensino musical atingiu elevado nível; e de tal modo a inteligência artística se desenvolveu que chegaram a possuir um acertado gosto musical aqueles mesmos que nunca haviam aprendido uma nota de música.
5º- A cidade foi sempre tão ciosa dos seus direitos à cultura musical que acabou por edificar um novo Teatro de S. João, no local onde se erguera o antigo.
Reduzido a cinzas na noite de 11 para 12 de Abril de 1908. Há uma fotografia após o incêndio.

Em Junho de 1909 constitui-se uma sociedade para a reconstrução e exploração do Teatro de S. João formada por muitas personalidades da cidade. A 22 de Fevereiro de 1910 Marques da Silva ganha o projecto para o novo S. João.

Em 8 de Março de 1910 o arquitecto Marques da Silva desiste do prémio atribuído ao melhor projecto e é encarregado de dirigir as obras de construção da nova casa de espectáculos.

Notas coligidas por Jorge Rodrigues

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História do Teatro Nacional

Adquirido pelo Estado em 1992, o São João Cine é inaugurado como Teatro Nacional São João no final desse ano, tendo como director Eduardo Paz Barroso. Programas de cariz musical predominam durante os primeiros anos de vida da instituição. A programação teatral consiste em acolhimentos de produções externas, com excepção da criação de A Tempestade, de Shakespeare, encenada por Silviu Purcarete (1994).

Entre 1993 e 1995, o edifício é submetido a obras de restauro. Reabre em Setembro de 1995 e Ricardo Pais é nomeado director, conduzindo até Julho de 2000 um projecto com personalidade artística própria, retomado em 2002, após um período em que o exercício das mesmas funções é assegurado pelo actor e encenador José Wallenstein.

Criador teatral residente, cujo labor assegura coerência ao projecto artístico, Ricardo Pais assina a sua primeira encenação na Casa em meados de 1996: A Tragicomédia de Dom Duardos, de Gil Vicente. Neste período, estabelecem-se as bases de um grande pólo de criação teatral de serviço público. O TNSJ investe na articulação com a realidade cultural do Porto através de uma política criteriosa de co-produções, envolvendo-se na criação de espectáculos com companhias da cidade como o Ensemble, Teatro Bruto, Teatro de Marionetas do Porto, ASSéDIO, As Boas Raparigas…, Visões Úteis, entre outras. Esta partilha de métodos de trabalho em todas as frentes de produção e divulgação estende-se também, desde logo, a companhias nacionais como o Teatro O Bando, Teatro da Cornucópia e o Teatro Meridional, prolongando-se no decurso dos anos a companhias como o Novo Grupo/Teatro Aberto, Teatro da Garagem, Escola de Mulheres e Teatro Praga.

Paralelamente, o TNSJ desenvolve uma aproximação aos circuitos internacionais de criação teatral, nomeadamente através da participação de criadores estrangeiros em produções próprias (destaque para o encenador Giorgio Barberio Corsetti e o videasta Fabio Iaquone) e do festival PoNTI – Porto. Natal. Teatro. Internacional. As edições de 1997, 1999, 2001 (excepcionalmente, disseminada por todo o ano) e 2004 dão a conhecer uma multiplicidade de experiências cénicas assinadas por encenadores como Robert Wilson, Eimuntas Nekrosius, Robert Lepage, Peter Stein, Stéphane Braunschweig, Jérôme Deschamps & Macha Makeïeff, Alain Françon, Ivo van Hove, Thomas Ostermeier, Anatoli Vassiliev, entre tantos outros.

Afirmando o palco como lugar privilegiado de conhecimento da polimorfia da língua, o TNSJ elege a palavra como eixo ético de todo o investimento cénico, revelando ou revisitando textos de uma ampla diversidade de autores, com destaque para os de língua portuguesa – de António Ferreira a Fernando Pessoa, de António José da Silva a Maria Velho da Costa ou do Padre António Vieira a Jacinto Lucas Pires. A estes nomes haverá ainda que acrescentar outros, clássicos e contemporâneos, da dramaturgia universal: Shakespeare, Calderón, Corneille, Molière, Otway, Wedekind, Büchner, Tchékhov, Jarry, Pirandello, Ionesco, Beckett, Goldoni, Friel, Handke, entre muitos outros.

