24.5.13

ESTRELA D'OURO

2013_096

O Estrela

Actualmente é um restaurante mas durante muitos anos foi um café.

Muito especial, tanto pelo espaço como pela sua localização. Dos cafés do centro da cidade era um dos poucos onde se podia estudar à noite. O senhor Fortes tinha decidido que não haveria televisor na sala.

Largas montras deixavam entrar a luz rara da rua da Fábrica.
No interior, as mesas pareciam alinhadas na parada de um quartel.

Subindo o degrau da entrada, escolhia-se ou a esquerda ou a direita.
Do lado direito, dava-se logo com o quiosque. Jornais, revistas, tabaco, etc. Como era hábito nos anos sessenta. A D. Palmira conseguia gerir aquelas dezenas ou centenas de quilos de mercadoria.

Do lado esquerdo encontrava-se um balcão envidraçado onde vendiam café e bolos para fora. Ao lado do balcão, o telefone – cabine a moedas de cinco tostões. Logo a seguir o marco do correio. Sim, o Estrela era o único café do Porto com um marco do correio no seu interior.

Ao fundo, um grande balcão onde os empregados iam buscar as encomendas.
Do lado esquerdo, antes de chegar ao balcão, uma escada de acesso à sala de bilhares.

Etc.. etc...






3 comentários:

Fernando Ribeiro disse...

Eu mesmo sou um antigo frequentador habitual do Estrela. Habitualíssimo! De tal maneira que posso dizer que tirei o curso no café, tantas foram as horas que passei lá a estudar...

Lembro-me perfeitamente do sr. Fortes, da D. Palmira e de diversos empregados de mesa que lá trabalharam. Lembro-me também do marco do correio, claro.

Aí por volta de 1970, talvez, quem costumava frequentar o Estrela d'Ouro era o poeta Pedro Homem de Melo. Passava as tardes a escrever cartas atrás de cartas. Comprava os envelopes e os selos na tabacaria, sentava-se a uma mesa do lado direito, das que estavam encostadas à parede, e escrevia, escrevia, escrevia... Por fim, já com os envelopes fechados e selados, levantava-se e punha tudo no marco do correio. Fazia tudo isto sem sair do café!

Teo Dias disse...

Fernando Ribeiro, obrigado pelo comentário.

Em 1970 estive a passar férias grandes não muito longe da Ericeira, frequentei muito menos o Estrela. Mas nos anos anteriores também devo ter passado com o cu das calças por todas as cadeiras do velho Estrela.

Lembro-me perfeitamente do Pedro Homem de Melo a ir alugar o jornal ao quiosque e sentar-se naquelas mesas reservadas ao serviço de restaurante.

Havia mais gente com "lugar cativo" desse lado da sala. Sobretudo as pessoas que trabalhavam na altura na Emissora Nacional, em Cândido dos Reis, e no Radio Clube Português, na rua de Ceuta.

Menos conhecidos, na altura do que o poeta de Afife, também frequentavam na altura o café, o César Príncipe e o Viale Moutinho.

Espero que os outros ex-frequentadores do Estrela d'ouro dêem mais achegas ao que aqui está!

António Laúndes disse...

Também muitas vezes estive , frequentei não muito, o Café "Estrela D`Ouro" , antes de 1963.
Nesse tempo o Pedro Homem de Mello (com dois l) , frequentava mais o Café Diu que aliás ficava mais perto da sua residência.
Do Café Esrela D`Ouro, além do que aqui já por outros foi referido, saliento a grande frequência de estudantes, da sala de bilhares no 1º andar (não na cave como em outros cafés) e a actividade do ardina que alugava os jornais : pagava-se o aluguer , lia-se, e devolvia-se o jornal depois de lido ! .
Este Café inscrevia na cidade um dos interessantes triângulos : "Estrela DÒuro , Aviz, Ceuta .