O TNSJ consagra desde 1996 um espaço expressivo à dança. Refira-se, a título de exemplo, o ciclo Dancem!, realizado em 1996 e 1997, depois retomado entre 2003 e 2005, mas também os ciclos dedicados em anos mais recentes a criadores nacionais como Olga Roriz, Rui Horta, Né Barros e Paulo Ribeiro. Também coreógrafos como Gilles Jobin, Jérôme Bel, La Ribot, Marie Chouinard e Wim Vandekeybus são apresentados no âmbito da programação destes anos.

Encontrando na música uma particular capacidade de libertação de imaginários cénicos, o TNSJ desencadeia também experiências de cruzamento de actores com o canto (destaque-se o caso fundador de Linha Curva, Linha Turva, em 1999), de encenadores com a ópera (a título de exemplo, refiram-se O Belo Indiferente, de Francis Poulenc, 1997; O Boticário, de Haydn, 1999; e The Turn of the Screw, de Benjamin Britten, 2001), de músicos – como Jeff Cohen, Pedro Burmester, Nuno Rebelo ou Vítor Rua – com os desafios da cena. A “fatalidade cénica” da música prolonga-se em espectáculos designados “músico-cénicos” que envolvem a incursão no fado (pela sua projecção internacional, Cabelo Branco é Saudade, de 2005, será provavelmente o mais emblemático) e a participação de compositores como Rabih Abou-Khalil e Arrigo Barnabé. Assinale-se que a interdisciplinaridade cultivada no TNSJ leva também a Casa a programar, produzir e/ou apoiar diversos festivais de spoken word, performance, live art, música electrónica e música experimental e improvisada.

A par de toda a produção artística, o TNSJ efectua um investimento crescente numa política editorial capaz de contrariar a efemeridade da aventura teatral e multiplicar as perspectivas sobre as criações apresentadas. Deste esforço resultam a edição de textos dramáticos e ensaísticos (em parceria com a editora Cotovia e, depois, com a Campo das Letras), o lançamento de CDs, vídeos e DVDs de espectáculos da Casa, para além de programas e outras publicações destinadas a documentar a especificidade de cada projecto.

Reveste-se de especial significado o facto de, em 2003, o TNSJ assumir a responsabilidade pelo renovado Teatro Carlos Alberto, antigo Auditório Nacional, dirigido por Nuno Cardoso, encenador que assina nos anos seguintes diversas produções da Casa. Enquanto segunda sala do TNSJ, o TeCA afirma-se como espaço privilegiado de trabalho em colaboração com companhias e criadores da cidade, mas também como lugar originário de criação e ponto de circulação fundamental para boa parte da produção portuguesa contemporânea.

Ponto culminante do processo de internacionalização – assente até ao momento na realização do PoNTI, e também esboçada em co-produções internacionais, como Raízes Rurais, Paixões Urbanas (1997), ou na breve inscrição na Convenção Teatral Europeia durante o mandato de José Wallenstein – é o reconhecimento da singularidade do projecto artístico de Ricardo Pais por parte da União dos Teatros da Europa (UTE), que, em 2003, aprova a integração do TNSJ na rede de “teatros de arte” fundada por Giorgio Strehler. A consequência mais evidente desta adesão acontece no ano seguinte, com a realização no Porto do XIII Festival da UTE. Nestes anos, a afirmação internacional do TNSJ intensifica-se através de iniciativas como o Portogofone (edições de 2004 e 2007) e da crescente circulação de produções da Casa em palcos europeus. Espectáculos como Woyzeck, de Büchner, enc. Nuno Cardoso (2005), e diversas criações de Ricardo Pais (UBUs, de Alfred Jarry, em 2005, D. João, de Molière, em 2007, e Turismo Infinito, a partir de Fernando Pessoa, em 2008) são apresentados em grandes palcos internacionais. Paralelamente, são também promovidos intercâmbios e parcerias com estruturas como o Teatro de La Abadía (Madrid), o Teatre Lliure (Barcelona), La Comédie de Reims, o Teatro di Roma e o Teatro Stabile di Torino, assinalando o estatuto de maioridade do TNSJ no circuito europeu. A internacionalização da Casa não se circunscreve, todavia, ao espaço europeu e comunitário, mas abrange também o Brasil, envolvimento de que a digressão brasileira de Madame, de Maria Velho da Costa, em 2000, é a experiência mais marcante.

Em 2007, o Teatro Nacional São João é integrado no sector empresarial do Estado, recebendo a designação de Entidade Pública Empresarial, passando Ricardo Pais a acumular as funções de Presidente do Conselho de Administração e Director Artístico. Simultaneamente, é atribuído ao TNSJ o Mosteiro de São Bento da Vitória, que, para além de acolher vários serviços da Casa, assume a condição de espaço de apresentação de espectáculos e programas complementares.

Qualquer nota histórica do projecto artístico do TNSJ ficaria incompleta sem a menção à estreita colaboração gerada na última década com múltiplos criadores, de várias gerações e disciplinas – da representação à composição musical, do desenho de luz à encenação, passando pelas áreas da cenografia, da sonoplastia, dos figurinos, da voz e elocução, da escrita para cena, da fotografia e das artes gráficas. Esta ambição formativa está no centro da actividade do TNSJ na última década, envolvendo actores e criativos, técnicos e os próprios espectadores. Um labor movido não pela pretensão de fazer história, mas pela ambição de que a história do teatro recomece todas as noites.

Bibliografia consultada:
Paulo Eduardo Carvalho – “Cartografia hesitante de uma experiência multiforme: o TNSJ e o teatro na cidade do Porto”. Portogofone 2004 [Programa]. Porto: Teatro Nacional São João, 2004.





4.11.08

Rua ARMÉNIO LOSA

08|11|08

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Breve biografia

Arménio Taveira Losa (Braga, 28 de Outubro de 1908 - Porto, 1 de Julho de 1988) foi um arquitecto português do século XX.

Licenciou-se em Arquitectura pela Escola Superior de Belas-Artes do Porto, em 1932, tendo abandonado a actividade de arquitecto apenas em 1985 (com 77 anos). Foi casado com a escritora de literatura infantil de origem alemã Ilse Losa.

Foi no Norte de Portugal um dos portas-vozes do Movimento Moderno, deixando a sua marca em diversos projectos para habitação e serviços, destacando-se na cidade do Porto: a remodelação de uma destilaria de açúcar, a habitação no Pinheiro Manso, a Fábrica de Sedas, o bloco de habitação colectiva da Carvalhosa, o prédio de escritórios na Rua de Sá da Bandeira, o edifício da CUF na Praça da Galiza. E ainda a repartição de finanças em Viana do Castelo e a Fábrica de Cerveja em Leça do Balio, entre outras.

Com o arquitecto Cassiano Barbosa, em 1954, colaborou um conjunto para habitação na Ponte da Pedra. Fez ainda estudos para Quelimane (Moçambique) e para o Lobito (Angola). Participou no associativismo, no seio da Organização dos Arquitectos Modernos que ajudou a fundar e realizou vários estudos de planeamento para a Câmara Municipal do Porto entre 1939 e 1945. Interveio ainda em zonas como a Sé do Porto e na zona do Hospital Escolar, em Vila Nova de Gaia. Fez ainda estudos para localidades como Carrazeda de Ansiães, Vila Nova de Famalicão, Guimarães, Matosinhos e Viana do Castelo.



Campo ALBERTO ARAÚJO

Ou o Campo do Ramaldense Futebol Clube

07|11|08

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Fundado a 5 de Abril de 1922 por Silva Neves, Santos Oleiro, Alberto Araújo, Cunhas e irmãos Grilo. O primeiro recinto para a prática do futebol situou-se na Senhora da Hora na Rua Joaquim Pinto mesmo junto à estação do caminho de ferro, entalado entre duas drogarias.

O segundo campo construído no actual Bairro das Campinas foi posteriormente mudado para as imediações da Avenida de Antunes Guimarães.

O actual campo na Rua do Pinheiro Manso, denominado Alberto Araújo, foi construído em 1939. Na altura, o campo estava rodeado por terrenos agrícolas e não destoava da paisagem e das condições dos outros clubes da cidade do Porto. Mais tarde, vieram os bairros camarários e a partir da década de oitenta do século passado, as urbanizações destinadas à classe média e média - alta....

Das principais personalidades salientam-se Humberto Coelho e Júlio no futebol, Alberto Guimarães no hóquei em campo, Luís Saavedra no boxe e o presidente Emiliano Neves. Entre tantos outros que "trouxeram" o clube desde o longínquo ano 22 do passado século até à actualidade.


Ver mais aqui: Ramaldense Futebol Clube


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O que restava em Julho de 2013 do Campo da rua do Pinheiro Manso.

Travessa de CAMPINAS

De um lado


06|11|08

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e do outro

05|11|08

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As ruas e o seu comércio

Outro estudo interessante que falta fazer é das características comerciais de algumas ruas do Porto. Sabemos, por exemplo, que as lojas que vendem sementes, árvores de fruto e artigos para jardinagem ou trabalhos nas hortas estavam (e ainda estão) na sua maioria localizadas na parte de cima da Rua de Mouzinho da Silveira. Há para isso uma explicação os lavradores vinham de comboio à cidade comprar as sementes e tinham-nas logo ali à mão, à saída da gare da estação de S. Bento. Mas nesta artéria havia também vassoureiros, ferragens, bengaleiros e lojas de instrumentos musicais. A Rua de S. João, um pouco mais abaixo caracterizava - se por ser nela que estavam instalados os mais importantes armazéns de mercearia. Na aristocrática Rua das Flores ficavam os ourives e as lojas de panos. Algibebes, alfaiates de fato feito, sirgueiros e ourives de prata encontravam-se na Rua do Loureiro, antiga Rua do Faval. No antigo Largo da Feira de S. Bento, actual Praça de Almeida Garrett, havia mercearias por junto e a retalho, miudezas e cambistas. Na Rua de 31 de Janeiro predominavam os seguintes estabelecimentos: relojoeiros, chapeleiros, bazares de quinquilharias e alfaiates de fato feito por medida. O curioso é que muitas das actividades citadas ainda se mantêm nas ruas indicadas.


Germano Silva




3.11.08

Rua FELIZARDO DE LIMA

04|11|08

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Anteriormente esta rua teve o nome de rua de S. Sebastião.



Quem foi FELIZARDO LIMA?

Nasceu em Lisboa em 3 de Novembro de 1839, com o nome completo de Joaquim Felizardo de Lima Camelo Pereira da Silva de Sousa Castelo Branco Vilhena e Bourbon, mais conhecido por Felizardo de Lima. Era filho de Joaquim Maria de Lima Camelo Pereira da Silva e de D. Isabel Mafalda de Sousa Castelo Branco Manoel de Vilhena e Bourbon.

Realiza os primeiros estudos no Liceu de Lisboa e frequentou o primeiro ano da Escola Politécnica. Assentou praça em Infantaria nº 7(março de 1854), mas pediu baixa quando era furriel de caçadores nº 2 (1858).

Foi um dos iniciadores e secretário do Grémio Industrial, quando era presidente o conselheiro Fradesso da Silveira. Foi um dos primeiros elementos anti-monárquicos e socialistas do Centro Promotor dos Melhoramentos das Classes Laboriosas.

Foi um dos fundadores do jornal República Federal, um dos primeiros jornais republicanos que apareceu em Portugal. Pela mesma época funda também um dos primeiros centros republicanos que existiu em Portugal, o Centro Democrático. Foi também um dos primeiros seguidores da Internacional, juntamente com João Bonança.

Sendo escriturário na estação das Devesas, no Porto, foi um dos principais impulsionadores da greve do Caminho de Ferro do Norte e Leste, pelo que foi demitido.

Pertenceu ainda a diversas sociedades e agremiações de carácter popular como a Fraternidade Operária, do Porto, de que foi secretário geral. Colaborou em numerosas publicações como Portuguez, Federação, publicou e foi director do Ensaio Literário, colaborou nas seguintes publicações de feição literária como Murmúrio e Aurora; escreveu folhetins no Diário de Notícias, combateu o catolicismo no jornal Opinião Nacional. No Porto, redigiu os jornais Bom Senso(1873), A Bandeira do Povo (1887), O Amigo do Povo e O Radical (1888). Foi também durante bastante tempo redactor da Discussão, onde combateu as medidas da fazenda apresentadas por Mariano de Carvalho.

Na vila da Moita, onde foi professor, publicou um semanário intitulado A Instrução Primária(1864), foi professor particular em Fafe, foi ainda primeiro redactor do Comércio de Penafiel, enquanto esta publicação alinhou ao lado dos republicanos e socialistas. Após a revolta republicana de 31 de Janeiro de 1891 foi redactor do Democrata da Beira, de Lamego, onde viveu durante cerca de três anos e onde publicou ainda o jornal A Luz.

Escreveu ainda Vingar Regenerando (romance); A Felicidade ou a Miséria; O Registo Civil, carta ao Duque de Saldanha; Carta Aberta sobre a política Portuguesa; D. Fernando ou D. Carlos de Bourbon, quando da escolha do rei nas cortes constituintes espanholas; publicou ainda dois volumes de ciência popular sob o título geral de Biblioteca Geral de Instrucção Popular; Judeus, Cristãos e Maometanos perante a ciência; Apontamentos para a História do Proletariado; um Método de Ensino de Escrita e de Leitura (1861). Espalhou a sua colaboração por númeras publicações, especialmente as de carácter político ligadas ao Partido Republicano.

Devido às suas ideias começou a ser perseguido. A situação mais conhecida foi aquela que viveu quando era professor na Moita, tendo sido demitido pelo Ministério regenerador, devido à intransigência das suas ideias políticas. Sustentou algumas polémicas que lhe valeram as perseguições de uns e a admiração de outros. Devido às suas ideias e para sustentar a sua família vive de várias profissões como professor, tecelão, envernizador, auxiliar de construtor de pianos, como tipógrafo, como fabricante de meias de tear, de cartonagem, entre diversas actividades.

Em 1888 procurou criar o Partido Republicano Radical, na sequência das divisões crescentes entre republicanos desde o III Congresso do Partido Republicano de 1887, que tinha sido suspenso entre fortes tumultos. Porém, esta cisão quase só obteve adeptos na cidade do Porto. No entanto, desempenhou um papel fundamental a criação de condições para a revolta republicana de 31 de Janeiro.

Na sequência da sua acção através do jornal O Radical , Felizardo Lima propõe mesmo um novo programa federalista para o Partido Republicano, onde recuperavam os princípios federalistas, municipalistas e propondo a laicização crescente da sociedade.

Em 1889, estando empregado na construção do ramal do caminho de ferro entre Santa Comba Dão e Viseu, abandonou o lugar e partiu para o Porto, porque tomou parte no movimento patriótico provocado pelo Ultimato inglês de 1890. Foi implicado no movimento revolucionário de 31 de Janeiro de 1891 e julgado nos tribunais marciais de Leixões foi condenado a ano e meio de prisão, pena que cumpriu na Relação do Porto. Além desta prisão tem sofrido muitas outras por questões políticas, chegando a estar incomunicável e sendo mesmo uma vez metido no "segredo" da Relação.

Em 1900 volta a ser preso por estar presente na manifestação realizada no Porto, devido ao caso Rosa Calmon.

Diz Mayer Garção na sua obra Os Esquecidos, Lisboa, 1924, p. 107:
A sua raça era aristocrática, como a de tantos dos mais intrépidos audazes e generosos e generosos apóstolos ou lutadores da Revolução Francesa. O mesmo fogo devorava o seu espírito. Todavia, foi sempre obscuro, mesmo em vida, mesmo quando o seu nome era conhecido de todos os republicanos portugueses. Porque não dizê-lo? A maior destes republicanos considerava-o quase um louco. O que dele se contava fazia sorrir. Tinha duas filhas, a quem registara com os nomes de Liberdade e Marselhesa.

Faleceu no Porto em 24 de Junho de 1905.

Bibliografia Consultada:
Castelo, Cláudia, "Felizardo de Lima", Dicionário de Pedagogos Portugueses, dir. António Nóvoa, Asa, Porto, 2003, p. 762-763.
Garção, Mayer, Os Esquecidos, Empresa Editora e de Publicidade A Peninsular, Lisboa, 1924, p. 107-112.
Homem, Amadeu Carvalho, Da Monarquia à República, Palimage, Viseu, 2001.


artigo publicado no:
Almanaque Republicano